TagMassa

ACABOU A LUZ

A

RIO (sem surpresas) – Stoffel Vandoorne ainda nem tinha começado a dar entrevista para falar da sua primeira vitória na Fórmula E — e também a primeira da Mercedes na categoria, de quebra com dobradinha –, e a Venturi já fazia circular, em suas redes sociais e no seu site, o comunicado que informava a saída de Felipe Massa da equipe.

O anúncio foi feito agora há pouco em Berlim, onde em nove dias os elétricos concluíram com seis corridas a temporada 2019/20 — iniciada no fim do ano passado na Arábia Saudita e interrompida depois da quinta etapa, no Marrocos, em 29 de fevereiro. As provas foram todas realizadas no aeroporto de Tempelhof.

Massa disputou duas temporadas na Fórmula E. Foram 13 corridas na primeira e 11 na segunda. Chegou à superpole cinco vezes e pontuou em oito provas. Foi ao pódio apenas uma vez, em Mônaco, com um terceiro lugar em maio de 2019.

A temporada #6, que acabou de terminar na Alemanha, foi muito ruim. O brasileiro marcou míseros 3 pontos e terminou o campeonato em 22º. Seu companheiro, o obscuro Eduardo Mortara, fez 40 e foi o 14º. Massa só não foi pior do que dois pilotos entre aqueles que disputaram todas as corridas da competição — Oliver Turvey, da péssima Nio, e Nico Müller, da horrível Dragon (ambos zeraram).

O fato é que Felipe não gostou da Fórmula E e a Fórmula E não gostou de Felipe. Nada deu certo. Quando ele fechou com a Venturi, havia no ar uma possibilidade de o time monegasco, associado à Mercedes, ser uma ponte para a equipe oficial da marca alemã, que faria sua estréia na temporada seguinte. Não foi. A Mercedes se acertou com Vandoorne e De Vries, e se tinha alguma intenção de recrutar Massa por seu currículo e experiência, abandonou a ideia ao observar seu desempenho nos últimos dois anos.

Felipe diz, no comunicado oficial da equipe, que “em breve falará sobre seus planos para o futuro”. Não sei se há muito futuro no automobilismo internacional para um piloto como ele, que fez 39 anos em abril e, claramente, já viveu o auge da carreira. Correu na F-1, venceu GPs e fez poles com a Ferrari, foi vice-campeão em 2008, teve uma sobrevida digna na Williams, e quando ficou sem cockpit acabou indo parar na Fórmula E — uma categoria em ascensão.

E não é culpa dele, este futuro incerto. Claro que Massa, aos 39 anos, ainda sabe pilotar carros de corrida e poderia esticar a carreira por mais algum tempo. O problema é que falta lugar para um piloto como ele correr. O DTM, que vinha sendo um refúgio interessante para quem saía da F-1 com alguma idade, está definhando. O WEC assistiu, nas últimas temporadas, à fuga de marcas como Audi e Porsche. A Indy nunca esteve em seu radar. Correr no Japão, na Austrália? Não, isso faz sentido para quem está começando a carreira, ou para quem já fez a vida nesses mercados — caso claro de João Paulo de Oliveira no Japão.

Sobra a Stock. Aí, sim, acho que Felipe tem lugar se estiver disposto a recomeçar. Porque se trata de um recomeço, sim, e seu amigo Rubens Barrichello pode lhe explicar bem. E não é só estar disposto a recomeçar nas pistas, não. É estar a fim de mudar de vida, talvez voltar a morar no Brasil depois de anos em Monte Carlo, encarar uma realidade totalmente diferente daquela a que ele e sua família se acostumaram. Além do desafio técnico, claro. E, igualmente, Rubinho pode ser um ótimo conselheiro nessa hora. Barrichello foi para a Indy depois da F-1 e fracassou. Soube pular fora quando percebeu que não era a dele e conseguiu dar a volta por cima na Stock. Mas Rubens é muito apaixonado, viciado, obcecado por corridas. Por isso se deu bem e, aos 48 anos, continua competitivo e lutando por vitórias e títulos no Brasil. Eu diria até que ele ajudou a mudar a Stock por dentro — a categoria, antes dele chegar, era um pega-pra-capar que dava até medo.

Felipe teria paciência e tamanha dedicação para tomar esse caminho? Não sei, sinceramente. Ele ocupa, hoje, um cargo importante na FIA na administração do kart pelo mundo. Há alguns anos, criou com a Fiat duas categorias no Brasil, o Trofeo Linea, com carros de Turismo, e a F-Futuro, com monopostos de base. Perdeu dinheiro com a iniciativa, que não recebeu a devida importância do automobilismo brasileiro, mas aprendeu bastante e mostrou que tem ideias para o esporte. Imaginá-lo como dirigente no futuro não é nenhum absurdo.

Mas acho que, no fim das contas, ele acaba na Stock. Não será nada difícil para ele arrumar bons patrocinadores para disputar o campeonato. E é um ótimo piloto. Seus dois anos de Fórmula E, muito ruins, não são representativos do talento e competitividade que sempre demonstrou. E, acredito, não arranham sua reputação.

Deu errado, apenas. Às vezes acontece.

E-MASSA

E

massaventuri

RIO (bancos, odeio) – A assinatura de Felipe Massa com a Venturi, anunciada hoje ao meio-dia pelo Instagram do piloto — gosto disso, Felipe não privilegia ninguém, sempre foi assim –, me parece ter um forte vínculo com a Mercedes.

[bannergoogle]A empresa monegasca não é propriamente uma montadora de automóveis, mas sim uma fornecedora de tecnologia para carros elétricos. Na temporada #5 da Fórmula E, vai fornecer seu trem de força para um novo time que está chegando à categoria, chamado HWA.

E o que é HWA? É a equipe que está à frente das operações da Mercedes no DTM — como era a Joest com a Audi no WEC. Uma parceria técnica e operacional. Como a Mercedes está saindo do DTM, não é difícil juntar as peças do quebra-cabeças. Essa HWA será o primeiro pezinho da montadora alemã na Fórmula E.

A Mercedes já anunciou que entra para valer na temporada #6. Parece bastante óbvio que vai usar a temporada #5 para se ambientar, aprender, alocar pessoal na Venturi e na HWA, entender como funcionam as coisas nesse universo novo e ainda muito incipiente. Assim, é bem provável que no biênio 2019/2020 a HWA seja rebatizada como Mercedes, apenas, ou então adote nomenclatura parecida com o que era a Abt-Audi nos primeiros anos da competição.

[bannergoogle]Massa assinou por três anos. Não será piloto oficial da Mercedes, pois, pelo menos nesse período. No futuro, quem sabe? A lista de pilotos possíveis para a HWA tem bons nomes, todos ligados à Casa de Stuttgart (adoro essas denominações: Casa de Maranello, Casa de Ingolstadt, chique pacas). Eu colocaria, de cara, Pascal Wehrlein, George Russell, Edoardo Mortara (que já é piloto da Venturi) e até Nico Rosberg.

Nico, aliás, será o responsável por apresentar o novo carro da Fórmula E sábado em Berlim. Ele investe na categoria e seu nome está sempre presente nas especulações envolvendo a chegada da Mercedes à série elétrica.

O fato é que a vinda de Massa é mais uma bola dentro da F-E. O campeonato só cresce e seu grid ganha cada vez mais qualidade com nomes fortes como o dele. Boa sorte ao rapaz. Ele vai curtir.

MASSA E A STOCK

M

[bannergoogle]RIO (faz bem) – Felipe Massa vai disputar uma etapa da Stock no ano que vem, a corrida em duplas, como parceiro de Cacá Bueno. É uma boa forma de conhecer o carro melhor, já que a categoria não lhe é nenhum mistério — ele costuma ir a algumas provas, quando pode, e conhece toda a tigrada que corre lá.

Trata-se de um nome de peso, mas não acho que ele tenha a intenção de correr no Brasil. Não por enquanto. Aliás, já falou disso outras vezes. Sua vida está bem estabelecida na Europa, o filho estuda lá, mora em Mônaco, lugar seguro e tranquilo, e não teria muitos motivos para voltar. Nem profissionais, nem pessoais.

Continuo achando que o destino de Felipe é a Fórmula E, talvez com a Mercedes, na temporada #5. Mas vai ser legal vê-lo disputando uma prova nacional pela primeira vez desde 1999.

FOTO DO DIA

F

Esse é o desenho da carenagem dos quatro karts da equipe de Felipe Massa para as 500 Milhas da Granja Viana, prova marcada para o dia 16 de dezembro. Felipe não corria lá desde 2012 e venceu o festival pela última vez em 2009. O time que Massa montou é de respeito: tem Lucas di Grassi, Julio Campos, Marcos Gomes, Caio Collet, Sérgio Sette Câmara, Dudu Massa, Rodrigo Natel, Ruly Vieira, Lucas Salles, Adriano Amaral, Alexandre Miranda, Rodrigo Dantas e Guilherme Gouvea.

327602_753940_img_20171130_wa0049

RÁDIO MASSA

R

Muito legal esse clipe que a F-1 postou hoje com os melhores momentos de Felipe Massa no rádio. Algumas passagens são muito engraçadas. E é um bom resumo da sua bela carreira.

SEM BRASIL

S

emmo70

RIO (e daí?) – Para muita gente, é o fim do mundo. Para quem tem alguma noção da realidade, era apenas uma questão de tempo e consequência de uma série de circunstâncias que envolvem o automobilismo em geral e o nacional, em particular. Pela primeira vez, desde 1970, uma temporada de Fórmula 1 não terá um piloto brasileiro no grid. Naquele ano, Emerson Fittipaldi fez sua estreia pela Lotus (foto) na sétima etapa do campeonato, o GP da Inglaterra. Foi, inclusive, a última temporada a começar sem um piloto do país inscrito entre os participantes. A partir de 1971, em todos os Mundiais a prova de abertura teve um brasileiro pronto para a batalha, firme e forte.

Oh, e agora, o que será de nós?

[bannergoogle]Bem, a Terra não vai parar de girar, lamento informar. Potências como França, Itália, Espanha e Alemanha também viveram seus períodos de vacas magras. Nem por isso esses países deixaram de acompanhar e de amar a Fórmula 1. Outros têm seus GPs há anos, ou tiveram, e jamais contaram com pilotos participando, como China, Turquia, Bahrein, Abu Dhabi, Coreia do Sul, Singapura… Malaios, japoneses, canadenses, austríacos e americanos também vêm e vão, e nem sempre com sucesso.

No Brasil, a julgar pelo tom dos comentários de algumas pessoas nas redes sociais — felizmente elas não representam o todo, espero que sejam uma minoria, embora barulhenta e chiliquenta –, a F-1 vai acabar e merece morrer e ser enterrada sem honra. Não vai. Pode ser que o público seja depurado, fenômeno verificado depois da morte de Senna. O fim trágico de sua carreira mostrou claramente que por aqui havia uma enorme massa de gente que gostava dele, não de corrida. Que se apropriava de suas vitórias “nas alegres manhãs de domingo”, e que ele servia mesmo para isso: melhorar o dia de algumas pessoas e suas vidas miseráveis.

Brasileiro é egoísta. Exige que seus atletas vençam e sejam campeões para que tornem seus dias mais felizes — dos torcedores, não deles, esportistas. Se não vencem e não são campeões, transferem suas frustrações a eles, atletas. São os culpados por nossos dias não serem melhores. É uma pobreza de espírito monumental.

[bannergoogle]Barrichello sofreu muito na pele essa “cobrança” de torcedores enfurecidos e frustrados, por anos a fio. A TV Globo tem muito a ver com isso, por vender expectativas falsas sobre as possibilidades que ele tinha de vencer corridas e campeonatos — quando não tinha; ganhar um GP era uma esperança remota diante de um companheiro tão melhor como Schumacher, e ser campeão, impossível. Por isso, sua imagem junto ao mui exigente torcedor de poltrona do Brasil é a de um simpático fracassado. E isso está acontecendo com Massa, agora.

Esse fã efêmero e carente não interessa a esporte algum. Se assiste a uma corrida apenas para ver um brasileiro correndo e vencendo, tem uma visão míope do esporte e da vida. A Fórmula 1, ao contrário do que muitos pensam, não perdeu a graça quando Senna morreu. E não vai perder a graça agora que não haverá um brasileiro no grid. Ela continua forte, exuberante, com momentos bons e ruins, será como sempre foi.

No dia em que o brasileiro médio compreender que esporte algum foi concebido para brasileiro ganhar — exceção feita às competições dominicais que a Globo inventa para tocar vinheta e hino, os “jogos mundiais de verão”, os “desafios internacionais de futebol de areia”, as “travessias universais do Arpoador” e coisas do gênero –, passará a gostar de esporte de verdade. Até lá, teremos de aguentar a depressão desse povo que não entende nada de nada.

O FIM, ENFIM

O

massafinal17

RIO (finais & finais) – Não lembro exatamente o que escrevi ano passado quando Felipe Massa anunciou sua aposentadoria, mas creio que deve ter sido o mesmo que vou escrever agora. Que teve uma carreira bonita, digna, que dá para ser feliz fora da F-1 e das pistas, que a decisão de parar é difícil, claro, mas sempre pessoal — e não merece contestação –, e possivelmente lhe desejei uma boa vida.

A única, e grande, diferença entre o que aconteceu em 2016 e o que está acontecendo agora é que desta vez não foi ele quem resolveu colocar um ponto final nessa história, e sim a Williams. Massa voltou a pedido da equipe, que perdeu Bottas de repente, e queria continuar. Estou me fiando em suas últimas entrevistas, todas elas demonstrando o desejo de seguir.

Ocorre que a equipe, em nenhum momento, considerou sua permanência. Não sei, talvez nunca saibamos, em que termos as conversas internas ocorreram. Nem se ocorreram. Será que a Williams falou com Felipe quando saiu caçando piloto para um vestibular? Conhecendo a Fórmula 1 e sua gente como conheço, pode ser que não. O que, em certa medida, mostraria algum desrespeito aos quatro anos do brasileiro na casa.

[bannergoogle]Mas pode ser que sim, também, e que Massa tenha sido alertado da decisão do time de colocá-lo, no máximo, numa lista — o que, sem precisar de tradução, significaria claramente que não tinha interesse em mais um ano. Fala-se muita coisa indiretamente na F-1, é tudo uma questão de compreender o significado de palavras, comunicados e decisões. Talvez o piloto devesse entender o recado imediatamente. Talvez alimentasse alguma esperança. Sei lá. Mas, para mim, no exato instante em que a Williams falou em Kubica e Di Resta ficaram evidentes suas intenções — aliás, Kubica vem sendo apontado como favorito à vaga, que ganhou mais dois pretendentes nos últimos dias, Wehrlein e Kvyat.

De qualquer forma, a novela durou pouco e, aparentemente, Felipe chegou à conclusão, depois de alguns dias de reflexão e conversas com os mais próximos, que a fila andou e ele já não faz mais parte dela. “Respeito” foi palavra que o brasileiro usou em muitas de suas recentes declarações, dando a entender que a situação era bem incômoda — Victor Martins fala sobre isso no seu blog, em texto brilhante. Mas não vou aqui demonizar a Williams porque, de novo, sei como as coisas funcionam na F-1. As frituras são lentas e, na medida em que o óleo vai esquentando, as relações vão-se deteriorando e o ambiente começa a se tornar esquisito.

Massa é um jovem de 36 anos que, se quiser, ainda pode continuar correndo. Agora é a hora de pensar no futuro, e se ele se imagina por mais algum tempo em carros de corrida, terá de considerar as poucas opções que se lhe apresentam.

Uma seria a Fórmula E. Uso o condicional porque para a quarta temporada, já era. Restava uma vaga na Andretti, que foi fechada nesta semana. E o campeonato está para começar, daqui a um mês. O WEC vive um momento de indefinições e incerteza. Um piloto de seu calibre seria interessante para equipes de fábrica, mas só vai sobrar a Toyota. Os EUA podem ser um destino, assim como mergulhar de cabeça na Stock, como fez Barrichello com muito sucesso.

Não vejo, porém, o mesmo perfil em Felipe. Rubinho é um tarado por corridas e às vezes dá a impressão de só não estar correndo de alguma coisa quando se deita para dormir. É preciso cuidado nessa hora. Corre-se o risco de virar um Villeneuve, por exemplo, vagando por categorias aqui e ali sem muito critério, como se fosse um fantasma, até ninguém mais se interessar por ele. Outros, como Webber, optaram por um fim de carreira sólido e quando perceberam que já não havia mais nada, pararam de vez — o australiano se mandou quando soube que a Porsche faria o mesmo. Há também o exemplo recente de Rosberg, que saiu por cima, campeão, e foi cuidar da vida e nem cogita seguir correndo.

O mais importante é ter certeza daquilo que se quer fazer e perceber que as coisas chegam ao fim, para todo mundo. Por mais que seja doloroso e, num primeiro momento, tire o chão de seus pés.

Foi, não será de novo, lembre. Frase que adoro e uso sempre. A F-1 acabou para Massa, mas a vida obviamente, não. Ele saberá lidar com isso. Que tenha duas ótimas corridas finais em Interlagos e Abu Dhabi, e siga em frente.

E sobre o fato de o Brasil ficar sem um piloto no grid pela primeira vez desde 1970, quando Emerson Fittipaldi estreou, falaremos mais tarde.

CONCORDAM?

C

RIO (alguém aí já hidratou funghi secchi no vinho?) – A Evelyn Guimarães encheu o Grande Prêmio de notícias hoje e muitas delas merecem ser comentadas por Vossas Senhorias. Sem enrolar, vamos a elas:

Massa: o brasileiro disse que está pronto para tudo, continuar ou parar, mas quer uma definição logo da Williams. E contesta aqueles que afirmam que ele está fazendo um campeonato ruim. Ao contrário, Felipe acha que vem fazendo uma boa temporada e que os críticos olham apenas para pontuação e resultados, esquecendo que a equipe parou o desenvolvimento do carro e que muitos de seus problemas neste ano tiveram origem nas deficiências do carro. Concordam?

[bannergoogle]- Alonso: o espanhol rasgou elogios a Hamilton, a quem considera um dos cinco maiores de todos os tempos. “Talentoso, ganhou em todas as categorias, com carros bons e com carros medíocres. É o grande campeão dessa geração”, afirmou, num surto de sinceridade que me surpreendeu um pouco. Ou não, talvez. Alonso, de uns tempos para cá, tem sido um personagem dos mais interessantes e francos sobre tudo que acontece na F-1 e no automobilismo. Concordam?

Hamilton: calmo, família, tranquilo, focado, reverente a Senna. Foi esse o piloto que se apresentou hoje para a coletiva no Hermanos Rodriguez. Será tetra domingo, certeza. É o melhor campeonato de sua carreira. Concordam?

Honda: a montadora japonesa confirmou o que Alonso e Vandoorne temiam. Terá de trocar os motores de ambos. Fernandinho perderá 20 posições no grid. Stoffel, 15. Ninguém na McLaren aguenta mais a Honda e o time não vê a hora de se livrar da parceira. Concordam?

Daytona: Alonso — só dá ele no noticiário — confirmou que vai correr nas 24 Horas do ano que vem pela equipe de Zak Brown, seu chefe. É um estágio de preparação para Le Mans, parece evidente. Agora, para vencer as 24 Horas em Sarthe, só arrumando um jeito de correr pela Toyota em 2018. Concordam?

Wehrlein: entrou na briga pela vaga da Williams, por indicação de Toto Wolff. A disputa será travada com Kubica, Di Resta e Massa. Para mim, o jovem alemão é a melhor escolha, tecnicamente falando. Promissor, já com alguma experiência, cascudo, talentoso. Concordam?

[bannergoogle]- Salo: o ex-piloto recebeu até ameaças de morte pela internet por ter sido um dos responsáveis pela punição a Verstappen em Austin. As redes sociais estão mesmo um saco. Concordam?

Ladrão: e não é que depois da corrida nos EUA um cabra foi até os boxes da Mercedes e tentou roubar uma asa dianteira? Quem salvou a peça foi o pessoal da Red Bull. Não sei que fim levou o larápio. Só sei que se isso acontece no Brasil neguinho iria estrebuchar e dizer que “não dá mesmo pra ter corrida em Interlagos”. Só que isso pode acontecer em qualquer lugar. Concordam?

DIVÓRCIO À VISTA

D

massa2015fica

RIO (outro) – O tom de Felipe Massa na conversa com a Evelyn Guimarães, que está em Austin, não é outro que não o de desconforto com a Williams, para dizer o mínimo. O brasileiro não está engolindo esse vestibular com Kubica e Di Resta para 2018. Acha desrespeitoso. E é. Claro que a equipe tem o direito de colocar quem ela bem entender para correr. Mas depois de quatro anos em Grove, Felipe poderia ser comunicado abertamente das intenções da chefia. Ou Ford ou sai de Simca, piada que adoro fazer e ninguém mais entende. Ficar cozinhando o galo me parece deselegante.

[bannergoogle]Já escrevi antes, e comentei num vídeo, que acredito ter se encerrado o ciclo de Massa na F-1, ainda mais depois que sua equipe decidiu testar um cara que quase perdeu o braço e outro que nunca fez nada de especial para seu lugar. Isso à parte, não vejo Felipe guiando bem, com todas as atenuantes que possam ser apresentadas ligadas às deficiências de seu carro. A distância, sinto pouca motivação e combatividade. Pode ser só impressão, mesmo porque ele mesmo disse à Evelyn que gosta de guiar os carros atuais, o que faz imaginar que, por ele, ficaria mais um tempo correndo. Mas sinto isso.

Se não for a F-1 — leia-se Williams –, não será nada. Palavras de Felipe, também. De fato, para a Fórmula E a coisa está meio em cima da hora, porque a temporada começa em dezembro e os testes já começaram. Talvez um ano sabático, talvez a aposentadoria de vez. Isso é decisão individual, depende de como o cara se sente, qual sua disposição para acelerar, treinar, viajar, encarar calendários longos ou curtos, é questão de foro íntimo, como dizia sempre o Fred Della Noce.

Fato é que as coisas azedaram. Está na cara.

NOTÍCIAS DO FRONT

N

RIO (vamos, rápido!) – Várias notinhas hoje, que não merecem posts isolados mas são interessantes para vocês comentarem.

– A Haas vai cobrar do autódromo de Sepang a conta pelo prejuízo no carro de Grosjean, que se arrebentou todo depois de pegar uma tampa de bueiro aberta nos treinos livres. Acho justo. A fatura apresentada: 750 mil trumps.

– A McLaren garante que pensou bem antes de se divorciar da Honda, mas reconhece: se os japoneses começarem a vencer de repente, ficará com cara de boba. Eu também ficaria.

– Para Helmut Marko, a Red Bull já tem o melhor chassi do grid — provou isso na Malásia. Vocês concordam?

– A Williams vai fazer uma sessão privada de testes com Kubica e Di Resta. Talvez essa aqui merecesse um post à parte, mas estou meio sem tempo. Será na Hungria, com um carro de 2014, ainda neste mês. A equipe parece muito decidida a trocar Massa, pelo jeito. Porque se não fosse assim, não iria promover uma avaliação de um piloto que é reconhecidamente mediano, normalíssimo — como Di Resta –, e de outro que tem algumas limitações físicas, apesar de enorme talento e vontade de vencer — Kubica, obviamente. Gostaria muito de ver o polonês de volta. E, diante dessa notícia, começo a acreditar que o tempo de Felipe está chegando ao fim.

kubica3ren

– A Renault está mesmo tentando contratar outro polonês, o engenheiro Marcin Budkowski. Quem?, perguntará você. Bom, o sujeito estava no Departamento Técnico da FIA, com acesso aos projetos de todos os carros de 2018 para homologação. Imagine o tanto que esse cara sabe de todo mundo. Perdeu o emprego. Está todo mundo com medo daquilo que ele pode entregar em delação que nem precisa ser premiada.

FOTO DO DIA

F

Em Mônaco, Felipe Massa assiste ao GP da Hungria e vê seu substituto abandonar a prova — Di Resta parou depois de 60 voltas com um vazamento de óleo. O brasileiro teve labirintite viral e, por isso, não correu em Hungaroring. Mais de dez pessoas no paddock sofreram do mesmo mal. A organização da corrida não se manifestou oficialmente sobre o surto.

domhun2

TESTEZZZ (1)

T

SÃO PAULO (tá frio)Deu Hamilton no dia #1 de testes de inter-temporada no Bahrein. Foram 12 pilotos na pista, alguns titulares folgaram e a McLaren não andou nada de novo. É um resumo desta terça-feira.

Mas o mais importante me pareceu o fim da polêmica Verstappen x Massa. O brasileiro contemporizou, disse que o moleque é boa gente e excelente piloto, que vai amadurecer com o passar do tempo e ponto final. Fez bem.

Enquanto isso, Alonso já está a caminho dos EUA para começar a entender como funciona esse negócio de Fórmula Indy e de circuito oval. Como disse domingo, precisa mesmo esfriar a cabeça.

bahtest171

FALA, FELIPE

F

SÃO PAULO (quem sabe…) – Victor Martins e Gabriel Curty fizeram uma ótima entrevista com Felipe Massa para o Grande Prêmio. Entre outras coisas, o brasileiro diz que será uma espécie de Schumacher para Stroll e que a suspensão da aposentadoria não significa que vai correr um ano só e depois cair fora de novo. Segundo ele, o chamado da Williams mudou tudo. Inclusive o desejo de parar.

Leiam que está muito bom o material.

massa16eee

NA ITÁLIA

N

SÃO PAULO (vamos acompanhar) – Apenas para registrar que, segundo apurou o Grande Prêmio, o teste de Felipe Massa com um carro da Jaguar da Fórmula E será realizado na Sicília. Achamos que seria em Enna-Pergusa, mas será em outra pista. Ainda não descobrimos o nome.

WEHRLEIN, WEHRLEIN…

W

SÃO PAULO (ufa) – O que o alemão Pascal Wehrlein fez ontem na Corrida dos Campeões, em Miami, poderia ter terminado em tragédia. Felizmente, nenhum dos envolvidos se machucou — ele e Massa, os pilotos, e os dois caronas. Mas já vi neguinho morrer assim, ao cair de cabeça em mureta de proteção.

A descrição do acidente e o vídeo estão aqui. Montoya foi o campeão individual da bagaça, na final com Kristensen. Hoje tem a Copa das Nações, que vamos transmitir no Fox Sports 2 a partir das 15h.

2017122816411_Batida_II

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
ASSINE O RSS

Categorias

Arquivos

TAGS MAIS USADAS

Facebook

DIÁRIO DO BLOG

janeiro 2021
D S T Q Q S S
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31