TagBruno Senna

CERTO, MANO

C

bruno2gSÃO PAULO (num intindi direito) – Bruno Senna experimentou hoje em Interlagos pela primeira vez um carro da Estoque. Ele disputa a Corrida do Milhão domingo como convidado. Disse que gostou, que a visibilidade é melhor que no seu Aston Martin do WEC e tudo mais. OK.

No começo da semana, sua assessoria prometeu que ele iria correr com um “número surpresa”. Achei que o número iria ser desvendado na medida em que o carro fosse aquecendo, pintado com alguma tinta térmica, algo assim. Mas não dei muita bola.

Hoje chegou a revelação:

Bruno correrá com o apoio da Raízen, empresa líder em energia renovável no Brasil, que vai usar a prova como lançamento do projeto do etanol de segunda geração. Por isso, numa iniciativa pioneira em toda longa história da Stock Car, Bruno está usando um número que reúne o numeral 2 e a letra G – 2G. “É uma ação para chamar para este projeto que produz um combustível eficiente de maneira ainda mais sustentável, que é chamado de segunda geração (2G) justamente por ser feito da palha e bagaço da cana-de-açúcar”, diz Bruno.

Pois bem, o “número surpresa” é 2G. Achei meio esquisito e não muito surpreendente, mas tá valendo. Espero que funcione, porque o meu 3G em Interlagos, no fim de semana do GP do Brasil, estava capenga pacas.

NO MILHÃO

N

SÃO PAULO (fervendo) – Eu achava que todo mundo estava sabendo e até que isso já tinha sido anunciado, porque se não me falha a memória o Victor Martins deu a notícia no dia 22 de novembro, 13 dias atrás, pois. Mas, pelo jeito, nós é que anunciamos e ninguém mais falou nada.

De qualquer maneira, confirmaram hoje que Bruno Senna vai disputar a última etapa da Estoque, dia 15 em Interlagos. A Corrida do Milhão e tal. Já tem foto dele com o macacão dos patrocinadores.

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OU TUDO, OU NADA

O

SÃO PAULO (metade não dá) – Bruno Senna deu entrevista ao site da ESPN e revelou que está conversando com equipes da Indy para 2014. Mas ele quer correr apenas nos mistos, abrindo mão dos ovais.

Aí, não sei não. Ou o cara é piloto da categoria, ou não é. Correr na Indy e não disputar as 500 Milhas de Indianápolis é como participar do WEC e não se inscrever nas 24 Horas de Le Mans.

Senninha precisa dar um rumo para sua carreira menos errático.

FALA MUITO (2)

F

espnradio3SÃO PAULO (como sempre) – Toda semana vai ter podcast “Limite” na Rádio ESPN. O de hoje está aqui. As cascatas de sempre, mais uma entrevista com Bruno Senna.

Ah, e para não ficar repetindo o mesmo logotipo, a cada semana vou colocar o de alguma das milhares de rádios ESPN lá da América do Norte. A esmo.

SORRISO

S

SÃO PAULO (ainda não acabou) – Legal que o pessoal de imprensa do Bruno Senna começou a distribuir pequenos vídeos, agora que ele está no WEC. E vejam o sorriso largo do primeiro-sobrinho, que começou sua aventura na Aston Martin com vitória em Silverstone na sua categoria. Sabem por quê? Porque desde 2009, como ele conta, não subia ao pódio. E desde 2008, na GP2, lá mesmo em Silverstone, não vencia uma corrida.

Piloto quer vitórias e troféus. Seja onde for. Se for na F-1, ótimo. Melhor ainda. Mas, se não for, dane-se. O que não dá é para ficar se arrastando em equipes ruins só para dizer que está lá. “Estar lá” para ficar andando atrás, sem perspectiva nenhuma de nada, é uma tristeza.

Bruno nunca foi dos caras mais sorridentes do mundo. Na dele, contido, é um cara simpático, mas não, digamos, efusivo. Nesse videozinho aí dá para ver que ele está feliz.

E ser feliz, no fim das contas, é a única coisa que importa.

O RUMO DE BRUNO

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ASÃO PAULO (fez muito bem) – Bruno Senna está fora da Fórmula 1. A notícia foi oficializada agora há pouco pela assessoria do piloto, que confirmou que ele vai disputar o Mundial de Endurance da FIA, o WEC, pela equipe oficial da Aston Martin (na foto acima, o carro do time, com a pintura Gulf histórica e inigualável).

Sem querer bater bumbo, porque não somos disso, mas é importante lembrar que nosso colunista Américo Teixeira Jr. cravou em 17 de dezembro que o brasileiro estava fora dos planos da Force India. E no dia em que a Caterham fechou com Giedo van der Garde, Américo afirmou com todas as letras que suas chances de ficar na F-1 haviam se esgotado.

Nunca acho que o jornalista é mais importante que a notícia, mas faço essas observações por uma razão simples. Não, não é para dizer que nós somos os fodões do bairro Peixoto, que o Grande Prêmio é o melhor site do mundo e que o Américo tem arrebentado com informações exclusivas há muito tempo. Isso tudo é verdade, somos os fodões do bairro Peixoto e de outros bairros, temos o melhor site do mundo e o Américo é um tipo raríssimo de jornalista — conhece o assunto que cobre, é bem informado e tem fontes confiáveis, que eu nem seu quais são; mas confio no colunista, e isso basta para que banquemos as notícias que ele tem para dar.

O motivo, porém, é outro. Quando noticiamos que um piloto brasileiro tem poucas chances aqui, nenhuma ali, está quase fora, pode ser substituído etc e tal, parte do público que nos segue sai atirando impropérios em nossa direção, que podem ser resumidos numa frase-padrão (editada, sem os xingamentos): “Vocês não apoiam os pilotos brasileiros e torcem contra! Vocês não são patriotas!”.

No fundo, é verdade. Não apoiamos os brasileiros, nem os tailandeses, nem os vietnamitas. E se alguém ainda é tonto o bastante para misturar patriotismo com esporte e informação esportiva, que vá se tratar. Nós simplesmente não torcemos para ninguém e temos obrigações com uma única figura estelar e soberana: aquele que nos lê, ou ouve, ou assiste na TV. Ponto final. Quando quero me comportar como torcedor, vou para a arquibancada ver a Portuguesa. Há quem diga que devemos apoiar, ajudar, bajular, elogiar pilotos brasileiros porque dependemos deles, sem brasileiros vencendo o interesse pela F-1 se esvai, perdemos público e vamos à falência.

Pode ser que para alguns jornalistas e para algumas mídias funcione assim. Aqui, não. Primeiro, porque temos alguns princípios pétreos, e o maior deles é: aquilo que sabemos, publicamos. Depois, acredito sinceramente que o público que se pauta pelo ufanismo e que se guia pelos arroubos nacionalistas que contaminam a imprensa esportiva não nos interessa. Dispenso. Porque acredito, também sinceramente, que existe um público mais crítico, sensato, que gosta de ser informado, não enganado. E que gosta de automobilismo de verdade, sejam os protagonistas brasileiros ou incas venusianos.

Isso posto, falemos de Bruno.

Seus quase três anos de F-1 foram pontuados por algumas boas atuações, muitas discretas e outras ruins. Há várias atenuantes, como o fato de ter começado tarde, ter tido de pular algumas etapas por conta da idade, ter estreado por uma equipe muito ruim, não ter feito a temporada toda em 2011 e ter tido alguns treinos a menos no ano passado. Foi um piloto comum carregando um sobrenome incomum.

A guinada na carreira é positiva para ele. Na F-1, ficaria se arrastando atrás enquanto houvesse patrocinadores dispostos a investir em algo que, no fim das contas, não passava disso: um sobrenome muito caro aos brasileiros e ao automobilismo. Mas, na F-1, a percepção de que só estava lá porque é sobrinho de quem é seria permanente.

No WEC, Bruno terá a chance de ser piloto de corridas de verdade, numa equipe de ponta de uma marca que neste ano completa 100 anos de existência. O campeonato é muito legal, as provas de longa duração são espetaculares e ele vai correr em Le Mans, o que por si só vale uma vida — Bruno já esteve lá uma vez, mas num esquema bem menos ambicioso.

Há casos de outros pilotos brasileiros que desencanaram da F-1 quando viram que algo não iria se encaixar, e partiram para uma carreira mais sólida em outras categorias. Os casos mais recentes são os de Augusto Farfus (desistiu de monopostos há anos e hoje está no DTM pela BMW), João Paulo de Oliveira (sucesso absoluto no Japão), Nelsinho Piquet (fazendo a América na Nascar) e Lucas di Grassi (contratado pela Audi para o mesmo WEC). Existe vida, claro, fora da F-1. E ela pode ser muito divertida e prazerosa.

Senninha anda com o carro da Aston Martin nos dias 17 e 18 em Portimão e participa das 12 Horas de Sebring (que não fazem parte do WEC) em 16 de março. O Mundial começa em 14 de abril com as 6 Horas de Silverstone.

Fez muito bem o primeiro-sobrinho em tomar essa decisão. Talvez a F-1 não seja o lugar para ele. Mas as pistas, certamente, são. Que acelere muito, se divirta e seja feliz.

RESTA UMA

R

giedo2SÃO PAULO (sexta gorda mesmo) Giedo van der Garde é o nome anunciado pela Caterham como companheiro de Charles Pic, mais um time que troca 100% de sua dupla para 2013. É o quinto estreante confirmado na temporada, ao lado de Max Chilton, Luiz Razia (os dois da Marussia), Estebán Gutierrez (Sauber) e Valtteri Bottas.

O holandês é herdeiro da marca de roupas McGregor e tem cacife. No ano passado, correu pela equipe júnior da Caterham na GP2.

As coisas se complicaram bastante para Bruno Senna, a não ser que o silêncio das últimas semanas signifique a tranquilidade de algo já fechado com a Force India. Não tenho informações. Mas o Américo Teixeira Jr. tem e garante que os indianos trabalham com apenas duas opções, Jules Bianchi e Adrian Sutil.

Como está demorando muito para haver uma definição, não se pode descartar uma reviravolta de última hora, mas parece que é muito difícil. Sigo com o palpite de Bianchi, por conta das relações futuras entre Force India e Ferrari, a quem o francês é ligado.

Por isso, não é bobagem começar a pensar no futuro de Bruno fora da F-1. Quais suas opções? Ficar como vaquinha de presépio na condição de reserva não vale a pena. Correr no DTM? O brasileiro andou testando com a Mercedes em Portugal. É um excepcional campeonato. As relações da família com a AMG, via Domingos Piedade (jornalista português que comandou o braço esportivo da Mercedes até 2006, amicíssimo de Ayrton), podem ajudar.

Pode ser um caminho, ótimo caminho.

SEXTA GORDA

S

SÃO PAULO (daqui a pouco) – Andaram dizendo por aí que Paul Di Resta tinha dado uma pista, meio sem querer, de que seu companheiro na Force India seria Bruno Senna. A mensagem teria sido publicada no Twitter. E ele teria apagado.

Estou escrevendo tudo no condicional (na verdade, estou reescrevendo o post) porque a mensagem é mesmo fake, uma montagem meio vagabunda. O cara não faria isso, nesta F-1 tão controlada. E analistas informais de imagens internéticas notaram algumas imperfeições, como a diferença da distância entre o nome do piloto e o texto nas duas “tuitadas” reproduzidas abaixo. E outras tantas derrapadas do fanfarrão que andou espalhando esse negócio.

Se isso acontecesse, de qualquer forma, seria excelente para o brasileiro. Das duas vagas abertas para 2013, é óbvio que a da Force India é melhor que a da Caterham. Mas sigo com o palpite de que Bianchi será o companheiro do escocês.

Aguardemos. A Force India apresenta seu carro novo hoje, sexta, logo depois da Ferrari. E não há sequer a garantia de que o segundo piloto será anunciado. Com anúncio ou sem anúncio, a sexta-feira será gorda, com dois carros novos na praça.

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RESTAM DUAS

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SÃO PAULO (para constar) – Ah, e a cinco dias do início dos testes de inverno em Jerez, com a confirmação de Razia na Marussia, restam apenas duas vagam abertas para 2013. Uma na Force India, outra na Caterham.

Meus palpites: Jules Bianchi na primeira, Bruno Senna na segunda.

CQD

C

SÃO PAULO (preguiça…) – A FIA divulgou semana passada sua primeira lista de pilotos e equipes inscritos para o Mundial de 2013. A data-limite era 29 de outubro para garantir vaga na temporada seguinte. Como se vê no link acima, do site da entidade, naquela data vários times ainda não tinham pilotos definidos. A Williams tinha. No dia 29 de outubro, inscreveu Maldonado e Bottas.

No dia 1° de novembro, publicamos que Bruno Senna já tinha sido avisado pela equipe de que não continuaria. Piloto, patrocinadores e assessores, como de hábito (é seu papel; não discuto isso), negaram. Na TV, nos esculhambaram. “Na internet, todo mundo fala o que quer”, ouvi. Como se nós estivéssemos tirando Bruno da Williams por nossa conta e vontade.

De novo: a gente não fala o que quer, fala o que sabe.

Ah, um detalhe: a HRT já não estava nessa lista. Portanto, desde o final de outubro sabia-se que a equipe espanhola tinha ido para o saco.

Isso nós não sabíamos. Se soubéssemos, também teríamos publicado, claro.

ASSIM SÃO AS COISAS

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SÃO PAULO (pff) – No dia 1° de novembro, o Grande Prêmio deu em manchete, em texto assinado por Américo Teixeira Jr. e Victor Martins, que Bruno Senna tinha sido comunicado pela Williams que estava fora em 2013. Naquele dia eu, que sou o dono dessa bagaça toda, nem perguntei aos dois quais eram suas fontes. Eles me mandaram o texto antes, dei uma lida e falei: “OK”. Respeito muito essa coisa de fontes. Continuo sem saber quais eram as fontes. Assim como não sei quais as fontes do Américo, que cravou o Pérez na McLaren e o Hamilton na Mercedes antes de todo mundo. Se eles quisessem me dizer, teriam dito. Mas confio nos meus repórteres, e isso basta. Se as fontes deles confirmaram, OK.

Piloto, equipe e assessores negaram, como de hábito. Estão na dele. Falei das negativas que viriam aqui. Nossos jornalistas, conhecidos como “in lokos”, estavam certos, como de hábito, também. Faço esse pequeno comentário — menos relevante que a notícia em si, anunciada oficialmente hoje — apenas como desagravo aos que trabalham duro e têm suas apurações desqualificadas em rede nacional para milhões de pessoas. Naquele fim de semana, do GP de Abu Dhabi, o locutor oficial, também como de hábito, criticou “a internet, onde todo mundo escreve o que quer”.

A gente escreve o que sabe, não o que quer.

Isso posto, creio que não há muito mais a falar sobre a saída de Bruno, uma vez que já falamos dela há exatos 27 dias. Ele está na mesma situação que estava quando recebeu da Williams a notícia da saída: atrás de dinheiro para comprar um cockpit.

Há algumas vagas abertas ainda para 2013, a saber: uma na Lotus, uma na Force India, uma na Caterham, duas na Marussia e duas na HRT. Pelo bem de sua carreira, Bruno não deve nem considerar as duas últimas. A HRT sequer sabe se estará no grid no ano que vem. A Marussia é uma porcaria. Seria um retrocesso muito indesejado. A Force India é uma boa, mas custa 20 milhões de dinheiros americanos. Na Caterham a fatura é menor. Calcula-se que com a metade é possível sentar no carro verde. Também seria um retrocesso, mas o time pelo menos mostrou alguma evolução em três anos. O lugar da Lotus é apenas retórico. Grosjean vai renovar, e Bruno já passou por lá sem ter impressionado muito.

Senna perdeu seu lugar por vários motivos. Um deles, e o maior, a opção por Bottas feita há muito tempo, decisão que só seria mudada se o brasileiro, por exemplo, fizesse uma temporada espetacular. Mas não foi o caso. Ficou em 16° com 31 pontos, 14 a menos que Maldonado, seu companheiro de equipe. O venezuelano ainda ganhou uma corrida, o que tem enorme peso na F-1. Senninha pontuou em dez etapas. Seu melhor resultado foi um sexto lugar na Malásia, na segunda prova do campeonato.

Um nono lugar na Hungria foi seu melhor grid. Maldonado foi 11 vezes ao Q3 e largou na frente do brasileiro em 15 dos 20 GPs. Seriam mais, não fossem as inúmeras punições que sofreu. A posição média de Bruno no grid foi 14°. De Maldonado, 10°. Essa foi sua principal deficiência: classificações. Em posições de rabeira, o primeiro-sobrinho ficou muito sujeito a refregas de começo de corrida. E elas aconteceram com frequência.

O ritmo de prova de Bruno, no entanto, não foi ruim. Conseguiu algumas boas recuperações e fez corridas razoáveis na China, na Hungria e em Abu Dhabi. Mas nada que demovesse a Williams de efetivar Bottas. Que na minha opinião não foi, como escreveu o colega Fábio Seixas, uma escolha política. Não há escolhas meramente políticas na F-1. Há escolhas pautadas por vários fatores: relacionamento, qualidade técnica, capacidade de atrair patrocinadores, currículo, bom empresário. Tudo junto resulta num piloto titular.

Bottas, de 23 anos, tem um bom currículo, apoio forte de uma grande empresa na Finlândia e seu empresário é Toto Wolff, sócio da Williams. É promissor, foi preparado para ser titular com seus 15 treinos livres no ano (ninguém dá isso a um piloto se não tiver a intenção de vê-lo correndo) e não há nada de errado na sua promoção. Como preparado foram Vettel, Grosjean, Di Resta e muitos outros. Preparados por equipes,  empresários, montadoras, patrocinadores… Essa malta toda precisa apostar em alguém para fazer a roda girar, e aqueles que dão as cartas no jogo escolhem os que consideram bons o bastante para neles depositar suas fichas.

Senninha, para desbancar Barrichello no ano passado, apresentou um currículo breve, mas razoável, um dinheiro considerável (Eike Batista, P&G, Embratel, Santander) e, aí sim, com uma boa carga política representada por seu sobrenome. Também não havia nada de errado nisso. Uma vez titular, teria de mostrar serviço. O que mostrou, pelo jeito, não foi suficiente. E se Bottas também não mostrar, terá o mesmo destino.

É assim que as coisas são.

DIA (DURO) DE DOMINGO

D

SÃO PAULO (ressaca) – Não foi, mesmo, um domingo fácil para Vettel. Vejam esta foto publicada no site da “Autosport”. Não é um milagre que nada tenha acontecido no carro do alemão?

“Nada”, claro, é força de expressão. Newey contou que houve uma perda de pressão aerodinâmica (provavelmente porque a suspensão foi afetada, estragando todo o alinhamento do carro) e danos no escapamento. O time monitorou todos os parâmetros durante a corrida e mudou o mapeamento do motor para que a temperatura no sistema de escape fosse a menor possível. Caso contrário, poderia haver uma quebra e, como consequência, a bagaça toda pegaria fogo.

A questão da perda de “downforce” foi parcialmente resolvida com ajustes na asa dianteira no primeiro pit stop.

Agora, o Bruno… Tenha dó. Fico imaginando se um piloto brasileiro, lutando pelo título, é acertado por outro que não briga por nada numa situação parecida. Iriam imolar o sujeito. É preciso um pouco de inteligência para correr de carro. O primeiro-sobrinho alegou que Vettel quis fazer a tangência e não deixou espaço. Caramba. O cara é protagonista do campeonato. A corrida, evidentemente, não era uma qualquer. Tem hora em que os coadjuvantes devem entender o que são, procurar atrapalhar o mínimo possível. Bruno, com atitudes como essa (minimizando o episódio, inclusive, como se fosse pouco relevante; não era, podia ter decidido o campeonato), consegue uma única coisa: perder o respeito de seus pares.

TRI IN SAMPA (9)

T

Schumacher (se despedindo), Hamilton (agradecendo à McLaren), Senninha (campanha de patrocinador), Massa (cores do pai), Grosjean (fotos dos integrantes da equipe)… Um monte de gente com capacete diferente aqui em Interlagos. Gostei muito da homenagem de Felipe ao Titônio e achei elegante a frase na cuca do alemão.

PIRES NA MÃO

P

SÃO PAULO (no fim tudo dá certo) – Bruno Senna foi avisado pela Williams que não fica no ano que vem. A vaga é de Valtteri Bottas. A informação está no Grande Prêmio, chancelada por Victor Martins e Américo Teixeira Jr.

Force India e Caterham são as possibilidades do brasileiro, agora. Mas para a primeira, vaga interessante, é preciso passar o pires e juntar 20 milhões de dinheiros norte-americanos. Na Caterham o lugar custa menos, mas a equipe não é lá muito atraente.

Todos vão negar até que seja anunciado oficialmente.

 

FUTURO INCERTO

F

SÃO PAULO (pode se mexer) – A Williams anunciou hoje que o austríaco Toto Wolff vai assumir uma função de diretor-executivo em Grove. A notícia poderia passar despercebida, e não teria maior importância, não fosse Wolff, entre outras coisas, gestor da carreira de Valtteri Bottas.

Wolff, 40 anos, foi piloto. Hoje, atua no mercado financeiro, investe em empresas de tecnologia, é um jovem milionário e, desde 2009, tem 16% das ações da Williams. Ou seja: faz xixi de porta aberta na fábrica.

Bottas tem patrocínio pessoal do conglomerado finlandês Wihuri, que emprega 5 mil pessoas e no ano passado faturou 1,7 bilhão de euros. Desde 2010 é vinculado à Williams e, neste ano, tem feito os primeiros treinos livres de sexta-feira com o carro de Bruno Senna. Recebe, todas as semanas, muitos elogios públicos de seus chefes. Ao final da temporada, terá no currículo pelo menos uma hora e meia de prática num F-1 em todos os circuitos que fazem parte do calendário.

Maldonado, o primeiro piloto do time, tem patrocínio da PDVSA, que no ano passado despejou na conta da Williams nada menos do que 29,4 milhões de libras, o que dá pouco mais de 45 milhões de dólares. Para quem duvida, o recibo está aqui. Pastor pode murchar os pneus da cadeira de rodas de Frank Williams que não será demitido. De quebra, ainda ganha corrida, como fez em Barcelona. O time, com o venezuelano, está no lucro. Ele só sai para suceder Chávez na presidência de seu país.

Diante deste quadro, alguém duvida que Bottas será titular no ano que vem?

Por isso, Bruno Senna precisa começar a se preocupar com o futuro. O brasileiro não tem sido um bom piloto em seu terceiro ano de F-1. Teve alguns brilharecos no ano passado com a Renault, agora Lotus, e nesta temporada fez corridas boas na Malásia e na China. Em classificações, tem sido batido com frequência por Maldonado — o placar é de 8 a 2, salvo engano. A seguir nesse ritmo, dispensá-lo no final do ano não será tarefa difícil para a Williams.

Cabe ao primeiro-sobrinho, na segunda metade do campeonato, fazer com que, pelo menos, uma dispensa pareça injusta. Isso ele só vai conseguir com bons resultados. Algo que, eventualmente, pode lhe abrir algumas portas para 2013. Caso contrário, a substituição pelo finlandês será recebida com a maior naturalidade do mundo.

HISPÂNICAS (5)

H

SÃO PAULO (bum) – Putz, acaba de haver uma explosão nos boxes da Williams, incêndio dos bravos. Até agora, parece que só um rapaz da Force India que foi ajudar saiu ferido. A cobertura com fotos e tudo mais está no Grande Prêmio. Há fotos impressionantes. O carro de Bruno Senna ficou destruído. Fica o registro.

Agora, falemos dos brasileiros em Barcelona, começando com Bruno.

Na hora da batida de Schumacher, achei que Bruno tinha freado antes e mudado a trajetória de um jeito meio esquisito. Como, pouco antes, ele tinha se defendido com uma certa agressividade dos dois que o ultrapassaram, acho que Grosjean e mais um. Estava sem pneus.

Michael ficou mutcho putcho, chamou Bruno de “idiota” e sua reação foi típica de quem se sentiu sacaneado. Foi o que mais me levou a tentar encontrar sutilezas na batida, porque numa olhada preliminar, apesar da mudança de trajetória do primeiro-sobrinho, o que ficou mais claro foi que Schumacher encheu a traseira dele.

Bem, a FIA acaba de punir Schumacher, perde cinco posições no grid em Mônaco. Bruno pode até ter se defendido de uma maneira imprevisível, mas o fato é que o alemão barbeirou, mesmo, e não teve razão nenhuma de reclamar. Que deselegância!

Azar dele, estragou uma corrida que poderia terminar nos pontos. A de Bruno não seria grande coisa, pela posição de largada e tal. Foi um fim de semana muito ruim para Senninha, que precisa se aprumar. O parceiro largou na pole e ganhou a corrida. Isso muda, inclusive, o patamar de suas ambições a partir de agora. Se a Williams tem um carro capaz de vencer um GP, e Maldonado mostrou que dá, é atrás de algo parecido que ele tem de ir agora.

Daqui a pouco, Massa. Hoje estou dividindo tudo em tópicos, a corrida foi legal e aconteceu bastante coisa.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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