TagSauber

SAI SAUBER, ENTRA ALFA

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RIO (ninguém larga a mão de ninguém) O nome Sauber sai de vez da F-1 em 2019. A partir desta temporada, a equipe suíça, que chegou em 1993, passa a se chamar apenas Alfa Romeo Racing. A parceria com o grupo Fiat se ampliou. A sede segue em Hinwil, a estrutura técnica é a mesma, mas agora apenas a marca italiana será usada. Raikkonen e Giovinazzi farão a dupla do time, que será um dos mais charmosos da categoria — sou um “alfista” amador, nunca tive carros com o “cuore” na frente, mas admiro demais sua história.

Fico com um pouco de pena de Peter Sauber, apenas. Mas a roda gira.

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GIOVINAZZI & RAIKKONEN

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20187261551301_dcd1826jy208_IIRIO (vem, sol!) – Esta será a dupla da Sauber para o ano que vem. A equipe confirmou hoje, obviamente sob os desígnios da Ferrari, o italiano Antonio Giovinazzi como titular ao lado de Kimi Raikkonen na próxima temporada. Ele disputou dois GPs pela equipe no ano passado, na Austrália e na China, no lugar de Pascal Wehrlein, que estava contundido. Por isso, tecnicamente, não pode ser considerado um estreante. Quem rodou foi Marcus Ericsson, que continuará no time como piloto reserva, “membro da família Sauber”.

Oxe. Ao ler as declarações do sueco no release oficial da equipe, fiquei me perguntando como esses caras se submetem a esses rebaixamentos com tanta suavidade e brandura. Eu mandaria todos às favas. Mas ninguém quer se queimar, ou perder a possibilidade de uma boquinha. Ericsson agradece a oportunidade, diz que fica feliz em continuar e tal. Considera-se substituído por Raikkonen, não Giovinazzi — que está sendo descrito pela Sauber como substituto de Leclerc.

Seja como for, a F-1 não perde nada com a saída de Ericsson, um piloto medíocre, e ganha com um italiano vestindo as cores da Alfa Romeo. Salvo engano, o último piloto do país a disputar uma temporada inteira foi Vitantonio Liuzzi em 2011. A última vitória italiana na categoria está bem longe no tempo: foi de Fisichella na Malásia em 2006, pela Renault. São 43 vitórias de pilotos da Bota na história, o que mostra que nesse quesito o país não é dos mais bem-sucedidos nas pistas — ao contrário do que acontece com suas máquinas maravilhosas.

Aos poucos, o quebra-cabeça de 2019 vai sendo completado. Aguardemos os próximos movimentos.

KIMI & LECLERC

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RIO (gostei!) – A Ferrari confirmou hoje de manhã, com seu estilo peculiar de comunicado oficial de duas linhas, que Charles Leclerc assume a vaga de titular ao lado de Vettel no ano que vem. É a concretização de um plano que começou lá atrás com Jules Bianchi, interrompido tragicamente em Suzuka. Alguns anos foram necessários para criar outro menino, e o monegasco está pronto. Falamos disso em vídeo do dia 27 de junho, direto de Moscou, lembram?

Não era nenhuma informação privilegiada, nem exercício de adivinhação. Apenas uma reflexão sobre a possibilidade, que me parecia positiva. E é justo que se diga também que por conta do bom ano de Raikkonen, reforçado com resultados sólidos nas muitas corridas seguintes, a hipótese de sua permanência não me parecia nenhum absurdo. Talvez fosse até mais sensata, para amadurecer Leclerc um pouquinho mais.

Mas são escolhas, e elas devem ser feitas em algum momento. Kimi não está indo embora por deficiência técnica, ou porque fez a pole e atrapalhou Vettel em Monza, irritando alguém. Nada disso. A decisão por Leclerc já havia sido tomada algum tempo atrás pelo então presidente Sergio Marchionne, que morreu no final de julho. E obviamente passou por várias instâncias da equipe e da Fiat. Essas coisas são bem pensadas.

O que achei mais legal dessa história toda não foi nem a ascensão de Leclerc, que é muito talentoso e terá uma linda e emocionante jornada pela frente. Gostei, de verdade, de saber que Raikkonen não pendura o capacete. Ele volta à Sauber por dois anos e continuará nos alegrando como uma espécie de elo perdido entre a F-1 atual e aquela de quando estreou, em 2001, pelo mesmo time. Agora que Alonso está fazendo as malas, sobrou ele.

A continuidade da carreira do tagarela finlandês mostra que, no coração da categoria, todos sabem que ele é um dos caras mais comprometidos com seu trabalho entre todos que disputam o Mundial. E que, ao contrário do que muita gente imagina, aquela imagem de “não tô nem aí” não passa de uma falsa impressão. Ele tá muito aí. Não há viv’alma na F-1 que fale mal de Raikkonen. Todos que trabalharam com ele — na Sauber, McLaren, Ferrari, Lotus/Renault — sabem com quem estão lidando.

Tanto é assim que seus dois anos sabáticos, 2010 e 2011, não foram suficientes para que o esquecessem. E não há ambiente esportivo no mundo em que se esquece tão rapidamente de alguém como a F-1. Em nenhuma modalidade a expressão “a fila anda” é mais verdadeira. Quase sempre, quando alguém perde uma vaga ou resolve dar seus pulinhos em outras glebas, o retorno simplesmente não acontece. Com Kimi não só aconteceu, como ele voltou ganhando corrida! E por uma equipe média, cheia de graça e encanto por conta do nome, das cores, da novidade.

Na Sauber, vai ser interessantíssimo acompanhar esse novo capítulo da vida de Raikkonen. A equipe renasceu depois de ser assumida pela Ferrari e terá num de seus carros nos próximos dois anos um sujeito que já ganhou campeonato, tem 100 pódios nas costas e 20 vitórias no currículo. Pena que na F-1 atual uma repetição daquilo que ele fez com a Lotus em 2012 e 2013 parece algo impossível. Mas alguém achava possível vê-lo ganhando GPs naquele carro preto e dourado depois de dois anos fazendo rali? Não. E ele foi lá e ganhou. Dois. E subiu ao pódio 15 vezes.

Torço muito para que Kimi consiga o impossível nos próximos dois anos. Com o cuore da Alfa no macacão, o cara se transforma num clássico. O último em atividade daquela geração de 2001 — de Alonso, Montoya, Schumacher e tanta gente boa.

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RIO (bonitão) – Ver o nome Alfa Romeo pintado num carro de Fórmula 1 me apetece. E seria bom que a Sauber, agora com motor do ano e grife na carenagem, saísse do limbo em que se meteu.

[bannergoogle]O C37, apresentado hoje, será pilotado pelo estreante Charles Leclerc e pelo fraco Marcus Ericsson. Leclerc é uma aposta de médio prazo da Ferrari, e por isso os italianos decidiram dar um upgrade na equipe suíça, fazendo dela uma espécie de hospedeira para o monegasco que conquistou o título da F-2 no ano passado.

As coisas foram muito ruins pelos lados da Sauber nas últimas duas temporadas, com risco de falência, inclusive. A injeção de ânimo (e dinheiro) com a promoção da Alfa Romeo a mais do que patrocinadora — a marca italiana será incorporada ao nome do time — pode dar resultado, desde que a Ferrari mantenha um olho atento naquilo que a equipe vai fazer ao longo do campeonato.

As ambições não são muito grandes. Sair do último lugar na classificação já será considerado um resultado bom. É a parte boa de ficar atrás o tempo todo. Qualquer coisinha já é melhor que nada.

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LECLERC & ERICSSON

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RIO (que insistência…) – A parceria Sauber-Alfa Romeo foi apresentada hoje oficialmente no museu da marca em Arese (norte da Itália) com novidades. Primeiro, a dupla de pilotos para o ano que vem. Como se esperava, o monegasco Charles Leclerc (não tinha um cabeleireiro de novela com nome parecido?), campeão da F-2 e protégé da Ferrari, será um deles. O outro é o sobrevivente Marcus Ericsson, de parcos recursos técnicos e fartos recursos financeiros, que encaminha ao caixa da equipe através de seus patrocinadores suecos. Antonio Giovinazzi, italiano que também vive sob o guarda-chuva de Maranello, será o reserva e terá de esperar mais um pouco.

Quem dançou nessa história toda, como também se imaginava, foi o tedesco Pascal Wehrlein — pupilo da Mercedes. A F-1 meio que acabou para ele, creio, embora seja jovem e talentoso. Por absoluta falta de vagas. Pode ser que os alemães o empreguem como terceiro piloto, só para mantê-lo com carteira assinada. Pode ser, também, que comecem a prepará-lo para ser o representante da marca na Fórmula E, já que os planos de Stuttgart são de estreia entre os elétricos na temporada #5, 2018/2019. Aguardemos.

[bannergoogle]A verdade é que a Mercedes tinha dois moleques muito bons, Wehrlein e Ocon, e só o segundo emplacou — por mera disposição das peças no tabuleiro, sendo deslocado para a Force India em vez da Sauber, e agarrando a chance com categoria.

A outra novidade foi a nova pintura dos carros, que nas últimas temporadas ostentaram o azul como dominante. Na apresentação do projeto, meteram no palco um carro branco e vermelho com um enorme logotipo da Alfa Romeo na tomada de ar. Ficou bem elegante — o vermelho da Alfa é diferente do vermelho da Ferrari, mas não me peçam para explicar porque não sei –, embora ninguém deva imaginar que este será o layout definitivo. Até começar a temporada 2018, muita água deve rolar por debaixo das pontes ítalo-helvéticas, inclusive para acomodar os patrocinadores de Ericsson, que ajudam a pagar a conta.

A Sauber, assim, passa a ser em definitivo um time B da Ferrari, usando seus motores atualizados (neste ano, a equipe só pôde dispor das unidades de 2016) e servindo como laboratório para formação de pilotos e desenvolvimentos paralelos que possam ser transferidos para a matriz. Um esquema muito parecido com o que a Red Bull utiliza desde a compra da Minardi para transformá-la em Toro Rosso. Numa categoria em que os testes são controladíssimos, ter uma equipe-satélite é de grande utilidade.

Muita gente pergunta se a história de usar o nome Alfa Romeo é apenas marketing, se os motores serão Alfa, se Farina vai ressuscitar, se o arcebispo de Milão vai abençoar os cockpits, se a cobra está engolindo um sarraceno ou dando à luz um homem, o que é verdade e o que é mentira nessa volta da famosa marca do cuore sportivo à principal categoria do automobilismo mundial.

Não há grandes mistérios. A Alfa Romeo, assim como a Ferrari, é uma marca/fábrica sob controle, há séculos, da Fiat. Aliás, a simbiose entre as duas é antiga. Enzo Ferrari começou a vida como piloto da Alfa Romeo. Depois foi criar sua equipe.

Alfa e Ferrari são a mesma coisa, então? Não. Mas por fazerem parte do mesmo grupo, têm estreitas e seculares relações. Técnicas, inclusive, em muitos setores. É óbvio que uma corporação do tamanho da Fiat usa o que tem de melhor para alimentar seus diversos tentáculos, intercambiando engenheiros, tecnologia, peças, desenvolvimento, pessoal técnico e tudo que se puder imaginar em todas as marcas que administra.

[bannergoogle]Assim, colocar o nome Alfa Romeo no cabeçote de um motor feito pela Ferrari não é nenhuma aberração. Faz muito mais sentido, por exemplo, do que chamar os Renault da Red Bull de TAG Heuer, que é marca de relógio. Anos atrás, quando a Ferrari vendia motores para a Prost (sucessora da Ligier), eles eram rebatizados com o nome de uma marca de computador, Acer. Petronas já foi nome de motor. Playlife e European, também. Vocês são capazes de dizer quais eram esses motores de verdade e quais equipes os aproveitaram para fazer propaganda de alguma coisa? Pesquisem por aí e desfilem sua erudição aqui.

Por fim, é claro que alguns funcionários da Alfa Romeo, que tem vasta tradição em corridas, serão alocados na fábrica da Sauber na Suíça. Ou mesmo pessoal da Ferrari, que terá de ser deslocado para Hinwil para reforçar o time, tirando o cavalinho do peito e colocando no uniforme a serpente que engole gente — o Biscione do emblema, um dos mais belos e clássicos da indústria automobilística mundial.

No fim das contas, é Alfa, sim, pero no mucho ao menos por enquanto — porque a estrutura básica segue sendo a da Sauber, e os motores serão feitos pela Ferrari. Os alfisti chegarão aos poucos e, certamente, vão exibir com orgulho as cores de Milão, a Cruz de São Jorge vermelha sobre o fundo branco, a cobra faminta e toda a gloriosa história da Anonima Lombarda Fabbrica Automobili, fundada em 1910 e controlada a partir de 1916 pelo simpaticíssimo Nicola Romeo — que passou a fabricar bombas, carabinas, baionetas, espoletas, bacamartes e sei lá mais o quê para vender aos aliados na Primeira Guerra; em 1919, com o fim do conflito, voltou a fazer automóveis.

Longa vida à Alfa. E à Sauber, também, porque é uma peça de resistência aos novos tempos, essa equipe.

FOTO DO DIA

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Tem um perfil que eu sigo no Twitter que vive pingando coisas maravilhosas como essa aí embaixo. Trata-se de um… Sauber! Sauber C5 com motor BMW, pilotado nas 24 Horas de Le Mans de 1978 por Marc Surer, Eugen Strähl e Harry Blumer, todos suíços. Acho que não terminou a prova, mas vai ser lindo assim lá longe.

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A VOLTA DA ALFA

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[bannergoogle]RIO (tradição é tudo) – O grupo Fiat Chrysler, dono da Ferrari, oficializou hoje a conversão da Sauber à condição de time B de Maranello, usando uma das marcas da corporação, a Alfa Romeo — qua passará a batizar a equipe e os motores.

Gosto muito da ideia. Ver um nome forte como o da Alfa de volta à F-1 depois de 33 anos é muito legal. Foi um carro Alfa Romeo que venceu o primeiro GP da histórial, em Silverstone/1950. E a parceria garante o futuro do time suíço, que cambaleou bastante nos últimos anos.

Falta agora apenas definir os pilotos. Um, certamente, será o campeão da F-2 Charles Leclerc, nascido em Mônaco. Há uma boa possibilidade para o italiano Antonio Giovinazzi, também apadrinhado pela Ferrari. Marcus Ericsson tenta sobreviver com grana de patrocinadores suecos, mas acho que vai dançar. Assim como Wehrlein.

alfasauber

BACK TO THE OFFICE (2)

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MOGYORÓD (rapidinho) – Não se passaram nem 24 horas. Depois de romper o acordo que nem tinha começado com a Honda, a Sauber anunciou que vai continuar usando motores Ferrari no ano que vem. E, pelo menos, serão atualizados — nesta temporada, a equipe suíça está correndo com as unidades de potência de 2016.

Isso deixa a Honda numa sinuca de bico, junto com a McLaren. Os japoneses precisam de uma equipe, e a F-1, de certa forma, precisa que eles fiquem. Seria um vexame para a categoria ter apenas Mercedes, Renault e Ferrari como fabricantes ligadas a ela. A McLaren, porém, prefere hospedar o capeta de rabo e chifrinho no seu motorhome a ter de encontrar simpáticos hominídeos de olhinhos puxados em sua fábrica.

Pelo que pude apurar por aqui, a equipe inglesa ainda tem a esperança de conseguir algo com a Mercedes, mas se resume a isso: esperança. Mais factível é fazer alguma coisa com a Renault, desde que a Honda compre a Toro Rosso e faça dela sua equipe de fábrica.

O mais provável, porém, é que Honda e McLaren sigam juntas, desse jeito aí. O que está levando Fernando Alonso a pensar cada vez mais seriamente em deixar a F-1.

SOBRE MOTORES

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[bannergoogle]RIO (apelando total) – Já pensaram numa McLaren-Ferrari? Bem, parece que a McLaren está pensando, de acordo com a imprensa italiana. Eu, sinceramente, não acredito que isso vá adiante. Mas dá bem a medida do desespero da equipe com a Honda.

Honda que, segundo jornais alemães, ficou irritada com a mudança de direção na Sauber — leia-se demissão de Monisha Kaltenborn — e decidiu romper o contrato assinado algumas semanas atrás, que previa o fornecimento de seus motores para o time suíço a partir do ano que vem.

Ainda não há nenhum comunicado oficial. Aguardemos. Mas se se confirmar, a Sauber arruma um problema financeiro e se livra de um problema técnico.

ZONA SUÍÇA

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RIO (sorry, periferia) – Molecada, mudar de cidade/Estado/vida/tudo é difícil, por isso só consegui aparecer agora para dar uma atualizada na bagaça.

E começamos com essa zona que virou a Sauber. Primeiro, um comunicado para dizer que seus pilotos têm tratamento igual — resposta a boatos que começaram a surgir sobre favorecimento a Wehrlein. Sinceramente, quem escreve sobre problemas internos na Sauber deve estar sem muito assunto, mas vá lá.

Depois, novo comunicado para dizer que Monisha Kaltenborn não é mais a chefe da equipe. Ela ficou quatro anos e meio à frente do time, depois de trabalhar em outras áreas da organização de Hinwil.

[bannergoogle]Aparentemente, o fundo de investimento que comprou a Sauber queria que Ericsson tivesse algum tipo de privilégio lá dentro. Monisha nunca topou essa imposição e, ao contrário, estaria dando preferência a Wehrlein — que é muito mais piloto.

A treta resultou em sua saída. Uma pena, porque era uma solitária presença feminina em cargo de chefia na F-1, ambiente mais do que machista — OK, tem a Claire Williams, mas é filha do dono, não sei se estaria nesse negócio se não fosse o pai, e sua atuação não se dá nas mesmas funções que Monisha ocupava.

Seu trabalho foi bom? Bem, sem dinheiro ninguém faz nada. Ela não tinha. Não foi nada demais, nem de menos. Sinceramente, não saberia dar uma nota para Monisha. E, sinceramente, não vai acontecer nada na Sauber com um novo chefe. Não gosto dessa história de fundos de investimento tomarem conta de entidades esportivas. Acho um modelo fadado ao fracasso. A Sauber só não fecha porque não dá para ter um campeonato com apenas 18 carros. Alguém sempre vai segurar as pontas.

WER LÁ, HEIN?

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giovigostamosSÃO PAULO (esse menino…) – Pascal Wehrlein não volta ao cockpit da Sauber no fim de semana em Xangai. O alemão, que desistiu do GP da Austrália depois dos treinos livres, segue fora por conta, ainda, das consequências do acidente que sofreu na Corrida dos Campeões em dezembro.

A barbeiragem na disputa com Massa está cobrando um preço alto. Wehrlein teve uma contusão nas costas que não está devidamente curada. Com a alta exigência física dos novos carros da F-1, simplesmente não aguenta uma corrida inteira.

[bannergoogle]Antonio Giovinazzi, que andou em Melbourne, segue como seu substituto. O italiano, apadrinhado da Ferrari, foi bem em Albert Park. Terminou em 12º, sem cometer erros. E pegou uma fogueira, sentando no carro direto na classificação. Com um pouco mais de sorte — leia-se “abandonos” –, poderia até pontuar. Aproveitou a oportunidade, e terá outra.

Pascal, por sua vez, corre o risco de se queimar se não se aprumar. Primeiro, ficou puto ao ser preterido pela Mercedes na escolha de quem iria para a Force India — a montadora optou por Ocon. Depois, achou que seria chamado para o lugar de Rosberg. Não foi. Acabou sobrando um lugarzinho na Sauber, carro que não povoa os sonhos de ninguém. Aí, se arrebenta numa prova de fim de ano. E não consegue se recuperar. Sei lá. Melhor abrir os olhos.

SAUBER C36

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[bannergoogle]SÃO PAULO (dá pra desligar o maçarico?) – A Sauber botou na praça o C36 hoje pela manhã. “C” de Christine, a mulher de Peter Sauber, sigla que designa os carros do construtor suíço desde sempre. A Williams, sexta-feira, divulgou imagens do FW40, e daqui a pouco falamos dele. No fim de semana dei-me folga neste blog depois de uma festa de 50 anos do irmão, uma transmissão de Fórmula E na TV e três blocos. Haja saúde.

Chamam a atenção nos novos carros as dimensões maiores, os pneuzões, a asa traseira mais baixa, a volta da barbatana atrás da tomada de ar e a pobreza de patrocinadores. O espaço mais nobre da Sauber está preenchido com uma alusão aos seus 25 anos de F-1. A equipe está sob controle de um grupo financeiro e arrumou uns trocos com o nono lugar de Nasr no Brasil ano passado. Mas me parece muito pouco para ser um negócio sustentável.

Com motor Ferrari 2016 e a dupla dinâmica Marcus Ericsson/Pascal Wehrlein, o que se pode esperar da Sauber neste ano é… nada. Como a Manor fechou as portas, deve ficar em último, mesmo. É, hoje, a nanica da vez. Wehrlein, que bateu feio na Corrida dos Campeões na Flórida, está fora da primeira bateria de testes.

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Mesmo assim, conversei com importante figura na fábrica, que pediu para não ser identificado. Fiz perguntas pontuais, por WhatsApp. Vou reproduzir na íntegra, já traduzido.

Flavio Gomes (FG) – Olá, tudo bem?
Fonte da Sauber (FdaS) – Tudo bem, e tu?

FG – Vou bem. E esse carro aí?
FdaS – Gostou?

FG – Notei que não tem patrocinadores.
FdaS – É, aquele menino brasileiro levou o banco e a petroleira.

FG – Mas e o Ericsson?
FdaS – Trouxe uma grana. Deu para trocar a máquina de café expresso.

FG – Só isso?
FdaS – Eram várias, trocamos todas e deu para comprar várias cápsulas.

FG – Que bom. Para que vocês colocaram aquela barbatana?
FdaS – Para melhorar os fluxos de ar.

FG – E a asa mais baixa atrás, como vai funcionar?
FdaS – Pelas nossas simulações, vai melhorar bem os fluxos de ar.

FG – Azul e dourado foi uma escolha de quem?
FdaS – Da mulher do dono. Ela queria algo parecido com embalagem de chocolate.

FG – Quem é o dono?
FdaS – Isso não posso dizer.

FG – O Wehrlein é simpático?
FdaS – Sim, mas a gente não entende nada que ele fala.

FG – Mas ele fala alemão, na Suíça também se fala alemão. Se for assim, o Ericsson…
FdaS – Também não entendemos nada do que ele fala.

FG – Para terminar, como esperam fazer alguma coisa de útil usando um motor do ano passado?
FdaS – Vamos melhorar, pode apostar. Não temos provas, mas temos convicção.

FICOU DIFÍCIL

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SÃO PAULO (mas ainda tem chance) – O Banco do Brasil oficializou sua saída da F-1 ao informar que o contrato de patrocínio com a Sauber não será renovado. A “Folha” havia antecipado a decisão alguns dias atrás.

Assim, Felipe Nasr está à deriva do ponto de vista financeiro. Sua continuidade na categoria depende 1) do interesse desinteressado da Sauber ou da Manor ou 2) de arrumar dinheiro para levar a uma dessas equipes.

É bastante complicado. O BB era parceiro de Nasr havia bastante tempo — as relações da família, que é de Brasília, com a cúpula do banco sempre ajudaram. O problema é conseguir grana no mercado nacional. Quem, hoje, se interessaria em colocar uns 10 milhões de euros num piloto que correr em equipe pequena?

Felipe conta com os dois pontos que fez em Interlagos para convencer a Sauber a ficar com ele. Eles representam uma boa verba para o ano que vem, algo em torno de US$ 13,5 milhões em premiação pela colocação no campeonato. Mas essa receita virá com ou sem ele. Achar que o time suíço vai renovar seu contrato por gratidão parece otimismo demais. Há pilotos na fila, e todos acenam com dinheiro graúdo para ficar com a vaga. A lista tem Gutiérrez, Wehrlein (apoiado pela Mercedes) e Haryanto.

[bannergoogle]Quanto à parceria com o banco, creio que ela nunca foi lá muito aproveitada pelo patrocinador. O vídeo abaixo mostra isso. Bem feitinho, realizado em outubro do ano passado, colocou Nasr disfarçado de bancário numa agência do BB em Brasília, sua cidade. Como se nota, ninguém o identificou de cara — ainda que ele já tivesse cumprido praticamente uma temporada inteira. É quase uma anti-propaganda. Um diretor de marketing que assistisse a esse filmete como se ele fosse um teste de popularidade não recomendaria o patrocínio. No canal do Banco do Brasil no YouTube, contei 11 vídeos com Felipe. No total, até as 17h30 de hoje, eles tinham, juntos, 21.698 visualizações. Esse número, para padrões de internet, é quase zero. Nasr tem menos seguidores no Twitter do que eu.

E por que ninguém sabia quem era Nasr na pegadinha da agência bancária? Porque a F-1 está em baixa, porque o brasileiro médio não segue a categoria, porque automobilismo não é popular, porque aqui só interessa quem consegue fazer tocar vinhetinha ufanista na Globo, ou quem participa de reality show, ou do “Domingão do Faustão”. É uma realidade. E um problema para atletas de várias modalidades. Digo sempre: larguem Nasr na avenida Paulista, ou Ricardo Maurício, ou Max Wilson, ou Átila Abreu, ou Lucas di Grassi, e ninguém vai reconhecê-los. Corrida virou, definitivamente, coisa de nicho.

É para se refletir sobre o assunto. Porque o grande drama do Brasil hoje nas pistas não se resume a produzir pilotos. Há que se buscar, também e principalmente, quem esteja disposto a investir neles.

E não há, num mundo em que a Kefera tem 9,8 milhões de inscritos no YouTube. Quem é a Kefera? Pesquisem. Aliás, vou colocar o nome dela nas “tags”. Quem sabe esta nota dá audiência e seus milhões de fãs vêm aqui para me xingar.

QUATRO PRA UMA

Q

SÃO PAULO (briga dura) – Por incrível que pareça, a Sauber é objeto de desejo para 2017. Afinal, é a única equipe além da neo-nanica Manor com vaga aberta para o ano que vem. E são quatro os candidatos. Quem entrou na briga agora foi Pascal Wehrlein. Consta que Toto Wolff, que o tem sob o guarda-chuva mercêdico, resolveu dar uma ajuda ao pupilo. Sim, sei que a Manor usa Mercedes e faria mais sentido ficar lá. Mas Pascal anda emburrado por ter sido preterido na Force India por Esteban Ocon, e ficar na Manor não é algo que o empolgue muito.

Os outros três são Felipe Nasr, Rio Haryanto e Esteban Gutiérrez. O problema do brasileiro é que a verba do Banco do Brasil pode cessar. Haryanto tinha uma grana da Indonésia para esta temporada, mas ela acabou antes do fim do campeonato. Já o mexicano é quem tem uma situação financeira mais estável — só que é ruim. À imprensa alemã, Bernie Ecclestone disse que não gostaria de ver a F-1 sem um brasileiro. É um cabo eleitoral que tem algum peso, mas está longe de ser decisivo.

Em quem vocês apostam?

SEM BANCO, COM ERICSSON

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SÃO PAULO (olá) – Antes de mais nada, explicações — sempre acho que devo explicações à blogaiada. O blog ficou zerado no fim de semana por motivos de encontro da família no interior. Ficou zerado hoje porque gravamos duas edições do “Fox Nitro” — uma delas para o fim do ano. Agora vamos tirar o atraso.

[bannergoogle]Começando com notícia veiculada no sábado pela “Folha de S.Paulo”, dando conta de que o Banco do Brasil não vai mais colocar dinheiro na Sauber. A situação de Felipe Nasr, portanto, passa a ser muito delicada. Mesmo a equipe dizendo que não precisa de dinheiro, é óbvio que precisa. E tem piloto com a bolsa cheia, Gutiérrez, que inclusive já defendeu o time.

Hoje, a Sauber confirmou a permanência de Ericsson. Assim, restam três vagas para 2017: duas na Manor e uma na equipe suíça. Wehrlein deve ficar onde está. O outro cockpit da neo-nanica está à disposição de quem chegar com um punhado de dólares. Pode ser Nasr? Pode, mas considero um retrocesso. E se seu principal patrocinador não quer mais investir na Sauber, não teria por que fazê-lo num time de visibilidade quase nula.

Sei não. Pode ser que o Brasil fique sem piloto na F-1 no ano que vem.

ANUNCIE AQUI

A

SÃO PAULO (é caro?) – Depois de vender a equipe a um grupo financeiro, a Sauber, agora, quer arrumar um patrocinador máster e vender serviços de engenharia. Fora da F-1.

É algo que Williams e McLaren já fazem. Desenvolveu-se tanta tecnologia na F-1 nos últimos anos dentro das fábricas, que muita coisa está sendo aproveitada pelo mercado externo. Não necessariamente na indústria automobilística, diga-se.

ADEUS, SAUBER

A

sauberpeterfim

SÃO PAULO (fez muito) – Estranho dizer “tchau” no dia em que, na verdade, a Sauber garantiu sua sobrevivência dando “hello” a um grupo financeiro suíço que assumiu o controle da equipe de Hinwil. Longbow Finance é a empresa que salvou o time da extinção. Não tenho a menor ideia de quem se trata. Grupos financeiros não são propriamente novidade na F-1. Outro dia mesmo um deles comprou a Renault, transformou-a e Lotus, deu certo por um tempo, depois caíram fora. Genii, lembram? Coisa recente. A Renault pegou de volta.

Esses conglomerados de gente engravatada que vive de mexer com o dinheiro dos outros nada têm a ver com o esporte e nele enxergam uma possibilidade de fazer negócios, apenas. Se dão certo, seguem em frente. Se não dão, tiram o time de campo e partem para outra. É a lógica capitalista. Por ela, nenhuma equipe de competições teria nascido. Corrida não é exatamente um bom negócio, na sua origem. Pode se transformar, até. Mas, na maioria das vezes, se equilibra mal e porcamente e depende de decisões políticas e apaixonadas de grandes empresas e empresários. Uma das máximas do meio é: para ficar milionário com automobilismo, basta ser bilionário. Algo assim.

[bannergoogle]O “adeus” do título lá em cima pode ser acrescido de um “a”, a Sauber, Peter, o fundador e garagista que fez do sobrenome uma equipe, ou de um “à”, à Sauber, a equipe. Sem crase, um adeus ao vetusto e austero Peter. Com crase, um adeus à equipe, que deixa de ser o que é para se tornar ativo de um grupo de financistas.

É uma boa notícia, a venda? Num primeiro momento, claro. Afinal, era isso, ou fechar as portas. A longo prazo, impossível dizer. Grupos financeiros, insisto, não têm compromisso algum com esporte nenhum. Seu compromisso é exclusivamente com dinheiro. Seria muito, mas muito melhor, se o Grupo Fiat assumisse a bronca usando a marca Alfa Romeo, como se especulou há algum tempo. Na verdade, houve conversas sérias nesse sentido, mas no fim a negociação não evoluiu, e não me perguntem por quê. Mas é fácil adivinhar as razões. Montadoras de automóveis, hoje, também têm financistas engravatados no comando. Devem ter achado que era um mau negócio.

E por que um grupo como esse Longbow se mete com corridas, se elas são um mau negócio? Fui procurar informações sobre a empresa, sediada na pequena Lutry, minúscula cidade medieval de dez mil habitantes no Cantão de Vaud, lado francês da Suíça, onde em 1984 foram encontrados 24 menires durante as escavações para a construção de um estacionamento subterrâneo.

Menir é aquilo que o Obelix carrega o tempo todo, e nunca soube, nem saberei, para que serve. Mas menires existem, os de Lutry estão aí para não me deixar mentir. Num desses sites sobre mercado financeiro mundial, encontrei a seguinte descrição das atividades da nova dona da Sauber: “Gestion financière, administrative et comptable de fortunes, participations, titres, valeurs mobilières et immobilières ou autres investissements”.

Não é preciso traduzir nada. Resta apenas torcer que os caras curtam essa parada de carrinhos de corrida, que consigam investidores entre os afortunados com quem mantêm relações, que preservem os empregos na fábrica e, sobretudo, o espírito de Peter Sauber. Que foi aposentado compulsoriamente e, a partir de hoje, desconfio, nem credencial vai ter mais para entrar nos autódromos.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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