Arquivojulho 2012

TUDO NOVO MESMO

T

SÃO PAULO (buemba, buemba!) – Excelente a entrevista com Washington Bezerra, que puxa o carro da Revista WARM UP #28, no ar desde hoje cedo para vosso deleite. É de graça. Mais de 100 mil downloads por edição. Acho que preciso de um departamento comercial para ganhar algum com esse negócio.

Mas enquanto não ganhamos dinheiro, ganhamos leitores. Isso é mais importante ainda. Para ler, clique aqui. Na verdade, estou dando o link da página que tem todas as edições para leitura. Estamos escrevendo um pouco da história do automobilismo. É nossa função. O resto é cascata.

ONE COMMENT

O

O que esse Edson do Valle fez com Cacá Bueno domingo em Curitiba era para dar cadeia. Vejam aos 56s do vídeo como ele bate de propósito, na reta, em alta velocidade. No fim, quando sai do carro pega o celular… Para telefonar para quem? Tem cada figura correndo no Brasil, que vou te dizer.

AÍ SIM

A

SÃO PAULO (quem não for é bobo) – Acabo de receber release da Audi confirmando a vinda de dois carros para as 6 Horas de Interlagos, nos dias 14 e 15 de setembro — etapa brasileira do Mundial de Endurance, o WEC da FIA. Havia uma dúvida sobre quais carros seriam trazidos para cá, se os R18 ultra ou os R18 e-tron quattro. Escolheram mandar um de cada. Melhor impossível.

A Audi venceu as três etapas do WEC até agora: 12 Horas de Sebring, 6 Horas de Spa e 24 Horas de Le Mans. Será a primeira participação de uma equipe oficial da Audi em competição no Brasil desde 1982, quando Michèle Mouton venceu a etapa brasileira do Mundial de Rali com um Audi quattro.

12 ANOS

1

SÃO PAULO (uai, foi outro dia!) – Hoje faz 12 anos da primeira vitória de Barrichello na F-1. Foi em Hockenheim em 2000. Largou em 18°, estava fora da briga, praticamente, mas aí uma série de eventos acabou levando o brasileiro ao triunfo. Um desses eventos foi um francês doido que invadiu a pista para protestar contra sua demissão da Mercedes. O safety-car foi acionado e Rubens se juntou ao pelotão da frente.

Mas decisiva, mesmo, foi sua pilotagem com slicks na pista parcialmente molhada nas voltas finais. Para mim, uma das maiores vitórias de todos os tempos.

Aproveitando, digam: qual foi a mais espetacular vitória de um piloto brasileiro na F-1 para vocês? Tem 101 para escolher: 14 de Fittipaldi, uma de Pace, 23 de Piquet, 41 de Senna, 11 de Barrichello e 11 de Massa. Escolham apenas uma como a maior de todas. Mas se quiserem citar algumas outras marcantes, fiquem à vontade.

NAS ASAS

N

SÃO PAULO (que frio!) – Escreve o Jason Vôngoli:

Um Curtiss C-46 Commando, fabricado em 1942, ainda firme e forte no trabalho de carregar tambores de combustível para os cafundós do Alasca. Em seus 70 anos, este avião foi usado na Segunda Guerra Mundial, vendido para a Índia, depois para o Panamá e para a Venezuela. Já era um veterano em 1968, quando migrou para o Alasca. Desde 1985, “Dumbo” voa para a mesma companhia, a Everts Air Fuel.

Feitos para durar. Fora que é lindo.

EXPLICADO

E

SÃO PAULO (cegueta) – Ontem eu escrevi aqui que o cara do botão da luz deve ter tido uma noite agitada no sábado de Budapeste, e por isso a largada foi abortada. Que nada… Schumacher errou o lugar dele no grid! Em vez de parar em 17°, parou em 19°. Aí virou a maior zona lá atrás. O vídeo de um “cinegrafista amador” (adoro, isso) aí no alto foi enviado pelo Bruno Mantovani. Depois, o alemão ainda desligou o carro porque estava esquentando demais.

Esses novatos…

BUDAS & PESTES (4)

B

SÃO PAULO (hoje tem Lusa) – Ah, não gostei não. Não gostei dessa corrida. Gostei do Raikkonen. O cara é o Fodão do Círculo Polar Ártico. Gostei do Bruno Senna, também, que fez uma corrida adulta e sólida. Gostei do Alonso, que de besta não tem nada, somou seus pontinhos e cagou para o resto. O negócio era ficar na frente do Webber e não muito longe de Vettel, ficou. Gostei do Hamilton, que não se assustou com cara feia de ninguém. Gostei até do Grosjean, que dividiu a curva com Kimi e, se perdeu, foi porque o outro era quem era. Não teve frescura.

Mas não gostei da corrida. Hungaroring de vez em quando nos oferece grandes provas. Mas, na maior parte das vezes, é uma procissão que deixa os pilotos agoniados. Neguinho entra na reta, abre a asa, atocha o dedo no botão do KERS, fica de pau duro e, quando vai passar, acaba a reta e broxa. Ou brocha. É com x ou ch? Não sei, nunca aconteceu comigo.

Nossa, como sou engraçado.

Com sol e calor, sem chuva, esse GP magiar era mesmo previsível. Hamilton, muito melhor que todos nos treinos, só perderia se fizesse alguma cagada. Não fez. Largou bem e só teve alguma preocupação nas voltas finais, com a aproximação de Kimi. Mas eles estavam com os mesmos pneus médios, seria difícil passar. A diferença de ritmo existia, a Lotus estava mais rápida, mas não muito mais.

Um parêntese. Quando a Renault virou Lotus, nas mãos desses cangaceiros do mercado financeiro que não sei direito quem são, achei que estavam vilipendiando o nome. Mas me penitencio. A equipe é legal, moderna, competente. Está honrando o nome. Quando a marca voltou naquele time verde da Malásia, dois anos atrás, Colin Chapman deve ter-se virado na rede de sua fazenda no Mato Grosso, onde vive desde que morreu. Agora deve estar mais tranquilo. Entre um soar e outro do berrante, tenho certeza que Chapman, conhecido como “Chapinha” pelos caboclos daquelas bandas, ergue um brinde com a cachacinha da região para celebrar a dignidade com que essa equipe conduz o nome Lotus, sua maior herança.

A corrida começou com a largada abortada por alguma trapalhada do homem que acende as luzes, mas isso não mudou muito a cotação do forint. O acendedor de luzes deve ter caído na putaria na noite de Budapeste e chegou de ressaca ao autódromo. Algo mais do que perdoável. Mas essa história só estrepou ainda mais Schumacher, que deixou o carro morrer, largou dos boxes, foi punido e danou-se. Webber largou bem, ganhando quatro posições, Senninha também, assim como Button. As posições se estabilizaram e a primeira janela de pit stops ajudou Kimi a passar Alonso — foi a única coisa relevante nas primeiras paradas, além da opção da Lotus por pneus macios com Grosjean e da Red Bull com Vettel, enquanto os demais trocaram pelos médios.

Não resultou em muita coisa, exceto pela pressão de Grosjean sobre Hamilton e de Vettel sobre Button. Pressão, nada mais. Até que Sebastião pediu pelo rádio: “Façam alguma coisa! Estou mais rápido que ele!”. Se fosse eu o engenheiro, mandava o rapaz à merda. Faça você. Mas fizeram. Button parou na 35ª volta e Vettel, quatro voltas depois. Assim, na segunda bateria, passou o bonitão da McLaren. Ambos acabariam parando três vezes. O alemãozinho, com pneus frescos, ainda esboçou um ataque a Grosjean nas voltas finais, 2s mais rápido por volta, e quase chegou. Mas ficou em quarto.

Essa segunda janela de paradas definiu a corrida. Grosjean parou na volta 40. Kimi, na 46. Nesse intervalo, acelerou feito um doente e quando saiu dos boxes, dividiu a curva com o companheiro cabeludo e ficou na frente. De quinto para segundo, depois de uma série de voltas espetaculares com pneus macios estropiados. Pilotaço, esse finlandês.

Pena que foi na Hungria. Em outra pista, ele chegaria e passaria o líder na fase derradeira da prova. No circuito sinuoso, travado e pornográfico de Budapeste, chegou, mas não passou. E ficou nisso: Luís Amílton, Fodão do Círculo Polar, Garibaldo, Sebastião, Fodón de las Astúrias, Bonittão, Primeiro-sobrinho, Canguru Desolado, Massacrado e Rosberguinho nas dez primeiras posições.

Alonso tem 164 pontos agora, contra 124 de Webber, 122 de Vettel, 117 de Hamilton e 116 de Raikkonen, se é que fiz as contas direito. Todo mundo na briga? Todo mundo na briga. Uns mais que os outros. Eu diria que, de todos, agora, pelo que se viu nas últimas corridas, Hamilton está em curva ascendente e pode incomodar Alonso mais que os dois da Red Bull. Os rubrotaurinos estão oscilando demais, inconstantes, irregulares, claudicantes, hesitantes, vacilantes, titubeantes, pendulares, isso aqui é um dicionário de sinônimos, incrível meu vocabulário.

Mas, apesar de me esforçar para mentir para vocês e dizer que o campeonato está abertíssimo, Alonso será o campeão.

BUDAS & PESTES (3)

B

SÃO PAULO (Sarah linda, Kitadai lindo!) – Como falar de um treino de F-1 num dia em que o judô brasileiro emociona tanto? Um menino e uma menina do Bolsa Atleta, uma do Piauí, outro de São Paulo, um ouro, o primeiro no judô feminino, o primeiro ouro do judô desde 1992, sem holofotes, sem frescuras, sem afetação, só trabalho, treino e dedicação.

Esporte é demais. Queria estar em Londres. Nunca vou me esquecer de Pequim. Nunca me esqueceria de Londres, também. Mas não se pode ter tudo, paciência.

Bom, na Hungria foi o seguinte. Sol e calor, Hamilton debulhando desde o começo, grande favorito à vitória. Fez a pole com sobras, 0s413 sobre Grosjean, a surpresa em segundo. Foi a 22ª pole de sua carreira. Isso alguns dias depois de levar dez meninas para um quarto de hotel para uma suruba de respeito. Muito ídolo. E foi a 150ª pole da história da McLaren.

Vettel larga em terceiro, com Button em quarto. Dois carros da McLaren nas duas primeiras filas, é óbvio que os prateados reagiram. Seria muito bom para o campeonato uma vitória de Lewis. E um azar de Alonso também ajudaria, porque aí o inglês se animaria nesta segunda metade do campeonato. Ele ficou muito para trás nos pontos depois do Canadá, de onde saiu líder. Agora, está 62 pontos atrás. Quem sabe o jogo pode virar? Acho difícil, mas sei lá.

Quem não anda bem das pernas é a Red Bull, muito irregular neste ano. Webber, o vice-líder, não passou do Q2. Larga em 11°. “Não sei o que aconteceu, não entendemos nada, estamos no escuro, a vida é um mistério, há enigmas por todos os lados, a compreensão é frágil, de onde viemos, para onde vamos?”, declarou o australiano. Mesmo Tiãozinho, bem no grid, foi mal no cronômetro. Levou 0s463 de Hamilton.

Bem, sigamos. Raikkonen em quinto e Alonso em sexto. Kimi decepcionou. A Lotus precisa melhorar em classificação. OK, Grosjean foi segundo, mas ele faz muita bobagem em largadas, não dá para confiar demais. O finlandês, esse sim é confiável. Completou todas as voltas da temporada até agora. 100%. Não bateu, não quebrou, não pisou fora da linha. Mas precisa largar mais para a frente, para sonhar com aqueles troféus mais bonitos que a gente recebe quando ganha uma corrida. Alonso vai para somar pontinhos e seguir na sua caminhada rumo ao título. Não deve ter grandes pretensões de vitória. A Ferrari está bem, mas não exuberante em Budapeste.

Quarta fila com Massa e Maldonado. Felipe tem sido consistente neste fim de semana. Precisa pontuar de qualquer jeito. Pastor não surpreendeu, é um piloto rápido em classificações, mas tem de parar de bater nos outros em corrida. Mais um que precisa desesperadamente de pontos, para não ficar a impressão de que foi andorinha de um verão só. Adaptei o ditado.

E fechando os dez primeiros, Senna-sobrinho em nono e Hülkenberg em décimo. Foi a primeira vez que Bruno passou ao Q3 no ano, e foi com estilo, com uma volta dificílima no fim do Q2, a segunda dos pneus macios. Mais um que tem de fugir de encrenca na primeira volta.

O Q2, aliás, foi a melhor parte do treino, com apenas 0s8 separando o primeiro do 14°. Além de Webber, dançaram Di Resta, Rosberguinho, Pérez, Kobayashi, Vergne e Schumacher. Péssimo sábado da Mercedes e da Sauber, pois. Vexame total. E no Q1, ficaram os seis nanicos e Ricciardo, de uma Toro Rosso cada vez mais perto de voltar a ser nanica do que de se tornar média para valer.

Ganha Hamilton e pronto. Agora vamos voltar a Londres, que está mais interessante.

BUDAS & PESTES (2)

B

SÃO PAULO (linda festa) – Depois do encantamento com a festa de abertura dos Jogos Olímpicos de ontem, como curtir muito um treino de classificação de F-1?

Sorry, periferia. Durante Olimpíadas, todos os outros esportes deveriam, por respeito, suspender sas atividades. Em Pequim, quatro anos atrás, só teve corrida no dia do encerramento, aquela porcaria de Valência. Que, por sinal, será excluída do calendário do ano que vem, segundo informações que vieram hoje de Budapeste. Ótimo. Bem feito para a Espanha e para a prefeita (acho que era prefeita, não tenho certeza) que torrou as finanças da cidade para fazer essa corrida chinfrim. Entra Nova Jersey.

Outro mistério para mim, essa história de inventar corridas nos EUA o tempo todo. Ah, o mercado americano é muito importante!, dizem todos, o tempo inteiro. Mercado de quê? Para comprar Ferraris? Bonés? Twingos? Pirelli? Que história é essa? Os caras não sabem o que é F-1. Vou repetir bem alto: NÃO SABEM! Os caras não sabem nada, na verdade.

Já foram 62 GPs disputados nos EUA até hoje, incluindo as 500 Milhas de Indianápolis entre 1950 e 1960. Vocês têm ideia do que é isso? Então eu digo. Só dois países tiveram mais corridas de F-1 que os EUA: Itália (88, contando os GPs de San Marino) e Alemanha (73, incluindo GPs da Europa e de Luxemburgo). Já tentaram de tudo na América dos capetas: Sebring, Indianápolis, Riverside, Watkins Glen, Phoenix, Dallas, Detroit, Las Vegas e Long Beach. Neste ano, tem Austin. Se não conseguiram conquistar o maldito mercado americano com tanta corrida e em tantos lugares diferentes, será agora?

Bom, pelo menos aquele lixo novo-rico de Valência vai para a vala da História.

Mas eu falava dos Jogos Olímpicos, e da festa de abertura de ontem. Linda. Bem menos impressionante que Pequim, mas muito mais bonita e humana. Há coisas que nos impressionam. Um prédio de 300 andares, por exemplo, em Dubai. Oh, que grande. Oh, que impressionante. Mas no fundo é uma bosta desnecessária. Aí você vê um predinho de quatro andares em Verona, com delicados toldos verdes na janela, quem sabe um pequeno balcão onde, um dia, uma linda menina passou a noite esperando seu namorado que nunca veio. É muito mais bonito.

Foi uma epifania que tive ontem à noite. Há coisas que nos impressionam, e outras de que gostamos. A festa da China foi tecnicamente impecável, marcante, monumental. Mas meio fake, como produtos chineses. Não curto muito essa China moderna, já deu para perceber. Londres, não. Londres mostrou a história da Inglaterra, que é a nossa. O que seria do mundo sem a Revolução Industrial, Shakespeare, os ônibus de dois andares, os pubs e os Beatles? Seria uma imensa China de merda. Por isso, eles tinham mesmo de mostrar a Inglaterra. A Inglaterra é universal. Mas fiquei com medo de quererem fazer algo tão musical daqui a quatro anos no Brasil. A Inglaterra tem motivos para se orgulhar de sua música. Não teve gerações perdidas, é tudo bom e épico, ao contrário do Brasil. O Brasil tem um bom samba, que é muito local, e a Bossa Nova, essa universal, mas talvez sofisticada demais. E o rock dos anos 80 que foi bom, é bom, mas também não pode ser considerado um fenômeno mundial.

E tem Michel Teló, Ivete Sangalo, Cláudia Leitte, Luan Santana, Restart, Molejo, Sacolejo, Laje no Quintal, Caxinguelê, Calypso, Revelassamba, MC McIntonsh, sei lá, inventei uns nomes (se não existirem, vou registrar), e vai que resolvem colocar essa fauna afetada para cantar, vai ser um desastre colossal. E como deve ser a Globo a dona do evento, corremos risco de ver Zeca Camargo, Fátima Bernardes e, terror dos terrores, Luciano Huck envolvidos.

Mas creio que faremos algo bonito. Tem muita coisa bonita no Brasil. Não temos, é verdade, um Mr. Bean (morri de rir, e acho demais essa capacidade do inglês de rir de si mesmo), uma rainha sonolenta, um James Bond, um Paul McCartney. Mas temos coisas legais, uma história bonita, natureza, ginga, mulheres lindas, alegria, sol, céu azul, mar, areia branca, florestas, tamanduás e ariranhas, além da Suelen, e é só encaixar tudo direitinho, escolher um bom diretor, montar uma Comissão do Bom Gosto e tudo correrá bem.

Faltou falar do treino de Budapeste. Daqui a pouco.

BUDAS & PESTES (1)

B

SÃO PAULO (sim, teve) – Bom, com tanta coisa ao mesmo tempo, mal consegui falar do primeiro dia de treinos em Budapeste. Na verdade, a sexta-feira da Hungria nunca é das mais interessantes. Pista suja demais, a coisa só pega mesmo no sábado de manhã. E hoje, para piorar, ainda choveu no treino da tarde. Incrível como tem chovido nos finais de semana de GP. Nos últimos três, pelo menos…

Bem, a McLaren confirmou a reação. Hamilton saiu do autódromo dando risada e dizendo que voltou à briga. Fez o melhor tempo nas duas sessões. Em algum momento, acredita, Alonso vai dar azar. Pode ser. Era necessário mesmo que a equipe inglesa melhorasse. Faltam dez corridas, ainda. Tem jeito. Mas eu acho difícil. Em todo caso, não tem cabimento entregar o jogo no primeiro tempo.

Senninha ficou em terceiro e Massa em quinto de tarde. Mas é claro que a chuva deu uma distorcida nas coisas. Ninguém teve o tempo ideal para trabalhar.

Uns pitaquinhos:

– A Pirelli calcula que a diferença de tempo por volta entre os macios e os médios em Hungaroring será de 0s8. Acho que eles estão exagerando.

– No ano passado, com chuva e seco, a corrida da Hungria foi a que teve maior número de pit stops na temporada: 88, sendo três drive-throughs.

– As três nanicas têm pilotos que já subiram ao pódio em Budapeste: Kovalainen ganhou em 2008 pela McLaren (quando Massa quebrou no fim), De la Rosa foi segundo em 2006, também de McLaren, e Glock foi segundo em 2008 com a Toyota.

NAS ASAS

N

SÃO PAULO (durou pouco) – O Antonio Apuzzo me mandou o link, mais para falar da pequena van da Agrale do que, propriamente, do avião. De fato, o Agrale é uma graça. Mas serviu para lembrar dos 727 que a Itapemirim usou em sua frota de cargueiros nos anos 90. A foto abaixo, do Vito Cedrini, foi emprestada do magnífico Airliners.net. Clique de 1997 no Galeão.

TUDO NOVO DE NOVO

T

SÃO PAULO (e vamos em frente) – O Grande Prêmio mudou de novo. Depois de alguns meses com a nova versão de entrada no MSN, meses de alguma instabilidade por conta de servidores, hospedagens, clouds, chamados, eventos, tíquetes, aplicações, tráfego, uma merda federal, em resumo, resolvemos mudar tudo. Mudamos quase de planeta.

O novo layout já está no ar e será acessado pelos endereços de sempre: www.grandepremio.com.br, ou www.warmup.com.br. Como migramos hoje, pode ser que você ainda não pegue a versão nova, porque tem um lance aí de propagação de URL, sei lá o que é isso, que faz com que a nova página vá entrando no ar aos poucos. Primeiro na Ásia, depois na Antártida, depois na África Setentrional, e por aí vai. Uma hora chega no seu computador, fique tranquilo. Caso não tenha chegado ainda, use este link: http://grandepremio.cloudapp.net/

Nem todas as seções estão disponíveis e ainda faltam galerias de fotos e vídeos, calendários, tabelas de classificação, uma coisinha aqui, outra ali. Mas neste mês de férias da F-1, depois do GP da Hungria, tudo estará direitinho em seu lugar.

Fica aqui minha gratidão eterna ao impecável Ivan Capelli, ao Victor Martins, ao José Otávio da ProdutoBrasil e a toda equipe do site — Evelyn, Juliana, Giacomelli, Renan, Fernandão, Fagner, Bruno, todo mundo. Aliás, o Capelli conta aqui detalhes sobre o novo site.

Espero que vocês gostem. Sugestões e críticas são bem-vindas. Elogios também.

SIM, É ELE

S

SÃO PAULO (buenas) – Foi no último final de semana de junho, no sul de Minas. Carlos André Sarmento, há anos dono de um Malzoni que, suspeitava-se, era o das Mil Milhas de 1966 pilotado por Emerson Fittipaldi e Jan Balder, convocou duas pessoas para, de uma vez por todas, tirar as dúvidas sobre o carro. Um deles, o próprio Jan. O outro, Miguel Crispim Ladeira, guru deste que vos bloga, mecânico-chefe do Departamento de Competições da Vemag.

Ambos já conheciam esse Malzoni havia bastante tempo. Mas faz tempo, também, que a autenticidade do carro vem sendo colocada em dúvida por malas em geral. Em todos nossos encontros de DKW, tanto Crispim quanto Jan Balder sempre fizeram questão de afirmar que era, sim, o de 1966. E sempre aparecia algum estraga-prazeres achando que conhecia mais da história da Vemag que seus protagonistas, insistindo em dizer que se tratava de uma réplica, apennas.

Esse carro ficou famoso porque liderou a mais famosa e importante corrida do Brasil até as derradeiras voltas, quando um problema num pistão tirou a vitória da jovem dupla. Ganhou Camillo Christopharo, com sua inesquecível carreteira amarela #18. Um Malzoni ganhar aquela prova, com mecânica DKW, já com o Departamento de Competições fechado, seria, provavelmente, a maior façanha da história do automobilismo brasileiro.

Foi a derrota mais amarga da vida de Emerson, e foi também a mais célebre edição das Mil Milhas Brasileiras.

Pois bem. Carlos André chamou Jan e Crispim à sua garagem para analisar o carro em todos seus detalhes. Por baixo, por cima, por dentro. O vídeo é emocionante. Com uma trena na mão e o coração nos olhos, Crispim reconhece sua obra. De forma definitiva.

Sim, é ele. É o carro das Mil Milhas de 1966, e mais: é o carro com o qual Chiquinho Lameirão bateu um recorde impressionante em Interlagos, virando na pista antiga em 3min48s6 com o motorzinho dois tempos, 1.000 cc. A história toda está no Autoclassic. Tem uma linda galeria de imagens aqui.

Este Malzoni está em excelentes mãos, felizmente. Jamais será destruído, jamais será esquecido, jamais será abandonado à própria sorte. Parte importantíssima da história do automobilismo nacional. Preservado, ativo, funcionando.

Sim, é ele.

DICA DO DIA

D

É uma mega Legião Urbana, das ruas de San Francisco. Com a diferença de que as fotos são muito boas e detalhadas. Realmente espetacular. Dos melhores sites que já vi. Escolhi uma foto a esmo, de um Fiat 125 Special. Gozado que parece com uns carros que eu tenho. Dica do meu amigo Rogério Gonçalves, que escolheu San Francisco para morar “porque lá tem um monte de gente parecida comigo”. Aqui tem uma lista dos carros fotografados que ajuda a navegar.

INTERLAGOS, 1976

I

SÃO PAULO (quem estava lá?) – Sempre tenho a impressão que é repeteco, mas não tem problema nenhum. Desde quando a gente não pode repetir coisa legal? Largada do GP do Brasil de 1976, ótimas imagens, que dão a real dimensão de como era o antigo traçado de Interlagos. O Jefferson Lauda mandou.

Lembram dessa corrida? Tem até o Ingo no grid.

BOTTOM FIVE

B

SÃO PAULO (sem assunto) – Ontem foi a vez dos cinco melhores, hoje é o dia dos cinco piores. Gostamos de listas, sim. Pelo que li nos comentários, muita gente concordou com Andrea Stella, o engenheiro da Ferrari, e colocou Alonso entre os maiores de todos os tempos. Não houve unanimidade, porém. Mas alguns (não fiz as contas) apareceram em quase todas as listas, como Fangio, Schumacher e Senna.

Acho que para eleger os maiores pés-de-breque da história da F-1 não teremos grande consenso. São muitos candidatos. O que não falta nestes mais de 60 anos da categoria é piloto ruim. Vão pintar japoneses e brasileiros, certamente. Os primeiros, por um certo preconceito nascido lá nos anos 80. Já os conterrâneos, porque a tendência é sempre de uma crítica mais aguda a quem está perto.

Então, façamos assim: mandem a lista dos cinco piores gringos e dos cinco piores brasileiros. Pronto.

Eu tenho minha listinha, mas mando depois.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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