GRAND PRIX II?

SÃO PAULO(como vemos?) – Reproduzo abaixo postagem no Facebook do meu amigo Fernando Zamith, um dos maiores especialistas em cinema do Brasil, sobre um filme não finalizado que queremos ver de qualquer jeito!

Por mero acaso, o arquivista Richard Wiseman descobriu, no ano passado, imagens gravadas para um filme inacabado: “Day of the Champion” (Dia do Campeão), da Warner Bros. Seria uma produção sobre Fórmula 1 em 1965 com o apaixonado por velocidade, o astro Steve McQueen (1930-1980) no papel principal e direção de John Sturges (“Sete Homens e Um Destino” e “Fugindo do Inferno”). O projeto foi ideia de McQueen e registraria a temporada de F-1 na Europa naquele ano. Ele tinha os direitos do livro “The Cruel Sport” (1963), do repórter-fotográfico Robert Daley, que registrou momentos sombrios do automobilismo. Em 1965, porém, a Metro anunciou um filme sobre F-1 com direção de John Frankenheimer (1930-2002). Esse filme se tornou “Grand Prix” (1966), um clássico de Hollywood, que assisti em cópias 70 milimetros no Cine Comodoro Cinerama aqui em São Paulo. Hoje, sabe-se que o diretor Frankenheimer queria Steve McQueen para o papel principal do piloto americano. Tudo deu errado quando, produtores de “Grand Prix” não se entenderam com McQueen. O papel foi parar com James Garner. O estilo ‘cool’ de Steve McQueen em “Grand Prix” certamente daria visão muito diferente do filme. Aliás, grandes pilotos de F-1 na época apostavam mais no filme “Day of the Champion”, o projeto de McQueen. O grande Stirling Moss era o consultor do diretor John Sturges e orientou as gravações do GP da Alemanha 1965. Era Moss quem pilotou o carro equipado com câmeras na corrida na pista de Nurburgring, afinal vencida pelo lendário Jim Clark. As imagens para o filme inacabado mostram sequências eletrizantes de velocidade dos carros no cenário da Floresta Negra. Outros dois pilotos campeões – Jackie Stewart e Jim Clark – estavam empenhados no projeto. “McQueen era maior do que Frankenheimer” – disse depois Jackie Stewart. Nesse meio tempo, a Warner Brothers percebeu que o filme de John Frankenheimer estava adiantado e não seria possível competir. O projeto de Steve McQueen foi definitivamente arquivado. E, curiosamente, Jim Clark e Jackie Stewart foram atuar com o diretor John Frankenheimer. No ano seguinte (1966), “Grand Prix” chegou às telas. E, em 1967, o filme ganhou três Oscars. Por sua vez, a frustração de Steve McQueen foi completa: nessa cerimônia, ele foi indicado para melhor ator em “O Canhoneiro de Yang-Tsé”, mas voltou para casa sem prêmio. E nunca pode realizar seu filme sobre F-1. Toda essa história, que havia ficado no limbo em Hollywood, resultou em documentário com as imagens encontradas pelo arquivista Richard Wiseman. Chama-se “Steve McQueen: The Lost Movie” (‘Steve McQueen: O Filme Perdido’). Com narração de David Letterman (o hoje aposentado mestre do talk-show), foi produzido no Reino Unido pelo canal Sky e exibido na TV no começo deste ano. Não há imagens de Steve McQueen pilotando um carro da F-1, mas o filme resgata cenas dele em “Fugindo do Inferno” (1963) com sua moto; “Bullit” (1968), com o Mustang na estonteante perseguição de ruas em San Franciso e “As 24 Horas de Le Mans” (1971), como piloto de carros esportivos. O documentário “Steve McQueen: O Filme Perdido” ainda está inédito no Brasil.

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