Arquivosexta-feira, 28 de março de 2014

CASCO RARO

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SÃO PAULO (grande peça) – O Carlos Bragatto participa de um grupo no Facebook que só discute capacetes. Sim, existem doidos por qualquer coisa neste mundão! E vejam que legal: a turma descobriu que está sendo leiloado um capacete raríssimo de Ayrton Senna. O modelo foi usado por ele num único teste com a Williams, em Paul Ricard. Era mais popular entre os pilotos da Indy. Senna não gostou muito e abandonou a ideia de adotá-lo na temporada de 1994, voltando ao modelo mais tradicional da Bell, se não estou enganado.

cascorarosenna

 

DICA DO DIA

D

SÃO PAULO (morri) – Acho que é uma das dicas mais legais da história da humanidade: o arquivo de fotos digitalizadas da Stanford University. Chegou a mim através do Maximiliam Luppe e do Felipe Nicoliello, o cara que mais entende de Puma no mundo. Coloquei na busca “Sao Paulo” e apareceu uma galeria com mais de 800 fotos de carros, quase todas tiradas em Salões do Automóvel dos anos 70. Mas tem também Copersucar testando em Interlagos, além de linhas de montagem de várias fábricas. As fotos são todas de Karl Ludvigsen e reproduzo uma abaixo apenas para ilustrar, já perguntando: que carro é esse com o logo da Metal Leve no capô?

As imagens têm excepcional qualidade, e ver os carros de nossos sonhos zero quilômetro em fotos de época é de matar qualquer um do coração. Inclusive para ajudar em restaurações. Dá para perder dias nelas. Coloquem “Puma” na busca, por exemplo. As fotos da fábrica são maravilhosas, quase inacreditáveis — numa delas há duas Vemaguets na porta. Ou então escrevam “Auto Union”: lá está Rosemeyer correndo para a morte. E imagino que qualquer outra coisa que vocês queiram pesquisar resultará em mais e mais fotos de época, históricas.

Incrível, a internet. Quando ela quer, é encantadora.

stanfordanhembi

SE PANGS (1)

S

sepans1SÃO PAULO (ah, a língua…) – Passei horas pensando no título dos posts para a corrida deste fim de semana na Malásia, e por isso demorou tanto o primeiro post.

Vamos a uma aula de linguística para vocês, ó ignorantes.

Como sou um cara antenado, que vive nas ruas, nos busões, no metrô e nos estádios, reparei há alguns meses no crescente uso da expressão “se pá”. Não sei se fora de São Paulo falam isso, também. Parece que a origem está nas gírias do pessoal de hip hop das comunidades.

“Se pá” quer dizer “talvez”, resumidamente. “Pode ser”, “quem sabe”, “se der” etc. “Você vai hoje dar uma volta de Gurgel?”, alguém me pergunta. “Se pá vou”, respondo.

Há uma variável, que nos meus estudos imaginei ser uma adaptação sofisticada para o francês: “Se pans”. Achei que poderia ser algo como “se pensar”, “pensando bem” ou coisa parecida. Mas não é. Porque “pensar” em francês é “penser”, com E. Mas pode ser que a origem seja essa mesmo e o pessoal tenha prestado pouca atenção na grafia nas aulas da Aliança Francesa, achando que “pense” se escreve “pans”, porque é assim que se fala. A forma “pense”, no presente do indicativo, no subjuntivo e no imperativo se diz exatamente “pans”. “Je pense que la Lotus est une merde”, por exemplo, se lê assim: “Gê pans que la Lotús é une mérde”.

Assim, depois de avaliar todas as alternativas, e em nome da modernidade, e também para atingir um público mais amplo neste blog, resolvi fazer um excepcional trocadilho com “Se pans” e “Se pangs”, numa clara alusão ao circuito que recebeu na noite de ontem e na madrugada de hoje os treinos para o GP da Malásia.

Sim, sou um gênio, sei disso, não precisam ficar repetindo.

Bem, foram treinos bem normais, com Mercedes na frente e Lotus quebrada de novo, o que já está dando pena. Se pans, Maldanado e Grojã vão pedir rescisão de contrato. O primeiro vai implorar uma vaga de quinto piloto de testes da Williams e o segundo, para voltar à GP2, onde sempre foi muito feliz.

A novidade é que Ferrari e Red Bull colocaram o pescocinho para fora do engradado. Raikkonen ficou a apenas 0s035 de Rosberguinho. Vettel, a 0s061. Se pans, vão dar trabalho. Mas é uma corrida dura. Muito calor, pneus que sofrem, motores idem (Renault que o diga) e possibilidade de chuva forte, pelo horário da prova.

Os tempos ficaram bem próximos, considerando que a pista é longa e muito peculiar, daquelas que expõem as diferenças sempre existentes entre os carros — os que andam bem em circuitos velozes, os que são melhores em pistas travadas etc; em Sepang, parece que está todo mundo andando decentemente. O intervalo entre o primeiro e o 16° foi de apenas 1s7, com os 11 primeiros dentro do mesmo segundo. É difícil interpretar com muita precisão resultados de sexta-feira em início de temporada, mas achei interessante, isso. O treino de classificação vai ser daqueles em que um ou dois décimos podem significar degola prematura para candidatos ao Q3, o que vai exigir voltas bem próximas da perfeição de todos os pilotos. Se pans, vai ter carro de time forte em posições intermediárias do grid.

E o que mais? Ah, achei legal o logotipo clássico da Esso na McLaren. Falta de patrocínio é isso, permite camaradagens com parceiros antigos.

Daqui a pouco volto, se pans com algumas novidades. Entre elas, a polêmica sobre os benditos sensores que controlam o fluxo de gasolina, que colocou a Red Bull em pé de guerra com a FIA. Agora preciso gravar na TV.

rosberguinhomalasia1

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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