SIR STIRLING MOSS, 90

RIO – Stirling Moss aparecia nas corridas com bastante frequência. Principalmente nas do verão europeu. Falo do período em que viajei cobrindo F-1, de 1988 a 2005. Quando alguma efeméride ligada à sua carreira coincidia com fim de semana de GP, também era levado por alguma emissora de TV para festejar entre os seus. E assim foi até poucos anos atrás, quando o simpático velhinho de olhar vívido, que a todos cumprimentava com um largo sorriso, passou a conviver com alguns problemas de saúde e começou a ficar um pouco mais em casa.

E foi em casa, em Londres, que Moss morreu hoje, aos 90 anos.

Quatro vezes vice-campeão na F-1, nem por isso Moss foi menor do que ninguém. Algumas estatísticas apontam a incrível marca de 212 vitórias em 529 corridas de todos os tipos em 15 anos de carreira. Dezesseis delas na categoria que lhe negou um título. Cruel F-1, que tem 33 campeões mundiais em sua história, e 17 deles ganharam menos GPs do que Moss.

Seu azar foi ter tido como maior adversário, na segunda metade dos anos 50, um certo Juan Manuel Fangio. Empilhou três vices para o argentino em 1955, 1956 e 1957. Quando “El Chueco” parou, em 1958, acabou derrotado por Mike Hawthorn por apenas um ponto. Ironia: Hawthorn havia sido desclassificado no GP de Portugal, o antepenúltimo da temporada, e perdera os sete pontos que conquistara na prova, disputada no Porto. Moss foi aos comissários para dizer que o colega não tinha sido culpado pelo incidente que levara à sua desclassificação. Seu testemunho fez com que a punição fosse revertida e os pontos, devolvidos ao adversário. Não fosse isso, ele teria sido campeão.

Sinônimo de talento e velocidade, consagrado cavaleiro do Império Britânico pela rainha Elizabeth há 20 anos, sir Stirling Moss é tão popular na Inglaterra que até hoje é comum, se você for parado na estrada dirigindo acima do limite permitido, ouvir do policial a frase “who do you think you are, Stirling Moss?”.

Sua trajetória nas pistas foi interrompida numa segunda-feira, 23 de abril de 1962 — um dia depois da Páscoa daquele ano. Ele sofreu um terrível acidente em Goodwood numa prova que contava com carros e regras da F-1, a Glover Trophy, mas não fazia parte do campeonato. Ficou um mês em coma. Tinha 32 anos, e resolveu parar quando, um ano depois, entrou num carro de novo e sentiu que não tinha mais o total domínio sobre a máquina.

Até Nigel Mansell vencer o GP da França de 1991, Moss deteve a condição de piloto inglês com maior número de vitórias na F-1. Foram 30 anos até a marca ser superada por um compatriota. Portanto, a reverência que o mundo das pistas lhe prestou hoje, com centenas de postagens nas redes sociais de pilotos, equipes, dirigentes e jornalistas, está longe de ser exagerada.

Como escreveu nosso colunista Rodrigo Mattar em seu blog, toda honra e toda glória a Stirling Moss, o campeão sem títulos. E se ele não foi campeão na F-1, azar da F-1.

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Stephano Zerlottini Isaac
Stephano Zerlottini Isaac
6 anos atrás

Eu me lembro bem da entrevista do Mansell, em 1991, emocionado ao passar
a marca de 16 vitórias. Todas as homenagens ao grande Sir Stirling Moss!

CRSJ
6 anos atrás

Moss foi basicamente o último Dinossauro vivo da Década de 50 da F-1, notícia lamentável no dia de páscoa.

Paulo Pinto
6 anos atrás

É o único piloto da F-1 que venceu, fez pole, volta mais rápida, pódio, pontos e liderança de prova em CINCO equipes. Um recorde ainda imbatível.

E ainda fez volta mais rápida, pódio e pontos em uma sexta equipe.

ANTONIO CARLOS SMITH COUTINHO
ANTONIO CARLOS SMITH COUTINHO
6 anos atrás

Flavio, relembrando:

Formula Ford
Year: 1969;
Team: S.M.A.R.T. Stirling Moss Automotive Racing Team;
Drivers: Luiz Pereira Bueno & Ricardo Achcar

Barba

Carlos Henrique
Carlos Henrique
6 anos atrás

Saber da atitude de Sir Stirling Moss ao absolver o adversário para o qual perderia o título faz o sistema de lubrificação dos olhos vazar todo o fluido lacrimal. RIP, Moss!

Luís Eduardo
Luís Eduardo
6 anos atrás

Moss faz parte daquela galeria de “campeões sem titulo” da F1, na qual estão também Ronnie Peterson, Carlos Reutemann, José Carlos Pace e Gilles Villeneuve. É provavelmente o maior deles, e está acima inclusive de vários campeões cujos títulos foram apenas circunstanciais.

Gustavo
Gustavo
Reply to  Luís Eduardo
6 anos atrás

Comparar Moss a Pace é dureza hein. Cúmulo do Pachequismo.

Alvaro
Alvaro
6 anos atrás

Um gênio, com uma frase sensacional atribuída a ele: “Se está tudo sob controle, você não está rápido o bastante”.

Alex
Alex
6 anos atrás

Inigualável Stirling Moss. No talento e no caráter.

Luiz
Luiz
6 anos atrás

Belo texto Falvio! A Fómula 1 é o que é por esses acontecimentos.

Thiago Azevedo
Thiago Azevedo
6 anos atrás

Essa dele avisar os comissários… que cara sensacional. Falta e sempre vai faltar gente assim no mundo, qualquer que seja a época.

Rodrigo
Rodrigo
6 anos atrás

Fiquei muito triste com a notícia. Moss ao menos para mim está ao lado dos grandes de todos os tempos. Não vejo realmente ele devendo o que for mesmo para os multicampeões. Foi um grande competidor e sobretudo um grande homem.

Tales Bonato
Tales Bonato
6 anos atrás

Atitudes como a do Moss no caso da desclassificação do Hawthorn são de um mundo que infelizmente não existe. No qual eu adoraria viver.

joel lima
joel lima
6 anos atrás

Azar da F1 , assim como azar da copa do mundo por não ter tido como campeãs a Hungria de 54, a Holanda de 74 e a do Brasil de 82. E entre todas as homenagens, pra mim a mais linda é do ator Patrick Stewart recitando o soneto 73 de Shakespeare para Moss.

rafaelle
6 anos atrás

“Moss foi aos comissários para dizer que o colega não tinha sido culpado pelo incidente que levara à sua desclassificação. Seu testemunho fez com que a punição fosse revertida e os pontos, devolvidos ao adversário. Não fosse isso, ele teria sido campeão.”

Vale mais que o título. Isso é para sempre.