MAD MEX (2): POLE CASSADA

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Max: segunda pole no ano, depois de largar na frente na Hungria

RIO (essa letrona aí se chama “capitular” e estou pensando em adotar no início dos textos do blog, o que vocês acham?) – No cronômetro, deu Max no MEX. Já se esperava que na altitude do México, numa pista que exige chassi equilibrado, a Red Bull brigaria por coisas grandes. Mas imaginava-se, também, que a Ferrari poderia incomodar. Ficou na vontade, num primeiro momento. Mas, depois, a vontade passou.

Três horas e meia depois de encerrada a classificação, a direção de prova decidiu punir Verstappinho com a perda de três posições no grid. Ele caiu da pole para o quarto lugar. E quem herdou a posição de honra foi Charles Leclerc, que assim parte da primeira posição do grid pela sétima vez no ano. Max, que ganhou no Hermanos Rodríguez em 2017 e 2018, teria ótima chance de repetir o feito amanhã, não fosse a punição. O menino se dá bem com o México. Mas vai estar espumando na largada, o que pode levar a alguma tentativa menos cautelosa de recuperar o que perdeu fora da pista. A ver.

A punição aconteceu porque Max foi réu confesso. Ele já tinha o melhor tempo no Q3 depois de sua primeira tentativa, 1min14s910 — o único a baixar da casa de 1min15s. Na segunda volta, vinha um pouco atrás de Valtteri Bottas, que se estabacou no muro motivando a óbvia bandeira amarela no local. Só que, ao contrário dos demais pilotos, Verstappen nem tirou o pé e passou voando pelo acidente, melhorando ainda mais seu tempo. Na entrevista coletiva dos três primeiros colocados no grid, ele mesmo contou que não aliviou. Os comissários, então, chamaram-no na torre e aplicaram a pena.

Max não tem desculpas: viu a bandeira amarela e não fez nada

A sanção ao holandês levou Vettel ao segundo lugar no grid e Hamilton para terceiro. O inglês, que pode conquistar o hexacampeonato amanhã, foi 0s504 mais lento que Verstappen, numa prova clara de que a Mercedes terá dificuldades na prova — e, na prática, está num ritmo quase de férias; a equipe não consegue uma pole desde o GP da Alemanha, há três meses. Fechando os dez primeiros, seguem Albon, Bottas, Sainz Jr., Norris, Kvyat e Gasly. A Honda colocou seus quatro carros no top-10. Merece aplausos.

O dia começou com pista molhada no México e o terceiro treino livre não teve muito tempo útil. Apenas os últimos dez minutos foram aproveitáveis, quando o asfalto secou. Duas horas depois, na classificação, o sol já aparecia timidamente na Cidade do México, embora a temperatura não fosse alta — na casa dos 20°C.

Nada de muito surpreendente aconteceu nas duas primeiras fases da classificação. O Q1 eliminou Stroll, Magnussen, Grosjean e os degolados fixos Russell e Kubica. No Q2, Pérez, Hülkenberg, Ricciardo, Raikkonen e Giovinazzi ficaram pelo caminho.

Vale uma palavrinha para a Renault, aqui. Os dois carros do time amarelo, na semana passada, foram desclassificados do GP do Japão e perderam o sexto e o décimo lugares que seus pilotos obtiveram em Suzuka. Usaram um sistema automático de balanço de freio que a FIA, alertada pela Racing Point, acabou considerando ilegal por ferir o regulamento esportivo da competição — que diz que os pilotos não podem usar equipamentos que atuem como “ajuda externa” para dirigir.

Tecnicamente falando, o sistema não é proibido. Por isso a demora para tomar uma decisão, que só saiu 11 dias depois da corrida. Mas a equipe, aparentemente, vinha usando esse troço desde o início da temporada. Só não sofrerá punições retroativas porque ninguém protestou seus resultados como fez o time rosa no Japão.

Com as desclassificações, Ricciardo perdeu o sexto lugar para Leclerc, Gasly subiu para sétimo, Pérez para oitavo, Stroll para nono e Kvyat fechou a zona de pontos. Hülkenberg tinha terminado em décimo. A Toro Rosso foi a 62 pontos e agora ameaça o quinto lugar da Renault, que tem 68.

Os seis primeiros no grid começam o GP mexicano amanhã com pneus médios. Os macios estão durando muito pouco e quem partir com eles terá de fazer o primeiro pit stop, provavelmente, antes da décima volta.

A pancada de Bottas: aflição com a respiração ofegante pelo rádio

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

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Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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