FIA, A CEGA

SÃO PAULO (vai mal, tudo) – A FIA confirmou hoje a reinclusão do Bahrein no calendário, que foi remanejado. A corrida será no dia 30 de outubro, no lugar do GP da Índia, que passará para dezembro. Provavelmente no dia 11, encerrando a temporada depois do Brasil. O texto do comunicado da FIA é de um cinismo ímpar. Faz loas ao governo barenita, ao povo barenita, ao rei do Bahrein, ate à oposição. Diz que o governo estabeleceu um “processo de diálogo e reconciliação política”.

Balela das mais infames. Mais de 20 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas desde o início dos protestos por reformas políticas, em março, duramente reprimidas pela monarquia barenita com o auxílio de soldados sauditas. A famílira real do Bahrein pertence à minoria sunita e relega os xiitas a posições secundárias no país. O estado de emergência foi suspenso, mas conflitos seguem acontecendo em vários locais.

“A decisão [de recolocar o país no calendário] reflete o espírito de reconciliação no Bahrein”, diz a FIA, que como a FIFA costuma se colocar acima de países, povos, governos, o que for.

A única coisa boa diante deste episódio, ao menos por enquanto, foi a manifestação da Red Bull, que pretende discutir a decisão da FIA junto aos membros da FOTA, a associação das equipes. Já tem gente pedindo que o time boicote a prova, com uma petição pública na internet. Disse que “por enquanto” é bom ver que a Red Bull se preocupa com a questão, porque o mais provável é que todos, como carneirinhos, aceitem a volta da corrida e se calem.

Mas seria muito legal uma equipe, ou mais de uma, ou um piloto, ou mais de um, se recusasse a correr num país que desrespeita os direitos humanos, massacra opositores e faz pose de vítima.

Comentários

  • “país que desrespeita os direitos humanos, massacra seus opositores e faz pose de vítima” ! Este trecho literal de seu texto não se aplicaria com a mais absoluta perfeição a uma tal de CHINA ??? Pois é, parece que no calendário da Fórmula 1 existe um certo Grande Prêmio de Xangai, não é mesmo ????

  • “…num país que desrespeita os direitos humanos, massacra opositores e faz pose de vítima.”

    Exceto pelo massacre de opositores (ainda não), estamos muito próximos desta situação. É o que dizem a Human Rights Watch e as manchetes cotidianas. Afinal de contas, 50 mil assassinatos por ano não é para qualquer um…
    E teremos a corrida de F-1 anual. A Copa em 2014, os jogos olímpicos em 2016, etc…

  • “Engraçado” que a corrida é remarcada bem no final para que, se ainda houver disputa por título, as equipes sejam “forçadas” a participar esse evento. E também não fica no encerramento porque todo mundo diria algo como “Ah não, não tô a fim.”, “O pessoal da equipe tá cansado.”, “Minha mulher não deixa não” etc.
    Tomara que o campeonato acabe logo antes e as equipes deem uma desculpa bem ridícula para não aparecerem.
    Se a Red Bull boicotasse o evento mesmo com o título em disputa, aí seria uma propaganda monstruosa para a marca. Imagina se ainda conquistasse o título depois.
    PS. E torcer para que as coisas se acalmem por lá.

  • A história da F1 já dá a resposta: não existe Papai Noel!
    Sem chance de boicote.
    Quem é mais “velhinho” deve lembrar do GP da Espanha de 1974 (acho que foi 74).
    Era questão de segurança pessoal e não deu em nada, só o Emerson peitou!
    Aliás, deu em mortes e o Rolf Stomnlen se estourando e voando no público.
    Com tanta grana em jogo e pilotos omissos…
    Concordo que seria bacana um tapa da Red Bull.

  • Se a Red Bull até lá já tiver garantido os dois campeonatos, o que no momento é bem possível de acontecer, seria legal mesmo sendo obrigada a correr e mesmo que suas concorrentes aceitem como carneirinhos, que ela se negue a participar. Assim como provou estar certa em sua escolha de não privilegiar nenhum dos dois pilotos em 2010, talvez provasse mais uma vez que as equipes não são carneirinhos das vontades tanto da FIA quanto do Mr. Ecclestone.

  • Oi Flavio
    Concordo com vc. Proponho um biocote ao GP do Baherein. Nāo vou assistir a corrida. Estou certo de que vc. nāo postará nenhum artigo em seu Blog, que o Grande Premio fecherá as portas no fim de semana do GP.
    O mundo há de se render a nosso protesto.
    Ah. Vou fazer o mesmo com o GP da China.

    Abs
    Diniz

  • Rubens Barrichello deveria ser o cara para se recusar a correr.
    Afinal, nao tem pontos a perder pois se correr nao marcaria nada mesmo, depois por ser o presidente da ass. dos pilotos, terceiro pq [e o mais velho de la, tinha q dar o exemplo…
    mas duvido

  • FG, a corrida não deve ser realizada, visto que em outubro a parada já vai estar definida para o lado de Vettel. No mais, a reforma politica deles deve sair do papel, pelo menos esperamos que sim. Só o fato de não ter ninguem com sobrenomes Maluf, Sarney, Magalhães já é um bom sinal.

  • FG,

    “Mas seria muito legal uma equipe, ou mais de uma, ou um piloto, ou mais de um, se recusasse a correr num país que desrespeita os direitos humanos, massacra opositores e faz pose de vítima.”

    Assim não só o Bahrein fica fora do circo…

    RMT

  • A FIA não é cega. É cínica, capEtalista. Tão cínica quanto EUA, Europa e seus “líderes”. A OTAN mata dezenas de civis na Líbia a pretexto de “libertar o amigo povo líbio das garras do diabólico Muammar Muhammad al-Gaddaf”. Claro que o ditador não é nenhum santo, mas Obama, Bush, Carter, Reagan, Tatcher, Brown, Merkel, Mitterrand e Karol Józef Wojtyła também não são exemplos a serem seguidos.
    Deveriam invadir também o Bahrain para “libertar o amigo povo barenita das garras dos diabólicos ditadores que o oprime”.

  • a Red Bull pode boicotar tranquilamente porque nessa data já vai ser a campeã e nem vai perder muita coisa….

    e como é a melhor equipe da temporada poderia levar mais gente com ela para o boicote.

  • Por motivos óbvios é de interesse da Red Bull que o campeonato acabe o quanto antes; já pensaram se a equipe se abdica sozinha de correr no deserto e ainda assim leva o campeonato de pilotos e de equipes, totalmente possível diante da supremacia que ela exerce hoje…, ganha o campeonato e ainda faz uma média para o mundo se colocando contra um regime que desrespeita os direitos humanos, massacra opositores e bla bla bla….

    • Zoroastro, em certa medida concordo com as suas afirmações. O povo brasileiro realmente é massacrado em seu dia-a-dia.
      No entanto, nós temos a possibilidade de derrubar vereadores, deputados, senadores, ministros e até presidentes – coisa que já fizemos. Essa é a grande diferença. Nós temos o poder. Basta termos também a vontade. Se quisermos, nada nos impedirá. Conquistamos a democracia, mas estamos nos esquecendo de exercê-la.