Bus Stop

SÃO PAULO (eu teria um) – Sempre fui doido por esse ônibus. Esse modelo aí, exatamente esse, da Mercedes. Modelo O-362? Seria isso?

Bem, na minha cabeça, era o ônibus-caixa-de-uísque. Quando morava no Rio, não eram só os Cometas que me encantavam na Dutra. A Pássaro Marrom e a Expresso Brasileiro, se meus neurônios não me traem, faziam a rota com esse carro (adoro chamar ônibus de “carro”; elevadores também, aqui no prédio, antes da reforma, o elevador tinha um aviso para a ascensorista que dizia “tome outro carro”, algo assim).

Meu pai tinha umas garrafas de uísque para os amigos e eu pegava as caixas para fazer ônibus. A proporção é a mesma. Cobria a caixa com papel branco, colado com Tenaz, e com minhas canetinhas Sylvapen (isso existiu ou é fruto da minha imaginação?) desenhava janelas, passageiros, pneus, pára-brisa, motorista, letreiro, o emblema da Mercedes, faróis e placa. E escrevia Pássaro Marrom, ou Expresso Brasileiro nas laterais.

Brinquei muito de ônibus-de-uísque.

Comentários

  • Também tenho muitas saudades desse modelo da Mercedes viajava muito com meus pais, principalmente no amarelinhos da Viação Bonavita S/A que cobria a região de Campínas…
    Mas lembro também que eram pouco ventilados, e passava muito mau de criança com o tal
    “enjoo do movimento” além do cigarro que era liberado para os passageiros e um cheiro muito forte de querosene que usavam para limpeza do assoalho, mesmo assim tenho muitas saudades desse tempo que não volta mais….

  • quando vejo um onibus 362 fico muito emocionado porque ja trabalhei num deste e uma maq1uina quando deus mider condições vou comprar um destes que deus abesçõe todos que ler esta mençagem

  • Concluindo o Sérgio SJC, a Pássaro Marrom tem ou tinha um (ou mais???) dos Carros Novos todo Adesivado (tipo que as CIAs Aéreas usam em seus ônibus) com as cores antigas e o formato do O-362 em comemoração ao seu aniversário…
    E antigamente os rodoviários a porta era mesmo manual com uso de uma alavanca que o próprio motorista fechava…

  • Brincadeira!! Que saudade!! Tirei minha carteira D num bicho desses. O cambio parece de corcel antigo ( o instrutor ‘humilhou todos alunos na primeira aula. Fez as marchas pra cima e pra baixo no pau e no tempo! )as rodas são atras do motorista, a frente chegava a levantar quando se acelerava forte, fora tudo o que andei na adolescencia nesses ‘carros’, indo pro colegio! Belo carro!!!

  • Até dois anos atrás eu andava todos os dias num modelo um pouco mais novo q esse.. acho q era O-364… até hoje ele ainda faz a linha dos funcionários da embrapa de Pelotas… tem um desse modelo também q faz outra linha

    Esses onibus sao lindos de mais… pena q a Mercedes parou de fabricar onibus… todos eram muito lindos

    Abraço a todos

  • Putz… antes do O362 veio o O360 (se não me engano), que tinha a porta dianteira ligeiramente mais arredondada na frente – é o de trás nessa foto, onde dá pra perceber a diferença: http://www.railbuss.com/fotos/albums/userpics/10001/urb_o362_realao_01.jpg

    Quanto às cores… tinha o azul-escuro e bege da CMTC, mas depois, na gestão Covas (+/- 1982) veio uma pintura bem mais leve, que combinava azul claro e branco… e os ônibus tinham rádio! Claro que aí veio o Jânio e suas manias londrinas, mas isso é outra história…

    Saudades dos meus 701U Jaçanâ-Butantâ/USP, 702U Concórdia-Butantâ/USP e 177H Horto-Cidade Universitária…

  • Carro… Os motoristas da Cometa se referem assim aos ônibus. “O carro das 17:01 já saiu”. Sério, entre Itapetininga, minha cidade natal, e SP, os Cometas saem de hora em hora. Nada de hora inteira. Atenção à pontualidade… A linguagem gestual que os motoristas desses carros usam entre si nas estradas é igualmente fascinante. Há sinais para tudo: chuva forte, chuva fraca, trânsito pesado na Marginal, acidente no trevo, fila no pedágio… Tinha também um código exclusivo deles, um cumprimento entre os privilegiados motoristas dos carros com nomes de bichos pré-históricos seriados, a elite do transporte coletivo interurbano do país… Se bem me lembro era um piscada de luz alta seguida de setas alternadas para a direita e para a esquerda, seguido de um efusivo e extravagante aceno facilmente visível pelos enormes vidros e possível pela amplidão da cabine. Putz! Preciso trabalhar. Obrigado pelas reminiscências, Gomes. Abraços!

  • É isso aí. Sylvapen era A canetinha da época, também usei. E era na mesma época que comecei a ir para a escola (1974) no Colégio John Kennedy, em Pirassununga – SP. No primeiro ano ia de Regente. No segundo ia de O362 da Danúbio Azul. Ficava com meus irmãos, esperando no ponto ao lado da concessionária VW de Porto Ferreira que era onde morávamos. Cidade à 20 km de Pirassununga. Adorava fazer essa viagem, mesmo que fosse às 6:00h da madruga, com um frio do cão.

  • Pois é, as canetinhas Sylvapen também fizeram parte de minha infância, com certeza foi um de meus melhores “brinquedos”, depois vieram as Bic Ponta Porosa e etc., etc., etc.
    Além dos ônibus, uma coisa que eu estava relembrando com meus filhos nesse final de semana, e que eu adorava ouvir quando criança, é o chiado provocado pelos pneus de caminhões quando passam em asfalto bem liso. Outro dia, dexei de ultrapassar um caminhão na estrada só para ficar ouvindo…

  • Estes mercedes marcaram minha infancia, idas e vindas do interior da bahia para a capital nestes carros, andava muito em coletivos em Salvador tb. O335, O362, O365, O364, O371 era tanto O que nem lembro mais direito.
    Aquele cinzeiro redondo e prateado era muito louco mesmo, tinha um que o assoalho do corredor ficava abaixo do assoalho das poltronas.

  • Durante uns 30 anos a MB fabricou, além dos chassis, carrocerias de ônibus urbanos e rodoviários. É essa tal linha O três-meia-alguma coisa. O desenho mudou ao longo dos anos, mas sempre foram ônibus muito bonitos. Tinha um modelo nos anos 70 cuja porta não era hidráulica, abria com uma alavanca manejada pelo motorista. Eram todos de motor traseiro.
    Abraços

  • Boa lembrança.
    Cresci passeando num desses pelo Colégio Santa Marcelina, viação Santa Rita.
    Era um azul bonito.
    E a porta, manual!

    Lembro da CMTC em São Paulo também, mas eram azuis.
    Antes do Jânio pintar tudo de vermelho, comprar um dois andares e fazer uma gaiola pra turma não descer por trás!

  • Ô Fred!!! Na linha Caeté/BHZ também só se utilizava esse ônibus! No início (que eu comecei a utilizá-los com mais frequência, pq saía de Caeté – 55km – pra estudar em beagá) era os 355 que não me deixavam dormir durante a viagem. O motor trazeiro, que em época de calor cozinhava a todos, fazia tanto barulho que era impossível tirar um cochilo (eu pegava o que saía de Caeté às 05:20hs…). Foram dois anos da minha vida convivendo diariamente com este “carro”. E, quando a empresa que operava os aposentou, eu passava na garagem da mesma só pra dar uma espiadinha nos velhos “355”. Que saudade!

  • Oi Gomes, tudo bem??Espero que sim, bom, ja algum tempo venho acessando seu blig, e parabens pelas materias e reportagens…tem tudo a ver comigo e minha epoca, ate a inspiracao do onibus como brinquedo foi a mesma na minha infancia, dentre outros, varios carros de formula 1 da epoca de 70 e 80 foram feitas, o chassis, a partir de uma caixa de pasta de dente…beldade como a Mclaren do Emerson, a belissima tyrrel de 6 rodas, e a mais linda replica que ja fiz, perfeita mesmo, a Brabham branca do Pace….tenho muitas coisas dessa epoca pra te contar…coisas de quando e como vi pela primeira vez ao vivo a figura do Emerson em Goiania, minha terra natal, dentro de um que me parecia formula ford (nao me lembro bem), testando nosso autodromo local, porem eu o vi chegando pela avenida Independencia, ao volante da formula, possivelmente tivesse chegando do autodromo….e entrando na oficina de meu idolo regional da epoca, um bom piloto chamado Remulo Consorti (?), cujo qual pra teu gorverno, competia com um DKV amarelinho de teto azul marinho, lindo….sua famila construia prototipos ao lado de outra oficina de um tal professor Marcos ou Paulo, eu tinha uns nove ou dez anos, cresci vendo aquilo, todo aquele mundo da competicao, carros, formulas, prototipos, nunca me esqueci da cena do Emerson…ja fazem muitas decadas, e a tenho gravada perfeitamente em minha memoria….toda vez que sinto o cheiro de fibra de vidro, minha mente volta aquela epoca, magica…onde penso que foi desta mesma epoca em que sairam os magos de nossa historia de competicao automotiva…tenho muito pra falar…aos poucos irei relatando coisas….se for de seu intersse tambem, e claro….byby

  • Teve uma época que todos os ônibus da falecida CMTC eram deste modelo, a empresa Gato Preto também tinha este modelo de ônibus.
    Aqui perto de casa teve uma linha da Brasil Luxo que tinha esse modelo de ônibus a 971-M Metrô Santana – Penteado, essa passa na rua Voluntários da Patria, na frente do Hospital do Mandaqui. Tinha também outra linha a 971-P Metrô Santana- Penteado só que essa ia pela Avenida Imirim.
    Quando eu estava no colegial eu rezava para esse ônibus passar por que ele era mais vazio, se não tivesse lugar ele esvaziava no Hospital, como eu pegava ele três pontos antes era um bom negocio, eu ia sentado até o Metrô.

    Esse ônibus é o mais confortavel que eu andei na vida, meu pai dizia que ele é feito com chassis de ônibus, e os outros eram de chassis de caminhão. Este tinha motor traseiro e era bem mais silencioso e não dava trancos como os ônibus dão até hoje.
    Outra curiosidade, quando o ônibus lotava sempre tinha um gaiato que sentava sobre compartimento do motor.

  • Este modelo é da 2ª geração. Havia a 1ª.´, que era tão feio, tão feio que era. . . lindo. Pelo menos pra mim. Eu adorei os dois. O primeiro era menor, mais baixo, mais estreito, mais apertado. No RGS. região de Porto Alegre, faziam mais as rotas urbanas. Sim, eram urbanos, mas as vezes erradamente usados em rotas interurbanas. Aí eu não gostava, pois eram apertados e desconfortáveis. Esse da segunda geração já tolereava mais uma viagem interurbana, mas também era basicamente urbano. A suspenção dianteira acho que era mola helicoidal, macia. A primeira geração chegava ser sinistro. Assim o vejo, mafioso. Lembrei. Eram chamados monobloco, os dois.

  • legal essa foto Flávio, tenho certeza que todos já pegaram um busão assim para ir para o colégio… na minha época de colégio todos os ônibus eram tipo esse da mercedes, então me lembro que a gente dizia de brincadeira que íamos de “mercedes com motorista” para a escola…

  • Viajei muito nos Mercedes da Pássaro Marrom.

    A frota fazia todas as cidades do Vale do Paraíba, e por muitos anos só com esse modêlo Mercedes.

    A Cometa, acho que só fazia ligação direta Rio – São Paulo nesta região.

    Tempo bão!

  • Esse modelo da Mercedes fez parte da minha infância … Ele era o unico modelo disponível na linha Vespasiano / BHZ e até hoje me lembro da porta manual, que o “motô” acionava através de uma alvanca e dos cinzeiros redondos e prateados colocados atrás das poltronas. Com o passar dos anos, eesse modelo foi substituído pelo Viaggio da Marcopolo, e a linha perdeu o seu charme.

  • Pô Gomes, eu também fazia isso, utlizava caixas de sapato e ainda utilizava as rodinhas de outros carrinhos….

    Meu filho está indo pelo mesmo caminho, criando seus próprios brinquedos. Sábado passado ele fez uma guitarra com uma caixa de cereais, uma vassoura pequena e cordas de lã.

  • Oi pessoal,
    Sim FG, as canetinhas Sylvapen existiram. O ronco da turbina do “Dinossauro” da Cometa ainda não vi em nenhum outro “carro”, era demais. Me lembro bem de uma viagem que fiz na primeira poltrona do lado esquerdo, de onde se podia ver o reflexo do painel pela janela. E não é que o bicho na Dutra batia 140 km/h mesmo ?
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