MENU

Friday, 27 de July de 2012 - 12:34Automobilismo brasileiro, DKW & cia.

SIM, É ELE

SÃO PAULO (buenas) – Foi no último final de semana de junho, no sul de Minas. Carlos André Sarmento, há anos dono de um Malzoni que, suspeitava-se, era o das Mil Milhas de 1966 pilotado por Emerson Fittipaldi e Jan Balder, convocou duas pessoas para, de uma vez por todas, tirar as dúvidas sobre o carro. Um deles, o próprio Jan. O outro, Miguel Crispim Ladeira, guru deste que vos bloga, mecânico-chefe do Departamento de Competições da Vemag.

Ambos já conheciam esse Malzoni havia bastante tempo. Mas faz tempo, também, que a autenticidade do carro vem sendo colocada em dúvida por malas em geral. Em todos nossos encontros de DKW, tanto Crispim quanto Jan Balder sempre fizeram questão de afirmar que era, sim, o de 1966. E sempre aparecia algum estraga-prazeres achando que conhecia mais da história da Vemag que seus protagonistas, insistindo em dizer que se tratava de uma réplica, apennas.

Esse carro ficou famoso porque liderou a mais famosa e importante corrida do Brasil até as derradeiras voltas, quando um problema num pistão tirou a vitória da jovem dupla. Ganhou Camillo Christopharo, com sua inesquecível carreteira amarela #18. Um Malzoni ganhar aquela prova, com mecânica DKW, já com o Departamento de Competições fechado, seria, provavelmente, a maior façanha da história do automobilismo brasileiro.

Foi a derrota mais amarga da vida de Emerson, e foi também a mais célebre edição das Mil Milhas Brasileiras.

Pois bem. Carlos André chamou Jan e Crispim à sua garagem para analisar o carro em todos seus detalhes. Por baixo, por cima, por dentro. O vídeo é emocionante. Com uma trena na mão e o coração nos olhos, Crispim reconhece sua obra. De forma definitiva.

Sim, é ele. É o carro das Mil Milhas de 1966, e mais: é o carro com o qual Chiquinho Lameirão bateu um recorde impressionante em Interlagos, virando na pista antiga em 3min48s6 com o motorzinho dois tempos, 1.000 cc. A história toda está no Autoclassic. Tem uma linda galeria de imagens aqui.

Este Malzoni está em excelentes mãos, felizmente. Jamais será destruído, jamais será esquecido, jamais será abandonado à própria sorte. Parte importantíssima da história do automobilismo nacional. Preservado, ativo, funcionando.

Sim, é ele.

27 comentários

  1. Zé Rodrigo says:

    Oi Flavio.
    No tal Blue Cloud que os alemães vieram para comprar um Malzoni, eu acompanhei a sessão fotográfica que eles fizeram com os carros do Carlos André e do Rodrigo. Neste dia, fui com o Roberto Aranha em Caxambú para buscar o Crispim, para que ele pudesse acompanhar o Jan na sessão de fotos.
    Durante as fotos eu fiz um video onde o Jason fazia o papel de reporter, conversando com o Crispim sobre o carro e a famosa Mil Milhas de 66.
    O Crispim de deliciava olhando o carro e entrando por debaixo dele, falando tudo que estava sendo observado naquele momento e se lembrando da época de ouro da equipe Vemag. Em diversos momentos ele dava uma paradinha e comentava alguma coisa do tipo “isso foi feito por mim”!
    Vou procurar nos meus DVDs esta gravação para te mandar.
    Abração.

  2. Paulo Eduardo Lomba says:

    Flavio, acho que estamos vivendo um momento histórico, finalmente alguem se preocupou em resgatar uma estória do automobilismo brasileiro, tão rico de pilotos e maravilhosas maquinas e tão pobre de memória, parabens ao C.Andre, e que as lagrimas do Crispim nos incentivem a preservar nosso automobilismo. P.Lomba

  3. Roberto aranha says:

    Nao precisamos nem devemos rotular os que questIonavam esta originalidade de uma forma depreciativa de opositores de causas mesquinhas.

    Esta historia do automobilismo , a Vemag , e todas as pessoas envolvidas estao acima disto.
    Todos nos, como apaixonados por esta marca, fomos premiados com a presenca do Jan Balder e do Crispim nesta confirmacao e nos fizeram reviver o espirito da Vemag de maneira presente e muito positiva, e e’ isso que importa.
    Estes questionamentos ,foram importantes , de forma positiva , e contribuiram bastante para que esta escritura de confirmacao fosse lavrada nesta forma definitiva

  4. Wolf says:

    Chupa bando de malas invejosos!!! Diz agora que não é !!! Essa turma que tem prazer em desqualificar a coisa dos outros é um porre!!!!!

    Parabéns Carlos André !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  5. ALEX B. says:

    Ta babando ainda Flavinho? Que espetaculo a historia do automobilismo tupiniquim!

  6. saudosista says:

    “… defendendo as cores da Vemag…”

    Bonito.

  7. Ednei Rovida says:

    Parabéns, FG!
    Sensacional esse vídeo… Muito emocionante ver os olhos do Crispim quando ele diz “Essa solda que está aí, fui eu que fiz!” e algumas outras dessa linha.

  8. Conde says:

    Belíssimos todos : Crispim , Jan , # 7 , AutoClassic , Carlos André . Parabéns . O carro é lindo demais . Tive a sorte de vê-lo e receber um aceno do Jan e do Crispim na passagem do Raid da Mantiqueira por São Lourenço . Minhas filhas se apaixonaram pelo Gerd do FG , mas em 2º lugar elegeram o Malzini e a dupla simpática . E que garagem , heim ?

  9. JULIO CESAR VIEIRA DE CASTRO says:

    Eu tenho esta maravilha em 1:43 feita pelo Mestre Rodolfo Costea.
    Quando fui buscar na sua casa ouvi histórias super legais deste carro e desta equipe.

  10. Mozart says:

    Eu tinha uns 15 anos na época, faltava poucas voltas para o fim, e o Malzoni com o Balder pilotando apareceu lentamente na entrada da Ferradura e parou em cima da terra.
    Emerson estava no fundos dos boxes, já quase comemorando, quando alguém deu o aviso PAROU!! , foi aquela correria pra fora ( quem lembra dos boxes antigos de Interlagos?)
    Na ansia de ver o que aconteceu, Emerson prendeu o bolso do macacão numa morsa e rasgou de fora a fora o tecido, foi um deusnosacuda, mas não adiantou.
    A carretera 18 com o Celidonio assumiu a ponta e ganhou. eu lendo a matéria e conseguí lembrar disso…..

  11. Jegue do Pantano says:

    Como tem chato nesse mundo. Se o cara falou tá falado, ele ganharia o quê mentindo? Ainda mais colocando a imensa reputação dele em jogo!!!

  12. Cacá says:

    Caras como o Crispim, e tantos outros, deveriam ser imortais.

  13. Cara, que bacana. Isso sim é que é História. Imagina a emoção do seu Crispim em dizer “aquela solda ali é minha, foi eu que fiz…”. Show. Uma dúvida, o seu Crispim já deve ter seus 70 anos? Mas, mesmo assim, inoxidável!

  14. Lubra says:

    Flávio, fala com o proprietário para elaborar um livreto contando a história do carro, contando do reconhecimento citado neste post, e colhe as assinaturas do Balder e do Crispim, para passar a fazer parte da documentação do carro. Essa história não se perderá.

  15. Rubergil Jr says:

    Belíssima história e vídeo. Caiu uma lágrima aqui.

  16. Roberto Fróes says:

    Até que enfim se resolve essa pendenga, que já se arrasta a tanto tempo. Pelo que me lembro, desde que o Carlos André apresentou o carro no Blue Cloud.
    Mestre Crispim falou, tá falado!
    E quem criticava, que se cale agora!
    Só ficou uma dúvida:
    Por quê o segredo do Crispim quanto às tais medidas?
    Na época, eu até concordo, mas agora, já passado quase 1/2 século…
    Acho que seria até motivo de orgulho para ele, se fossem repetidas – hoje – suas fórmulas de sucesso!
    Mas a decisão é dele, para quem deixo um grande abraço!

  17. Luiz Ricardo says:

    Crispim … IDOLO !!!!!

  18. Há alguns anos atrás, quando em Juiz de Fora, morava, falei com o Sr. Carlos André, salvo engano médico veterinário por formação, mas amante antigomobilista e ele comentou que se tratava do chassi nr 05 ou 06 , não me lembro bem…..Confirmam ?

    • Prezado Fernando,
      o tempo passa tão rápido que fatos ou conversas se perdem neste universo… mas, tenho agora o prazer de reencontra-lo e aproveito para retificar algumas informações: primeiramente, sou hoteleiro e não médico veterinário; e, naquela ocasião que nos encontramos em Juiz de Fora, ainda não tinha qualquer desconfiança sobre a origem do meu Malzoni.
      O primeiro indício foi levantado pelo saudoso Wanderlei – sócio do Viola – que, durante o V Blue Cloud, acontecido no Hotel Serraverde, chamou o Jorge Lettry e o levou a constatar alguns detalhes comprovativos da origem deste Malzoni na Equipe Vemag. Após sua concordância com os detalhes apresentados a ele pelo Wanderlei, Lettry comprovou que este carro fez parte da Equipe Vemag e, logo em seguida me procurou se oferecendo para fazer uma vistoria detalhada para o reconhecimento oficial deste Malzoni como um dos três que fizeram parte da Equipe Vemag; infelizmente, não houve tempo para isto…
      Mas, pela intervenção do Roberto Aranha, este levou o Crispim a presenciar a seção de fotos tiradas deste Malzoni e do outro do Rodrigo Theise (Canela) – que foi, posteriormente, transferido para o museu da Audi na Alemanha (fotos e reportagem saíram, entre outras, na revista Octane n. 88, de outubro de 2010). Nesta ocasião, ao lado do Roberto Aranha, Jan Balder, Jason (Editor do caderno de automóveis de O Globo), José Rodrigo Octávio, do seu sobrinho Robertinho e do José Ricardo Correa, o Crispim reconheceu, pela primeira vez, que este carro foi realmente da Equipe Vemag. E, ainda constatou ter sido ele utilizado pela dupla Jan Balder e Emerson Fittipaldi nas Mil Milhas de 1966. Esta cena foi filmada e gravada por José Rodrigo e pelos alemães que estavam presentes: Peter Kober, da Audi; Thomas Wirth e Henrich Lingner, reportagem; e, Stefan Warter, fotógrafo.
      Mas, como ainda persistiram dúvidas a respeito deste Malzoni, resolvi convidar o Crispim e o Jan Balder para uma verificação detalhada e minuciosa do meu Malzoni. E, finalmente, tendo ambos comprovados, esta certificação foi registrada em Cartório e assinada pelo lendário Miguel Crispim Ladeira. E, assim, mais uma lacuna da história do automobilismo brasileiro foi desvendada!

      • Eduardo Aranha says:

        Só resta a todos que amam o automobilismo brasileiro – e no meu caso particular, por ter tido o privilégio de assistir a mais inesquecível de todas as Mil Milhas, a de 1966 – agradecer as suas informações, a sua excepcional perseverança de ter conservado esta relíquia e lutado ardorosamente para obter o reconhecimento da sua autenticidade.

  19. says:

    O Negão é phoda com PH. Crispim Eterno.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *