Arquivoagosto 2019

HUBERT, 22

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POÇOS DE CALDAS – Anthoine Hubert era jovem, 22 anos, talentoso, querido pelos colegas, vencedor. Campeão da GP3 no ano passado com 11 pódios em 18 corridas, fazia sua primeira temporada na F-2. Já havia vencido duas provas neste ano, em Mônaco e na França. Corria pela Arden, equipe que não está entre as mais fortes da categoria.

Da mesma geração que Ocon e Gasly, Hubert fazia parte do programa de desenvolvimento de pilotos da Renault. Tinha um futuro mais ou menos delineado rumo à F-1, mas nunca é possível dizer se chegaria lá. Esses meninos todos têm um sonho em comum. O dele foi interrompido depois da Eau Rouge numa das mais belas pistas do mundo.

Não sou muito dado a reflexões sobre a morte, já que ela é inevitável. Quando acontecem acidentes fatais no automobilismo, minha primeira reação é tentar entender o que aconteceu e obter a maior quantidade possível de informações. Vício de jornalista.

Mas, depois, bate uma tristeza enorme. Mesmo convivendo com esse universo há mais de três décadas, conhecendo seus riscos e sabendo que é dos ofícios mais perigosos do mundo, o máximo que consigo é guardar um silêncio respeitoso.

Respeito muito esses moços e moças que desafiam a morte por puro deboche. Às vezes ela, a morte, ganha. Mas que ela não se engane quando leva um de nós (será que posso dizer isso, um de nós?). Na maioria das vezes, perde.

Acho que escrevi algo parecido quando Justin Wilson morreu, então repito. Que a morte não se ufane. Continuaremos correndo, debochando dela.

SPA EM CHAMAS (3): SÓ DÁ CHARLINHO

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POÇOS DE CALDAS (menino rápido) – Charlinho vem sendo o cara do fim de semana na Bélgica. Fez a terceira pole dele neste ano (as outras foram no Bahrein e na Áustria) e tem uma boa chance, amanhã, de vencer pela primeira vez na F-1. Não seria uma grande surpresa, porque a Ferrari vem dominando as folhas de tempo desde ontem e Leclerc tem sido constantemente mais rápido que Vettel. O que pode mudar o quadro de favoritismo da equipe italiana é uma mudança repentina no tempo. Até agora, não se viu uma gota d’água em Spa. O que é esquisitíssimo. Parece que a temperatura vai cair. Mas não se falou em chuva, ainda. De qualquer forma, a Ferrari é bem favorita na prova que marca a volta das férias da F-1.

Foi uma sessão de classificação de resultado previsível, apesar de algumas intercorrências na, digamos, periferia da categoria. O Q1 foi interrompido logo no início pelo estouro do motor de Kubica, o que caiu como uma luva para a Mercedes, que teve tempo de concluir os reparos no carro de Hamilton, que bateu no último treino livre. Foram dez minutos preciosos. A equipe já sabia desde sexta que neste fim de semana o negócio seria minimizar os prejuízos, diante do favoritismo da Ferrari.

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Quem viveu um drama foi mesmo Verstappen. Na primeira saída, sentiu um problema no motor e teve de voltar aos boxes para ver o que estava acontecendo. Em Spa, por conta da extensão da pista, tudo é mais complicado e o relógio corre contra as equipes, porque uma volta de retorno ao pit-lane demora uma eternidade. A Red Bull trabalhou o mais rápido que pôde e conseguiu devolver o holandês à pista para, pelo menos, passar para o Q2. Ele fez o terceiro tempo tendo de enfrentar o maior tráfego da história de uma classificação. E conseguiu na bacia das almas, porque quando fechou a volta Giovinazzi quebrou, provocando uma nova bandeira vermelha com menos de um minuto para a quadriculada. Não haveria mais tempo para ninguém fazer uma volta cronometrada.

A degola ceifou Gasly, Sainz Jr., Kvyat, Russell e Kubica. Nada de novo nos dois últimos lugares. A Toro Rosso empacou com seus dois carros — é, Gasly, a vida é dura na filial — e o espanhol da McLaren já ia ser punido, mesmo, por troca de componentes de motor. O grid, aliás, ficou todo embaralhado pela enorme quantidade de punições. O melhor, mesmo, é ver as posições definitivas no Grande Prêmio.

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No Q2, a Mercedes passou a andar mais perto da Ferrari, entrando na casa de 1min43s. Mas Leclerc e Vettel mantiveram o ritmo fazendo 1-2 novamente. Rodaram Grosjean, Norris, Stroll, Albon e Giovinazzi. Ricciardo, em quinto, e Hülkenberg, em oitavo, foram os destaques entre “os outros”.

A Mercedes se atrapalhou na primeira saída no Q3, com Hamilton muito perto de Bottas na volta de aquecimento de pneus. Charlinho se aproveitou e cravou 1min42s644, deixando Lewis em segundo a mais de 0s6 de distância em segundo. Vettel fez uma volta ruim, 0s8 pior que a do monegasco. Foi o tempo de todo mundo voltar aos boxes, colocar um jogo de pneus novo e sair mais uma vez. Todos juntos, mas com poucas chances de alguma mudança significativa na ordem estabelecida na primeira tentativa. Sebastian era quem tinha mais potencial para melhorar.

E assim foi. Leclerc baixou seu tempo para 1min42s519 e Vettel subiu para segundo, ainda que a 0s748 do jovem parceiro. Muita coisa. Hamilton caiu para terceiro e na sequência vieram Bottas, Verstappen e Ricardão nas seis primeiras posições. Hülkenberg, Raikkonen, Pérez e Magnussen fecharam os dez primeiros.

Charlinho é o favorito à vitória amanhã. E a Ferrari deve fazer uma dobradinha, se não errar na estratégia e seus pilotos se comportarem com distinção e civilidade. A Hamilton, resta brigar pelo pódio. Já estará de bom tamanho numa pista mais afeita aos vermelhos que aos prateados. Aliás, foi em Spa que Vettel venceu pela última vez, no ano passado. Já está demorando para levar um troféu de primeirão para casa de novo. Vai depender, no entanto, de eventuais derrapadas decorrentes do noviciado de Leclerc. Se o menino não se deixar levar pela ansiedade, ganha.

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SPA EM CHAMAS (2): UAU, FERRARI!

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POÇOS DE CALDAS (mais de 120 carros!) – Pessoal, em fim de semana de Blue Cloud tenho pouquíssimo tempo para escrever. Espero que compreendam. Tem mais de 120 DKWs lá embaixo para eu ver. Ainda tem o Crispim e o Bird Clemente com as histórias da Vemag. E os amigos que vejo uma vez por ano.

Mesmo assim acompanhei os treinos na Bélgica e fiquei bobo de ver como a Ferrari entubou todo mundo hoje. Esperava-se uma performance boa — em pistas muito rápidas de retas longas, foi assim no ano passado e neste ano é a mesma coisa. Mas os vermelhos colocaram quase um segundo na Mercedes, que vai ter de rebolar para reagir.

Os resultados de hoje foram normais, tirando essa diferença no cronômetro. A briga pela pole amanhã deve ficar entre Leclerc e Vettel. Mas na corrida, as coisas podem ser diferentes.

Por enquanto, não vi água em Spa. O que é incrível.

De novidades no mercado de pilotos, apenas a renovação de Pérez com a Racing India até 2022. E Raikkonen ficou bom da perna esquerda e vai correr normalmente. Amanhã falamos mais. Agora vou cheirar fumaça de óleo dois tempos.

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SPA EM CHAMAS (1): SÓ NOVIDADE

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POÇOS DE CALDAS (mais um) – Oxe, hoje o dia foi cheio das notícias em Spa. Mercedes, Renault, calendário, contusão de piloto veterano, prato cheio. Está tudo lá no Grande Prêmio. Aqui, alguns pitacos em meio a centenas de DKWs no 17º Blue Cloud:

– Bottas fica mais um ano: a Mercedes apostou na bola de segurança. O cara não atrapalha, de vez em quando ganha uma corridinha, não enche o saco e, pelo jeito, não reclama nem do tempero da comida no motorhome. A equipe não tem necessidade de mexer na dupla, essa é a verdade. O cara do time é Hamilton. Trazer um novato — especulava-se Ocon — faria com que se gastasse energia à toa. E Ocon não é também nenhum gênio.

– Ocon na Renault: não é gênio, mas é sangue novo que, no caso do time francês, vai ajudar. Hülkenberg deu o que tinha de dar. Ficou sem carro para 2020, mas pode ser que arrume uma boquinha, ainda.

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– Calendário sem Alemanha: está definida a temporada de 2020, com 22 corridas. É coisa pacas. São as mesmas deste ano sem a Alemanha e com a inclusão de Vietnã e Holanda. Para mim, uma surpresa. Mas países que corriam risco, como México e Espanha, se mexeram. E o GP da Alemanha dançou porque lá, se a conta não fecha, não tem mesmo. O país já tinha ficado fora do calendário recentemente, sem choro nem vela. Fiquei meio chocado porque me parece esquisito um Mundial sem a Alemanha num momento em que uma equipe alemã domina o campeonato do jeito que a Mercedes tem feito. E ainda tem um tetracampeão em atividade pela Ferrari, Vettel. De qualquer forma, se é verdade que a Alemanha fará falta, esse traçado mutilado de Hockenheim não vai deixar muita saudade.

– Interlagos, claro: só para não deixar dúvidas, GP do Brasil em São Paulo no dia 15 de novembro. A temporada começa na Austrália em 15 de março e termina em Abu Dhabi no dia 29 de novembro. O Vietnã fará seu GP em 5 de abril. A Holanda, em 3 de maio. Dobradinhas: Austrália e Bahrein (15 e 22 de março); Holanda e Espanha (3 e 10 de maio); Azerbaijão e Canadá (7 e 14 de junho); França e Áustria (28 de junho e 5 de julho); Bélgica e Itália (30 de agosto e 6 de setembro); Singapura e Rússia (20 e 27 de setembro); EUA e México (25 de outubro e 1º de novembro).

– Distribuição geográfica: serão dez corridas na Europa, sete na Ásia, quatro nas Américas e uma na Oceania. O Vietnã será o 34º país a receber um GP na história da F-1.

– Raikkonen machucado: poderá ser substituído por Marcus Eriksson se não melhorar das dores na perna. Pelo menos tratou a situação com graça. Disse que se ficasse bebendo em vez de fazer esporte, talvez tivesse condições de correr. A Alfa Romeo perde muito se ele não correr mesmo. Kimi é especialista em Spa.

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JESSI COMBS, 36

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SÃO PAULO – Eu juro que não conhecia, porque sou meio desligado em assuntos ligados a reality shows e ignoro a maioria das celebridades de TV — no sentido de não saber quem são, não de desprezá-los. Mas a menina, Jessi Combs, era uma estrela da TV e da velocidade. Morreu ontem num acidente tentando bater um recorde num carro a jato nos EUA. Família e equipe não revelaram detalhes, muito menos imagens, do acidente. Deve ter sido algo bem violento.

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KOMBIS DO DIA

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Dia Nacional da Kombi

SÃO PAULO (suerte!) – Curitiba pretende bater uma espécie de recorde domingo: a maior fila de Kombis de todos os tempos. Em 2017, foram 175, uma filona de 788 metros. O evento está marcado para o Dia Nacional da Kombi — que, admito envergonhado, nem sabia que existia. Então mobilizem-se! Foi o Gustavo Melo quem avisou.

Eu estarei em poços de Caldas para o maior evento de DKWs do planeta, o Blue Cloud, que chega à 17ª edição. Pretendemos chegar a 150 carros. Vamos ver!

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PIËCH, 82

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SÃO PAULO – Foi confirmada hoje a morte de Ferdinand Piëch, neto de Ferdinand Porsche, maior responsável pela transformação da Volkswagen no imenso grupo que é hoje. Um quase “pai da Audi moderna”, também — foi quem apostou na tração quattro. Além de criador, com seus engenheiros, do Porsche 917 — um dos maiores carros de corrida de todos os tempos.

Piëch saiu do grupo antes do Dieselgate. Nos anos anteriores, comprou a Bentley, a Bugatti e a Lamborghini. Era um gênio apaixonado por carros. A ele, nossos respeitos.

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VOTEM! (EM MIM)

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RIO (merecido, creio) – Recebi um e-mail da organização do Prêmio Comunique-se informando que estou entre os dez finalistas na categoria Mídia Escrita deste ano, graças ao Grande Prêmio e a este blog. É OBRIGAÇÃO de todos os leitores desta página votarem em mim!

Basta entrar neste link aqui. Não precisa de cadastro nenhum, é só logar com a senha do Facebook. Se eu ganhar, prometo escrevo meu segundo romance até março.

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MILHÃO PARA QUEM MERECE

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RIO (aqui, muito frio) – Ricardo Maurício levou a Corrida do Milhão agora há pouco em Interlagos. Lucas di Grassi, que largou na pole e cruzou a linha de chegada em primeiro, foi punido por fazer uma ultrapassagem irregular. Ele passou o companheiro de equipe com as quatro rodas fora dos limites da pista, na entrada dos boxes. Uma infração clara e cristalina.

Mas, de forma um tanto arrogante, se recusou a pagar a punição — um drive through determinado pela direção de prova. Tinha três voltas para fazê-lo, mas ignorou a decisão dos comissários. Acabou sendo desclassificado sem mais delongas. Um convidado bem trapalhão, para dizer o mínimo (Lucas não disputa o campeonato regularmente).

Ricardinho venceu a prova milionária da Stock pela segunda vez e está firme na briga pelo título. Daniel Serra, terceiro colocado, lidera o campeonato. O pódio foi completado pelo ótimo Gabriel Casagrande, em segundo.

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VAI MUDAR

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RIO (que susto) – A Volkswagen vai revelar seu novo logotipo no Salão de Frankfurt, que começa no dia 12 de setembro — na minha opinião, o maior evento automobilístico do mundo; afinal é na Alemanha, onde nasceram automóveis como Trabant e DKW.

Mas não se assustem tanto. O V e o W continuam dentro de um círculo como no nascimento da fábrica, em 1939. A diferença é que letras e círculo serão mais delgados e elegantes. Acima, um esboço de como deverá ficar, mas acho que as letras serão ainda mais finas. E pela primeira vez a parte inferior do W não vai tocar no círculo, como revelou a “Carscoops” em março, ao flagrar um Golf Mk8 já com a nova marca na traseira do protótipo.

O novo logo perde o aspecto 3D atual por conta de sua utilização em meios digitais, de acordo com informações que a montadora vem fornecendo em conta-gotas. Para atualizar o visual de todas as concessionárias da marca serão necessários dois anos. Mais de 70 mil placas e luminosos serão trocados.

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Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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