TagNasr

ELITE ELÉTRICA

E

RIO  (uau)Felipe Nasr assinou com a Dragon e já estreia na Fórmula E no México, dia 16. Vai substituir Maximilian Günther, egresso da F-2, que teve uma pequena treta com Felipe Massa em Santiago.

É o quarto brasileiro na categoria. Todos eles passaram pela Fórmula 1 — Nasr foi da Sauber, Lucas di Grassi correu na Virgin, Nelsinho Piquet na Renault e Massa, na Sauber, Ferrari e Williams. Um quinto, Bruno Senna — HRT, Lotus e Williams –, disputou as duas primeiras temporadas da categoria pela Mahindra, mas não deu continuidade.

É legítimo dizer que, hoje, a elite do automobilismo nacional corre de carros elétricos.

nasrnae

FIM E COMEÇO

F

322642_735862_actionexpress_car_31_felipe_nasr_new_driver_for_2018RIO (fez bem) – Felipe Nasr está indo para os EUA. Assinou com a equipe de Christian Fittipaldi para correr no SportsCar, campeonato que está crescendo bastante. O próprio Christian está começando a tirar o pé. Vai ser diretor-esportivo da Action Express e disputará apenas as provas de longa duração mais clássicas, por assim dizer.

É um recomeço de carreira para o brasiliense, depois de deixar a Sauber e ficar parado quase o ano inteiro — fez uma prova de Porsche recentemente, para não dizer que não fez nada.

E é o fim de qualquer pretensão de um dia voltar à F-1 — o que não significa que vá morrer por causa disso.

PLANO B, C, D…

P

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RIO (quase glacial) – Felipe Nasr já sabe que as coisas na F-1 estão muito difíceis. Quase impossíveis. Esteve em Silverstone, como diz o Grande Prêmio, “para ver e ser visto”.

Não adianta muito, a essa altura. A fila andou para ele, como já andou para vários jovens que tiveram passagens breves pela categoria nos últimos anos. Alguns resistiram um pouco mais, outros menos. Em comum, na lista abaixo, o fato de que nenhum deles voltou, ou voltará. Vejam se falta alguém:

Klien, Petrov, Buemi, Alguersuari, Senna, Di Grassi, D’Ambrosio, Merhi, Rossi, Stevens, Gutiérrez, Di Resta, Sutil, Kobayashi, Vergne, Pic, Van der Garde, Chilton, Harianto.

[bannergoogle]Fiz essa lista de cabeça, começando mais ou menos em 2010 — não fui consultar as datas, apenas me lembrei dos pilotos. Boa parte dessa turma se arranjou em outras categorias, como Indy, WEC, DTM e Fórmula E. Há vida fora da F-1, frase que todo mundo que sai precisa compreender antes de cair em depressão. Ela pode não ser tão glamourosa, midiática, milionária, mas é boa — Alonso que o diga.

Nasr fala em plano B, C, D, E… É isso. Se o A é a F-1, esquece. Não por falta de talento, ou coisa que o valha. Faltam lugares e oportunidades para dezenas de pilotos como ele que estão pipocando por aí. O brasileiro não é especial apenas por ser brasileiro. Teve sua chance, foi bem no primeiro ano de Sauber, foi discreto no segundo, não encontrou os meios para permanecer — que incluem financiamento e relacionamentos –, a F-1 o expeliu, não precisa morrer por causa disso.

Há vida fora da F-1, mas para vivê-la é preciso procurá-la.

FICOU DIFÍCIL

F

SÃO PAULO (mas ainda tem chance) – O Banco do Brasil oficializou sua saída da F-1 ao informar que o contrato de patrocínio com a Sauber não será renovado. A “Folha” havia antecipado a decisão alguns dias atrás.

Assim, Felipe Nasr está à deriva do ponto de vista financeiro. Sua continuidade na categoria depende 1) do interesse desinteressado da Sauber ou da Manor ou 2) de arrumar dinheiro para levar a uma dessas equipes.

É bastante complicado. O BB era parceiro de Nasr havia bastante tempo — as relações da família, que é de Brasília, com a cúpula do banco sempre ajudaram. O problema é conseguir grana no mercado nacional. Quem, hoje, se interessaria em colocar uns 10 milhões de euros num piloto que correr em equipe pequena?

Felipe conta com os dois pontos que fez em Interlagos para convencer a Sauber a ficar com ele. Eles representam uma boa verba para o ano que vem, algo em torno de US$ 13,5 milhões em premiação pela colocação no campeonato. Mas essa receita virá com ou sem ele. Achar que o time suíço vai renovar seu contrato por gratidão parece otimismo demais. Há pilotos na fila, e todos acenam com dinheiro graúdo para ficar com a vaga. A lista tem Gutiérrez, Wehrlein (apoiado pela Mercedes) e Haryanto.

[bannergoogle]Quanto à parceria com o banco, creio que ela nunca foi lá muito aproveitada pelo patrocinador. O vídeo abaixo mostra isso. Bem feitinho, realizado em outubro do ano passado, colocou Nasr disfarçado de bancário numa agência do BB em Brasília, sua cidade. Como se nota, ninguém o identificou de cara — ainda que ele já tivesse cumprido praticamente uma temporada inteira. É quase uma anti-propaganda. Um diretor de marketing que assistisse a esse filmete como se ele fosse um teste de popularidade não recomendaria o patrocínio. No canal do Banco do Brasil no YouTube, contei 11 vídeos com Felipe. No total, até as 17h30 de hoje, eles tinham, juntos, 21.698 visualizações. Esse número, para padrões de internet, é quase zero. Nasr tem menos seguidores no Twitter do que eu.

E por que ninguém sabia quem era Nasr na pegadinha da agência bancária? Porque a F-1 está em baixa, porque o brasileiro médio não segue a categoria, porque automobilismo não é popular, porque aqui só interessa quem consegue fazer tocar vinhetinha ufanista na Globo, ou quem participa de reality show, ou do “Domingão do Faustão”. É uma realidade. E um problema para atletas de várias modalidades. Digo sempre: larguem Nasr na avenida Paulista, ou Ricardo Maurício, ou Max Wilson, ou Átila Abreu, ou Lucas di Grassi, e ninguém vai reconhecê-los. Corrida virou, definitivamente, coisa de nicho.

É para se refletir sobre o assunto. Porque o grande drama do Brasil hoje nas pistas não se resume a produzir pilotos. Há que se buscar, também e principalmente, quem esteja disposto a investir neles.

E não há, num mundo em que a Kefera tem 9,8 milhões de inscritos no YouTube. Quem é a Kefera? Pesquisem. Aliás, vou colocar o nome dela nas “tags”. Quem sabe esta nota dá audiência e seus milhões de fãs vêm aqui para me xingar.

SEM BANCO, COM ERICSSON

S

SÃO PAULO (olá) – Antes de mais nada, explicações — sempre acho que devo explicações à blogaiada. O blog ficou zerado no fim de semana por motivos de encontro da família no interior. Ficou zerado hoje porque gravamos duas edições do “Fox Nitro” — uma delas para o fim do ano. Agora vamos tirar o atraso.

[bannergoogle]Começando com notícia veiculada no sábado pela “Folha de S.Paulo”, dando conta de que o Banco do Brasil não vai mais colocar dinheiro na Sauber. A situação de Felipe Nasr, portanto, passa a ser muito delicada. Mesmo a equipe dizendo que não precisa de dinheiro, é óbvio que precisa. E tem piloto com a bolsa cheia, Gutiérrez, que inclusive já defendeu o time.

Hoje, a Sauber confirmou a permanência de Ericsson. Assim, restam três vagas para 2017: duas na Manor e uma na equipe suíça. Wehrlein deve ficar onde está. O outro cockpit da neo-nanica está à disposição de quem chegar com um punhado de dólares. Pode ser Nasr? Pode, mas considero um retrocesso. E se seu principal patrocinador não quer mais investir na Sauber, não teria por que fazê-lo num time de visibilidade quase nula.

Sei não. Pode ser que o Brasil fique sem piloto na F-1 no ano que vem.

MAU PERDEDOR

M

SÃO PAULO (não sei se vai dar tempo…) – Dizer que está feliz pela equipe e por Felipe Nasr, OK. Mas falar que é “doloroso” não ter sido ele o dono dos primeiros pontos da Sauber no ano mostra que Marcus Ericsson é uma maleta sem alça.

Lembro como achei deselegante algo parecido em 1999, quando Johnny Herbert venceu o GP da Europa em Nürburgring — única vitória da história da Stewart. “Puta rabo que ele deu”, disse Barrichello ainda no túnel que passava por debaixo da pista. “Era para ser eu.”

Saber perder e saber ganhar, eis aí a chave para ser um bom esportista.

ENTRE OS LAGOS (22)

E

SÃO PAULO (boa, menino) – Como de costume, o GP do Brasil teve tanta coisa que não cabe tudo num post só. Então vamos organizar a bagunça aqui. Como se estivesse editando as páginas de um jornal, a primeira retranca do dia vai para Felipe Nasr, nono colocado em Interlagos.

[bannergoogle]Felipe II é bom de chuva e já mostrara isso num treino em Budapeste neste ano. Hoje, foi um dos nomes da prova. E conseguiu dois pontos para a Sauber que podem significar sua permanência na equipe. Porque esses dois pontos representam um caminhão de dinheiro no caixa do time para o ano que vem. A Sauber assumiu o décimo lugar entre os construtores, deixando a Manor para trás. Os dez primeiros no campeonato recebem valores interessantes, em ordem decrescente. A Mercedes, campeã do ano passado, reforçou a conta bancária em US$ 63,5 milhões. A Marussia, que virou Manor, recebeu US$ 13,5 milhões pelo décimo posto no campeonato.

Como nesta temporada são 11 equipes, a última colocada não vai levar nada por mérito — recebe uma parte do bolo igual às demais apenas pela participação. Assim, numa conta rápida, se graças a este nono lugar a Sauber ficar em décimo no Mundial, vai ganhar US$ 13,5 milhões (ou um pouco mais, depende da arrecadação do ano) para montar seu orçamento para 2017. É um bom dinheiro.

Nasr, assim que recebeu a bandeirada, começou a chorar dentro do capacete e saiu falando pelo rádio com seu engenheiro — ouçam no vídeo abaixo, é bem emocionante.

“É como uma vitória, vocês não sabem quanto!”, disse, e depois: “Nunca deixem de acreditar, nunca, nunca!”. Aí soltou, em português mesmo, o velho “sou brasileiro e não desisto nunca”. Argh. Mas tá valendo, coitado. O alívio pelos pontos, o alívio por ter feito uma prova excepcional, tudo isso acaba justificando o clichê.

Nasr começou a corrida lá atrás, mas na medida em que os mais ousadinhos iam colocando pneus intermediários, foi galgando o pelotão. Assim, na décima volta, a terceira sem o safety-car, apareceu em nono. Até a volta 32, não foi ultrapassado por ninguém. Àquela altura, já era o sexto colocado, posição que assumira na volta 23. Foi quando Ricciardo chegou e levou.

Nenhum motivo para se desesperar. Felipe tinha Ocon atrás dele, servindo como anteparo para alguns carros mais rápidos que vinham chegando. Segurou Alonso um tempão, por 16 voltas, enquanto o espanhol tentava, ao mesmo tempo, se defender de Vettel, primeiro — não resistiu –, e Hülkenberg depois — acabou rodando a 16 voltas do final, e depois teve de remar bastante para terminar em décimo.

[bannergoogle]Hülkenberg também demorou para superá-lo, assumindo o sexto lugar só na volta 59. Verstappen e Ricciardo, que se embananaram com as opções pelos pneus intermediários durante a corrida, acabaram chegando novamente no brasileiro e também passaram. Mas o belo início de prova acabou se pagando. Uma coisa é você estar em décimo e perder três posições no fim. O resultado é zero. Outra, bem diferente, é andar entre os seis primeiros com um carro ruim e ter uma gordurinha para queimar na parte decisiva de uma corrida. Nasr tinha. Caiu de sexto para nono, mas não tinha motivo nenhum para ficar chateado. Ao contrário.

Feliz, emocionado, às lágrimas, Felipe recebeu o abraço de Massa ao final da corrida. “Eu tinha de aproveitar a oportunidade no Brasil e consegui”, disse. Foi, de fato, uma grande virada no momento mais delicado de sua carreira. A Sauber tem de escolher logo seu segundo piloto para 2017. Ericsson, como se sabe, vai ficar. Tem gente na fila, e o mais espevitado é Gutiérrez, que traz apoio de patrocinadores mexicanos endinheirados.

Só que, neste domingo chuvoso e cinzento na metrópole, Nasr mostrou serviço e aliviou o saldo da Sauber no cheque especial. É um bom motivo para que a opção dos suíços seja feita por ele. Pelo que fez em Interlagos, a melhor corrida de sua carreira, o rapaz merece. Hoje, ele foi grande.

ENTRE OS LAGOS (5)

E

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SÃO PAULO (claro que é) – Ótima a entrevista do Fernando Silva com Marcus Ericsson para o Grande Prêmio. Fernandão foi no peito do sueco ao colocar a questão da “sabotagem” a Felipe Nasr nesta temporada — única coisa que explicaria, para muita gente nestas terras esquisitas, o fato de ele andar na frente do brasileiro.

“Isso é bobagem, uma besteira muito grande, uma coisa ridícula”, respondeu.

[bannergoogle]Claro que é, e a indignação de Ericsson exprime bem o sentimento de qualquer um neste mundo. Uma equipe trabalhar contra ela própria é uma das maiores burrices que pode cometer. Resultados podem levar a pontos, e pontos significam dinheiro. É simples assim. Ericsson está mais rápido que Nasr porque vive um momento melhor. Assim como Nasr estava mais rápido que ele no ano passado, quando viveu momentos bem melhores.

Isso só mostra que são pilotos parecidos. Nada mais.

VAI TER TRETA – I

V

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SÃO PAULO (puxa vida) – Sinceramente, as posições que a Sauber tem ocupado são tão irrelevantes que nem sei se vale a pena esticar o assunto. Falo da treta entre Ericsson e Nasr em Mônaco. Para lembrar: ao brasileiro, que estava em 15º, foi pedido que desse passagem ao sueco, em 16º. Alegação: Felipe estava mais lento.

Ele não deixou. Alegação: no momento em que começaram a pedir para trocar de posição, seus pneus estavam frios e havia alguma coisa errada com o carro. Pouco tempo depois, os pneus esquentaram e ele encontrou seu ritmo, não vendo motivo para deixar o companheiro passar.

[bannergoogle]Ericsson, irritado, tentou onde não dava, na Rascasse, e os dois bateram. Marcus foi punido e perderá três posições no grid em Montreal — o que não fará grande diferença.

Hoje, Nasr disse que no ano passado aconteceu o mesmo, só que em posições trocadas: ele atrás, mais rápido, Ericsson à frente, mais lento. Segundo Felipe, o sueco não obedeceu. Isso também fez com que decidisse não entregar seu posto em Mônaco.

Na boa? Um time como a Sauber não tem de dar ordem nenhuma. Não faz diferença qual dos dois vai chegar à frente. Se a Mercedes, que é a Mercedes, libera seus pilotos para a disputa, porque uma bomba como a Sauber acha que tem de fazer diferente. Depois, a FIA não tinha determinado que essas coisas seriam proibidas?

Esse tipo de coisa só gera animosidade entre companheiros de equipe. Que, na merda em que estão, deveriam se ajudar, e não um atrapalhar o outro. Assim, o que está ruim só pode piorar. E é o que vai acontecer.

VAI MAL

V

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SÃO PAULO (vixe) – A Sauber avisou que não participará dos testes dos dias 17 e 18 de maio, a inter-temporada de Barcelona, dois dias depois do GP da Espanha. Sem peças, sem grana.

Onde Nasr foi amarrar seu burro…

Mas, também, como saber? Quando assinou, no fim de 2014, a coisa não estava tão feia. Até começou bem o ano, com um quinto lugar na estreia. Mas, depois, o time parou. O dinheiro acabou. Nesta temporada, está dando pena.

Aliás, o quanto essa draga pode afetar a carreira de Felipe II é tema de análise de Fernando Silva, da equipe do Grande Prêmio.

TRETA À VISTA

T

SÃO PAULO (calma, meninos, estou me mudando, por isso o blog anda devagar por estes dias) – OK, não se trata de uma discussão entre Hamilton e Rosberg, nem mesmo entre Bottas e Massa. Estamos falando da pior equipe do grid, a Sauber. Mas envolve um brasileiro da paz, Felipe Nasr, que anda reclamando muito de seu carro, a ponto de pedir para trocarem seu chassi.

Não notei nenhuma insinuação de que Marcus Ericsson esteja sendo favorecido pelo time, apenas o desalento por andar com um calhambeque sem futuro, mas foi o suficiente para o sueco tirar o pescocinho para fora do engradado e propor uma troca de carros. “Já provei que sou melhor do que ele”, disse.

Nossa, que meda.

O SUCESSOR

O

SÃO PAULO (só o tempo) – De Felipe para Felipe. Num horizonte próximo, é o que o Brasil terá na F-1. Felipe Massa, em entrevista ao Grande Prêmio e a outros veículos de imprensa do país, elegeu Nasr como seu sucessor na categoria.

[bannergoogle] É o que temos, eu diria. Mas Massa deve seguir ainda por mais uns dois ou três anos, eu arriscaria dizer. Acho que fica na Williams pelo menos até o fim de 2017, temporada em que a experiência será importante para qualquer equipe. Felipe II não estará sozinho.

A pergunta é: não vem mais ninguém?

Vem, mas não como fruto de um projeto de automobilismo que o Brasil eventualmente venha a ter. Não há nada por aqui que prepare pilotos para correr na Europa e, de alguma forma, chegar à F-1. Quem parece mais encaminhado é Pedro Piquet. Mas seu caso é bem particular — igual ao de Nelsinho, alguns anos atrás. Trata-se, sim, de um projeto familiar capitaneado por Piquet-pai. Assim como Nasr é projeto de uma família com tradição em corridas e bons contatos com patrocinadores. Projeto que deu certo, diga-se. Afinal, o menino está lá, é titular, tem como mostrar serviço mesmo num time frágil como a Sauber.

Sem categorias de base, que ao menos preparem a molecada para cruzar o oceano, nada vai acontecer por aqui. Se acontecer, será um acaso. Como foi Guga no tênis. Como é Zanetti na ginástica.

NEM DEMOROU

N

SÃO PAULO (c.q.d.) – Foi só o Américo informar que Nasr não estava nos planos da Williams para o ano que vem e a Sauber, 24 horas depois, confirma a renovação de seu contrato por mais uma temporada. Ericsson também fica.

A vaga na Williams será ser objeto de desejo de muita gente quando Bottas for confirmado na Ferrari — alguém duvida de que isso vai acontecer?

Joguem suas fichas. Maldonado, Button, Alonso, algum alemãozinho indicado pela Mercedes, Sutil, quem?

SÓ UM FELIPE

S

SÃO PAULO (faz sentido) – A notícia é do Américo Teixeira Jr., portanto zero de dúvida. E quem imagina que Felipe Nasr pode ser companheiro de Felipe Massa na Williams no ano que vem pode tirar o cavalinho da chuva. Não vai acontecer. Nasr deverá mesmo ficar na Sauber. Massa, já renovado (o anúncio será feito oportunamente etc. e tal), provavelmente perderá seu companheiro Valtteri Bottas para a Ferrari. Quem vai para seu lugar, não se sabe.

Andaram falando no Button.

A ver.

ESTRANHO

E

SÃO PAULO (conta alta) – Juro que não sei se está no contrato de Felipe Nasr, mas o fato é que o brasileiro não faz o primeiro treino livre em Sepang. No seu lugar anda o jovem Raffaele Marcello, 20 anos, piloto do programa de desenvolvimento da Ferrari. Que, provavelmente, vai pingar uns caraminguás na conta da Sauber — a não ser que, por contrato, também, a Ferrari tenha direito a um treininho ou outro, até porque a equipe suíça tem uns boletos em atraso.

Seja como for, depois da lambada que o time levou com o processo de Van der Garde, qualquer dinheirinho que entrar é lucro. Só não entendo por que tirar Nasr, que foi muito bem na estreia, e manter Ericsson. Bem esquisito, isso.

NASR LÁ

N

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SÃO PAULO (ah, o futebol…) – A esta altura, todo mundo já sabe que Felipe Nasr será titular da Sauber no ano que vem. Deu no “Jornal Nacional”. E como todo mundo já sabe, deixa eu contar uma historinha.

Eram mais ou menos 9 da noite quando o telefone do Victor Martins tocou. Estávamos numa pizzaria, eu, meu editor-em-chefe, a Suprema Evelyn, mais Gabriel, Vinicius, Renan e sua namorada. Parte do Grande Prêmio, pois. Pizzinha de semana de GP do Brasil, descontraída básica antes de mergulhar no autódromo. Era o Américo Teixeira Jr. no telefone. Aquele que não descansa nunca. “Nasr fechou com a Sauber.”

Uma frase bastou. Em poucos segundos, montamos uma redação na pizzaria. Computador na mesa, celulares acionados, a pizza teve de esperar um pouco. Em coisa de três ou quatro minutos a notícia estava na manchete do site. Na retaguarda, a Juliana Tesser colocou as primeiras informações no ar. Às 21h06 estava tudo resolvido.

Mas foi a Globo quem deu a informação primeiro. E nós, do Grande Prêmio, não gostamos disso. Detestamos quando somos furados. E a gente só não deu antes porque tem esquema. Isso mesmo, esquema.

A Globo não furou ninguém. Há um esquema montado há meses entre a emissora, o piloto e o Banco do Brasil, seu patrocinador. É o banco que está bancando (ops) a entrada de Nasr na Sauber, com 18 milhões de euros. Assim como bancou sua presença na Williams como piloto de testes. O acordo com a Globo é explícito. Em todas as corridas do ano Nasr foi entrevistado ao vivo durante as transmissões. No fim de semana, comentou o GP dos EUA para o Sportv. E a notícia de sua contratação pela Sauber foi programada para ir ao ar no “Jornal Nacional”. A equipe só divulgou seu press-release depois disso, às 21h13.

Não há méritos jornalísticos da Globo na divulgação dessa informação. Foi tudo combinado entre as partes. Mas há, no nosso caso, o demérito de não termos obtido a informação antes. Acontece, embora tivéssemos algumas pistas — mas não conseguimos confirmar, e não publicamos o que não confirmamos. Paciência, perdemos. Mas perdemos para um esquema comercial, algo que me desagrada profundamente. Não gosto do rumo que as coisas tomaram no esporte e no jornalismo.

Nasr está na Sauber por méritos? Sim, claro. É bom piloto, ganhou a F-3 Inglesa, briga pelo vice da GP2 neste ano. É piloto pagante? É, mas essa é a realidade da F-1 atual no segundo escalão — fora das grandes, só corre quem paga. Não tem problema nenhum aí. O problema é esse negócio de fazer esquema com emissora de TV e dar a ela informação privilegiada. Um mau começo.

No mais, o que dizer? Gutiérrez e Sutil perderam suas vagas para Nasr e Ericsson, este um piloto ruim, mas igualmente endinheirado. O mexicano também conseguira seu lugar graças a patrocínios de empresas de seu país. Secou a fonte, adeus à vaga. Nenhum dos dois vai fazer muita falta, e é assim que a banda toca.

O que Felipe fará na F-1? Difícil dizer. É jovem, 22 anos, e tem muita estrada pela frente. A primeira missão é ser mais rápido que o sueco, o que não deve ser muito complicado. Depois, construir uma trajetória, que pode ser resultar em qualquer coisa. Quando se chega à F-1, uma nova carreira começa. É impossível fazer prognósticos quando não se trata de alguém evidentemente genial, como eram Vettel, Hamilton e Alonso. Os normais podem virar qualquer coisa, até campeões do mundo — Rosberg está aí, que não me deixa mentir.

Que Nasr tenha toda a sorte do mundo, é o que desejo. A partir de agora, é com ele, com seu carro, com sua equipe, no campeonato mais difícil do mundo. Onde não tem esquema, e o que conta é o talento. Felipe tem, sem dúvida.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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