Rato e Moco

SÃO PAULO (e que calor!) – Preciosidades, de fazer chorar novos e velhos blogueiros. Enviada, a primeira, por Márcio Batista. É a vitória de Emerson Fittipaldi em Interlagos, 1973. Imagens raras, e os carros de lado no Sol… Bom, só vendo.

Na mesma página do YouTube tem um pequeno clipe da vitória de José Carlos Pace dois anos depois, na mesma Interlagos, o Templo Sagrado, como diz Comendatore Ceregatti. Embora o locutor diga que Emerson era “carioca”, e o vídeo seja curtinho, são igualmente imagens raríssimas.

Muitos daqui estiveram nessas duas corridas, eu inclusive. Matem as saudades.

Comentários

  • Eu vi as duas!
    73, vi com meu pai, três irmãs e um irmão (é: o cara é um santo!), em cima de umas dormentes que estavam na Curva 1.
    75, vi no setor ‘A’, onde se tem a melhor visão do mundo para o público.
    Camarote Vip era isso: kombis e veraneios de ré no alto da arquibancada, não tão longe do banheiro, com direito a isopor e tudo mais. Em 75, eu estava no meio da arquibancada, sentei sábado antes do primeiro treino e só deixei a ‘vaga’ no domingo depois da corrida.
    Não tem como descrever: primeira volta, curva 1, 2, retão: Emerson, Peterson, Stewart, Revson. Icks, Cevert. Os figurantes lá atrás eram Niki Lauda (BRM), Jarier (March), Pace com Hailwood (Surtees de roda amarela!), Wilsinho com Reutemann de Brabham, um esquadrão de BRM Marlboro. Em 1975, Jarier de Shadow UOP linda, mais as Ferrari do Regazzoni e Lauda eram demais, as BRM sempre roncando, a Ligier chamando atenção.
    Era tudo sujo e precário: essa era a graça. Um autódromo insípido e inodoro não tem graça. O macacão do Emerson tem graxa!!! Graxa mesmo, sujeira.
    Lembro de um cara que não se localizava na corrida e me perguntou como eu sabia quem era quem:’pelos capacetes, ora!’ E fui contando para ele a diferença entre Hulme e REvson, Stewart e Cevert, Icks e Merzario… O FDP do Galvão Bueno não aprendeu até hoje…
    Se vocês olharem no Google Earth, a velha pista ainda está lá. É votada em pesquisas mundo a fora com uma referência: entrevistas com pilotos sobre as melhores curvas do mundo sempre incluem as Curvas 1 e 2 de Interlagos.
    Ou seja, ver esses filmes não é saudosismo e pode ser plataforma de campanha: restaure – se o traçado original!

  • a corrida de 73 não assisti lá, mas vi os treinos da sexta-feira, primeiro no setor A, entre a junção e a entrada dos boxes, e depois, na última sessão fui ficar à sombra dos eucaliptos em frente aos boxes – ali, ocorreu o momento de epifania grandprizesca ao neandertal moleque (11 anos de idade): emerson e stewart em suas maravilhosas máquinas voadoras, descendo-subindo a torta e medieval reta dos boxes, acompanháva-mos a disputa de tempos pelos alto-falantes; ao final da sessão, lembro de ver o escocês sorridente conversando com cevért, ao lado dos carros, q eram estacionados à frente dos pits, imagino estavam comentando sobre o traçado, novo para eles.
    também lembro de ver hulme e peter revson saindo dos carros, as mclaren m19, gordinhas de radiador no bico, patrocínio da yardley cosmetics.

    gp de 75, a maior emoção, literalmemte, de toda minha carreira de espectador, assisti a largada com a cara no alambrado do lado de dentro, em frente à saida de box, antes da curva 1 – minhas pernas ficaram tremendo, mesmo, por tanta adrenalina, durante as 3 primeiras voltas. só lembro de ver a shadow preta e uma brabham branca, oresto veio embutido na referida nuvem de poeira , q fez parte de todos os gps no traçado antigo, creio eu.
    foi o dia mais feliz da minha vida enquanto relacionada ao automobilismo, pois o pace é q era o meu ídolo.
    depois da prova conseguimos entrar nos boxes, em tempo de ver o moco erguendo a taça com o champagne dentro, caindo nas costas dele – há uma foto magistral disso, acho q do heitor hui ou roberto coimbra, publicada em página inteira na edição correspondente da “grand prix” nacional, a melhor revistade esporte a motor já editada no bananão.
    pilotos carros autódromo revista nos anos 70.
    TUDO DE BOM.

  • É…
    Maravilhoso !!! Sou obrigado a repetir o que comentaram abaixo: “Nasci na época errada” !!!(rs) Pelo menos tive o prazer de ver uma ou duas provas longas (acredito que Mil Milhas, mas eu era muito moleque para ter certeza de qual categoria) no traçado antigo…
    Segue o link que meu amigo Nelson (que de vez em quando comenta por aqui) me mandou tempos atras do Rato tirando tudo de um Maverick Standard em Interlagos. Só estraga a música de fundo que nos impede de ouvir o barulho do motor e dos pneus na pista…
    Divirtam-se também !

    http://video.google.com/videoplay?docid=-4828962889067646971

  • Que os paulistas e paulistanos não fiquem zangados – ou cidadãos oriundos de qualquer outra cidade -, mas carioca é sinônimo de brasileiro em muitos países aqui na Europa… É querendo variar o vocabulário que o locutor italiano chama o Émerson de carioca.

    Esses romanos são loucos!

  • E tem ainda na mesma pagina ,um pouco mais abaixo a corrida de 1976, a Brabhan já com motor Alfa, tem a Ligier (bule) com motor Matra, aquela corrida os carros estavam ainda correndo com o regulamento de 75 ,com aquelas grandes e altas entradas de ar p/ o motor, estranho foi que depois que essas modificações entraram em vigor o Copersucar não andou mais assim como a Shadow curiosamente tb não se achou mais.

  • Voltei no tempo!!!!!! Quase chorei!!!!

    É Brandão, procurei mas não deu pra ver a kombi ou o andaime.

    Lendo os comentários abaixo percebo que muitos (como eu) ficaram com a corrida de 73 na memória, nos lembramos de detalhes como se tivesse sido ontem. Que saudades….

    Só aqui mesmo para lembrar estes momentos maravilhosos de nossas vidas.

  • Flavio

    Curioso é no final, a esposa (creio) do Emerson segurando uma garrafa de água verde, daquelas da vovó que todos tinham em suas residências, na formula 1 de hoje vemos os pilotos com garrafinhas de isotônicos e similares, claro, todas com suas respecetivas propagandas. Viva ao marketing !

  • Eu tenho este vídeo do Emerson e é um pouco mais longo do que este. O engraçado é a Maria Helena, mulher do Emerson na época com uma garrafinha de água tentando em vão dar um gole para ele e não consegue.
    Só em ver o antigo Interlagos já valeu pelo vídeo.

    Jovino

  • A primeira corrida de F1 a gente nunca esquece. A de 75 assisti com meu pai na saída da junção. Viemos de Paraibuna saindo de lá às 2:30 da manhã. Os carros passavam a poucos metros da gente. Acho que fiquei falando desta corrida o ano inteiro. Meus amigos não me aguentavam mais. E o traçado antigo então? Como era bom ver corridas nesta pista. Perdeu completamente a graça.
    Que saudade.

  • A primeira corrida de F1 a gente nunca esquece. A de 75 assisti com meu pai na saída da junção. Viemos de Paraibuna saindo de lá às 2:30 da manhã. Os carros passavam a poucos metros da gente. Acho que fiquei falando desta corrida o ano inteiro. Meus amigos não me aguentavam mais. E o traçado antigo então? Como era bom ver corridas nesta pista. Perdeu completamente a graça.
    Que saudade.

  • Arrepiei-me ao rever estas imagens.Pude rememorar o calor sentido nestas ocasiões.Em 73 foi a primeira vez que os pipas FNM cinza da Prefeitura jogaram água no público para evitar insolação.No vídeo não aparece o Emerson ajudando a retirar latinhas que a galera jogou na pista ,o que fez atrasar a largada.
    Na corrida de 75 o Jarier causou furor ao ser o primeiro piloto a fazer as curvas 1 e 2 flat.Na corrida se empolgou,abriu muito e o motor não agüentou o calor e aí foi só curtir a primeira dobradinha brasileira na F1.
    Recordar é viver!!!!
    Abraços….

  • Imagens inesquecíveis.
    Muita emoção ao rever essas imagens.
    Só quem esteve lá naqueles anos podem sentir essa emoção.
    O banho de caminhão pipa, os carros entrando de lado nas curvas, o velho e bom traçado de Interlagos, as noites passadas na arquibancada, sob sol, chuva, guerra de laranjas, e jornal molhado, os carros com aqueles indutores enormes acima da cabeça dos pilotos, as curvas 1 e 2, o retão (de verdade), o bacião da 3, a ferradura, o sol, o sargento, curvas que foram assassinadas, o corpo melado de óleo e borracha dos pneus após o treino de sabado em baixo de um calor infernal, e um providencial banho tomado nas aguas que saiam do lago por um imenso tubolão, a noite dentro de uma Veraneio 69, estacionada de ré na arquibancada voltada para pista, as vitórias de Emerson e a emocionante corrida dePace em 75
    É de chorar….
    Obrigado de novo Flavio e blogueiros, por nos trazer essas imagens e nos levar de volta aos anos 70.

  • O primeiro vídeo mostra a famosa prova da Água, que já retratei numa de minhas colunas.
    Se bobear, no meio daquela gente recebendo os jatos de água, vou me achara e também o Foresti, que estava lá e me deu guarida, mas só viemos a nos conhecer agora.
    No segundo vídeo, dá para notar que havia público acampado por quase todo o autódromo, ainda cru, com bastante mato. Acampar e assistir corridas era o maior barato, dava até para esquecer dos ridículos milicos.
    Dá também para ver o quanto a administração atual está cuidando do Templo Sagrado, pela altura do mato.
    Vão a Interlagos e comprovem uma boa e surpreendente administração pública. É um parque bem cuidado.
    No mais, quantas saudades de pilotos e máquinas. As curvas, as derrapagens, a ousadia. Sem falar no traçado que formos 5 de nossos 8 títulos e 2 de nossos 3 campeões.
    Que saudade….
    Salvou o blog, essa, depois daquele desfile de corrupção, incompetência e autoritarismoa anterior.

  • Fantásticas imagens, estive nas duas provas…
    Tem montanhas de detalhes a reparar..
    Nos dois vídeos dá pra ver bem a sequencia de curvas e retas do Templo Sagrado, e a imensa diferença dessa droga que sobrou…
    A tomada da Curva 1 e a Ferrari de lado: Era padrão, coisa comum na época.
    Vejam a Curva da Ferradura na primeira volta de 1975 e o famoso “cheirinho”, aquela leve subida e descida bem na tomada da primeira perna… Era de lascar a entrada dessa curva…E osa lagos, então… Tomei muito banho por ali…
    Reparem no traçado original da Subida do Lago, depois a reta oposta, atual “retona” e na sequencia a longa, longuíssima Curva do Sol original… Não existe nada mais igual no mundo, a curva peraltada do México é brincadeirinha…
    Depois do Sol, mais uma bela reta, freada e a falecida Curva do Sargento…Um grampo que da arquibancada os carros surgiam de repente…
    Dá prá ver bem a Curva do Laranja original, com o Stewart de lado e o Jarrier abrindo uma imensidão de todo mundo em 75. Reparem como era bem mais desafiadora que o atual laranjinha, e como o traçado ficava bem em cima de onde é hoje a área de escape… Desta forma o contorno da entrada do S era bem diferente, mais rápido…
    Dá pra ver tambem o final da Curva do Mergulho – hoje absolutamente identica à original – e a entrada da curva da junção verdadeira, que voce entrava pendurado e não matando o carro como hoje…
    E o público, então?
    Coisa maravilhosa, inesquecível, impossível de repetir hoje…
    Dêem umas paradas no meio e vejam o povo lotando tudo que é espaço, e o movimento das arquibancadas nas duas vitórias, tanto do Emerson como do Pace…
    Obrigado, FG.
    Assim como eu, deve ter muita gente que esteve lá e viveu tudo isso… Apareçam, companheiros.

  • Aah, Gomes, agradeço a você também ao Márcio.
    Grande presente para a Blogaiada mais envenenada do planeta Terra (continua sendo Terra ?)
    PS: mais um pauzinho foi mexido hoje. Agua mole em pedra dura…