Arquivosetembro 2015

KOMBI DO DIA

K

moskombi

SÃO PAULO (boa sorte!) – Tudo que envolve uma Kombi como protagonista me interessa. O dono dessa aí em cima se chama Alexander Moskow. Sua vida é a fotografia. Ele resolveu vender tudo para comprar uma Kombi 2001 e botar o pé na estrada. Mas com uma missão:

Quero seguir Brasil adentro compartilhando fotografia com as pessoas. Vou ministrar oficinas. Criar séries de retratos com temas variados. Quero arrumar um projetor para exibir as fotos em locais públicos, escolas e onde mais me deixarem. Quero exibir trabalhos bacanas e relevantes de vários colegas tupiniquins e gringos para abrir debates sobre o material projetado. Com isso, gerar a discussão, fomentar a leitura imagética e a percepção do comportamento humano no cotidiano. A Kombi será minha moradia enquanto eu estiver pelas estradas da vida. Será um estúdio e sala de aula móvel. Ainda, se eu esbarrar com pequenos circos de lona, pararei a kombinha e darei sequência ao meu documentário sobre o universo circense.

Moskow, que está longe de ser um aventureiro — ao contrário, tem um trabalho de respeito na área –, descreve o projeto em detalhes no seu site. Vai precisar de ajuda, mas considero uma boa causa. Viajar é importante, ver o mundo, idem. Se puder aliar isso a algo que toque as pessoas, melhor ainda.

Está em boa companhia. Kombis não falham.

O CALENDÁRIO

O

SÃO PAULO (saiu) – A FIA confirmou as datas dos 21 GPs que formarão o calendário da F-1 em 2016. Será o maior campeonato de todos os tempos, com duas provas além das 19 deste ano: a volta da Alemanha e a chegada do Azerbaijão, com o GP da Europa em Baku.

A temporada começa em 20 de março na Austrália e termina em 27 de novembro em Abu Dhabi. O GP do Brasil está marcado para 13 de novembro, já com as obras concluídas dos boxes e paddock.

JÁ PODE LEVAR MULTA

J

maxcartaSÃO PAULO (parabéns) – Max Verstappen faz 18 anos hoje. E tirou a carteira de motorista, finalmente! O cara é piloto de F-1 e até ontem não podia guiar na rua…

Eu fui um dos maiores críticos de sua contratação pela Toro Rosso. Achava o moleque jovem demais, quase uma irresponsabilidade.

Ainda acho que um menino de 17 anos não deveria correr na mais importante categoria do automobilismo mundial. Mas esse garoto é um fenômeno.

Vocês se lembram de alguém tão novo e tão talentoso?

FOTO DO DIA

F

SÃO PAULO (onde, onde?) – Jason Vôngoli manda a foto e a mensagem:

Tenho quase certeza de que você já já falou desse espanhol no seu blog: é o DKW-IMOSA F1000. Nada mais era do que um Schnellaster com carroceria moderna, obra de ateliê Fissore. Lançado em 1963 com motor 2T a gasolina, de três cilindros, logo ganhou uma versão a diesel com motor Mercedes — daí o casamento de logotipos. Foi produzido na Espanha (até 1986; a essa altura já fora rebatizado de Mercedes-Benz N1300) e na Argentina (em 1969, com o nome Auto Union Frontal). Acho que foi o último DKW fabricado no mundo, não?

Sim, acho que já falei da IMOSA. Linda de morrer. Mas nunca vi uma ao vivo. Creio que sim, o último DKW. Também faria uma maluquice por uma dessas.

imosalinda

VELHO???

V

SÃO PAULO (fedelho…) – Não pode passar em branco aqui o post do brother Rodrigo Mattar sobre a disputa entre Hugo Valente e Gabriele Tarquini em Xangai, no WTCC. O italiano, 53 anos, foi chamado de “velho” pelo francês — que tem 23. A história, com vídeo, está aqui.

Na boa, moleque… O cara foi campeão de tudo, tem uma carreira impecável, e com 30 anos mais do que você ainda te coloca no bolso. “Velho”, aí, é elogio. Eu, se fosse Tarquini, responderia, com o dedo em riste: “Você é novo!”.

Tem uma turminha por aí, em tudo, que ainda precisa comer muito feijão.

FOTO DO DIA

F

SÃO PAULO (na rua) – O dia foi intenso (está sendo), batendo perna por aí. Inclusive numa oficina onde estão fazendo umas coisas (de lá postei a notinha do Grojã com o laptop sobre o capô de uma BMW de corrida, para vocês terem uma ideia). Então, um refresco. O Jason Vôngoli mandou a foto inacreditável — porque tem uma Universal 1957, e elas eram raras na época, também.

Enquanto o bonde prepara sua volta em grande estilo às ruas do Centro do Rio, mando essa foto de uma Universal 57 no cruzamento das ruas do Riachuelo, Francisco Muratori e Avenida Gomes Freire. O bonde da foto vai subindo para Santa Teresa.

A descrição do amigo traz a localização desse instantâneo e celebra a volta dos bondes às ruas do Rio — até onde entendo, isso vai acontecer graças às obras olímpicas com algumas linhas turísticas, confere? Falem, cariocas, vocês andam muito calados!

jason57dkw

E como sabemos que é uma 1957? Fácil. A tampa traseira dessa perua já era diferente da 1956, que tinha duas portas com abertura na vertical e dois vidrinhos. Notem que o trinco está na altura da linha de cintura. Ele abre a tampa superior para cima e a inferior, que se abre para baixo, tem a tranca do lado de dentro. Os frisos na traseira, cinco, são característicos apena desse ano de fabricação. As lanternas são iguais às da Miss Universe, assim como as luzes de placa. O nicho onde fica a licença do carro, inclusive, é claramente uma peça de carroceria alemã, porque comportava uma placa comprida, modelo europeu. Aqui, adaptaram o conjunto para o modelos de placas nacionais, mais altas e curtas.

Arrisco dizer que essa aí era azul e branca. Como a de um amigo, essa da foto aí embaixo, que espero ver restaurada um dia — ou, ao menos, limpa e preservada, ainda que com a pátina do tempo. Fico me perguntando, inclusive, se não é a mesma…

Falando em DKW, soube que a Audi também se jogou na lama com a história do software que a VW desenvolveu para fraudar inspeções de emissão de poluentes. Seus antepassados devem estar com vergonha. Meus DKWs, indignados. “Nunca escondemos fumaça alguma”, me disse um deles, o Belcar 67 — que é o mais falante da turma.

100_0017

GROJÃ AMERICANO

G

grojahhas

SÃO PAULO (fez bem?) – Era segredo de polichinelo, todo mundo sabia, mas é sempre legal falar sobre uma mudança de equipe quando se trata de um piloto que tem certa reputação. Grosjean está embarcando numa aventura calculada. A Haas não vai ser a Virgin, ou a Hispania, ou a Lotus verde. Capaz de ser até mais do que é a McLaren hoje — empurrada pela Ferrari, cujos motores não apresentam problema algum, basta fazer um carrinho decente, o que também não é tão difícil assim. A gestão é o mais complicado numa categoria complexa como a F-1. Mas Haas tem experiência com corridas.

Buscar pontos é uma boa meta para 2016, realista e palpável. Não muito diferente daquilo que a Lotus faz neste ano, com exceção do pódio espetacular que Romain conseguiu em Spa. Em 2013, foram seis vezes entre os três primeiros, quando a equipe viveu seu melhor momento pós-Renault.

O francês começou a carreira de uma forma meio estabanada, mas quando colocou a cabeça no lugar mostrou qualidades, e não poucas. Daí a escolha. É jovem e experiente. Será muito útil nos primeiros passos do time ianque.

O segundo piloto da Haas deve ser Vergne. Ou Gutiérrez. São parecidos, e têm relações com a Ferrari. A equipe chega com os pés no chão e a cabeça nas nuvens, pensando em longo prazo. Pode se tornar, bem rápido, uma Toro Rosso. Uma Red Bull no futuro distante? Vai saber. Dinheiro e pessoal não faltam.

Estou bem curioso para ver esses carros na pista. E boa sorte ano nosso ex-Visconde de Sabugosa.

ENTREVISTA COM O BLOGUEIRO (5)

E

SÃO PAULO (queda livre!) – Só para dizer que esta aventura maluca que lancei em 1º de julho está chegando ao fim. Este é o 14º lote dos 18 previstos com as perguntas da blogaiada ao blogueiro. Devo dizer também que o interesse tem diminuído bastante. Poucos comentários, acessos caindo… Acho que demorei muito para responder tudo. A ideia era um lote por dia, estaria tudo acabado antes do final de julho, já estamos no final de setembro…

Mas paciência, o que é combinado não é caro. Lá no fim tem um link para as outras respostas desta entrevista coletiva virtual. Algumas perguntas se repetiram, o que era esperado, e por isso tem de procurar lá as respostas.

Lembretes sempre pertinentes: a sessão de perguntas já acabou e elas não foram editadas.

Paulo Bueno – Você ainda vê alguma relevância na música nacional? Alguma artista novo chama sua atenção?
RESPOSTA – Não entendo muito do assunto e escuto menos música do que deveria. Mas defendo a tese de que a música brasileira de qualidade acabou nos anos 80, quando surgiram bandas como Titãs, Ira!, Legião e outras daquilo que se convencionou chamar de rock nacional. Depois deles, não vi nada muito relevante – ao menos para meu gosto. Se esses caras ainda fazem sucesso e lotam shows, é porque nos últimos 30 anos nada de muito melhor apareceu. Reconheço que novos gêneros surgiram com força, como hip-hop, axé, funk e esse sertanejo meio pop que faz muito sucesso e também atrai multidões. Mas não gosto, acho ruins, pobres musicalmente e meio bobos no conteúdo. De qualquer maneira, a música brasileira é riquíssima e um país que gerou a Bossa Nova, a Tropicália e gente como Chico Buarque e Elis Regina merece respeito.

Brunno – Você entende que os custos elevados da Fórmula 1 somados ao fato de que a Fórmula E apresenta possibilidade de foco em desenvolvimento em áreas que, teoricamente, podem trazer retorno direto para as montadoras com a aplicação da tecnologia desenvolvida aos carros de rua são atrativos que podem colocar o futuro da Fórmula 1 em “cheque”? Considerando sua opinião, há outros aspectos, além dos acima descritos, que podem culminar no desinteresse das grandes montadoras em seguirem investindo na Fórmula 1 para concentrar seu foco de investimento na Fórmula E futuramente?
RESPOSTA – Acho que há espaço para as duas, mas sem dúvida a Fórmula E parece mais promissora no que diz respeito ao desenvolvimento de novas tecnologias que possam ser aplicadas à indústria. Não acredito que a F-1 vá minguar por isso, mas ela precisa abrir o olho para a questão do custo e daquilo que pode oferecer, esportivamente, ao público.

Cauê – O que você e o Fábio Seixas fizeram em Ímola?
RESPOSTA – Quando?

s11_0461_fine1
Porsche 917 em Le Mans: sonho irrealizável

Mario – Tem algum carro da sua atual coleção que não venderia por dinheiro nenhum? Como piloto já competiu em alguma pista fora do Brasil?Tem este sonho? Em qual circuito do mundo você gostaria de guiar numa corrida e com qual carro?
RESPOSTA – Já falei disso, o Trabant. Nunca corri fora em autódromo, embora tenha dirigido em vários. Gostaria, sim. Em Spa. Ou Suzuka. Com algum carro de Turismo, como o Lada do WTCC. Isso é palpável. Agora, se pudesse divagar num sonho irrealizável, queria correr em Le Mans com um Porsche 917.

Raphael Wilker – Você já conhecia a mídia podcast ? O que você acha dela ? A Fórmula E tem chances de ser uma Super League Fórmula, ou ser uma categoria bem sucedida como a Fórmula 1? Você prefere uma Fórmula 1 com mais equipes ou menos equipes ?
RESPOSTA – Acho que você está falando do podcast que deu origem a esta coletiva. Não, não conhecia, e por isso não acho muita coisa. Gosto de podcasts, acho a mídia interessante, mas não tenho muita convicção sobre a audiência desse tipo de coisa. A Fórmula E não tem nada a ver com essas categorias picaretas que surgiram nos últimos anos, mas nunca será uma Fórmula 1. São propostas diferentes. Mais equipes, claro. Pelo menos 13.

Pedro Gomes – O que você pensa quando lê as críticas mais sem fundamento sobre os pilotos brasileiros?
RESPOSTA – Nada. Quando há alguma possibilidade de diálogo, posso contrapor. Mas não perco muito do meu tempo com isso. Cada um tem sua opinião sobre o que quiser. Eu tenho as minhas.

[bannergoogle] Marcelohprego – Você continuaria a torcer para a Portuguesa com o mesmo fanatismo, caso o clube fosse comprado por um magnata russo (árabe, japoneis, sei lá), que mandasse demolir o Canindé, construísse no lugar uma arena multiuso, contratasse jogadores de nível europeu, pusesse um “José Mourinho” à beira do campo, e passasse a ganhar títulos e mais títulos? Traduzindo, continuaria torcendo se a Lusa vendesse a alma ao demo?
RESPOSTA – Não sei se isso seria vender a alma ao demônio. Se tudo fosse feito com lisura e honestidade, e se o modelo de negócios do futebol europeu fosse adotado aqui, não veria grandes problemas – aliás, não veria outra forma de sobreviver, e isso está acontecendo na Inglaterra, na Itália, na França… Desde que o cara não fosse um bandido, que o dinheiro não fosse sujo, que o clube não se transformasse apenas numa opção de negócios, acho que tudo bem. Não seria muito diferente do que o que acontece com o Palmeiras, por exemplo. Ou com o Corinthians, que também recebe enormes injeções de recursos de várias fontes – como aconteceu com o MSI. A história de um clube passa por diversas fases, e essa seria apenas mais uma.

Igor de Matos – Você sente falta de acompanhar a F1 mais de perto? Além da F1, que outras categorias você assiste com frequencia? Acha que o automobilismo corre o risco de virar um esporte tão restrito quanto o hipismo ou a vela, por exemplo, em algumas décadas? O Grande Premio e a agência WarmUP te deixaram rico?
RESPOSTA – Se eu quiser ir a alguma corrida, vou. Não tenho saudades daquela vida maluca de avião, hotel, aeroporto. Vejo quase tudo. Não, acho que o automobilismo é mais popular do que esses esportes que você citou. Não, não fiquei rico.

Rodrigo Sabato – Flavio, fala a verdade: o Senna fez alguma coisa, alguma vez, que te deixou pessoalmente magoado? Teve algum episodio no qual ele te aborreceu alem do campo profissional, entrando no âmbito profissional?
RESPOSTA – Já falei sobre isso, nunca me fez nada. Procure nas respostas anteriores.

Jorge Luis – Ola senhor Gomes, boa tarde, sempre tive a curiosidade de lhe perguntar uma simples mas monumental pergunta, para mim uma das mais inquietantes. Levando em conta sua história ao longo do esporte, especialmente na formula 1, cobrindo diferentes “eras”, o quê, para você, mudou na formula 1 dos anos 80 e 90 para cá, pessoalmente falando? As coisas que lhe despertam saudades ou não, as relações com os pilotos, as características dos carros carros, as pistas e em relação ao que você sentia na época e hoje não sente mais, ou sente de forma diferente, é realmente legal ouvir relatos de quem viveu as experiências de outros tempos, especialmente daqueles que se encontravam “in loco”.
RESPOSTA – Não é a F-1 que mudou. O mundo mudou. E mudará amanhã, e depois de amanhã. Mas tem coisas que eu gostava, como pilotos mais interessantes, equipes divertidas, mais carros, pistas clássicas. Vou repetir a frase que já citei em outras respostas: “Foi. Não será de novo. Lembre”.

senna4
Senna: nenhum problema

Driver RJ – Quando você fez aquela entrevista no motorhome da Mclaren com o Senna (aquela que estava com motor “Lambo”), você ficou alguns minutos sozinho com ele….. sinceramente qual a imprensão/sensação que você teve ou ele passava para as pessoas mesmo que em poucos momentos?? ele intimidava por ser um ídolo? não fedia nem cheirava?? :-)
RESPOSTA – Uai, eu via o cara quase todo dia em finais de semana de GP, por que teria alguma impressão diferente? Ele não me passava nada demais, era um grande piloto, eu tinha de escrever sobre ele. Simples assim. Nunca me senti intimidado por ninguém. Ele era ídolo de um monte de gente, não meu. Tenho poucos ídolos.

Osmar Cassão – Flávio, parabéns pela iniciativa. Gostaria de saber se você já flertou com outra editoria na sua carreira, por exemplo, política ou culinária. Um abraço!
RESPOSTA – Não.

Romeo Nogueira – Se você tivesse que escrever uma matéria com a pauta: “Senna: o que (ainda) falta saber”, sobre o que escreveria? Qual foi seu maior desafio, ao recomeçar a carreira profissional, após Ímola/1994? Você deixou de acompanhar as corridas ‘in loco’ no final de 2006. Do que mais sente falta? Quem são os jornalistas brasileiros, diferentemente das editorias, que você citaria como referência para você? No texto “Imola, 1994″, você comenta que esse GP foi a grande cobertura de sua vida. Qual outro momento profissional na F-1 também te marcou? Pra finalizar, já que tem a ver com o post, quem é o Galvão Bueno que a grande massa não conhece?
RESPOSTA – A maioria já foi respondida, mas vamos lá, pela ordem. 1) tudo que eu tinha de escrever sobre o Senna já escrevi. 2) não recomecei a carreira, dei continuidade a ela, tendo de buscar uma maneira de continuar escrevendo e cobrindo F-1 – o desafio foi esse. 3) já respondi, não sinto falta de nada, exceto de uma corrida ou outra que gostava de cobrir. 4) não tenho grandes referências no jornalismo, sempre procurei trilhar meu próprio caminho, mas admiro dois em especial: José Trajano e Matinas Suzuki Jr. 5) também já devo ter respondido, em geral as coisas marcantes para mim são as “primeiras”, como o primeiro GP no Rio, o primeiro que cobri fora, em Paul Ricard, essas coisas. 6) o Galvão é muito parecido pessoalmente com o que ele mostra no ar, não gozo de intimidade com ele para dizer algo além disso.

Jeff Marin – 1 Flávio quais são os carros que você tem guardados? detalhes por favor.
2 Pretende voltar a correr?
RESPOSTA – Já falei sobre os carros lá atrás, é só procurar. Não sei ainda, sobre voltar a correr.

Paulo – Véio, quantos carros clássicos você tem, quando vai abrir sua coleção para visitação e se você tem algum voyage dos antigos nela? P.S. Sou louco para mostrar para os meus meninos o que é um carro de verdade, daqueles do outro lado do falecido muro.
RESPOSTA – Já dei a lista. Não tenho Voyage. Gostaria de um Sport 1.8. Minha coleção é particular, não será aberta a visitação. Tenho os carros para andar com eles.

povo-brasileiro
João Ubaldo: essencial

Ricardo Cardoso – 1) Você voltaria a cobrir “in loco” alguma corrida ou categoria? 2) Sua coleção abrange também motos antigas? 3) Quais são seus livros favoritos? Existe algum que você considera responsável por algo importante em sua vida (pessoal ou profissional)? 4) Quais seus filmes favoritos?
RESPOSTA – 1) voltaria a Le Mans e a alguns GPs de F-1, mas fazer uma temporada inteira, viajando, não está nos meus planos. 2) sim, tenho uma Suzuki GT550 1976, uma DKW 250cc Sport 1936, uma Lambretta 1969 e uma Vespa 1986. 3) leio bastante, mas se tivesse de eleger um, apenas, seria “Ensaio Sobre a Cegueira”, de Saramago. “Viva o Povo Brasileiro”, de João Ubaldo Ribeiro, considero essencial. “Conversa na Catedral”, dos tempos em que Vargas Llosa era um sujeito respeitável, é outro. “Cem Anos de Solidão”, de García Márquez não pode faltar na vida de ninguém. E tem um livro pouco conhecido, chamado “Nem Mesmo Todo o Oceano”, de Alcione Araújo, que me marcou muito. 4) tenho péssima memória para filmes e nunca vejo o mesmo mais de uma vez. Das coisas que me lembro assim, de supetão, “Um Conto Chinês”, “A Vida dos Outros”, “Adeus, Lênin!”, “Uma Vida Iluminada”, “A Lista de Schindler”, “Os Gritos do Silêncio”, “Beleza Americana” e “Pequena Miss Sunshine”.

Bruno – Qual é a principal diferença entre trabalhar na espn e na fox?
RESPOSTA – A ESPN que conheci não existe mais. “Foi. Não será de novo. Lembre.” Estamos começando uma nova aventura na Fox, com gente amiga, liberdade, inovações. Estou felicíssimo. É legal participar da construção de alguma coisa. Gostei de todos os lugares em que trabalhei. Quando, por alguma razão, tive de sair, talvez tenha sido porque não gostasse mais. Ou não gostassem mais de mim.

lusa92
Paixão de verdade: a Portuguesa

Carlos Del Valle – Oi Flávio, obrigado por nos mencionar, é uma honra! Tenho duas perguntas: 1. Futebol.. Você aparece bastante na TV falando de futebol. Você tem a mesma paixão por futebol do que pelo automobilismo? Ou hoje em dia é só um trabalho das 9 às 5? Você tem paciência para seguir os meandros do Brasileirão e da Seleção? (Isso tudo foi só uma pergunta hehehehe) 2. Barrichello. Você é conhecido como uma espécie de nêmese dele, um algoz. Ainda mais depois do lance da tartaruga. Eu queria saber como era antes disso tudo, no início da carreira dele, principalmente antes da morte do Senna em 1993, e depois na Jordan de 1994 a 1996, você achava que ele tinha potencial? Ou sempre achou que faltava alguma coisa?
RESPOSTA – Sim, sempre gostei de futebol, vou a todos os jogos do meu time, meu sonho de criança era trabalhar com isso. O automobilismo veio depois e são paixões diferentes, mundos diversos, universos distintos. Mas paixão, mesmo, eu tenho pela Portuguesa, não por futebol. E por guiar um carro de corrida, não por cobrir automobilismo. É preciso separar as coisas. Gosto de futebol, sou apaixonado pela Lusa. Gosto de automobilismo, sou apaixonado por correr. Sobre Barrichello, creio que já falei tudo em respostas anteriores, inclusive a história da tartaruga. Sempre achei que tinha potencial, claro, tanto que vingou e ficou 20 anos na F-1. Mas nunca achei que seria um campeão, quando chegou à categoria. Não porque faltasse alguma coisa específica, mas simplesmente porque sempre havia alguém melhor que ele disputando a mesma coisa.

Samuel Coimbra – A cada ano a formula 1 tem perdido prestígio e audiência, além de enfrentar um grave crise financeira. A ideia do Bernie Ecclestone de transformar o esporte em um grande negocio deu certo, mas talvez hoje tenha feito a categoria virar refém desse negocio. Para você qual o futuro da F1? Acredita que possa ter um fim num futuro próximo? Como melhorar e faze-la ser atrativa do ponto de vista esportivo novamente? A F-e pode se considerar a F1 do futuro?
RESPOSTA – Também já foi respondido. Não, a F-E é uma coisa, a F-1 é outra. Concordo que há uma crise – não fosse assim, o grid teria mais carros, a audiência seria maior. Mas não é a maior crise, outras já aconteceram, e a F-1 tem força para se reinventar. Já falei sobre o que acho urgente: mudar a motorização, simplificar o entendimento das corridas pelo público, engrossar o grid, correr mais na Europa. Tenho curiosidade para saber o que será dela depois de Bernie.

Bruno Cardoso – 1 – Sabemos que você possui uma coleção de carros antigos. Você pretende abrir essa coleção para visitação do publico, seja de forma física ou virtual? 2- Com essa moda de canais do YouTube relacionados aos automóveis, há chance do “Indiana Gomes” retornar? 3- Por que você parou de correr na Classic Cup? 4- Qual foi o episódio mais marcante da sua carreira de Jornalismo? 5- Sobre o dia 01/05/1994, existe algo que ainda não foi publicado por você? 6- Qual é o ano de fabricação do seu carro mais novo? 7- Sou muito fã de suas opiniões e do seu trabalho. Moro no RJ, mas certa vez em SP, vi você num restaurante mas não tive coragem de lhe cumprimentar. Você se considera um cara receptivo nessas situações?
RESPOSTA – Aparentemente já respondi tudo. Vamos ver… 1) não fisicamente, vitualmente, só quando eu resolver mudar da caverna atual para outra. 2) talvez, mas não com esse nome. 3) expliquei isso quando aposentei o Meianov, a categoria mudou muito, não sei se ainda faço parte dessa turma, é algo não resolvido ainda. 4) já contei, Imola. 5) não. 6) 1997. 7) claro que sim, atendo todo mundo, mas é preciso respeitar o momento de cada um – muita gente confunde as coisas, acha que porque lê e vê o sujeito todos os dias tem alguma intimidade com ele, quando isso não é verdade. Mas quando a aproximação é respeitosa, não vejo problema nenhum. Foda é quando o cara vem até sua mesa, puxa uma cadeira e senta. Já aconteceu.

Para ler os outros posts da série, é só clicar aqui.

SENNA X PIQUET

S

SÃO PAULO (eterna…) – Nem tudo foi ao ar no material que Ernesto Rodrigues gravou para produzir o especial dos 20 anos da morte de Senna para a Globo. Muita coisa acabou sendo usada no documentário que o Canal Brasil exibiu (os três episódios, para quem não viu, estão aqui) há alguns dias. Um trecho interessante é esse aí em cima: a histórica briga entre Senna e Piquet, no início de 1988. Foi o blogueiro Gomidez que indicou.

[bannergoogle] Há muitas lendas sobre o assunto, mas o jornalista Sérgio Rodrigues, então no “Jornal do Brasil”, esclarece tudo. Foi Ayrton quem começou, dando uma espetada gratuita em Nelson, então tricampeão mundial. Sumido havia algumas semanas, antes da esperada estreia na McLaren, falou que tinha dado um tempo nas entrevistas para dar chance a Piquet de aparecer um pouco, já que a imprensa só queria saber dele, Senna.

Nelson ouviu a moloecagem, ficou puto e respondeu com um coice. Falou que Ayrton tinha sumido para não explicar por que não gostava de mulher. Foi o maior bafafá.

Visto quase 30 anos depois, o bate-boca parece bobo e desnecessário — eu diria que impossível de acontecer nos dias de hoje, em que pilotos não falam “bom dia” para a esposa sem pedir autorização a um assessor. De fato, foi. Afinal, dois marmanjos se alfinetando, um chamando o outro de bicha, o outro chamando o um de bobão, tem cara mesmo de briga de escola.

Só sei que deu o maior ibope, ninguém falava em outra coisa. Ali nasceu uma das maiores inimizades da história do esporte mundial, envolvendo dois de seus maiores atletas. Ali os torcedores brasileiros se dividiram em sennistas e piquetistas. A rivalidade se sentia no ar.

E quer saber? Era o maior barato, essa época. Afinal, o que seria da vida sem as bobagens desnecessárias que nos dão motivo para conversar, debater, discutir?

SUICÍDIO ASSISTIDO

S

SÃO PAULO (nunca entenderei) – Qualquer um pode colocar seu carro de rua no velho traçado de Nürburgring, o temido Nordschleife. Basta pagar um punhado de euros e sair para o abraço.

[bannergoogle] Abraço com o capeta. Alemão é tão metódico e preocupado com segurança, mas permite que coisas como essa aí embaixo aconteçam — o Alexandre Neves mandou o vídeo.

Foi no fim de semana retrasado. O carro é um Renault Mégane. Parece que o cara sobreviveu.

Passear pela histórica pista germânica é um grande barato. Só que ninguém passeia, apenas. Todo mundo se sente piloto e soca o pé na jaca. Há, no YouTube, centenas de vídeos parecidos. Mesmo assim, a barbárie é permitida e legalizada. Lembra os “track days” que têm-se popularizado no Brasil — e que também considero uma aberração, porque sai todo mundo acelerando feito doido sem equipamentos de segurança e tendo como companhia apenas suas habilidades duvidosas.

Tem bastante gente se machucando. Morrer é questão de tempo.

SOBRE ONTEM DE MADRUGADA

S

SÃO PAULO (já foi o eclipse?) – Será que Rosberguinho já jogou a toalha?

Talvez seja o caso. Sempre que parece que vai, não vai. Ontem, não foi na largada. Ao que parece, um dos motores (sim, são três, não nos esqueçamos) esquentou demais. Desse jeito, fica difícil. Nico tem sido, para Hamilton, o que Barrichello foi para Schumacher. São 48 pontos de vantagem para o inglês.

Rescaldo japonês, vamos lá.

– A Mercedes fez a oitava dobradinha no ano. O recorde para uma temporada pertence aos alemães, que fizeram 1-2 no ano passado 11 vezes. Dá para bater essa marca. A McLaren, com 10 dobradinhas em 1988, vem na sequência dessa estatística. Depois, a Ferrari (9 em 2002 e 8 em 2004).

– A notícia mais importante de hoje é a assinatura de uma carta de intenções entre Renault e Lotus, para a compra da equipe pela montadora francesa. O negócio deverá ser fechado logo, porque a Lotus deve à Receita inglesa e corre o risco de entrar em regime de administração judicial.

– A Red Bull está lascada. Vai usar motor Ferrari no ano que vem? Vai. Isso atrasou os planos para o carro de 2016? Sim. Muito. É duro fazer um carro sem saber qual motor vai empurrá-lo.

– O melhor da prova ontem foi o “GP2 engine!” de Alonso. O espanhol tentou amenizar. Mas já se comenta, com força, que sua paciência pode ter-se esgotado. E que sair da McLaren passou a ser uma opção real. Para outra categoria? Quem sabe… Para a Renault, com quem ganhou seus dois títulos? Quem sabe…

Menos de seis minutos. Foi o que vimos de Mercedes na corrida de ontem, de quase uma hora e meia de duração. Não é fácil andar na frente. Depois de algum tempo, ninguém mais liga.

NIPÔNICAS (3)

N

jap015gggILHABELA (não tem milagre) – Cingapura foi o tal de ponto fora da curva, expressão que todo mundo usa hoje em dia, mas foi inventada, de verdade, por Vicente Matheus. Japão foi ponto na curva de novo. Ô corridinha chata. Ô corridinha previsível. Ô como a chuva só vem no dia errado.

A passividade de Rosberguinho em Suzuka foi irritante. O cara na pole, a chance de reduzir um pouco a diferença para Hamilton, mas que nada… Na largada, Lewis foi à luta e antes de terminarem os “S” já estava em primeiro. Nico deu uma esparramada e ainda foi ultrapassado por Vettel e Bottas. Caiu para quarto. Acabou a corrida.

A largada alijou da disputa Massa e Ricciardo. O australiano lambeu com seu pneu traseiro esquerdo o dianteiro direito do brasileiro. Ambos furaram. End of story para os dois.

O saldo do início de prova foi bom para Grojã e Maldanado, em sexto e sétimo. O venezuelano tinha largado em 11º. Estava de bom tamanho. Outro que apareceu bem foi Alonso, em nono. Isso tudo na terceira volta. Mas aí todo mundo começou a passar o espanhol, coitado. Sainz, Ericsson, Nakajima, Katayama, Suzuki, Sato, Kobayashi, Nissan, Yamaha, Subaru, Sanyo, Toshiba, o que começou a irritar Fernandinho.

[bannergoogle] Na volta 10, Hamilton já tinha 12s de vantagem para Rosberg, em quarto. Tudo muito fácil. Mesmo se o alemão conseguisse se colocar em segundo, em algum momento, a distância seria intransponível. Vettel, que escoltava o líder, também não ameaçava, 5s8 atrás.

Começam os pits na volta 10. Bottas vai na 12ª e a Mercedes, pelo rádio, manda Rosberg acelerar com gosto. No fundo, a burocracia de sempre para recuperar, com o carrão que tinha nas mãos, aquilo que perdera na largada. Vettel parou e nada de Mercedes nos boxes. Raikkonen veio logo depois. Na volta 15, a dobradinha prateada se desenhava, quando a equipe chamou Nico, na passagem seguinte. Ele voltou em quarto de novo, atrás de Vettel e Bottas. Não adiantou muito atrasar um pouco a parada. Um pouco de paciência para tentar de novo na segunda janela de pit stops, talvez.

Hamilton tinha 28s sobre Vettel quando parou, na 17. Na 18, Rosberguinho, decidiu resolver na pista o que não funcionara nos boxes, num raro momento de disposição. Passou por Bottas como se ele estivesse parado e assumiu a terceira posição. Fácil como cortar manteiga com faca quente. Aí, mirou no carrinho vermelho na frente dele. Vettel era o objetivo.

Mas era Vettel. Com ele, não tem nem aquele negócio de chegar é uma coisa, passar é outra. Rosberg nem chegou. Nesse caso, achou por bem esperar um pouquinho, até o pit stop. Burocrático. Sem assumir riscos.

jap15a

Enquanto isso, a irritação de Alonso com a tranqueira da McLaren só aumentava. Quando foi ultrapassado por Verstappinho, na volta 26, disparou pelo rádio: “GP2, GP2 engine!“, e foi dizer isso no Japão, na casa da Honda. Precisa tanta humilhação?

Precisa. Mas não sei quais serão as consequências. Há quem considere que foi deselegante, que não precisava dizer o que disse publicamente. Ocorre que quem escolhe o que vai para o ar dessas comunicações via rádio entre piloto e equipe é a FIA. Falam-se coisas do arco da velha durante a prova inteira, em todos os times. Alonso não esculhambou seu motor publicamente. Ele reclamou com sua equipe. Se a queixa foi para o ar, não é problema dele. Não coloquem na conta do cara. Fernandinho tem motivos de sobra para estar puto dentro do macacão.

Na 28ª volta, segunda parada de Raikkonen. Nico foi para os boxes na volta seguinte. Bottas idem, mas a parada foi lerda, para variar, e Kimi ganhou a posição do piloto da Williams. Na volta 31, Sebastian fez seu pit stop e Rosberguinho, que vinha voando, finalmente levou o ferrarista de roldão e assumiu o segundo lugar, onde ficaria até o fim dos tempos, se deixassem.

Tranquilo, Hamilton parou na 32, depois de acompanhar todo o trabalho dos demais. Voltou em primeiro, sem sustos. As posições se acomodaram. A diversão era ouvir o rádio de Alonso. “The drivers we are racing with, unbelievable…”, resmungou, quando se deparou com Stevens, Rossi, Nasr… “Até o Yoong me passou. Olha lá o Rosset. E o Baumgartner? Só falta o Rubinho!”

Na volta 45, Verstappinho passou Sainz sem pedir autorização e assumiu o nono lugar. Max tinha largado em 17º. Carlos, em décimo. De novo o jovem holandês, prestes a completar 18 anos, foi o showman do domingo. O menino é um fenômeno. Mas a corrida era ruim, tanto que a direção de imagens resolveu se concentrar no terceiro escalão, a partir do 12º colocado. Sonyericsson segurava um monte de gente, sendo Pérez o primeiro da fila. Demorou bastante, até que Maria do Bairro passou o sueco da Sauber, na volta 50. Muito esforço por nada. Depois do décimo ninguém não marca ponto.

Fim de prova, Hamilton, Rosberg, Vettel, Raikkonen, Bottas, Hülkenberg, Grosjean, Maldonado, Verstappen e Sainz fecharam o top 10. Foi a oitava vitória do inglês no ano, 41ª na carreira, igualando, por fim, seu maior ídolo Senna.

jap15b

Se emocionou? Provavelmente. Mas a festa do pódio foi rigorosamente “standard”, com alguma frieza entre os pilotos da Mercedes. Nico não está nem aí com a rapadura. Lewis foi a 277 pontos, abrindo 48 para seu companheiro de equipe. Sebastian, que tinha ficado animadinho em Cingapura, se afastou novamente e tem 218. Raikkonen foi a 119 e Bottas ampliou a vantagem para Massa na quinta colocação — 111, contra 97 do brasileiro que nada pôde fazer em Suzuka depois de cair para último e perder volta com o pneu furado da largada.

As coisas voltaram aos seus lugares. O pequeno susto que a Mercedes levou em Marina Bay não durou uma semana.

NIPÔNICAS (2)

N

nipon14555ILHABELA (tudo como dantes) – As coisas voltaram ao normal de madrugada (menos a conexão). Mercedes na primeira fila, só que, hoje, com Rosberg em primeiro. O equilíbrio foi grande: apenas 0s076 para Hamilton. Rosberguinho tinha largado na pole apenas uma vez neste ano, em Barcelona.

Para os prateados, um alívio. Parece mesmo que não havia nada de errado com o carro em Cingapura — foi mesmo uma conjunção de fatores, incluindo o posicionamento de Júpiter em relação a Plutão, que fez com que seus carros não andassem patavina na prova noturna da semana passada.

Bottas, o terceiro, ficou a quase meio segundo. Vettel, o quarto, a pouco mais de meio segundo. Portanto, tudo nos conformes. “Eles voltaram”, lamentou o alemão da Ferrari.

O sábado, bem diferente da sexta-feira, foi de sol e calor em Suzuka. Bem quente mesmo, 27 graus, dos Celsius. No primeiro treino livre, Rosberguinho já apresentou o cartão de visitas e ficou na frente. Era a prévia do que viria a seguir.

O Q1 foi absolutamente “standard”, eliminando os manor-marússicos, os sauberianos e um maclariano, no caso Button. Nada de muito espetacular também no Q2, eliminando Hulk (que ainda pagará três posições no grid pelo acidente com Massa em Cingapura), Sainz Idade, Maldanado, El Fodón de La Eliminación e Verstappinho (que rodara no fim do Q1 e não teve tempo de ajeitar as coisas para a segunda parte da classificação).

O duelo que se esperava para o Q3 não aconteceu. Logo de cara Rosberg fez seu tempo, que Hamilton não bateu. Kvyat estampou seu carro numa barreira de pneus, capotou e o treino acabou. O soviético passa bem. Seus mecânicos, menos. Terão de montar um carro inteiro porque a Red Bull percebeu que consertar o estrago iria dar muito trabalho. K-Vyado largará dos boxes.

Não se deve esperar nenhuma grande surpresa em Suzuka na madrugada. Se não chover, a Mercedes recoloca a casa em ordem. O interessante é que Nico, que tirou alguns pontinhos de Hamilton em Marina Bay, pode fazer o mesmo no Japão. De grão em grão, quem sabe dá uma desestabilizada no inglês.

Mas é pura suposição. Se for inteligente, Comandante Amilton apenas administra a vantagem nesta reta final de campeonato.

NIPÔNICAS (1)

N

nip0001aSÃO PAULO (já usei?) – Chuva é legal em corrida. Em treino, não. Ainda mais quando há possibilidade de, no dia seguinte, tudo acontecer no seco. Aí é que ninguém anda, mesmo.

A madrugada foi arrastada para quem ficou acordado vendo as duas primeiras sessões em Suzuka, ambas molhadas. Na primeira, só 11 carros se dignaram a ir para a pista. Na segunda, OK. Todo mundo, exceção feita a Bottas, andou. Mas pouco, evitando riscos, lidando com a água que ia e vinha com intensidade variável.

No fim das contas, Kvyat ficou com o melhor tempo do dia. Que não significa muito, considerando que a classificação pode acontecer com pista seca. O que saberemos às 3h de amanhã.

Só tenho pena, mesmo, do público. O japonês é um apaixonado pela F-1, sempre enche Suzuka, e não reclama de ficar horas parado na arquibancada vendo a chuva molhar o asfalto, mesmo sem carro nenhum passando à sua frente. Parece grato à F-1 por ela visitar o país uma vez por ano — sempre foi assim. É um dos lugares de que mais sinto saudades. Está anotado na lista de coisas para fazer nesta vida voltar a Suzuka. E logo.

Se nada de muito emocionante aconteceu na pista, teve notícia pingando aqui e ali no paddock.

[bannergoogle] Button, por exemplo. Se ontem ele não disse nada, logo depois um dirigente da McLaren deu indicações de que o inglês não quer ficar na equipe. A história está aqui.

A drenagem da pista japonesa, que foi modificada pelos administradores do circuito, não agradou muito. Massa, por exemplo, disse que está igual ao que sempre foi. “Aquaplanagem é um problema aqui”, falou o brasileiro.

Por fim, Alonso, comemorando os dez anos de seu primeiro título — você relembra aqui, na coluna “Na Garagem” de Charles Nisz —, falou que espera repetir o feito um dia, mas que “há outras categorias para ser campeão mundial”. A mensagem é clara. Seus dias na F-1 estão, obviamente, chegando ao fim. Ele está com 34 anos, sem perspectiva imediata de voltar a lutar na frente, do jeito que está a McLaren. E sempre tem um WEC esperando por você depois da esquina, com carros espetaculares e corridas idem.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
ASSINE O RSS

Categorias

Arquivos

TAGS MAIS USADAS

Facebook

DIÁRIO DO BLOG

setembro 2015
D S T Q Q S S
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930