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segunda-feira, 7 de abril de 2014 - 16:33F-1

MAGOOU

SÃO PAULO (tadinho) – À imprensa italiana, Luca di Montezemolo disse que foi embora do autódromo ontem porque era doloroso demais ver as duas Ferrari sendo ultrapassadas por todo mundo na corrida.

Mais um ano perdido para Maranello. E as perguntas: quanto tempo Alonso aguenta? E a paciência de Raikkonen? E quem seria capaz de tirar a Ferrari do atoleiro?

É, não se encontra um Schumacher todo dia…

143 comentários

  1. Carlos Pereira disse:

    Pelo jeito, Alonso vai entrar na justiça contra a os italianos por danos morais: prometeram uma FERRARI e entregaram um FIAT 147 …
    Brincadeira, mas é triste ver uma equipe tradicional nesse estado sem competitividade. Aos poucos Alonso vai ficando sem muitas esperanças de melhora. Isso fica evidente a falta de um comando com mais entrosamento e competência.

  2. Leo Andery disse:

    Troca de lugar com o Vettel ano que vem. Essa tá fácil.

    • Ulisses disse:

      Seria muito bom para conferirmos se Vettel é tudo isso mesmo.
      Que é fera, não temos a menor dúvida, mas dirigir aquelas RBR, parecia fácil demais. Será mesmo que ele tira leite de pedra? Como fazia Senna, Schumacher, Piquet, entre alguns dos campeões que dirigiam rápido qualquer coisa.
      Agora, se Alonso não está fazendo a Ferrari andar …. huuummm, bem provável que Vettel também não consiga.

  3. kaka disse:

    Como bem você disse, equipe, a Ferrari paga pela sua prepotência que não é de hoje, ela pensa que sempre é a melhor, parece que estão parados no tempo e com isso Vettel 4 vezes campeão, Mercedes toda chance de ser campeã, e tempo vai passando e Ferrari ficando pra trás e eu quero que fique pra trás mesmo, porque não gosta da Ferrari.
    Agora todo mundo pode não gostar do Alonso, pelo sue jeito, as coisas que el fez, ou sua postura, como piloto não tem o que falar, o cara é um monstro, a Ferrari só consegue alguns pontos e colocações por causa do talento dele, ele não tem culpa de andar numa carroça que a Ferrari agora, ela precisa de uma equipe técnica competente, fazer mudanças estruturais, pra começar a pensar em algo melhor pra frente.
    E não, eu não torço pelo Alonso, eu torço pelo Hamilton, e quero ver a Ferrari cada vez mais atrás.kkk

  4. Seinfeld disse:

    Concordo no referente a diferença de Schumacher para todos os outros pilotos, ainda mais na Ferrari.

    O melhor de todos os tempos. pelo menos da F1 moderna de 1970 pra cá, vai.

    Mas Alonso foi campeão com a Renault e deu canseira no Schumacher que andava de Ferrari. Nos últimos seus últimos 2 anos de Ferrari, Schumacher já era superado pela Renault do Alonso.

    Alonso faz o que pode. A situação dele é mais próxima da situação de Schumi na Mercedes do que na Ferrari.

    E a Ferrari tem o “fator italiano” nos boxes né? Gente que se atrapalha quando sob pressão por resultados. Coloca pneus errados na classificação, mistura tipos diferentes de pneus, libera o carro com a mangueira de combustível presa, etc, etc, etc…

    Onde tem italiano na Ferrari, sai merda.

  5. John Player disse:

    “É, não se encontra um Schumacher todo dia…”

    Exatamente o que eu penso. Assino embaixo. Sem mais.

  6. sergio sjcampos disse:

    bem, se montezemolo quiser o rubinho está dando sopa por aí….

  7. Marcelo disse:

    Schumacher nunca precisou da Ferrari, começou na mediana Benetton com um time de engenheiros que ainda não eram campeões. Nessa época o projetista mais badalado era Newey com suas fantásticas Williams, mas lá estava Schumacher com um grupo eficiente, (o alemão fez a difrença, basta comparar a evolução da Benetton entre 92/93, com as temporadas de 91/90). A Benetton começou a colecionar muitos pódios, o próximo passo eram as vitórias, e isso aconteceu em 1994. Piquet deu uma certa estabilidade a Benetton, mas a evolução aconteceu mesmo com o trio: Schumacher, Brawn e Byrne. Fato, entre 91 e 93 várias vezes o alemão fez a diferença na pista, Schumacher incomodou muito Piquet, Prost, Senna e Mansell.

    Poucos sabem, mas Schumacher no início recusou ir para a Ferrari, em 95 Todt já estava assediando Brawn na Benetton, a meta era levar Schumacher e Byrne pra Ferrari. O alemão na época disparou: “Pra que vou pra Ferrari se estou em um time que acabou de bater as Williams de Newey? Posso ser tricampeão pela Benetton já em 96″

    Ross Brawn alertou: “Indo pra Ferrari, você vai ser um dos pilares da equipe, sendo campeão entra pra história da Ferrari, definitivamente entra pra História da Formula 1. Na Benetton você pode vencer vários títulos, mas não vai teria a mesma expressão”.

    Schumacher topou o desafio, já no primeiro ano de Ferrari venceu três corridas históricas(bom lembrar, o time italiano entre 91 e 95 venceu apenas duas corridas). A partir de 97, Maranello entraria definitivamente na briga por títulos, muito graças ao talento do alemão na pista(aquelas Williams e Mclaren de 97 a 98 era muito superiores). estamos falando de carros projetados por Newey!

    Alonso sempre minimizou os feitos de Vettel na RBR, sempre alegou que, quem fazia a diferença era Newey e não o piloto alemão. Então Schumacher foi mesmo um gênio, primeiro ajudou a evoluir a mediana Benetton entre 92/93(nessa época um certo tricampeão choramingava que não tinha carro pra disputar títulos, até ameaçou abandonar a F-1), já em 94 Schumacher se tornou campeão superando os carros de Newey. Depois trocou um time que ganhava tudo em 94/95 por uma equipe que era motivo de piada no mundial. Bom lembrar, Prost “ergueu” a Ferrari em 1990, mas graças a S.Nichols, espécie de “pai” daquelas fantásticas Mclarens de 88/89.

    O que Schumacher fez na Ferrari entre 96 e 04, ele já tinha começado na Benetton entre 92 e 95. Alonso tem uma baita estrutura em Maranello e não consegue chegar ao primeiro título! E não tem mais essa desculpa de “Newey”, a Mercedes não tem nenhum projetista de “outro planeta”, mas formou um time extremamente eficiente da mesma forma que Schumacher fez nos tempos de Benetton. Alonso que faça o mesmo, acho que seu tempo se esgotou na Ferrari, melhor mudar de time.

    Fato, Schumacher seria heptacampeão pela Benetton! O alemão não foi campeão em 06, mas fez uma coisa até mais importante que o próprio título, ajudou a “erguer” o time em 2006 vencendo SETE corridas colocando a Ferrari pronta pra disputar os títulos de 07/08.

    Se Raikkonen foi campeão em 07, e Massa disputou o título em 08, é muito graças ao trabalho de Schumacher em 06, e sem Rubinho na equipe provando que era ele quem fazia a diferença. Se Schumacher não se aposenta em 06, daria o “troco” em cima de Alonso em 07, e bateria o arrojado Hamilton em 08, com certeza o alemão faria mais pontos de Kimi e Massa. Schumacher chegaria a nove títulos, e sem ajuda de Newey…

    Se vira Alonso, Hamilton trocou a poderosa Mclaren pela mediana Mercedes…hoje é favoritíssimo candidato ao título em 2014, e não precisamos questionar, o piloto inglês deu um “up”, Schumacher ajudou estabilizar a Mercedes, mas seu tempo já tinha passado, da mesma forma que Piquet na Benetton!

    Bom lembrar, o espanhol declarou juras de amor pela Ferrari, mas em 2013 “as escondidas” tentou de todas as formar ir para a RBR. Se tivesse no lugar de Ricciardo, estaria na mesma situação, fora da disputa pelo título. Nos anos 90 a Mercedes tentou de tudo pra levar Schumacher pra Mclaren-Mercedes, o alemão sempre foi fiel a equipe italiana…

    Pode estar escrito em algum lugar: “Alonso nunca vai ser tricampeão pela Ferrari”. E o que o espanhol pode fazer? Na Mclaren teria que se rebaixar ao arrogante Ron Dennis, na RBR não tem garantias com motor Renault, outras equipes dificilmente chegariam ao título.

    Sobraria a Mercedes? Pode esquecer, a equipe alemã tem um casamento perfeito com Lewis e Rosberg…

    Que situação do espanhol…Schumacher pelo menos foi hepta batendo os carros de Newey. Alonso com uma baita estrutura na Ferrari não consegue chegar a um título. E o espanhol não pode dar mais essa desculpa de “Newey”(em 2005 ele foi campeão em cima de Raikkonen que tinha Newey como projetista). Em 06 superou o fantástico quarteto formado por Schumacher, Brawn, Byrne e Todt.

    Alonso esta na Ferrari desde 2010, e não consegue formar um time eficiente…ninguém fala da volta de Byrne na Ferrari. Isso mostra que Schumacher teve seu valor….

    • Allez Alonso! disse:

      Seguindo sua linha de raciocínio, Schumacher era piloto pagante, entrou na Jordan no lugar do Moreno. Naquela época John Bernard era o mais badalado. Junto com o cara da mclaren que desenhou o f1 que esqueci o nome. A Benneton tinha os melhores motores ford, era equipe com apoio de fábrica. Só por aí já o coloca em situação melhor que os pilotos que tinham equipes clientes, mesmo assim, Senna bateu o Schumacher varias vezes em 93.
      Schumacher tinha contrato em 95, foi no final de 95 que Todt o convidou a ir correr pela Ferrari em 96. Ele foi, mas só com a garantia que brown e byrne fossem também… Aliás, o alemão foi muito sacana em mandar uma banana pra Mercedes e assinar com a Ferrari, quem havia bancado a carreira dele desde sempre foi a MB.
      A diferença da Ferrari de Schumacher e de Alonso é que a Ferrari tem que ir pra pista pra fazer carro bom, na época do Schumacher testavam dia e noite. A Ferrari não sabe fazer carro a partir do túnel de vento. A f1 atual é virtual, simulador, CFD e túnel de vento. O Schumacher não conseguiu bater o Rosberg, nem vencer com a Mercedes. Rosberg fez. Não me lembro do Alonso ser batido pelo companheiro de equipe no final do ano.
      A Ferrari não tem uma batia estrutura, até o ano passado eles usaram o túnel de vento da Toyota, já que não confiavam na leitura do próprio túnel. Quem está sondando o Alonso é o Ron Dennis, não o contrário. Você tem cada uma…

    • Amaury disse:

      A tendência, quando se fala na simples mudança para a Ferrari e principalmente das futuras conquistas do alemão na equipe, é dar ares Franciscanos à atitude de Michael: os termos usados para qualificar a troca Benetton-Ferrari sempre são do tipo “aceitou o desafio” e “abdicou de ter o melhor carro”. E quando se fala da situação da Ferrari, o epíteto é sempre o de “bagunça total”, “time destruído”, e por aí vai.
      Logicamente, você ser campeão mundial e mudar para uma equipe que não obteve o mesmo sucesso não é algo a ser ignorado, mas nenhum dos dois casos supramencionados é verdade, e iremos demonstrar aqui o porquê.
      A) Sobre a situação da Ferrari
      No post que falávamos sobre Fernando Alonso mudando-se para a Ferrari, foi citado um trecho do livro de Gerhard Berger. “Na Reta de Chegada” é um excelente relato do piloto austríaco, que correu na Fórmula 1 entre 1984 e 1997. Ao longo desses 14 anos, ele foi piloto da Ferrari por duas vezes, totalizando 6 temporadas: de 87 a 89, e de 93 a 95. Berger, portanto, tem uma relação de muito carinho com a equipe italiana e conhece os meandros dos relacionamentos internos da casa de Maranello.
      No capítulo intitulado “Ferrari II”, Berger conta tudo o que aconteceu na equipe entre 1993 e 1995. Isso inclui: performances nas três respectivas temporadas, mudanças nos aspectos técnicos do carro, troca de staff (diretores esportivos, projetistas e engenheiros), além de poder contar como tudo aconteceu exatamente no período pré-Schumacher. Transcrever esses relatos, portanto, é algo de suma importância.
      Em primeiro lugar, vamos lembrar da Ferrari no período a que Berger se refere: em 1993, a Ferrari entraria no seu terceiro ano após a última vitória – o último piloto da equipe italiana a vencer havia sido Alain Prost, na Espanha/90. A partir de então, a equipe enfrentou a franca decadência: nenhuma pole ou vitória em 91, mas 4 pódios; nenhum pódio em 1992. A situação para 93 era a pior possível.
      Naquele ano, Alesi (2 vezes) e Berger (1) conseguem subir ao pódio, mas a vitória seguia sem vir. A equipe finalizou o mundial dos construtores na 4ª posição com 28 pontos, apenas 5 a frente da Ligier (!!!). Foi nesse ano que aconteceu a “grande virada”: num tempo em que os mecânicos não se entendiam entre inglês e italiano, Lucca di Montezemolo, presidente da Scuderia, e Niki Lauda, diretor esportivo, lançam seus olhares para o mundo dos ralis e contratam o francês Jean Todt.
      Palavras de Bernie Ecclestone, na época: “Todt é o homem certo para recolocar a Ferrari na trilha das vitórias”. Já Berger relata a chegada do francês da seguinte maneira: “Todt tinha um ceticismo muito saudável em relação a tudo o que acontecia na Ferrari e passou a se dedicar com afinco a compreender a equipe. (…) Hoje eu sei que, apesar de a ressurreição da Ferrari ter demorado muito mais que se pudesse prever, ela certamente começou no dia em que Jean Todt chegou”. (página 109)

      E começou, mesmo: em 1994, Gerhard Berger conquista a primeira vitória da Ferrari depois de quase 4 anos (59 corridas!), no Grande Prêmio da Alemanha. É importante lembrar que não foi uma vitória “de sorte”: do contrário, Berger fez a pole e, mesmo seguido de perto por Schumacher –foto ao lado–, venceu de maneira incontestável. E essa não foi a única pole ferrarista do ano: Berger foi pole uma outra vez, e Alesi também anotou a sua.
      Lembremos também que, no começo do ano, Alesi (Brasil) e Berger (San Marino) haviam conseguido largar na terceira posição, a frente de Damon Hill da Williams – e o Senna sempre na pole… Além disso, ao longo do ano Berger conseguiu subir ao pódio 6 vezes, e Alesi terminou 4 provas entre os três primeiros. É importante lembrar que, em duas corridas, Alesi foi substituído por Nicola Larini. Larini conseguiu um segundo lugar (!!!!), em San Marino. Na pontuação geral, Berger terminou em terceiro, Alesi foi 5º. Nos construtores, a Ferrari foi a 3ª colocada, com 71 pontos. MAIS QUE O DOBRO de 1993: com a mesma dupla de pilotos.
      Chegando em 1995, a Ferrari vence mais uma corrida – é importante lembrar que foi a única equipe fora Benetton/Williams a vencer nesses dois anos – dessa vez com Jean Alesi (foi a ÚNICA vitória da carreira do francês), no Canadá. Alesi faz 5 pódios naquele ano, Berger outros 6. Berger anota a pole na Bélgica, e Alesi, embora não tenha largado em primeiro, alinha na primeira fila em 3 oportunidades. Berger fez a melhor volta da corrida duas vezes, e Alesi em uma ocasião. E a equipe encerra somando 73 pontos (2 a mais que em 94!), novamente sendo a 3ª melhor equipe, novamente à frente da McLaren.
      Mais uma passagem do livro de Berger vem a ilustrar perfeitamente a situação da equipe de Maranello ao fim daquela temporada. Na página 166, o austríaco relata um depoimento de Schumacher à imprensa: “Schumacher (…) tinha experimentado meu Ferrari e estava surpreso que um carro tão bom (sic) não tinha vencido mais corridas em 1995″. É esse o quadro que ele teria de enfrentar em 1996: uma equipe em franca ascensão.

      B) Sobre o motivo que levou Schumacher para a Ferrari
      Como descobrimos mês passado, Schumacher é um homem muito caridoso: ele deixou Felipe Massa correr na Ferrari. Mas essa atitude altruísta de Schumy já vinha de antes. Ele se prontificou a ajudar a Ferrari a se reerguer. Abriu mão de toda a sua glória, em nome do grande projeto. Michael Schumacher de Assis. Será que foi mesmo assim? Vejamos, pois.
      “No início de 1995, começou a se montar o cenário na Ferrari que, no final, levaria ao acordo com Schumacher (…) E assim foi: o contrato para 1996 foi assinado antes mesmo da primeira corrida da temporada de 1995 (…) Finalmente, a verdade sobre o salário de Schumacher acabou sendo revelada: 28 milhões de dólares, uma quantia de tirar o fôlego…” (NA RETA DE CHEGADA, págs. 118-9).
      Para se mudar para a Ferrari, Michael Schumacher receberia simplesmente o maior salário da história da categoria. Apenas para efeito de comparação, quando Ayrton Senna assinou com a Williams, em 1994, seu salário – o maior de todos os tempos, na época – era de 20 milhões de dólares. Além disso, o contrato de Schumy havia sido assinado antes mesmo de seu bicampeonato. Aqui, portanto, o mito de “topar um desafio” começa a cair.
      Por outro lado, o fã de Michael pode usar isso a seu favor: “o melhor piloto, tiveram de pagar o maior salário, claro”. Será que foi mesmo assim? Vejamos, pois.

      C) Sobre o motivo que levou a Ferrari até Schumacher

      “Montezemolo e Todt me disseram: ‘Precisamos fazer pelo menos uma consulta pro forma a Schumacher, pois, além de jovem, ele é campeão mundial e pode até ser campeão de novo. Ele é super rápido, a Alemanha se tornou o mercado mais importante para a Ferrari, a Fiat está lançando o Bravo, tudo se junta” (NA RETA DE CHEGADA, pág. 121). O bendito “mercado alemão”: foi esse mesmo mercado que fez Bernie Ecclestone colocar Schumacher na Benetton – palavras do próprio.
      Mas, até então, o fã de Schumacher ainda se esquiva: “apenas uma forma de unir o útil ao agradável: Schumacher era o melhor piloto, eles precisavam dele, e confiavam nele como o único capaz de fazer a ressurreição”. Será que foi mesmo assim? Vejamos, pois.

      D) Senna era o Schumy que a Ferrari queria em 1995

      Peço agora licença ao livro de Berger [para retomá-lo daqui a pouco] e cito uma notícia publicada em abril de 2004. Pouco antes de completarem-se dez anos da morte de Ayrton Senna, Jean Todt veio a público contar sobre sua chegada na Ferrari, e como estavam as coisas, naquela época. Reproduzo, abaixo, a nota:
      “A revelação sobre o encontro de 1993 entre Senna e a Ferrari foi feita na noite de anteontem [abril de 2004] por Jean Todt. O segredo foi guardado por mais de uma década. “Eu o conhecia pouco, porque tinha acabado de chegar à Fórmula 1. Mas tivemos uma longa reunião com ele, na semana do GP da Itália. Foi quando falamos do futuro na Ferrari em 1995. Mas isso não pôde ser concretizado”, disse Jean Todt.
      Segundo contou, Todt ficou “impressionado ao ver que um personagem como Senna estivesse interessado pela Ferrari. Hoje entendo porque a Ferrari é mística, e por isso é compreensível o desejo de um piloto como ele fazer parte da equipe. Mas em 1993 estávamos verdadeiramente mal”.
      Fazendo essa lembrança de 4 tópicos, fica absolutamente claro os motivos que levaram o piloto alemão para a equipe italiana: a) não, a Ferrari não era uma “M…”; b) não, ele não aceitou nenhum desafio; c) não, ele não era a primeira opção do time…
      Resta-nos, agora, ver como e quanto a Ferrari ganhou com o alemão e sua chegada…
      ///
      Verdade seja dita: Schumacher, com uma mão quebrada, é melhor que Alesi e Berger juntos. Isso é um fato que ninguém pode contestar. Por isso, era esperado que o alemão “super-rápido” mencionado por Montezemolo fizesse algo melhor que os pilotos haviam feito em 94 e 95. O seu citado depoimento ao testar o carro de 1995 mostra isso. E ele fez.
      Michael Schumacher não disputa o título em nenhum momento na temporada de 96, mas conseguiu 8 pódios (2 a mais que Berger em 94 e 95), sendo 3 vitórias (duas a mais que Berger em 94, e Alesi em 95). Largou 4 vezes na pole (duas a mais que Berger em 94).
      Desse modo, vimos como Schumy deu um “salto de qualidade na Ferrari”. Mas, algo engraçado acontece: a Ferrari termina a temporada com 70 pontos. Isso mesmo, amigos! A Ferrari encerra a primeira temporada de Schumacher com menos pontos do que havia somado em 94 (71) e em 95 (73)!!!
      Claro, a explicação é uma só: o péssimo Eddie Irvine – ex-companheiro de equipe de Barrichello na Jordan! – era o piloto número 2 da Ferrari. Mas, além da má qualidade do irlandês (Schumy > Berger > Alesi > Irvine), Gerhard Berger nos aponta um “outro fato”: “(…) havia sido divulgado na imprensa e posto em prática com relação a Irvine: Ele [Schumacher] tinha uma cláusula explícita em seu contrato que estabelecia que, em todos os aspectos materiais e táticos, teria de receber ‘ melhor’ do que o outro piloto”(NA RETA DE CHEGADA, pág. 123).
      (pausa: Diante disso, e sabendo que Eddie Irvine ficou três anos na Ferrari sem ganhar uma corrida sequer, iremos nos surpreender ainda mais daqui a pouco…)
      Em suma, a temporada de 1996 não foi nada boa, não necessariamente por ter sido a menor pontuação da equipe nos últimos três anos. Por isso, insatisfeito com John Barnard e outros do “staff” Ferrarista, Schumacher demite o diretor-técnico e traz muitos dos funcionários da época da Benetton, especialmente Rory Byrne – o projetista – e Ross Brawn – estrategista.
      E em 1997 estava formado o “dream team” que assombraria a categoria no início do século 21: Todt-Brawn-Byrne-Schumacher. Naquele ano, Michael conquista 5 vitórias, algumas delas de forma antológica (Mônaco e Bélgica) diga-se, e consegue chegar à última corrida com um ponto de vantagem sobre Villeneuve.
      Seria algo esplêndido, se Michael levasse o caneco, pois ele não tinha o melhor carro. Mas, plagiando Tim Maia na genial “Me Dê Motivo”, depois do GP da Europa, os fãs de Schumacher cantaram assim: “até que o piloto que a gente ama, vacila / e põe TUDO a perder…”. Schumacher, ele e somente ele, perdeu o título de 1997. Além da derrota, foi humilhado publicamente e é até hoje o único piloto da história com um vice-campeonato cassado pela FIA.

      Em 1998, agora era a McLaren (de 0 vitórias de 94 a 96, e três trunfos em 97) o carro a ser desafiado: Mika Häkkinen e Schumacher disputam de forma limpa, com certa vantagem para o finlandês, que vence metade dos GPs (8) e acaba sendo campeão com 14 pontos de vantagem sobre Schumy.
      Em 1999, a McLaren começa melhor, mas pouco a pouco a Ferrari mostra que já tinha o melhor equipamento, e passa a liderar o mundial de construtores. Silverstone, Grande Prêmio da Inglaterra, 8ª etapa da temporada de 1999. Àquela altura, Hakkinen havia vencido três corridas, ante duas de Schumy. O finlandês contava com 40 pontos no certame, ante 32 de Schumacher.
      Mika Häkkinen faz a pole, Schumacher tem o segundo tempo. Na largada, o finlandês sai na frente, enquanto que Schumacher cai para a 4ª colocação, ficando atrás, inclusive de seu companheiro, Irvine. Assim, as coisas levariam 14 pontos (50 a 36) de vantagem para Mika.
      Mas, antes da primeira volta, Schumacher perde os freios de seu Ferrari e choca-se contra a barreira de pneus.
      O alemão quebrara uma perna e ficaria de fora de seis GPs: estava virtualmente fora da disputa do título. Eddie Irvine, ele mesmo, termina a prova em segundo, atingindo os mesmos 32 pontos do “patrão”. Se quisesse alguma coisa, agora a Ferrari teria de concentrar suas forças no pobre piloto irlandês.
      E não é que deu certo? Irvine – que havia vencido a primeira corrida do ano (a primeira de sua vida!!!) – vence duas provas e faz um 3º lugar, conseguindo uma jamais imaginável liderança. Nas duas provas seguintes, Irvine é modesto, fazendo um 4º e um 6º lugares, mas Häkkinen consegue apenas seis pontos no mesmo período.
      Isso faz com que Irvine e Häkkinen cheguem a Nürburgring com os mesmos 60 pontos, restando três provas. Naquele dia, Schumacher anunciou seu retorno para o GP da Malásia, prova seguinte. Irvine vinha à frente de Häkkinen. Seria ele o homem a tirar a Ferrari da fila depois de 20 anos?…
      Não, é óbvio que não. No pit-stop do irlandês, a Ferrari faz uma parada perfeita: em menos de 8 segundos, abastece e troca pneus. Irvine está pronto para sair, quando alguém “lembra” que esqueceram um pneu traseiro… Com isso, a parada de Irvine dura 48 segundos e ele chega na sétima posição.
      Ao final da temporada, Irvine dá uma polêmica entrevista, e diz a lendária frase: “Não sei se a Ferrari quer ser campeã, ou se quer ser campeã com o Schumacher…”. Claro que a resposta é a segunda, e claro que Irvine foi demitido. Häkkinen é campeão de pilotos pela segunda vez. Mas a Ferrari vence um mundial de construtores pela 1ª vez desde 1983.

      O resto da história, todo mundo conhece: a Ferrari é o melhor carro, entra Barrichello no lugar de Irvine, Hakkinen se aposenta… e Schumacher inicia o maior domínio da história da categoria.
      Fica aqui o reflexo:
      1) Irvine nunca fez absolutamente nada na Fórmula 1… em 1999 vence 4 corridas e perde o título mundial por dois pontos: só não foi campeão porque a Ferrari não quis.
      2) No final de 2006, após a derrota para Renault/Alonso, Schumacher, Brawn e Byrne se aposentam. Mas Jean Todt fica. E a Ferrari é campeã de times e pilotos em 2007. Em 2008, Todt sai. E, desde então, ladeira abaixo! Só com Alonso fazendo a diferença e levando os mundiais de 2010 e 2012 à última corrida.
      O que será que isso significa?

      • Allez Alonso! disse:

        Fiquei seu fã! Qual o nome do livro do Berger, vou mandar de presente pro Marcelo. Depois que eu ler, rs!

      • Amaury disse:

        Valeu, Allez!

        O nome do livro é “Na Reta de Chegada”. Creio que seja relativamente fácil de encontrá-lo na internet.

        Um abraço!

      • RCRG72 disse:

        o.O

        Impressionado contigo cara. Calou a boca do fanático. Aliás, fanáticos, seja para que lado pendam, são chatíssimos. Parabéns.

        São fatos contra argumentos distorcidos. Ganham os fatos.

        Parabéns pela eficiência e pela paciência.

      • Amaury disse:

        Olá, RCRG72.

        O Marcelo não é apenas fanático, mas um desonesto intelectual. Percebe-se, pelo volume dos textos que ele posta aqui, que ele tem bastante conhecimento de F1. Conhecimento histórico, porque o conhecimento analítico dele é ZERO.

        Completamente enviesado a favor de Schumacher, e contra Senna. Em menor grau, a favor de Vettel e contra Alonso.

        Para ele, um fato IDÊNTICO tem interpretações ANTAGÔNICAS se o autor ou personagem do fato forem Senna-Schumacher, Alonso-Vettel.

        E você acha que ele “aprendeu” isso com quem?

        Abs

      • Hugo disse:

        Parabéns Amaury pela lúcida e embasada explanação. Os que não viveram e entenderam os fatos daquela época tendem, hoje, a achar que Senna é produto da mídia, e Schumacher o supergênio que levantou sozinho a ferrari, esquecendo do poder da administração Todt sobre a equipe, logo após ter sido campeão pela peugeot.
        Você deu a resposta que eu queria ter dado há tempos.
        Parabéns e obrigado

    • RCRG72 disse:

      Ou seja Schumacher sempre teve projetistas e gerentes de time competentes para vencer. O “tricampeão chorão” não teve isso o tempo todo. E teve presidente de FIA contra ele. Byrne na Beneton e na Ferrari é o mesmo Byrne que projetava a Toleman de 1984. Carro que sofria por ser feito por equipe pequena, mas que tinha um aerofólio traseiro diferente para a época. Senna “venceu” Mônaco 1984 debaixo de Chuva porque tinha talento de gênio e um carro que o ajudava de alguma forma. Assim como Schumacher. Carro perfeito é outra história, mas existem aqueles pilotos que levam certos carros além de suas capacidades.

      Ignorar certos acontecimentos de um para elogiar outro e criancice e não o torna tão melhor do que as viúvas do Senna insuportáveis. Boa redação e inteligência não te salvam dessa.

      Oras pode trabalhar a favor do seu ídolo, mas não distorça as coisas para achincalhar outros campeões.

      Nunca vi Schumacher duelar como vi Senna duelar com outros campeões e outros pilotos. Mas isso não o faz ser melhor nem pior do que ninguém.

    • Leoni disse:

      Não sei de onde você diz que a Benetton era equipe mediana quando o Schumacher entrou lá. A Benetton foi mediana até 1986, mas a partir do momento que virou a equipe oficial da Ford em 1987 a equipe cresceu muito, eles chegaram a comprar a Reynard em 1990, a estrutura deles era do nível da Williams e tinha mais de 300 pessoas, só perdendo em pessoal para a Ferrari, O próprio Piquet disse que das equipes que ele correu a que ele mais ganhou dinheiro foi a Benetton, a equipe em 1990 já era rica.
      O grande mérito do Schumacher é a capacidade de trabalho ele era muito mais dedicado ao carro do que o Piquet e John Barnard, daí a forte evolução do carro a partir do momento que o alemão foi para a Benetton, o Schumacher criticava muito o carro desenvolvido pela dupla Piquet-Barnard, por isto ele pediu a recontratação de Rory Byrne, que tinha saído da Benetton a pedido de Piquet que preferia John Barnard, Enquanto o Schumacher trabalhava o Piquet namorava.

  8. Gustavo Oliveira disse:

    A Ferrari e Alonso se merecem, isso sim. Alonso se aposenta como bi campeão (bicampeão?) e tenho dito.

    O cara tá numa situação pra lá de confortável, perdeu 4 títulos seguidos e a culpa é sempre da equipe, nunca dele. Ah tá, blz.

    Quanto ao Raikkonem…Bom, desde quando o botão do Foda-se tá ligado mesmo?

  9. PC Crusca disse:

    Perdão, Flavio Gomes, mas pareceu, na sua última sentença, que esperava-se do Alonso algo parecido com o que o Schumacher fez. Isso seria impossível, exatamante pelo ABISMO existente entre a história desses dois pilotos.

    Ao meu ver o Alonso deveria agradecer todos os dias à Michelin, que lhe deu ótimos pneus e com exclusividade em times grandes em 2005 e 2006. Ele deve guardar com carinho um daqueles bonequinhos Marshmallow em sua casa.

    Schumacher é indiscutível, mesmo pra quem, inexplicavelmente, não aprecia sua carreira. É justo considerá-lo o maior de todos os tempos, embora muitos discordem.

    Ainda assim, não vejo todo esse desastre na Ferrari. Vejo a equipe no patamar da Red Bull (o que é ruim para ambas, que brigavam pelo título), mas uma corrida ruim para os italianos no Bahrein.

    E acho um absurdo uns comentários que vejo aqui, atribuindo o mal desempenho dos últimos anos à nacionalidade das pessoas que trabalham na equipe. Isso é ridículo e chega a ser pedante. Ninguém é melhor ou pior em decorrência do país onde nasceu.

    Ao contrário do que se prega por aí, brasileiro sim é um povo que se acha superior aos demais e fala com desdém dos outros povos, principalmente os demais da américa latina, gente que em sua maioria adora o Brasil.

  10. Renato Amorim disse:

    A Ferrari esta carente de inteligência gerencial na equipe faz tempo. Precisa abandonar definitivamente o bairrismo Italiano e buscar inteligência onde tiver. com a estrutura, experiência, e o piloto que tem , quando tiver também inteligência gerencial vai voltar a ser quase imbatível!

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