A lenta agonia do kart

SÃO PAULO (uma hora acaba) – Tomava um capuccino gelado aqui na galeria do prédio no café do Constantino, um apaixonado por velocidade, quando ele me deu um exemplar da “Racing” desta quinzena para folhear.

Numa página, um relato da última etapa Paulista de Kart em Interlagos e a informação: para seis categorias, um total de 38 pilotos inscritos. Média de pouco mais de 6 por categoria. Pelo menos uma categoria não pôde realizar prova porque não havia o mínimo de quatro participantes.

Onde estará nosso automobilismo daqui a alguns anos?

Comentários

  • Pô, nem kart? Dai ficamos pensando que talvez a culpa não seja de dirigentes, mas da falta de valorização do esporte como um todo!
    Pois, quando há vontade, se corre até de caixa de sapato.

  • Falar em alto custo é até brincadeira… O que se gasta com kart hoje é irreal, fora de qualquer padrão aceitável. O kart virou um negócio extremamente lucrativo para poucos, e impossível para a grande maioria.
    Não dá pra acreditar que se consegue gastar o mesmo que categorias muito maiores e mais sofisticadas em um “carrinho” de chassi tubular de cosntruçao primária, por mais que tenha evoluído.
    Hoje o paulista vive essa realidade, com pouquissimos karts no grid, mas kartódromos de fora de São Paulo ja minguam a muitos anos.
    Na década de 90 fizemos um esforço incrível pra ressussitar o kartódromo de Ipatinga, interior de Minas Gerais, e só conseguimos isso criando uma categoria que até foi apelidada carinhosamente de “Copa Ferrugem”, pois restringia o regulamento ao máximo, inclusive limitando uso de chassis mais novos.
    Mas gritos relutantes isolados não conseguem ir muito longe no meio desse cassino, que sempre arruma um jeitinho de tirar mais e mais dinheiro de quem está tentando.
    Alguem já parou pra comparar o preço de um jogo de pneus de kart com um jogo de pneus para um carro de rua? Chega a ser ridículo!
    Onde isso tudo vai parar? Acho que já parou a muito tempo, e agora estamos vendo os resultados. Acho difícil algum piloto do Kart de hoje se sobressair lá fora.
    Saudade dos tempos das equipes de garagem… (soa parecido com a F1, mas é a pura verdade)

  • Bom, se é pra falar de coisa feia….

    Esse final de semana fui fazer as fotos aqui em Campinas do Festival Brasileiro de Kart RD 135, em sua 3ª edição, sendo 1 por ano.

    São 4 categorias, F4, Master, Senior e Graduados, com 4 corridas cada.

    Não lembro a quantidade exata de pilotos, mas era mais ou menos assim:
    F4 – 11 pilotos
    Master – 7
    Senior – 6
    Graduados – 12

    Total: 36 pilotos

    O que dizer? Triste…

  • Phodam-se todos os organizadores de kart no Brasil.
    Ano passado acompanhei com afinco e fiquei pasmo com a quantidade de categorias e campeonatos existentes. Milhares. Era campeonato da Granja, da Aldeia, do paulista………..trocentas categorias. E só podia dar nisso.

  • Como se diz por aí: O kart é o primeiro F1″ !
    E é essa é a categoria-escola que inicia e gera os futuros campeões.
    Como a mesma esta agonizando, o resultado é simples , o Brasil não gerará, a curto e médio prazo, nenhum piloto capaz de ser Campeão mundo afora!
    Muito boa a participação de todos nessa discussão, pois sabemos que essa é realidade e acontece nos 4 cantos do Brasil.
    Aqui no nordeste nos reunimos de 15 em 15 dias e fazemos as nossas disputas particulares com motores 2t -125cc, sem apoio, sem preparador, sem CBA, sem ninguem para encher o saco, etc. Nos unimos para simplesmente curtir (pais e filhos) e principalmente para a meninada aprender a pilotar e saber o que é realmente acelerar sem ter uma “bolha” te “protegendo ou melhor atrapalhando a pilotagem” e mais umas 3 dezenas bolhões (bundões) se batendo e enchendo o teu saco com propagandas ridículas.
    Hoje o kart é um robby caro, porém atitudes ou saídas, como as citadas abaixo, fazem surgir ainda que dificil dadas as circunstâncias, uma esperança de talentos jovens, os quais sonham um dia participar de uma categoria de verdade: “Fórmulas 3 – GP2 e F1”.

  • Aqui em Uberlândia tem kartódromo ,porém pertence à um clube privado e precisa ser sócio pra entrar ,motivo pelo qual não participo mais ,quando a saldade bate ,ando na rua num condominio perto da minha casa …patrocínio então esquece ..já ouvi uma vez de um empresário ,”passa amanhã depois da chuva “.

  • Chefe, o Paulista de Kart de Interlagos é furado.
    A turma está no da Granja Vianna.

    Amanhã publico algo sobre.

    Mas, rapidamente…
    O Kart de 13 HP de locação da Amika está chegando a 300 pilotos.

    Outros quase 300 participam na Granja, desde cadete até Pró-500, o Kart carenado, semelhante aos usados no enduro do Rubinho!

  • Além do aspecto financeiro, lembro que até um tempo atrás ficava no ar um boicote a quem corresse campeonatos que não fossem do Kartódromo de Interlagos, tipo Aldeia da Serra e outros.

    Como disse o Comendador, se você fosse correr num pirata, não teria credencial para os torneios ‘oficiais’.

    Isso me entristeceu um pouco, lembrei quando saía das aulas de Eletrônica, no 2o. grau, em Cubatão, e passava no kartódromo antes de voltar para Santos. Virou estacionamento. Poderia se fazer tanta coisa, multiuso, obter outras fontes de renda, e continuar sendo uma pista de kart.

    Nessas horas me aborreço porque 95% do que é feito esportivamente neste país é exclusivamente para o futebol competição (ou futebol lavagem de dinheiro & picaretagem) , e mesmo assim é esse centro de bandidos que é hoje.

    Outros esportes, só se lembra na hora de cobrar medalhas e fazer aquelas entrevistas babacas.

    Ano passado estive 2 meses em Londrina, fazendo um curso e treinamento de Responsabilidade Social e Ambiental.
    E acreditem, tem leis que estão aí, quase ninguém conhece e que poderíamos alavancar o esporte como inclusão social e a cultura.

    Se por vias oficiais não há futuro, que as alternativas mostrem o caminho, como são os regionais de SP e dos estados do sul (cito porque são os que conheço), e sonhar também é importante, pois no começo, por exemplo, a F Classic foi sonho de uns poucos que tiveram a coragem de encarar e não ouviram os corvos nas esquinas.

    Como tudo que está ocorrendo no mundo, temos que RE-INVENTAR.

    Re-inventar tudo, para sobreviver, até nós mesmos.

    Abraço a todos.

  • Acho que vai estar todo mundo na Stock. Com o vencedor em Goiânia vestindo um chapéu caipira, o vencedor em Tarumã bebendo chimarrão no pódio, o vencedor em Campo Grande tocando um berrante, o vencedor no Rio de Janeiro (se ainda houver autódromo lá), sambando no pódio à frente da bateria da Beija-Flor…

    A Nascarização será geral, até nas palhaçadas.

  • Pra garantir que leiam, segue parte da tal entrevista do Djalma Fogaça, que citei abaixo:

    GP: O Fábio, seu filho, está se saindo muito bem no kart. Quais são os planos dele? Ele pretende seguir carreira?

    DF: Ele quer e tem talento para isso. Mas, assim como muitos garotos da geração dele, ele tem um problema com a estatura. Ele tem 14 anos, 1,80m. É muito pesado, fica difícil andar de monoposto. A IRL pode ser uma opção, mas eu não gosto, acho muito perigoso. Sempre que assisto a corridas em pistas ovais, rezo pelos meninos que correram comigo, como o Vitor Meira, o Tony Kanaan, o Helinho Castroneves. Aquilo é uma roleta-russa.

    GP: Então, se não for na IRL, vai ser no turismo. Talvez na Stock?

    DF: Eu não vou direcioná-lo, ele tem de aprender sozinho. Hoje, ele corre de kart RD 135, que, na minha opinião, é a melhor escola para quem quer andar de monoposto. Mas é uma categoria discriminada porque é barata. É muito mais completa, porque tem câmbio e ensina o garoto a trocar marcha. Mas como não dá dinheiro para preparador e organizador, chamam de “categoria de pobre”. No entanto, eu tenho certeza de que, se daqui a algum tempo, o Fábio andar em uma categoria escola, ele fica na frente do campeão da categoria “top” de kart. O kart foi feito para ser produtor de piloto, não para deixar mecânico e dirigente rico. A verdade é que estragaram o automobilismo brasileiro, mas eu tenho esperança e acredito que o Paulo Scaglione, presidente da CBA, vai acertar as coisas, mas isso leva algum tempo.

    GP: Quando você começou, não existia tanto profissionalismo. Hoje em dia, qualquer garoto, como o seu filho, que deseja iniciar carreira, já tem preparador físico, assessor de imprensa, etc. Qual a sua opinião sobre isso?

    DF: Isso é uma babaquice. Os culpados são os próprios donos de equipe, que acreditam que possuem uma equipe “top” porque têm preparador físico, nutricionista e empresário, que nada mais é do que um babaca que enche de abobrinha a cabeça do piloto e do pai do garoto. Isso é supérfluo, encarece o automobilismo. Em vez de cobrar R$ 300 mil por temporada, o dono da equipe cobra o dobro, porque tem de ter o boxe mais bonito e, depois, falta motor, pneu, peça, etc. É preciso dar oportunidade aos mais jovens. Em Tarumã, sete pilotos testaram meu caminhão: o André Carreira, o Fábio Carreira, o Rafael Daniel, o Aldo Piedade Jr., o Rui Croce, o Cláudio Roda e a Cristina Rosito. Sabe quanto eles pagaram para andar? Nada, nem um centavo. O Aurélio também não cobrou nada para liberar o autódromo. Qualquer equipe cobra R$ 10 mil para um teste de meia hora. Essa mentalidade vai acabar com o automobilismo.

  • Ora Gomes:
    Pelo andar da carruagem, estará cada vez mais consolidado em campeonatos que ninguém vê, tal como os de Porsche (só para quem é do clube) que não carece de divulgação, ao contrario, qto menos gente souber, melhor. Não chama a atenção da receita…Ou os da Mitsubshi que tb não tem nenhuma divulgação, assim como os do…e do… e assim vai. Sobra uma meia duzia de abnegados que queimam suas reservas financeiras para a realização de um sonho, compartilhado por outros quantos que, ou não tem grana ou não querem dispor dela para tal. Meu sobrinho , num kart mal ajambrado dava pau nos garotos com suporte mas, meu cunhado não tinha grana para dar equipamento qualificado pro filho e a carreira acabou. Estímulo via patrocínio? É a coisa mais dif´cil que existe por aqui. O filho do meu advogado é tenista de mesa (ping pong pra quem não sabe) cheio de medalhas e tals, esporte que sacrifica barbaramente o profissional que o pratica. Sabe quanto tem de patrocínio? R$ 500,00 por mes, para treinar, treinar, comprar equipamento de ponta (porque tem disso também nesse esporte) pagar técnico, viajar para disputar os campeonatos etc etc É uma piada e o ironico é que as empresas podem destinar 4 % do imposto de renda e pagar diretamente ao clube onde é federado. Sabe o que dizem?…”Não tenho como controlar o destino dos 4 % e não quero a Receita no meu lombo”… Aqui, ninguém presta até prova em contrário… e quem merece um suporte porque tem talento fica a mercê da bolsa do paitrocínio ou mãetrocínio. Tá tudo errado por aqui….

  • Estranho… Leiam a revista da CBA, aquele aglomerado de páginas chapa-branca.
    Segundo suas bem traçadas linhas, o “automobilismo brasileiro jamais esteve com um número tão grande de pilotos…”
    Diz tambem que “o kartismo vive seus melhores dias…”
    E como não se cansam de repetir, frases preciosas como “tais fatos devem-se a essa administração…”
    E por aí vai.
    Querem ver corrida de kart?
    Muito simples. Experimentem assistir aos “Torneios Pirata” – todo mundo de kart com motor RD 135cc – do Kartodromo Aldeia da Serra, ou em Guaratinguetá, na Granja Viana, Caraguatatuba, por aí.
    Tem zilhões de camaradas treinando, competindo, se divertindo a preço justo, com bielinhas de R$150, pistõezinhos de R$200 e outros precinhos camaradas.
    O mercado migrou naturalmente para essa adaptação, e nas mãos de caras bons viram no mesmo segundo de Parillas carésimos.
    Esses torneios, que os ilustres dirigentes da CBA e seus satélites classificam como “piratas” são baratos e divertidos.
    E sem nenhum chato – ou vampiro – de plantão detonando nossos dias felizes.
    Entrem no site da http://www.forkart.com.br
    Sabe em que mercado atuam? Pois é, no mercado paralelo de reposição.
    Sabiam que vendem para gente que corre em Rondonia de kart em pista de terra?
    Quer diversão? Corrida Pirata.
    Quer rasgar dinheiro a troca de títulos reconhecidos, que de fato nada valem?
    A resposta voces já sabem…
    Leiam a esntrevista no Grande Premio do Djalma Fogaça.
    Imaginem em que categoria seu filho corre…

  • É uma pena, ainda mais aqui em Brasília que revelou nomes como Nelson Piquet, Roberto Moreno, Alex Dias Ribeiro…e agora está revelando Nelsinho Piquet e futuramente seu irmão, Pedrinho que no momento está na categoria Mirin.

  • O kart vai seguir os mesmos caminhos de todas as categorias mal estruturadas,mal administradas e caras.

    A salvação do nosso automobilismo está inicialmente na redução imediata dos custos de corrida, na limitação de regulamentos e vigencia continua por pelo menos tres anos.

    No caso do kart existiam no meu tempo a 4ª categoria menor, a 3ª, a 2ª e a 1ª , e ospliotos eram POC ou PC conforme seus resultados.

    Hoje existem não sei nem dizer quantas categorias, quantos campeonatos, cada qual com seu regulamento, com suas diretrizes, uma verdadeira balburdia.

    Dessa forma acaba logo.

  • onde o kart vai parar?
    facil responder essa pergunta:
    vai parar na mensalidade da escola, do convenio medico, do condominio, do seguro do carro, ipva, cartao de credito, celular, supermercado, etc….

  • Quando corri de kart nos anos de 1970/71/72, disputei quase todas as provas do Campeonato Paulista de 100cc e 125cc com dinheiro de mesada, ou seja, pai-trocínio, mãe-trocínio, avô-trocínio, tio-trocínio, etc.
    Vejam bem, eu disse em DUAS categorias.
    Ninguém reclamava dos custos e tudo era uma festa.
    Hoje, se meu sobrinho quisesse correr de kart como eu fiz, teria de arranjar um patrocínio de pelo menos 40 mil reais por mês, só para andar no “bolo” intermediário.
    O que aconteceu meu amigo kamara ?
    Ganância, decadência da classe média, achatamento social, distribuição injusta de renda, etc., etc., etc…

  • Olha, eu sou piloto de kart em Brasília e tenho parentesco com piloto de Fórmula-1. Acho que medo, referente à morte de Ayrton Senna não é nunca um motivo para o fim dos grid lotados em competições de Kart. O Rafael da RBC se esforça ao máximo para alavancar o kartismo pelo Brasil. Seus eventos são muito em conta e o nível dos pilotos é sempre bom. O problema está com as empresas que não querem patrocinar de jeito nenhum o esporte. Posso citar um exemplo que vocês terão de concordar? Quantas vezes a gente vê o Globo esporte ou Esporte Espetacular falar alguma coisa sobre automobilismo? Quando tem Fórmula-1 ou Stock Car. Ela fala de kart 1 vez por ano, nas 500 milhas da Granja Viana e mesmo assim, só mostra os pilotos “Ilustres”. É por isso que não tem apoio. Não há um meio de comunicação a não ser os segmentados, RACING e Sites como este. É uma pena, pois há muitos talentos disperdiçados.

  • Então… a explicação é simples…

    Primeiro… depois do PS… é preferível jogar em casa do que andar no Kart… é mais seguro… imagino eu que a morte do Senna, lá em 94, juntamente com acidentes incríveis, de todas as fórmulas existentes, tem efeitos hoje… os pais tem muito medo de colocar seus filhos para correr…

    E por fim… é muuuuuuuuito caro andar de Kart… e renda hoje, é para pagar escola, seguro, condomínio, segurança, inglês, etc, etc… aí, o Kart, vai ficando para trás…

    Kleber…