CALORING DA PESTE (2)

SÃO PAULO (vazio) – Lando Norris e Oscar Piastri largam na primeira fila do GP da Hungria amanhã, o que faz da McLaren a favorita à vitória da 13ª etapa do Mundial. É a terceira pole de Norris na F-1. As outras foram na Rússia em 2021 e na Espanha neste ano. Já a McLaren não fazia uma primeira fila completa desde o GP do Brasil de 2012, com Lewis Hamilton na pole e Jenson Button em segundo no grid. Faz tanto tempo que Ron Dennis era o chefe e os carros eram prateados. Na corrida de amanhã, Max Verstappen e Carlos Sainz largam da segunda fila. O holandês admitiu que, neste momento do campeonato, virou caçador, em vez de caça. “Adoro a competição, mas prefiro estar na frente, não atrás. É uma situação diferente para a gente. Mas amanhã volta a fazer calor e talvez isso nos ajude na corrida.”
Calor. Ontem, quase derreteu todos no autódromo. Hoje, deu uma trégua. O dia amanheceu nublado e o terceiro treino livre foi realizado com pista seca e agradáveis 24°C. Ontem, os termômetros bateram nos 35°C rachando coquinho. E para animar um pouco o sábado, antes da classificação choveu. Coisas do verão europeu. Molhou um pouco a pista. Mesmo assim, quando a sessão que definiria o grid começou todos foram à luta com pneus slicks e muita pressa, porque havia uma boa chance de a chuva voltar. Hamilton, Sainz, Verstappen, Piastri e Alonso se colocaram entre os cinco primeiros sem enrolar demais. Estariam eliminados, naquele momento, Ricciardo, Stroll, Magnussen, Zhou e Hülkenberg.
Mas aí…




Aí, faltando 6min45s para o final do Q1, Pérez bateu. Bandeira vermelha, sessão interrompida. Checo era o nono colocado. Algo acontece com esse moço. Durante a semana, Christian Horner contou que recebeu o mexicano em casa para conversar, dias depois de dizer que era “insustentável” não fazer pontos com um carro como o RB20. Tomaram um chá. Falou com carinho do piloto e revelou o conselho que deu a ele: “Pare de olhar para o outro lado a garagem”. Não se comparar com Verstappen e não querer fazer o mesmo que o holandês foi a dica. “Renovamos seu contrato para ele tentar retomar aquele bom momento das quatro ou cinco primeiras corridas do ano.” (Para ajudar o chefe da Red Bull a ser mais preciso: foram seis boas provas. Nas seis primeiras etapas de 2024, Pérez foi ao pódio quatro vezes e marcou 113 pontos. De Ímola em diante, mais seis corridas, foram 15.)
Pelo jeito, o papo não adiantou nada. Ou o chá estava ruim. O que é difícil, em se tratando de um castelo na Inglaterra, onde Horner mora. Ele deve ter mordomo e governanta, daqueles que perguntam, ao servir: “Leite e açúcar, senhor?”.
Antes de a sessão ser retomada, coisa de dez minutos depois, uma chuvinha de nada veio e foi embora sem se fazer notar. Boxes abertos, quem ainda tentava se salvar voltou à pista com pneus slicks – os intermediários não foram considerados em nenhum momento, desde o início da classificação. Quem não precisava melhorar voltou, também. E deu para entender por quê. A pista ficou mais rápida. A ponto de Ricciardo fechar o Q1 com a melhor volta: 1min17s050. Hamilton e Verstappen ficaram em segundo e terceiro com o mesmo tempo: 1min17s087. Sainz, Albon, Hulk, Stroll, Tsunoda, Leclerc e Bottas fecharam os dez primeiros. E foram degolados Pérez, Russell, Zhou, Ocon e Gasly.


Pérez à parte, que tinha batido, os demais que ficaram fora do resto da classificação simplesmente erraram a hora de ir para a pista – quem saiu logo de cara se deu mal. Ou a estratégia, que foi o caso de Russell. Pelo rádio, o inglês perguntou delicadamente por que a Mercedes não colocou gasolina suficiente em seu tanque para ficar na pista até o final do Q1, já que as condições estavam melhorando bastante.
Não ouvi a resposta, mas minhas fontes na equipe mandaram o áudio do engenheiro: “George, quando for abastecer, pede sempre para encher o tanque até travar a bomba. Você tem essa mania de pedir valores redondos e sempre dá nisso. Manda completar, George, é fácil”. E ele respondeu com a gentileza de sempre. “Faço isso para facilitar o troco do frentista, é preciso ter empatia com aqueles que trabalham de sol a sol nos postos de gasolina, até porque eles sabem que em breve perderão seus empregos em função da popularização dos automóveis elétricos. Aliás, você sabia que hoje no Reino Unido o percentual de eletrificação…”, mas nesse momento Toto Wolff entrou na conversa e o interrompeu aos berros. “Você paga com cartão, George! E é cartão da empresa, George! Ninguém mais paga em dinheiro, George!” Dito isso, arrancou o fone, jogou na bancada e foi embora. No começo da noite, eu soube que Toto tomou um porre de Unicum e foi resgatado do bar do hotel por Hamilton, que descera para tomar um suco detox de brócolis, chicória e hortelã antes de fazer sua meditação e dormir. Tudo orgânico, claro.
No Q2, com o asfalto totalmente seco, os tempos começaram a despencar. Verstappen, em sua primeira volta rápida, fez 1min15s770. Já era o melhor tempo do fim de semana. Norris, no finalzinho do segundo segmento, cravou 1min15s540 e foi para a ponta. Piastri ficou em terceiro. Esse seria o duelo pela pole: Max x McLaren. Depois deles se classificaram para o Q3 Sainz, Leclerc, Stroll, Alonso, Tsunoda, Ricciardo e Hamilton – o heptacampeão, na bacia das almas. McLaren, Ferrari, Aston Martin e Acho que o Chip Tá com Defeito avançaram com suas duplas; Red Bull e Mercedes, com um carro cada. Dançaram Hülkenberg, Bottas, Albon, Sargeant e Magnussen.

Quando o Q3 foi iniciado, veio um aviso de que poderia chover dali a cinco minutos. Pelo sim, pelo não, os dez cabras classificados foram garantir seus tempos logo na primeira tentativa. Verstappen virou 1min15s555. E Landinho foi 0s328 mais rápido. Uma no cravo, outra na ferradura. Não sei direito o sentido desse ditado, mas gosto dele. A chuva prometida não veio. Max melhorou um pouquinho em sua segunda tentativa, mas não superou o influencer inglês – ficou a 0s046 do papaia #4. Pior, foi ultrapassado por Piastri e caiu para terceiro. Faltavam 2min13s para a quadriculada quando Tsunoda bateu. Bandeira vermelha.
Havia tempo para mais uma volta de todo mundo. Mas nem todo mundo voltou para a pista. Verstappen, irritadíssimo, saiu do cockpit. Pouco antes, ao fechar sua volta, socara o volante, de raiva. Tinha cometido um erro minúsculo na última curva, percebendo que ali perdera a chance de fazer a pole. Alonso também nem quis saber de andar mais. Colocou uma jaqueta e foi embora. Demorou muito para liberarem a pista. Os pneus dos que se dispuseram a fazer uma terceira tentativa esfriaram enquanto estavam na fila esperando a luz verde, e quando os boxes foram abertos já não tinha mais como mudar nada.

Norris, Piastri, Verstappen, Sainz, Hamilton, Leclerc, Alonso, Stroll, Ricciardo e Tsunoda formam o time dos dez primeiros no grid. Ricardão foi o único que, no rabicho do Q3, conseguiu ganhar posição – justamente a de seu companheiro Tsunoda.
Duas paradas serão necessárias amanhã para aguentar o calor e o asfalto de Budapeste – que não é Budapeste, como já disse ontem; é Mogyoród. Já fui várias vezes para lá. Os locais não gostam quando a gente confunde os lugares. “Nós não é turco, nós é libanês”, dizem, irritados.
Norris e Piastri, largando bem, poderão controlar a corrida. Mas que ninguém espere ataques ensandecidos de Oscar sobre seu parceiro. O australiano é um piloto calmo e obediente. O normal é que fique quietinho. Mas será atacado por Verstappen. De sua capacidade de defesa dependerá o resultado da prova. A McLaren não faz uma dobradinha desde o GP da Itália de 2021, vencido por Ricciardo, com Norris em segundo.




Para ser sincero, não aposto num 1-2 papaia. Acho que Verstappen, em algum momento, vai mostrar suas garras. E Piastri, em corrida, ainda precisa mostrar mais ambição. Ferrari e Mercedes, antes que me esqueça, nada farão. Como dissemos ontem, o GP da Hungria foi vencido 34 vezes, em 38 edições, por pilotos que largaram nas duas primeiras fila – 89,5%. O índice de vencedores a partir da pole é de 42,1% (16 vezes). Foram sete vitórias de quem largou em segundo e oito dos que largaram em terceiro. E três de quem largou em quarto.
Se quiserem fazer uma fezinha, joguem em Verstappen, Norris e Piastri no pódio. Nessa ordem.
Perez já devia ter saído, os P2 que ele conquistou no começo do ano qualquer um conquistaria. Só não saiu porque o Horner quer o Ricciardo, mas o australiano é outro que tá devendo muito. Tsunoda nunca vai ser promovido, ele só tá na F1 por causa da Honda, e se continuar com esses rádios mal-educados, os próprios japoneses o trocarão por outro, como Ayumi Iwasa. Lawson é uma incógnita, mas em pouco tempo de Alpha Tauri, superou Tsunoda, e ele é o preferido dos funcionários da Red Bull.
Já comentei demais. Bora seguir a boiada e pesquisar esse Unicum aí. Que diabo é isso?!
“Nós não é turco, nós é libanês” foi sensacional
Suco detox pro Amilton também. A cara dele, hahaha. Mas venho do futuro dizer que a fezinha no fim foi terrível. Rapaz que pena essa perdi, imperdoável, pelo jeito o trem foi bom. Maldito Unicum (eu não pesquisei esse trem ainda, mas minha vó dizia fernet, deve ser aparentado).
Nas postagens que fiz, esqueci de comentar que até ontem eu nunca tinha lido – e nem mesmo escutado! – a palavra Unicum.Eu googlei e agora já sei o que é.Leio o blog desde que ele nasceu, e foi a primeira vez que tive que googlar.Conheci uma nova palavra aos 63 anos! Vivendo e aprendendo. Ou como eu adoro fazer esse trocadilho infame, lá vai: Wim Wenders e aprendenders.
Pena que nenhum paparazzi tenha filmado o Toto bêbado gritando: “Metade das minhas ações da Mercedes por um Verstsppen”.
Tsunoda de olho na vaguinha de Perez ,mas hoje se equiparou
a êle,,,,,carros de bate -bate
Tenho uma dúvida: em pistas com maior facilidade de ultapassagem, quais são os percentuais de vitória do pole, da primeira fila e dos que largaram até a segunda fila? São muito diferentes do GP da Hungria?
Os dois textos dessa corrida estão ótimos!
Tchau checo.
Tá na hora de dar o lugar pra outro
Agora nem Lalo Salamanca salva o Chesperito
Agora tenho que ir pesquisar o que é unicum…
Sempre ótimos textos!
Carlitos Sainz está mandando figurinha de bom dia florido para o WhatsApp do Horner todo dia.
Uma hora ele responde.
TODO sábado que tem classificação, Sergio Mauricio diz”: amanhã, às 9 horas, iniciamos a transmissão para São Paulo e parte da Rede. ÀS 9:30, para todo o Brasil’.
“Parte da Rede”: o Brasil tem 5570 municípios.Toda vez que ouço isso fico pensando: “Quais cidades que fazem parte da Rede Bandeirantes foram escolhidas para ter o privilégio de assistir 30 minutos a mais com a Mariana Becker na pista”? Moro em SP e digo que nesses 30 minutos iniciais já vi muitas reportagens legais.
Por que Sérgio Pérez não foi demitido? é o título da novela mexicana que está sendo exibida atualmente no SBT( Sistema Brega de Televisão – o nome antigo era Sistema Bozo de Televisão). Estou acompanhando a novela e farei uma pergunta e um comentário:
1- Jânio Quadros alegou “forças ocultas” quando renunciou.Há forças ocultas na Red Bull que impedem a demissão?
2- Nos anos 70, minha mãe fazia promessas para Nossa Senhora Aparecida, e era atendida. Pensei em pedir para ela fazer uma promessa para o Sérgio Pérez ser demitido, mas até eu explicar tudo pra ela…
Grande mestre Flavio Gomes! Uma dose de Unicum, após a tradicional feijoada de sábado, vem a calhar.
“Uma no cravo, outra na ferradura”: quando vc está calçando o cavalo, tem que martelar o cravo q prende a ferradura, se vc erra o cravo e acerta a ferradura, desperdiça a batida.
Perez faz tempo que só acerta a ferradura…
Aposto em Ricciardo (pra nao destruir carros) ou Tsunoda na matriz no lugar do Checo depois das ferias de verao europeu. O Checo virou o Yuri Alberto da Red Bull, com ele é defender o indefensavel.
Preferiria o Tsuloko, mas tá mais pro Canguru mesmo. Um belo de um P2 que vence uma ou outra. Isso se ele entregar a antiga forma. E com o bônus de ser improvável ser moído (na cachola) pelo Verstappen como boa parte do grid, incluindo o Tsunoda.