PARQUE DO ALBERTO (2)

Vettel tirando chinfra com a sua lambreta: o melhor do dia

SÃO PAULO (à pista!) – Sebastian Vettel foi o grande nome da sexta-feira em Melbourne. O que ele fez? Quebrou o motor de seu carro, não participou do segundo treino livre, mas virou meme em todas as redes sociais porque… andou de lambreta!

A Fórmula 1 chegou a tal nível de controle e excesso de rigor que hoje qualquer coisa que escape de um roteiro pré-estabelecido, algo corriqueiro no passado, choca todo mundo. Até a direção de prova, que multou o piloto da Aston Martin em 5 mil euros porque ninguém pode entrar na pista sem ser autorizado nos cinco minutos posteriores ao encerramento de sessões oficiais de treinos. Sebastian jura que pediu autorização para o fiscal da scooter, porque não queria ir na garupa.

Antes, o alemão apagou um princípio de incêndio no carro, ajudou a colocá-lo em lugar seguro e usou uma chave de boca para retirar parte da carenagem de modo que peças mais delicadas pudessem ser resfriadas. Uma espécie de Rodrigo Hilbert da F-1. Depois, com o capacete no cocuruto no melhor estilo motoboy paulistano, foi entregar sanduíches e ainda disputou uma prova de MotoGP. Aproveitou para pedir o fim da guerra com as cores da Ucrânia no casco.

Figuraça, sem dúvida.

Mas teve treino, aliás dois, e a Ferrari mostrou ser favorita à vitória no renovado traçado de Melbourne, mais veloz que o utilizado até 2019 — em 2020 e 2021 a pandemia impediu a F-1 de ir à Austrália. Na primeira sessão, Carlos Sainz foi o mais rápido. Na segunda, Charles Leclerc. Seu tempo: 1min18s978, na média de 240,583 km/h — já superior aos 237,194 km/h da pole de Hamilton há três anos; a velocidade média aumentou menos do que se imaginava, apesar da supressão de uma chicane e da introdução de quatro zonas de asa móvel.

Verstappen ficou com o segundo tempo na sessão da tarde, 0s245 atrás do monegasco. Sainz terminou em terceiro e a surpresa do dia foi a Alpine — agora azul — com Alonso em quarto e Ocon em sexto. Pérez foi o quinto. Fecharam os dez primeiros Bottas, Norris, Gasly e Ricciardo.

Os tempos do segundo treino: Mercedes lá atrás

E a Mercedes?

Essa pergunta será feita em todos os finais de semana de GP neste ano, pelo jeito. Ao menos até a equipe prateada resolver seus crônicos problemas que estão empurrando Lewis Hamilton e George Russell cada vez mais para trás. Jorginho ficou em 11º, 1s234 atrás de Leclerc. Lewis foi ainda pior: 13º, a 1s543 do melhor tempo do dia.

“Não adianta, a gente muda um monte de coisa, faz uma volta que parece boa e quando vai ver está 1s2 atrás dos outros”, lamentou o heptacampeão. Russell disse que seu carro está quicando loucamente em alguns trechos da pista, o que impede qualquer tentativa de fazer algo razoável em termos de tempo de volta. Além disso, chegar à temperatura ideal de funcionamento dos pneus tem sido um parto. “Os pilotos não têm confiança no carro”, resumiu o chefe Toto Wolff.

É o pior momento do time alemão desde o início da era híbrida na categoria, em 2014. Para Melbourne, nenhuma atualização foi feita em relação às duas primeiras corridas do ano. Esperam-se mudanças radicais no automóvel para Ímola, dia 24.

Hamilton com engenheiros nos boxes: rindo de quê?

Outra equipe que não andou bem hoje foi a Haas, que surpreendeu pontuando nas duas primeiras corridas do ano com Kevin Magnussen. Explica-se: o dinamarquês se sentiu mal antes dos treinos e foi para o carro baleado. Mick Schumacher se portou com muita cautela, porque o time não tem chassi reserva na Austrália, para caso de uma batida mais forte. Isso porque um carro foi totalmente destruído em Jedá. Resultado: Magnussen em 16º, Schumaquinho em 18º. Devem melhorar amanhã, mas não muito.

Bem mesmo foi a Alpine de Alonso e Ocon. A equipe francesa aparece como a terceira força do fim de semana, pelo menos até agora. Seus tempos foram consistentes com todos os tipos de pneus. Fernandinho está em seu terceiro motor do ano, já, e sofrerá muitas punições ao longo da temporada quando tiver de trocar alguma coisa. Nas entrevistas matinais, o espanhol disse que pretende correr “mais uns dois ou três anos” na F-1. Fica o registro.

(Com o fim das atividades para a imprensa nas quintas-feiras, as entrevistas oficiais nos autódromos estão acontecendo nas manhãs de sexta, antes dos treinos. Qualquer declaração perde peso, claro, porque logo depois os carros vão para a pista e as notícias passam a acontecer lá. Hoje teve mais uma ou outra gracinha, como Verstappen dizendo que não usa piercing, corrrentes ou brinco, porque fica mais pesado. Ao seu lado, Hamilton brincou: “Ah, vai, você tem um piercing no mamilo que eu sei!”. Ao que Max respondeu: “Quer ver de novo?”. Gargalhadas gerais, só para registro, também. Assim como o diálogo entre Lewis e Bottas. O inglês, perguntado sobre Russell, disse que “é muito bom ter um companheiro de equipe jovem”. Valtteri, ao seu lado, protestou: “Mas eu sou mais jovem que você, parceiro!”. E Hamilton rebateu, sorrindo: “Você é jovem com alma de velho!”. Esses episódios, pouco relevantes, mas saborosos, estão restritos agora às redes sociais e têm prazo de validade muito curto. Uma pena. Porque tem coisa importante, também, como Lewis dando um coice nos entrevistadores quando pediram para que ele comentasse o anúncio de que a F-1 vai correr em Las Vegas. “Eu vou ficar feliz quando formos para a África do Sul. Não é para correr em todos continentes? Por que não a África, então?”)

Caixinhas coloridas, agora.

ASTON AUDI – A Volkswagen deu OK para a entrada da Porsche e da Audi na F-1 após uma reunião ontem. Mas só vai anunciar oficialmente quando o regulamento de motores para 2026 for assinado por todos e publicado pela FIA. Cautela e caldo de galinha, claro. E quem entrou na briga por uma parceria com a Audi — até agora apenas ligada à McLaren — foi a Aston Martin, que hoje usa motores Mercedes.

Red Bull-RBPT: é assim que serão chamados agora

RBPT – Pode ser que eu não tenha notado nas primeiras corridas do ano, mas notei agora. Os motores da Red Bull e da AlphaTauri estão sendo identificados nos geradores de caracteres da transmissão da TV como RBPT, de Red Bull Power Train — a empresa montada pela equipe para fazer a gestão das unidades de potência herdadas da Honda.

PREOCUPA – Além de Alonso, na Alpine, Yuki Tsunoda também já está no terceiro motor com a AlphaTauri. A Red Bull já viu Gasly pegando fogo neste ano e sua dupla Verstappen-Pérez abandonando no final a prova de abertura no Bahrein — oficialmente, problema no sistema de alimentação de combustível. Gestão de motores não é simples como fazer massa de pizza. Ou bebida energética.

ALVISSAREIRO – Desde 2007, lembra Fábio Seixas em sua coluna no UOL, que a Ferrari não fechava uma sexta-feira em Melbourne (que abria o campeonato) na frente. Na ocasião, com Massa em primeiro e Raikkonen em segundo. O finlandês conquistaria o título no final do ano. O começo de ano do time italiano é, de fato, muito promissor. Pelo que se viu até agora no Parque do Alberto, será uma grande surpresa se os dois vermelhos não forem ao pódio domingo. Que aproveitem o momento.

GENTE PACAS – Nada menos do que 112.466 pessoas pagaram ingressos para ver o primeiro dia de treinos no lindo parque que fica pertinho do centro de Melbourne. A Austrália estava com muitas saudades da F-1. E nós, da Austrália!

Casa cheia: mais de 100 mil no parque

Hoje às 19h estaremos no YouTube com o “Fórmula Gomes” para comentar o primeiro dia australiano e falar sobre a definição do grid, que acontece às 3h da madrugada. Até lá!

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Marcus
Marcus
4 anos atrás

Vettel é bem mais legal que o Rodrigo Hilbert, mas muito mais legal. Uma pista de rua ter 230 de média, como Kyalami antigamente, é admirável. E destoa muito de Mônaco, que um dia será excluída. Podem anotar.

Last edited 4 anos atrás by Marcus
Fernando
Fernando
4 anos atrás

Seria legal a F1 voltar a Kyalami, mas quando perguntaram o que queriam dos novos donos da F1 uns anos atrás, Hamilton falou que seria correr em Miami. Então não dá pra dar patada gratuita agora.

CHAGAS
CHAGAS
4 anos atrás

Já perdi as contas de quantas vezes Bottas de Alfa Romeo ficou a frente de Russel de Mercedes contando treinos e classificação. Quando o inglesinho bateu Bottas ano passado no diluvio e depois na “não corrida” de Spa, as Russeletes piraram. Aliás esse povo entrou em extinção? Nunca mais apareceram.

Luis Carlos Montenario
Luis Carlos Montenario
4 anos atrás

Flávio… O Vettel de lambreta foi o máximo. Um absurdo multarem ele por isso. A categoria só perde com esse excesso de punições por qualquer coisa.

André
André
4 anos atrás

Corrida de madrugada é osso. Vou esperar a sua postagem.