OPORTUNIDADE ÚNICA

RIO (museu, gente, museu…) – Os fãs já devem ter visto essa foto aí em cima muitas vezes. Trata-se da casa que a família de Ayrton Senna usou nos anos 80 e 90 como sede da empresa que administrava bens, contratos e imagem do piloto. Fica na Vila Maria, zona norte de São Paulo.

Durante muitos anos ela foi cedida à TAS (Torcida Ayrton Senna), criada pelo advogado Adilson Almeida em 1988 e tratada desde sempre como uma espécie de torcida organizada oficial de Ayrton. Funcionava como um museu informal, com alguns itens da carreira do piloto.

Em 2013, a família de Senna pediu que Adilson mudasse sua sede para outro imóvel, em Santana, mas no ano seguinte a irmã de Ayrton, Viviane, despejou o inquilino sem maiores explicações. A TAS foi extinta, na prática. Na época, no final de 2014, meses depois de deixar a casa, Adilson estava tentando vender o acervo. Não sei se conseguiu. O grupo de torcedores segue vivo no Facebook, mas aparentemente sem sede física e sob nova direção.

Voltando à casa da foto, ela foi tema de ótima — como sempre — postagem do “São Paulo Antiga” e traz informação valiosa: está em ótimo estado, e para alugar. Por módicos 6 mil reais, um valor absolutamente compatível com seu tamanho e localização, é oferecida para locação comercial.

Juro que, conhecendo o grau de fanatismo de alguns fãs de Senna, não entendo por que alguém ainda não saiu correndo atrás da imobiliária para alugar essa casa imediatamente. Na real, eu acho que já deveria ter virado um pequeno museu, marcando a presença de Senna na zona norte da cidade, onde nasceu e passou infância e adolescência. Museus não precisam ser suntuosos e gigantescos. Pelo mundo há milhares de pequenos museus temáticos em imóveis modestos que têm algum significado. Esse aí tem, e seu custo de manutenção seria baixíssimo.

Comentários

  • Num momento em que muitos acham que preservação de cultura, legado e história são dispensáveis, a cultura do hoje, do imediatamente, é difícil que a família tome alguma iniciativa pra preservar esse legado. Pachequismos e fanatismos a parte, o piloto merece, sim, ter sua história contada em verso e prosa (como Pace, Piquet e Fittipaldi também, por exemplo) sem floreios nem invencionices, mas sim como o talentoso piloto que foi, suas vitórias e seu legado que ainda influencia jovens pilotos que hoje só o vêem em vídeos. Principalmente num momento em que temos uma entressafra de pilotos e que as atuais prováveis “promessas” são, na maioria, água de salsicha.
    Tudo indica que nos tornaremos uma nova Itália no automobilismo. Sonhando com um passado glorioso e amargando um presente de pouca relevância. Mas pelo menos eles têm um piloto lá. Que sabe-se lá por qualquer movimento do destino, pode acabar parando numa equipe de ponta. Ou despertando o sétimo sentido e calando a boca de meio mundo.

  • Em muitos autódromos(e estádios) do mundo é comum ter um museu ou acervo com algumas relíquias dos pilotos daquele país que por ali passaram, geralmente agregada a uma lojinha de lembranças que ajuda a manter o local com sua receita alem dos ingressos para entrada. Interlagos leva o nome que homenageia Jose Carlos Pace, mas não tem nada alem de um busto do piloto escondido no acesso ao túnel, e só. Sempre achei que embaixo daquelas arquibancadas novas podia ter sido criado um espaço para uma exposição permanente do Pace, Fittipaldi, Senna e todos os clássicos que passaram por ali como, os opalas da Stock Car, os protótipos do Avallone, speed 1600, Marcas e tantas outras relíquias que devem estar empoeiradas em algum galpão por ai. Tenho certeza que teria tanto sucesso quanto o museu do futebol no Pacaembu, se pudesse agregar uma volta na pista numa van… vixi, ia fazer ser um grande atrativo. Mas, infelizmente não cultuamos a memoria do esporte, talvez um pouco mais do futebol, mas o resto é só o resto.

  • A exemplo da casa de Dorival Caymi na Bahia, Senna é um dos heróis nacionais que mais provoca frisson em seus fanáticos, mas esta família é pragmática demais para isto, soube que a mãe de Senna botou na rua a pessoa que cuidava do acervo histórico dele simplesmente porque a mulher teve um filho, não quis conversa, pé na bunda sem apelo.