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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019 - 17:11Automobilismo internacional

MISSÃO CUMPRIDA

RIO (se mexendo) – Sérgio Sette Câmara conseguiu somar os pontos que precisava para obter a superlicença da FIA, que lhe permitirá guiar um F-1 se for chamado por alguma equipe. Ele tinha de terminar a temporada da F-2 pelo menos na quarta posição. Conseguiu.

No seu melhor fim de semana em três temporadas na categoria, em Abu Dhabi, o mineiro saiu com uma vitória na prova longa de sábado e um terceiro lugar no domingo. Ele já tinha duas vitórias na categoria, ambas em provas curtas: 2017 na Bélgica e neste ano na Áustria.

Com os resultados de Yas Marina, Sette Câmara terminou o campeonato atrás de Nyck de Vries, Nicholas Latifi (seu companheiro na Dams) e Luca Ghiotto. Os dois primeiros se arranjaram para o ano que vem. De Vries já está na Fórmula E, na Mercedes, e Latifi será titular da Williams na F-1.

Serginho foi o mais rápido na única sessão de treinos livres em Abu Dhabi e também fez a pole da corrida #1. Soube cuidar dos pneus nas duas provas e levou dois troféus importantes que garantiram o título da Dams entre as equipes. Foi uma rodada dupla particularmente emocionante para o time, que perdeu seu fundador Jean Paul Driot para um câncer em agosto, aos 68 anos.

Aos 21 anos, Sette Câmara é jovem o bastante para ficar mais um ano na F-2 flertando com o ambiente da F-1, já que as duas categorias correm juntas. Neste ano ele assinou um contrato com a McLaren para atuar em simuladores, colocando um pezinho num grande time. Mas, ali, não deve ter nenhuma ilusão. A equipe tem uma dupla fortíssima, formada por Norris e Sainz Jr., está mudando para Mercedes em 2021 e busca estabilidade para retomar seu caminho vencedor.

O problema de Serginho é disputar quatro anos a mesma competição. No quarto, ganhar o campeonato passa a ser quase uma obrigação, se ele tiver ambições. E nada garante isso. Se é verdade que seus resultados em três anos de F-2 não foram ruins, não se pode afirmar, também, que tenham sido impressionantes — uma avalanche de troféus e vitórias.

Em 2017, na estreia pela MP Motorsport, uma pequena equipe holandesa, terminou o campeonato em 12º com uma vitória e dois pódios em 22 corridas. Na segunda temporada, já pela forte Carlin, foi sexto na classificação, fez uma pole, subiu ao pódio oito vezes, mas não venceu — de novo em 22 etapas. Neste ano, com o mesmo número de provas, subiu para quarto na tabela, ganhou duas vezes, fez duas poles e levou mais oito troféus para casa. Num total de 66 provas, portanto, 3 vitórias, 3 poles, 18 pódios e 39 presenças na zona de pontos.

Não é um cartel que deixe alguém boquiaberto, mas também está longe de ser uma tragédia. Serginho apanhou no primeiro ano, pela inexperiência e pelo fato de defender um time sem muita condição. Mas valeu o aprendizado. No ano seguinte na Carlin, ajudou o time a conquistar o título das equipes, só que lhe faltou regularidade — algo que Norris, seu companheiro, teve para ser vice-campeão, embora tenha vencido apenas uma prova. O fato de ter colaborado mais uma vez com uma equipe campeã neste ano pesa a seu favor. Mas chegou a hora de ser mais performático, mesmo sabendo que a tarefa não é fácil, pela qualidade do grid da categoria.

Isso, claro, se ficar na F-2. O que se sabe é que, dependendo das negociações que se apresentarem nas próximas semanas, Sette Câmara considera a possibilidade de mudar o rumo, quem sabe acertando a proa para os EUA. A ver.

10 comentários

  1. Luciano Vido disse:

    7camara o Bo77as da F2. Sem ilusão. Se não for pra F1 não vejo problema nenhum. Trabalhou, fez o dele, é vida q segue.

  2. Ricardo Bigliazzi disse:

    Só nos resta torcer pela carreira do Sette Camara.

    Nunca antes na historia da F-1 (claro que estou mentindo, mas a frase sempre tem uma sonoridade enebriante) houveram tantos jovens talentos como hoje na F-1, e o Sette Camara terá que se provar no meio dessa “tigrada” toda e conquistar um lugar num carro vencedor.

    Apesar da empreitada difícil fica a minha torcida para que Ele conquiste tudo o que deseja..

  3. Tales Bonato disse:

    Gostaria de estar errado, para o caso do SSC. Mas normalmente um ótimo piloto na F2 (ou, antes, na GP2) nem sempre é minimamente bom para ter destaque na F1. E ótimo neste caso se refere aqueles que foram campeões com facilidade, na primeira temporada. Vide os casos de Glock, Hülkenberg, Gasly, Vandoorne, Grosjean, etc. Todos eternos habitantes do meio do grid. Ou seja: usando este critério as chances de sucesso dele, como um piloto médio da segunda divisão que tem sido, são muito pequenas.

  4. CHAGAS disse:

    O brasileiro reinou em Abu Dhabi. Primeira prova foi brilhante, Parabéns!!!
    Sergio é um piloto muito novo, entrou na F2 com 19 anos, hoje só Alesi/Mazeppin/Zhou e Mick Schumacher são mais novos que ele.
    Na F1 por exemplo só Norris é mais novo.
    Markelov/Latiffi/Matsushita/Ghioto/King são eternos na F2 (GP2) e isso não impediu o canadense de cavar um lugar na F1 ano que vem, lembrando que Latiffi tem 3 anos de idade a mais que Sergio.
    O eterno Markelov, Mick, Zhou, Ilot, e o russo campeão da F3 serão os grandes nomes do ano que vem e se existe vaga em uma equipe boa teria que fazer mais um ano na F2 pra ser campeão e alavancar uma vaga na F1 em 2021 justamente no ano que tudo muda com vários pilotos em fim de contrato.
    Sergio foi um dos que passou pelo moedor de carne da Red Bull. Foi demitido, não desistiu levantou-se para o desafio da F2 e venceu corrida na temporada de estréia. O brasileiro não é brilhante mas luta em todas as provas, o menino merece uma vaga na F1, é o sonho que persegue, talvez a proposta da Indy o seduza mas torço para que fique.
    A F1 tem corrida nos EUA e também uma equipe americana com péssimos pilotos.

    • Cristiano disse:

      Sobre a Red Bull, fico pensando que se o Sergio Sette Câmara tivesse ficado melhor colocado ano passado, talvez voltasse ao radar, como aconteceu com o Albon.
      Esse ano o início não foi dos melhores, mas foi bem regular na temporada, parecia correndo visando o 4º lugar mesmo. Só tem que pensar que tem 10 pontos da super licença de 2018, 30 de 2019, então se até 2021 não achar um lugar, ou não dispute uma outra categoria em 2020 com nível de competitividade que ao menos garanta mais 10 pontos, vai ter que tomar outro rumo na carreira mesmo.

      • CHAGAS disse:

        Sergio ficou a 10 pontos do vice-líder.
        Isso não é visar somente o 4º lugar, até a última corrida lutou pelo vice.
        Sobre a demissão da RBR júnior, está correto. Foi embora porque caiu de performance.

  5. rafa n disse:

    A temporada da F2 será interessante para vermos como o Mick Schumacher se vira para conseguir os pontos necessários para a superlicença da FIA.

    E como ele não tem a superlicença, qualquer rumor do Mick na F1 será sempre infundado.

  6. Alexandre disse:

    Bem q poderia ir pra equipe da McLaren na Indy. Ainda tem vaga?

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