“GRID GIRLS”: FALAM AS MENINAS

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RIO (atualizando) – O tema foi muito debatido e discutido na semana passada, e é de bom tom, claro, ouvir as meninas também. A “grid girl” Cintia Ferretti, que trabalhou nos últimos três anos no GP do Brasil, deu um depoimento muito interessante ao André Avelar no GRANDE PREMIUM e discorda da decisão do Liberty Media Group de extinguir essa instituição das corridas. “Não nos ouviram”, falou. “Para a gente, é um trabalho maravilhoso de se fazer. Tem uma exposição muito boa, o coração bate mais forte na frente dos carros e você se sente fazendo parte de algo importante. E sempre fui muito bem tratada na F-1.”

De fato, não há notícias de que os novos donos da F-1 tenham consultado as modelos sobre o assunto. Como comentei por esses dias, é um bom debate.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

27 Comentários

  • Esse foi o ponto que comentei no post anterior sobre este assunto. Por conta de um falso puritanismo, muitas pessoas (modelos em especial) sem prejudicadas. Esses trabalhos para elas, muito mais do que a temida exposição de corpos lascivos, era uma forma de trabalho (muito) honesto e alta exposição para futuras contratações.

  • Ao invés de tirarem as grid-girls, deveriam era trazer os carros de 2008, o sistema de pontuação de 2009, e as caixas de brita de volta.
    Parem o mundo que eu quero descer, pois, como já cantava o brilhante e gentlemen Silvio Brito nos idos de 1975, ”tá tudo errado” (em comparação aos dias de hoje, naquela época, 1975, tava era tudo certo, isso sim)…

  • Acho incrível que quase todos aqueles que condenam a retirada das grid-girls apenas estarem muito preocupados com a renda das meninas. Nunca vi tanta lealdade e preocupação com os menos afortunados! E isso no Brasil, em pleno 2018!

    • Do jeito que falam parece que elas foram obrigadas a estarem lá. O dinheiro é só mais uma questão, mas não é a única. A retirada é pura falsidade, alias, é coisa de gente que não sabe lidar com o sexo oposto.

  • Eis que a Liberty acaba de anunciar que irá colocar crianças no lugar de mulheres pra seguras as placas! Serão os grid KIDS, perfeito!

    Isso mostra que o problema está no conceito de que “segurar uma placa não é trabalho pra NINGUÉM ganhar a vida”, mas apenas um ato simbólico, e por isso é um absurdo ter mulheres segurando placas pra “conquistar espaço na sociedade”, coisa que uma criança pode fazer e dar muito mais sentido pois é muito mais significativo ter uma criança segurando a placa do seu piloto favorito do que uma mulher.

    Isso é contribuir para a sociedade.

  • Vão fazer falta. Quem não gosta de ver a beleza feminina de culturas diferentes?

    Por outro lado, entendo as preocupações dos donos da F1. Como Bob Dylan já falou/cantou décadas atrás.. ‘The times they are a Changin’.
    No darts já anunciaram que não terá mais os ‘walk-on girls’ no campeonato mundial. No ciclismo, sem dúvida, vão tirar também.

    Eu vejo muito paralelos com os atores negros de 40+ anos atrás nos filmes norte-americanos. Basicamente apenas existia esse papel de bobão com grande sorriso e serviam apenas para apoiar o ‘lead role’ dos atores brancos. Geralmente sabiam fazer um tipo de tap-dancing ou tocaram um instrumento, eram submissos e só. Não faz tanto tempo assim que alguns produtores decidiram que os tempos já não eram mais os mesmos, e começaram a criar ‘character roles’ também para atores negros. Aqueles ‘uncle Tom’s’ de ante-ontem nunca mais voltarão, já que qualquer um imediatamente reconheceria o que realmente foi… um tipo de racismo.

    Creio que, assim como os atores negros, 50 anos para frente a gente olha pra trás e reconhece a época de grid-girls o que realmente é… uma espécie de sexismo.

    • Peter, há 40 anos surgiu o maior movimento negro da história do cinema, o Blaxploitation, que foi criado por negros, com negros e para negros. É uma das reviravoltas mais bela da história cultural americana, e seus efeitos podem ser vistos até hoje — no Brasil, inclusive, onde os meninos negros brasileiros se veem representados pela família Rock, nos filmes Bad Boys, em Eddie Murphy e nos filmes da família Wayans.

      Só que não foram os produtores brancos bonzinhos que permitiram que os negros ocupassem papeis de destaque. Foram os negros que, unidos, conquistaram isso.

      Quando eu soube do fim das grid girls, a primeira coisa que fiz foi chamar minha esposa e filha e perguntar a elas o que elas achavam disso. Até hoje não teci opinião, porque acho que, se é um tema feminino, eu não tenho como saber se é bom ou ruim, porque não sou mulher e não sei como é ser uma. Quem sabe são elas. Elas é que precisam saber se querem ou não, como bem fizeram as Speed Sisters na Palestina. Se a ideia é empoderá-las, acho que nada pode ser melhor que o poder de decisão.

  • Para concluir, a Liberty percebeu que não tem sentido uma pessoa ganhar dinheiro ou “conquistar espaço na sociedade” segurando uma placa ou um guarda-sol.

    E não faz mesmo.

    É um absurdo que era considerado normal assim como tantas outras atitudes desde regras para visitas aos boxes, na pista, uniformes, questão de fumar, etc.

  • É compreensível a crítica das grid girls assim como qualquer pessoa que perde um emprego ou uma oportunidade de emprego no futuro, seja ele qual for.

    Mas a questão principal é que a mulher pode e deve fazer mais do que segurar uma placa para “conquistar espaço na sociedade”. E a maioria das mulheres comprova isso.

    Se o problema fosse mau comportamento masculino, ou mulheres lindas, isso seria resolvido permitindo somente mulheres “esteticamente fora do padrão estabelecido pela sociedade”. Mas a proibição vale para TODOS: mulheres feias, lindas, gordas, magras, mancas, peitudas, despeitadas, inclusive HOMENS (só não citou grid boys pq não há necessidade já que o histórico é de existir somente grid girls).

  • Boa Tarde,
    O mundo esta muito chato. Os esportes em geral estão muito restritivos à brincadeiras…..No futebol, drible virou ofensa e na F1 as garotas trabalhando foram excluídas considerando um feminismo exacerbado, e o que é pior….sem consulta-las.

  • Trocaram as mulheres pelas crianças.
    Ou seja, agora é trabalho infantil.
    Bela mer&@ eles fizeram.
    Por que antes era trabalho. E agora deixou de ser.
    Belo debate. Já tinha achado absurdo aqueles meninos e meninas segurando as placas para os marmanjos da FE. Eu, por mim, meto um processo nos caras da FE por trabalho infantil e meto agora na F1.

  • Não sei se tem muita a ver, mas uma vez minha namorada viu o Anuncio de uma “agencia” de modelo aqui em Londrina para cobrir a Stock Car na cidade.
    Então ela se interessou pela vaga, em um primeiro momento eu a incentivei e ela foi atrás da tal vaga.

    Depois de uma semana, o “Agenciador” mandou algumas mensagens para que ela enviasse fotos para ele avaliar, em seguida disse que poderia pagar até “40 mil” por fotos dela para publicar em uma revista.

    Ela ingênua de tudo deslumbrada com a possibilidade já saiu enviando fotos. E eu é claro já desconfiei, pedi para que perguntasse qual e revista e que tipo de trabalho.

    Em seguida, o cara disse que eram fotos para enviar para uma revista masculina na Alemanha e se quisesse o trabalho na stock primeiro teria que enviar fotos nuas, obviamente ficou nítido que o cara era um vigarista, aliciador. Infelizmente muitas modelos acabam caindo nessa conversa.

  • Flávio, para a F1 isso é apenas economia de custo (e o fim do constrangimento de países muçulmanos, que não precisarão ver o calcanhar das modelos na pista).

    De mais a mais, a Liberty só está fazendo mudanças estéticas, para agradar a turma que está mais interesssada no parkour do que em corrida de carro. Não atrai novo público, e leva à ira o pessoal que gosta do clima do automobilismo.

    Como diria Téo José: NÃO, LIBERTY, NÃO É ASSIM….

  • E nem dá pra falar q é uma visão americana, já que todos os esportes americanos, desde a universidade, usam e abusam das teamleaders, normalmente com muito menos roupas do que as gridgirls.

  • Vão fazer muita falta! F1 sem mulher, sem brasileiros está ficando difícil de assistir.
    Se não tiver competividade vai foder geral. A LMG vai firar isto numa loteria! como são as corridas americanas.

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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