Dekabras

SÃO PAULO (hoje é 6-6-06) – Um dia, não sei bem como, seu Braidato achou meu telefone. Ou eu achei o dele, mas isso é o de menos. Aí ele me mandou umas fotos. Seu Braidato era dono da Dekabras. Uma autorizada Vemag. Era ele quem patrocinava o Volante 13. Seu Braidato era amigão do Volante 13, e quando Arouca morreu, seu Braidato começou a largar as corridas.

Uma das fotos que ele me mandou, preciso procurar, mostrava um Malzoni diante de sua oficina. Reconheci o cenário. Ficava na Vila Mariana. Hoje é uma pequena igreja evangélica, creio. Mas está lá a pequena oficina, ao lado de uma estação de força da Eletropaulo toda de tijolinhos.

Seu Braidato preparava o Malzoni #73 da foto. Nos boxes, tinha uma equipe forte, mecânicos preparados, carros velozes.

Seu Braidato, que hoje mora no Guarujá, bem que podia aparecer em Interlagos sábado. Para tentar rever naquele asfalto quse sagrado tudo aquilo que ele e seus carros fizeram.

Comentários

  • FG!! em São leopoldo-RS abriu há um mês uma loja de peças originais de DKW!!! o nome: DEKABRAS!!!
    A LOJA É LINDA, mas como eu só passo lá de onibus, não pude parar e entrar ainda.. tens mais notícias sobre isso??

  • Eu acho que na minha cidade, Erechim-RS, tinha uma unidade da Metal Leve, perto do centro… mas isso foi na minha infância… vou conferir com meu pai se era Metal Leve mesmo… e acho que é por isso que sei da existência dela. :)
    Abraços a todos.

  • Os 500 Quilometros eram pelo anel externo, e tinha salada de categorias sim, turismo, Gt, fórmula jr, mecânica continental e protótipos. me lembro de uma edição vencida pelo abarth-simca 2000 do Jaime Silva e o Willys-Gávea, F3 pilotado por Wilson Fittipaldi chegou em 2°. O F3 foi feito na Willys pelo Toni Bianco

  • Belíssimas imagens como sempre!
    Dica pro FG:
    Faz um post com livros que se encontrem em nossas livrarias…online ou não sobre o nosso automobilismo…fica a dica que com certeza servirá a todos.

  • Portilho, sem parecer pedante deixa eu completar a sua informaçào. A Metal Leve era uma empresa nacional, fundada nos anos 50, e que teve como sócios brasileiros (Mindlin, Faldini, etc). Bem no princípio eles tiveram um acordo tecnológico com a Mahle, mas era independente, tendo inclusive uma expressiva participaçào internacional na década de 70 e 80.
    Nos anos 90 ela foi vendida para a Mahle, na onda de desnacionalização que varreu a industria de autopeças, devido à introdução dos projetos mundiais das montadoras, que exigiam contratos globalizados de fornecimento. Foi esta mesma onda que varreu a Cofap, e outras empresas nacionais de autopeças.

  • Que delicia rever o autódromo de Interlagos dos anos 60.
    Inclusive com o mato insistindo em invadir a pista. (Tradição da época)
    Sentir o prazer de tentar me achar alí, no meio daqueles moleques, circulando pelo “matagal”, vendo os carros passando a poucos metros.
    Apesar que o meu lugar predileto para ver as corridas era a curva do Pinheirinho e não essa da junção.
    Mefistófeles, só me ficou uma duvida: Os 500 Km de Interlagos eram corridos apenas pelo anel externo, e nos anos 63, 64, 65 ainda havia a mistura de carros da Mecanica Continental e carreteras com os nossos “brasileirinhos”…

  • Mateus Longo
    Olha a Metal Leve era uma empresa subsidiaria da Mahle, hoje a Mahle se chama Mahle Metal Leve, pois a Metal Leve é muito conhecida no Brasil e o não compensava tirar o nome, então ouve uma junção dos nomes, sei disso, pois a Mahle fica aqui na minha cidade, Limeira, e foi tema de trabalho de um colega da faculdade. ok Abraço

  • O que mais gostei de ver nessas fotos é que, mesmo nao tendo vivido nessa áurea época do automobilismo nacional, pois tenho 20 e poucos anos, consigo reconhecer quase todos os carros do grid. pois muitos ainda fazem parte do dia-a-dia das ruas brasileiras. outros apenas nas mãos de colecionadores.
    Uma coisa curiosa é que na foto onde só aparece o Malzoni, consigo identificar um dos patrocinadores (que ainda existia na minha infância e nao sei se ainda existe) que é a Metal Leve (salvo um ledo engano) que é aquele M estilizado na traseira.

  • A foto com o Aero Willys de carro madrinha é Largada dos 500 Quilometros de Interlagos. Malzoni n° 73 José Ramos era o Piloto. O Jorge Lettry resolveu fazer o Mickey Mouse da Equipe de Fábrica da Vemag , n° 10 após Ver Panhard Encurtado, do Piloto Flor Del Campo, andando muito em Rivera, no Uruguay . A melhor performance do carro se dava em pistas de rua e curvas de baixa velocidade por ter o entre eixos curto, já nas curvas de alta era pior que o normal. Volante 13 comprou o carro após a Vemag fechar o depto. de Competições. O Volante 13 conseguiu 1 vitória com o Mickey Mouse já com número 13 em Araraquara, circuito de rua, superando a Carretera Ford n° 38 de Nelson Marcilio, que voava nas retas, mas na hora de dobrar 180° nos hairpins do circuito e cotovelos, o pequenino passava fácil

  • Caro Claudio Ceregatti,concordo com vc.O problema é o grid.Por enquanto tem que correr todo mundo junto,são três categorias diferentes ,a gente aqui vai torcendo,pra quem sabe um dia ter ums 50 carros ,já pensou! Ai daria pra separar a turma.
    Mas que podiam rever o regulamento para prestigiar o pessoal natureba ,ia ser bom ,mas fico até com medo de palpitar ,sei lá ,ter um retro correndo já tá bom demais!

  • Johnny O:
    Adoro tecnologia, vivo dela.
    Cito sempre os “motores AP” porque me incomoda ver o FG andando de carro original, clássico de fato e de direito, no meio de carros fuçados. Na verdade são carreteras, uma salada de peças de origens diferentes.
    Não é justo.
    Sei bem das dificuldades financeiras e técnicas de se correr com motorização original.
    É maravilhoso, mas quase inviável. Vide o próprio FG, que não pode ter um motor potente, sequer parecido com as Dekas dos anos 60, por absoluta falta de peças…
    Acho que o regulamento da categoria deve ser repensado, e tenho certeza que com a divulgação e mais inscrições o regulamento será adaptado.
    Nada contra motores AP.
    Tudo a favor de carros clássicos e originais.

  • Jovino,

    já tinha escutado algo sobre esse fusca-porsche de fibra, mas nada muito aprofundado, pensava até que meio “lenda”, mas agora vc confirmou, valeu !

    Alguem tem alguma foto do bicho ?

  • Jovino, grato pelas informações. Pessoal, afinal ninguém ainda identificou o piloto do Malzoni 73..
    o último que vi correr com esse número foi o José Pedro Chateaubriand, de Puma, mas foi muito tempo depois. Mãos à obra, pois.

  • Joaquim, ele corria com o pseudônimo de “Volante treze” para se esconder de sua família que não queria ver ele corrrendo de jeito algum. Inclusive, ele pedia para a imprensa não fotografá-lo, nem divulgar o seu verdadeiro nome.
    Nesta prova, ele levou o Mickey para o IPT e no túnel de vento conseguiram efetuar modificações na aerodinâmica que tornou o carro mais estável. Existia na época um engenheiro alemão da Vemag muito amigo dele que lhe passava uma série de dicas dos testes que eram feitos pela Equipe de Competição.
    O alemão queria ver eles brigando com a Equipe da Vemag e facilitava em tudo, até a compra de componentes especiais importadas da Alemanha. Exemplo: desenvolveram um motor de 92 hp (no dinamômetro) para corridas rápidas, alto giro, não tinha nem marcha lenta, provido de pistões especiais, um só anel por pistão, virabrequim especial (alemão), dupla carburação Weber por cilindro, bomba de gasolina dupla quase que uma turbina, inexistente na época e muitos outros componentes todos tecnicamente melhorados, caprichosamente aprimorados que afinavam o conjunto. Conseguiram algumas caixas de cambio com outro alemão na ZF (que fabricava as caixas de cambio para a Vemag) com relações de marcha especiais para Interlagos .

    Para quem está querendo contato com ele, a mais de 1 ano e meio o Umaras me passou o e-mail dele, mas não consegui contato com ele. Acredito que deve ter mudado. Inclusive, nem com o Umaras, que sempre trocávamos notícias a respeito dos DKWs, também, não tive mais contato.

    Jovino

  • p/ Claudio Ceregatti.
    Com todo o respeito e admiração Claudio, dá pra notar que o motor ap tá pegando.
    Mas acho que se a categoria crescer (numero de carros) futuramente vai dar pra ter separado ,carros originais ,carros antigos modificados , pelo menos estou torcendo.

  • Voltando na foto 1…
    Tem mais de 20 carros… Malzoni, DKW, Karmann Ghia, Berlineta Interlagos e Simca… Os mais de trás não dá pra identificar…
    Que bela largada só de carros brasileiros, todos andando muito próximos, e sem nenhum motor AP…
    Que belíssima largada de Superclassic … De 40 anos atrás !!!!
    Na foto 4 reparem no interior da Deka… Painel original, e não vejo nenhum santantonio… Que, caso existisse, teria muito pouco efeito de proteção… Vide aquela Deka “dobrada” de um post anterior do FG… Nas provas de estreantes e novatos dos anos 70 era a mesma coisa…

  • Legal ,a gente aqui só vai aumentando o arquivo.
    Graças a vocês Herois que fizeram isso tudo.
    Os tempos não voltam,e o profissionalismo afasta qualquer menos abonado do negocio.
    Agora surgiu a Classic,que é pra acabar com os chorões, tem que por as bagaça pra correr.
    Tá faltando Malzoni,Lorena e quem sabe volta o Time DEKABRAS.

  • A foto 2 leva jeito de ser a curva tres, no final do retão. A curva tres e o retão ainda estão lá. A curva tres serve hoje para a garotada da favela ao lado brincar de carrinho de rolemã, devido sua inclinação… O retão serve de base para as arquibancadas do setor G da F1, além de testes do famigerado fura-fila e cursos de pilotagem defensiva de seguradoras…
    Como pode um traçado excepcional como este ainda existir em sua maior parte e ser tão sub-utilizado?

  • Jovino, belo relato e me lembro bem dessa prova. Essa carretera Mickey Mouse do Volante 13 (Flodoaldo Arouca) era tão arisca de dirigir que até o pentacampeão Juan Manuel Fangio não conseguiu pilotá-la direito num teste em Interlagos. Aliás, esse negócio de correr com pseudônimo era uma coisa comum nos anos 60: cadê o Dr. Jivago, pessoal aí do Rio?

  • Como o dia começa bonito por aqui, obrigado pelas imagens Gomes e obrigado amigos blogueiros pelas histórias.
    Eu comento por aqui na primeira entrada do dia e passo o resto dos dias lendo sempre que possivel os comentários e ir aprendendo com vcs.
    Obrigado

  • O FG… fala a verdade… vc quer é que o seu Braidato dê uma olhada no seu motor e coloca ele um foguete para vc… hahahaha… brincadeiras a parte, trabalhei com uma colega que tem parentesco com o Moco.. vou tentar arrumar alguma coisa com ela… abraço!

  • A primeira foto foi tirada de um angulo muito comum de Interlagos original: A subida logo após a curva da junção. Se voces olharem no Google Earth, vão reparar que a antiga curva da junção era bem mais aberta… Este traçado está lá até hoje. Neste ponto havia sempre um grande público, pois os boxes antigos eram logo depois da curva do café – o barranco dos boxes com a parte plana (com área menor) entre a curva do s e o bico de pato tambem está lá, visível.
    No sábado veremos ao vivo…
    Sugestão ao FG: Com tantas fotos em seu acervo, não dá pra montar um post (ou muitos, de preferencia) com as fotos “antes e depois”, tiradas do mesmo angulo e local?

  • Só consigo dizer pouca coisa:
    Flavio, muito obrigado por estas belas imagens. Que saudade desta epoca maravilhosa do automobilismo brasileiro. Eu era um moleque que se enfiava onde podia e conseguia quando ia a uma corrida.
    Valeu.

  • Caro Gomes,

    Tive contato com a história do Braidato através do José Umaras quem escreveu um livro eletrônico “Do amanhecer ao crepúsculo de uma carreira profissional”, a respeito de sua passagem conturbada pela fábrica da Vemag no início da década de 60. Achei interessante a forma com que ele divulgava o seu livro, que na realidade, era uma relato de sua tentativa frustrada de ingressar no quadro de funcionários da Vemag e ele dava liberdade para a gente comentar o livro, emitir opiniões e até participei do mesmo com um relato, inclusive, li um comentário seu.
    Ele me repassou um relato do Luiz Braidato a respeito do piloto Flodoaldo Arouca (o volante 13) com o protótipo DKW Mickey Mouse numa prova em que o pessoal da Dacon contruíram um fusca em fibra, com mecânica Porcher, pilotado pelo José Carlos Pace (o Moco), o carro todo disfarçado em fusquinha para provar que fusca também era de briga e o Volante 13 com o Mickey Mouse.

    Na prova, rodaram em terceira e quarta num pau que foi o show da corrida. Um espetáculo para os olhos! Nas retas o Porcher andava na frente com o Mickey no “vácuo” mas nas curvas, no miolo, até a reta dos boxes, o Arouca liderava, com o Moco no “vácuo” e foi assim até o final da competição, até que na última volta o Arouca chegou na frente, uma cena que valia mais do qualquer troféu que merecia ser comemorada mais do que qualquer outra coisa. O pessoal da VW ficou muito p. da vida, tinham fornecido tudo, tudo para a Dacon. Saíram frustrados.

    Para finalizar, após sua morte, a família do Arouca cobraram a parte dele do Mickey Mouse e ele constrangido, acabou cedendo para eles o carrro, o capacete, luvas, calçados, macacão e todos os troféus para montarem em um salão da fábrica (Fechaduras Arouca), um tipo de museu em sua homenagem que permanece até os dias de hoje.

    Jovino

  • Seu Braidato para Presidente !!!
    Esse senhor tem que aparecer no Sábado !!!
    Por favor, se tem alguem que mora no Guarujá e o conhece, por favor avise-o. Faça essa gentileza para uma legião de fãs alucinados, que estarão lá.

  • Diariamente visito esse blig, e além de aprender muito aqui, faço amizades e lamento por ter apenas 30 anos de idade. Em 1975 o mundo começou pra mim, e vejo que perdi muita coisa boa. Como deve ter sido bacana assistir a corridas em interlagos, no meio do mato como esses caras das fotos, de ver corridas de rua aqui na minha cidade (RJ) e depois no nosso autódromo que por causa do nosso prefeito, já virou história… puxa, perdi muita coisa boa, mais que bom que esse espaço existe, e que tenho amigos virtuais com muita história para contar.
    Um grande abraço a todos e vida longa a esse nosso espaço aqui. Um dia, ainda pego um cometa aqui na Rodoviária Novo Rio e amanheço ai em SP para assistir uma prova dos “velhinhos” em Interlagos!

  • FG incrivel como as pessoas ficavam bem proximas dos carros,coisa impossivel hoje,apesar desses carros atingirem uma velocidade consideravel na epoca. Apenas nos ralis de hoje a gente vë isso…