SOBRE DOMINGO DE MANHÃ

Hamilton, sétimo em Mônaco: pior fim de semana em muito tempo

SÃO PAULO(vem, Bahia!) – É a imagem da derrota, e não da vitória, a mais marcante do fim de semana em Mônaco. Verstappen ganhar a corrida não foi exatamente uma surpresa. Hamilton terminar em sétimo, perdendo posições nos boxes e distante do protagonismo desde a quinta-feira, isso sim foi novidade.

A Mercedes ainda podia ter amenizado o desastre se Bottas terminasse a prova em segundo, que é o que aconteceria se a roda não ficasse presa na hora do pit stop. Há duas versões para o problema na parada. Uma diz que Valtteri parou um pouco atrás do que deveria e o mecânico colocou a pistola em ângulo, comendo os dentes que tracionam a porca. Acho cascata. As outras três rodas saíram direitinho. O piloto costuma parar num lugar preciso, mas há uma tolerância, óbvio. Outra: o mecânico colocou a pistola com a roda ainda em movimento e moeu os dentes da porca.

Seja como for, o carro foi levado de volta para a fábrica com a roda, ainda, para que lá a turma descubra exatamente o que aconteceu e evite que episódios como esse se repitam. Pebolim Wolff isentou o mecânico de culpa e contou que a Ferrari emprestou um martelo e um serrote para a equipe tentar arrancar o pneu. Não adiantou.

A FRASE DE MONTE CARLO

“Não há nenhuma razão para que a gente repita um fim de semana como esse nesta temporada, com a experiência que esta equipe tem.”

Lewis HAMILTON

Sobre a pole de Leclerc, agora. A FIA vai começar a estudar um novo regulamento para classificações. Se o cabra causa uma bandeira vermelha, perde sua melhor volta. Assim, não prejudica quem perde a volta com a paralisação da sessão. Não que Charlinho tenha batido de propósito. Mas para evitar insinuações, seria uma boa. Uma regra simples e clara. Por enquanto, é apenas a promessa de um estudo. Aguardemos.

A quebra do monegasco a caminho do grid foi no semieixo, que transfere a potência da transmissão para as rodas. Foi do lado esquerdo, não o que bateu, mas o problema estava diretamente relacionado com a pancada do conjunto inteiro no guard-rail. A Ferrari deveria ter trocado o câmbio? Agora é fácil falar que sim.

E já que é fácil, eu falo. Sim, deveria ter trocado, amargando a perda de algumas posições no grid. Melhor do que nem largar.

O NÚMERO DE MÔNACO

5

…vezes um piloto que fez a pole para um GP não conseguiu largar, na história da F-1: Jean-Pierre Jarier (Shadow, Argentina/1975), Didier Pironi (Ferrari, Alemanha/1982), Michael Schumacher (Ferrari, França/1996), Jarno Trulli (Toyota, EUA/2005) e, agora, Leclerc.

Talvez esse número aí em cima pudesse ser substituído por outro: foi a 80ª vitória de um motor Honda na F-1. A montadora japonesa é a quinta maior vencedora da categoria nas estatísticas dos motores. À frente dela estão Ferrari (239), Mercedes (204), Ford Cosworth (176) e Renault (168).

Verstappen: 80ª vitória da Honda na F-1, primeira em Mônaco desde 1992

No fim das contas, o melhor do GP de Mônaco foi mesmo a pintura dos carros da McLaren. E nosso cartunista oficial Marcelo Masili, claro, percebeu isso:

MÔNACO BY MASILI

O carro mais lindo: agradecimentos do cartunista

Para finalizar, nosso tradicional termômetro depois de cada GP:

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS de ver Sebastian Vettel sorrindo de novo, com a quinta colocação depois de um oitavo lugar no grid convertido em sétimo graças ao abandono precoce de Leclerc. Ganhou, assim, duas posições em relação à que estava posicionado na largada. Isso aconteceu porque a Aston Martin acertou na estratégia e ele fez a lição de casa para ganhar as posições de Gasly e Hamilton no pit stop, com voltas rápidas o bastante para superar os adversários.

Vettel: primeiros pontos pela Aston Martin

NÃO GOSTAMOS do desempenho pífio de Daniel Ricciardo, primeiro na classificação (não passou do Q2) e, depois, na corrida. Terminou em 12º, exatamente onde largou. E ainda teve de amargar a comparação com seu companheiro Lando Norris, quinto no grid e terceiro na prova, conseguindo um pódio importantíssimo para a McLaren. O que está acontecendo com o australiano? Nem ele sabe, neste momento.

Ricciardo: péssimo domingo e muitas interrogações

Comentários

  • A Ferrari e Mercedes em Mônaco 21 tiveram seus momentos nanicos com Leclerc não largando na Pole ficando fora da corrida, e o Bottas com sua roda dianteira direita mais presa do que nunca no seu Pit Stop.
    O Sainz está sendo badalado agora com o seu segundo lugar em Mônaco 21 pela Ferrari, lembrando que o Leclerc não largou, e que todas as vezes que o Leclerc chegou foi sempre na frente do Sainz, temos que ver como é que vai ser daqui para frente se o Sainz supera o Leclerc ou fica na freguesia dele.
    Depois do fracasso do Pit Stop do Bottas que vinha em segundo a Mercedes virou coadjuvante absoluta em Mônaco 21, sobrou o sétimo lugar do Hamilton que não consola ninguém na Mercedes, e o Hamilton não sabe o que é chegar abaixo de sexto faz um tempão.
    Gostamos: Para o Verstappen restou vencer ou vencer esse GP de Mônaco 21 depois da ausência do Pole Leclerc na largada, lembrando que o Vettel fez uma boa corrida chegando em quinto fazendo esquecer um pouco as frustrações do início desse campeonato.
    Não Gostamos: Daniel Ricciardo já aparece como um veterano na McLaren e em completa freguesia em relação ao jovem parceiro Lando Norris, isso lembra um pouco o jovem Senna bem mais agressivo em relação ao veterano Elio de Angelis na Lotus em 1985.

  • Não me convenci muito com os parabéns do Leclerc para SAinz. Achei total fingimento. O MOnegasco estava com os olhos vermelhos. POde até disfarçar, mas se o espanhol começar a correr bem, vai complicar novamente pra Ferrari. Vai dar pau. PAra Leclerc é muito válido a saída de VEttel, era realmente uma pedra no sapato, pois, como vc consegue ser nomeado primeiro piloto, se o outro cara é tetra? E pode-se falar muitas coisas do VEttel, mas em Mônaco foi perfeito, demostrando que experiÊncia conta muito. O Sainz é muito bom piloto e com certeza vai crescer na FErrari (se não o sabotarem como fizeram com VEttel). E olha, se netra um patrocinador forte, espanhol, como santander (que era do Alonso), o Leclerc ta ferrado, vira segundo piloto. Essa novela aí vai ter episódios interessantes. VEttel a pedra do sapato saiu da frente, mas a Ferrari achou outra eim. Quem paga mais ali leva.

  • Hamilton ainda teve sorte com os abandonos de Leclerc e Bottas. Poderia ser pior.

    A volta de Alonso lembra muito a de Schumacher. E, por enquanto, pior: Schumacher vinha de 3 anos parado contra 2 do espanhol, e ainda pegou um regulamento totalmente diferente.

  • Tudo dito:

    Feliz pelo Vettel / Cada vez mais surpreendido pelo Norris / Desapontado pelo Ricciardo, mas acho que ele se encontrará, a velocidade está lá no carro e pelo que o Rico Penteado diz o Ricciardo tem um talento natural que demorará a aflorar / No aguardo do Alonso estourar com a equipe (dizem que a Equipe pode estourar com ele) / Feliz pela Ferrari / Feliz pelo Ocon / Feliz pela temporada de 2021 com Verstapen e Hamilton nos presenteando com shows individuais em cada Etapa.

    Que os Deuses do Automobilismo iluminem algum Brazuca para que o mesmo arranje um lugar de destaque nesses próximos anos nessen grid de F-1 recheado de bons pilotos.

  • Acho que a pergunta certa pra Ferrari é: não tinha como saber que estava tão ruim a ponto de nem conseguir largar?

    Que deveria ter trocado é fácil saber mesmo, mas baseado em quê concordaram com o “acho que dá, manda bala”?

  • Acho que a Ferrari acertou em arriscar: ou uma vitória redentora na pista mais famosa do calendário, ou acabar a prova em sexto lugar (que é o que ia acontecer com a troca do câmbio) – a ousadia às vezes é necessária aos vencedores, pena que não deu.
    Hamilton me pareceu bem infantil reclamando publicamente da Mercedes, culpando tão somente a equipe. Tivesse feito um trabalho melhor no sábado, ele teria conseguido mais pontos. Seu companheiro não reclamou tanto e conseguiu uma ótima posição de largada, mesmo com aquele entre eixos longo do seu Mercedes-AMG. Pegou mal, quando ganha, é “Obrigado rapazes” no rádio, no Pit fala ao repórter: “Foi uma prova muito difícil, não sei como suportei” – mas quando perde feio, é essa transferência total de culpa.

  • Foi bem impressionante o fato de ser a primeira prova do ano em que o piloto que para primeiro para troca de pneus, volta (muito) mais lento que os que tinham pneus com mais de 30 voltas.
    Quem conseguiu ficar mais tempo na pista antes da parada se deu muito bem.
    Vettel e Pérez foram dois deles. Stroll e Ocon também retardaram as paradas e ganharam posições.
    Quem antecipou parada, casos de Gasly e Hamilton, caíram.
    E o “grande” George Russel deu graças a Deus de cruzar a linha de chegada à frente de Latifi que fungou em seu cangote a corrida toda.
    Verstappen, Sainz e Norris fizeram corridas sem erros e levaram os carros ao pódium.
    Leclerc digno de pena não ter largado, e Bottas (após a saída de Hulk) continua sendo o piloto mais azarado da F1.
    Falando em Bottas, pensar que 99% do blog acha que Ricciardo é mais piloto que ele….. o que faz um sorriso não?

  • Menção honrosa ao El Lenton de las Asturias.
    Compensou a enorme falta de educação que teve com a Mariana Becker em Portugal. De forma sincera e educada admitiu nas entrelinhas que, atualmente, como piloto ele é um bom vendedor de bonés.

  • Eu acho essa regra de tirar a volta rápida por bandeira vermelha uma besteira monumental. Vai acabar acontecendo de os pilotos até cogitarem abortar uma segunda volta com pé embaixo se fizerem uma volta boa antes. Os treinos que são chatos poderão ser piores. E fora que estão levando em conta um monte de “se” dos pilotos que disseram que se não fosse a batida fariam a pole, como Sainz, Bottas, etc. Se for pra criar uma regra pra essa baboseira, que acrescentem tempo adicional pra mais uma rápida pra quem tava na pista na hora da bandeira vermelha.

  • Sobre a regra da punição para a bandeira vermelha, comento aqui o mesmo que comentei no blog do Fábio Seixas. Ajuda, mas não resolve completamente o problema.

    Lembro da corrida na Áustria ano passado, em que Bottas saiu da pista quando tinha o melhor tempo, passeou uns instantes na grama e causou uma bandeira amarela no setor, comprometendo a volta de todos que vinham atrás dele. E não deu tempo de ninguém mais abrir uma nova volta. Provavelmente não foi intencional também mas ele foi beneficiado. E, ao contrário de Leclerc, só teve que levar o carro para dar uma limpada e estava pronto para a corrida.

    Para resolver, portanto, a regra poderia ser estendida, aplicando a punição também a quem causar uma bandeira amarela que prejudique o tempo de volta de quem vem atrás. Se não causar prejuízo a ninguém, não precisaria excluir a volta.