TAPAS Y ASAS (1)

SÃO PAULO (acho que já usei esse título antes, ou quase…) – Ah, as diretivas técnicas… Elas excitam a imaginação dos novos “produtores de conteúdo” das redes sociais. Os “enzos”, como diz meu amigo Sormani, que acham que o planeta Terra começou a girar na semana passada, ou um pouco antes, quando inventaram os “reels”. E que descobriram que há fontes (perfis, como dizem, ou “arrobas”) oficiais e/ou de jornalistas profissionais de onde tirar informações. E que se acham grandes repórteres capazes de dar furos de reportagem pelo simples fato de conseguirem colocar alguns textos em inglês no tradutor do Google antes dos outros e, oh!, conseguirem postar no “insta” também antes dos outros.
Minha paciência com esse oceano de merda está definitivamente chegando ao fim.
A mudança nas asas dianteiras, aplicada a partir de hoje em Barcelona, estava prevista desde o início do ano. Por isso, todas as equipes estavam preparadas. Algumas até já usavam suas asas um pouco mais rígidas e a gente nem estava sabendo – veja o quadrinho de atualizações para o GP da Espanha aí embaixo: zero para a McLaren, nenhuma peça nova, ela que vinha sendo acusada de usar asas dianteiras feitas de lâminas de fórmica.


Resumindo a história, para quem não está por dentro dos paranauês. Antes mesmo da pré-temporada, tinha gente achando que algumas asas dianteiras estavam flexionando um pouco além da conta nas retas, reduzindo o arrasto aerodinâmico. Eram desconfianças trazidas ainda de 2024. A FIA mede essa aeroelasticidade (nem sei se essa palavra existe) submetendo as peças a uma determinada carga vertical, e elas não podiam flexionar mais do que 15mm. Agora, o limite é de 10mm.
A gente sabe que a F-1 “é sobre” milésimos de segundo, mas uma asinha que flexiona meio centímetro menos do que antes não faz diferença nenhuma. E quem diz isso não sou eu, mas os pilotos, a maioria dos engenheiros e, no caso dos treinos livres de hoje em Barcelona, o cronômetro.
As atividades que abriram a nona etapa do Mundial aconteceram com muito sol e calor (coisa de 30°C, com o asfalto fervendo a 50°C) na Catalunha. Pela manhã, começo da tarde em Barcelona, Lando Norris foi o mais rápido, 0s3 melhor que Max Verstappen. O resto foi tudo normal, inclusive com os novatos Ryo Hirakawa (Haas) e Victor Martins (o da Williams, não o do Grande Prêmio) andando lá atrás, sem inventar muito.
A Mercedes, das equipes de ponta, optou por guardar seus pneus macios e andou só de médios e duros. Ficou atrás, também. Em Barcelona, a questão pneumática é forte. A pista come borracha. Tanto que a Pirelli levou para essa corrida, a última da primeira fase europeia da temporada, a faixa mais dura disponível, os modelos C1, C2 e C3. O C1 é o mais duro de todos, feito com uma borracha de textura semelhante à do concreto armado.






No segundo treino, como de hábito num fim de semana convencional de GP — sem chuva, Sprint, bandeiras vermelhas ou desfile de Lego –, a primeira metade do trabalho foi dedicada às condições de classificação, importantes em Barcelona. Afinal, das 34 corridas disputadas nessa pista desde 1991, 24 foram vencidas pelo pole-position – mais de 70%. A segunda metade, para a maioria, serviu como preparação para a corrida, com séries mais longas de voltas e uso dos pneus mais resistentes.
O mais rápido da segunda sessão acabou sendo o outro piloto da McLaren, Oscar Piastri, com 1min12s760. George Russell foi o segundo, depois que a Mercedes calçou pneus macios em seu carro. Ficou 0s286 atrás do australiano que lidera o Mundial. Verstappen foi o terceiro, a 0s310. Norris, o quarto — com o mesmo tempo que o holandês. E a Ferrari, com Charles Leclerc, fechou a turminha dos cinco primeiros.
Não houve grandes surpresas na sexta-feira. Nem Lewis Hamilton em 11º a 0s773 do ponteiro? Bem, Lewis não vem tendo um ano dos mais auspiciosos. A Williams só em 14º e 15º com Carlos Sainz e Alexander Albon, então? Já se sabia que nessa pista a equipe não iria fazer grande coisa. Gabriel Bortoleto em 17º, diz aí? É mais ou menos onde tem andado. E só vai ter o pacote de atualizações da Sauber à disposição amanhã. Seu companheiro Nico Hülkenberg gostou das novidades, disse que o carro ficou mais equilibrado. Franco Colapinto em último de novo, hermano? Esse precisa começar a se coçar.
Amanhã tem mais um treino livre às 7h30. Às 11h sai o grid de largada. Antes de tudo isso, às 19h, estarei no meu canal do YouTube para falar de tudo isso.
Estranha a informação que o Colapinto tem q se coçar. Melhor seria tem que andar. Hahahahah
Flavio sobre o seu pequeno desabafo eu imagino o quão decepcionante deve ser para um jornalista que estudou, tem liturgia a ser seguida e precisou respeitar o tempo que é fundamental em qualquer processo evolutivo, ter que “conviver/aturar” essas criaturas oportunistas e sem preparo que são os “influencers”. Eu até sou um entusiasta das facilidades e alcance que a modernidade nos trouxe, porém como quase tudo na vida, principalmente no campo profissional, se não houver regras e uma ética a ser seguida aí vira o caos. É uma pena que o termo regulamentação tenha sido politizado, pois quem perde é a sociedade, lembrando que toda profissão “tradicional” tem regras e freios para evitar os excessos. Enfim dito isso, apesar da realidade difícil, ainda há quem valoriza o bom jornalismo e mesmo que sejamos apenas meia dúzia…, ainda somos parte de uma resistência., não desista.
Sim, a palavra aeroelasticidade existe na língua portuguesa. É o campo da engenharia que avalia como forças aerodinâmicas deformam objetos, geralmente utilizado durante os estudos estruturais de asas durante o desenvolvimento de aeronaves.
O caso mais interessante é quanto as forças aerodinâmicas criam vibrações nas asas de uma aeronave que coincidem com sua frequência de ressonância. Em termos leigos: a asa começa a vibrar como se fosse feita de gelatina. Felizmente essas coisas são detectadas e consertadas antes de botarem pessoas dentro do avião.
Posso indicar alguns colegas meus para falar mais sobre esse assunto. Ótimo tratamento para insônia.
Na verdade estas histórias de asas flexíveis e freios que resfriam mais rápido são invenções da Red Bull para ver se levam alguma vantagem em tentar prejudicar as outras equipes.
Está no hora de às outras equipes verem o que a RB faz para levar vantagem.
Olha Flávio – uma lembrança dos seus tempos de ás futebolista:
https://www.valinhos.sp.gov.br/portal/noticias/0/3/57778/valinhos-129-anos–prefeitura-inaugura-clube-municipal-no-antigo-espaco-da-adc-rigesa-com-festa-para-toda-a-familia-neste-sabado-31
O secretário de esportes da cidade é o Renato ex-jogador do Santos
Como sempre! Uma bela descrição do que deve antever essa corrida.
👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻