MAXSTRUDEL (2)

Verstappen: sexta pole na carreira, terceira no ano

SÃO PAULO(a chuva vem?) – O momento é de Verstappen e da Red Bull. Quanto a isso, não há dúvidas. O moço fez sua terceira pole no ano, sexta na carreira, e é franco favorito à vitória amanhã no GP da Estíria. Mesmo se chover, que é o que diz a meteorologia. Mas ela disse que ia chover hoje e não choveu. Seja como for, Max colocou 0s226 em cima de Hamilton, o segundo no grid. Entre eles poderia estar Bottas, que fez o segundo melhor tempo (0s194 atrás do holandês), mas perdeu três posições pela presepada de ontem nos boxes. Larga em quinto.

Veremos um novo duelo tête-à-tête dos dois nessa corrida? É possível, mas receio que só no início da prova. A tarefa de Verstappen será abrir rápido, antes que as três zonas de asa móvel sejam liberadas, ajudando nas ultrapassagens. Hamilton anda cabreiro. A Mercedes, também. É a primeira vez, desde 2014, que a equipe se vê numa situação de inferioridade. E dá sinais de que não conseguirá reagir a tempo. Insisto: quem sair na frente do campeonato depois da segunda prova austríaca, daqui a uma semana, será o campeão.

Hamilton, segundo no grid: lutar até o fim

O que resta a Hamilton, nessa altura dos acontecimentos? Lutar e tentar alguma coisa para reverter o quadro. Aproveitar eventuais chances que se lhe ofereçam, como fez nas primeiras corridas do ano — venceu três das quatro. O problema para ele é que Verstappen não parece muito disposto a dar chance para o azar.

Max fez a pole hoje com uma volta que descreveu como “deliciosa” em 1min03s841. Foi o único a entrar na casa de 1min03s, num grid apertado, como era de se esperar pelo tamanho da pista. Mesmo assim, pode-se dizer que foi apertado para os outros, não para o rubro-taurino. Ele só não foi o mais rápido no terceiro treino livre, de manhã, quando Lewis deu sinal de vida e ficou em primeiro. Mas foi fogo de palha.

Com sol e calor nas montanhas da Estíria, pouca gente nas arquibancadas pelas restrições da pandemia e asfalto torrando a 56°C, o Q1 foi divertido, com instantes finais bem surpreendentes. Quando faltavam 6 minutos para o encerramento da primeira parte da classificação, para se ter uma ideia, Latifi era o oitavo colocado. O sonho de uma tarde de verão durou pouco para o canadense da Williams, porque na última saidinha todo mundo melhorou e ele acabou eliminado, em 16º. Atrás dele ficaram Ocon, Raikkonen, Schumacher e Mazepin. Nota zero para o francês da Alpine e para o finlandês da Alfa Romeo. Ambos decepcionaram redondamente.

Russell: 11º tempo, mas larga em décimo após punição a Tsunoda

No Q2, apenas Verstappen, Bottas e Hamilton fizeram seus tempos com pneus médios, para usá-los na primeira parte da corrida. Os demais, com diferenças tão pequenas no cronômetro, não quiseram arriscar e foram de macios, mesmo. A brincadeira estava apertada de verdade. Faltando 5 minutos para o fim, 0s977 separavam o primeiro do 15º colocado. Do primeiro ao décimo, 0s371. Qualquer pelinho seria fatal. E, no detalhe, foram degolados Russell (por meros 0s008), Sainz, Ricciardo, Vettel e Giovinazzi. A Williams não pode reclamar de Jorginho. Segue indo ao Q2 em todas as corridas da temporada e hoje ficou na frente de uma Ferrari, uma McLaren e uma Aston Martin.

Ricardão, tão bem ontem, fracassou. Não encontrou explicação para o péssimo 13º lugar. Disse que seu carro perdeu performance e achou tudo “muito estranho”. Seu companheiro Orlandinho Norris, em compensação, voava lá na frente com o segundo tempo, atrás apenas de Pérez.

Norris, só sorrisos: com punição de Bottas, parte em terceiro

No Q3, a Mercedes soltou Hamilton na pista logo de cara, para que ele tivesse tempo de fazer três voltas rápidas. A melhor delas foi a segunda. Na terceira, errou e pediu desculpas pelo rádio. Verstappinho virou rápido imediatamente e sua segunda melhor volta também seria suficiente para a pole.

Além de Bottas, Tsunoda, oitavo colocado, também recebeu uma punição de três posições no grid por ter atrapalhado o #77 da Mercedes numa volta rápida e caiu para 11º. Uma pena para o japonês, que vinha fazendo seu melhor fim de semana desde a estreia, no Bahrein. Mas acontece. Não foi avisado pela equipe que a Mercedes de Valtteri estava numa volta rápida e acabou ficando no caminho do finlandês.

Tsunoda: bom fim de semana, mas punido na classificação

Verstappen e Hamilton dividem a primeira fila, com Norris e Pérez logo atrás. Um ataque do mexicano a Lewis não deve ser descartado na largada, já que ele tem pneus macios, contra médios do inglês — teoricamente, seu carro deve tracionar melhor nos primeiros metros da prova. Bottas ficou em quinto após a punição, com Gasly em sexto, Leclerc em sétimo, Alonso num bom oitavo, Stroll em nono e Russell em décimo graças ao pênalti para o japonesinho.

A Red Bull vem de três vitórias seguidas, algo que não conseguia desde 2013 — quando Vettel papou nada menos do que as nove últimas etapas do campeonato para conquistar seu quarto título mundial. Desde o início da era híbrida da F-1, em 2014, a Mercedes nunca ficou mais do que três corridas sem vencer. Isso aconteceu apenas duas vezes. Em 2018, nas três primeiras provas do ano deu Ferrari/Ferrari/Red Bull (com Vettel para o time vermelho nas duas primeiras e Ricciardo para a equipe austríaca). Em 2019, depois das férias de verão, a Ferrari venceu três consecutivas com Leclerc na Bélgica e na Itália e Vettel em Singapura.

Desconfio que a equipe alemã terá de conviver com essa sequência indesejável amanhã, se a lógica prevalecer. Falaremos disso mais tarde, às 19h, no “Fórmula Gomes” lá no YouTube.

O grid corrigido: Verstappen favorito e Mercedes em situação incômoda

Como falaremos também do anúncio da F-1 de que em 2023 o GP da Rússia muda de endereço. Sai da aborrecida pista de Sóchi para a linda São Petersburgo, onde fica o Autodrom Igora Drive — a cerca de 50 km da cidade, é verdade, mas numa região muito mais interessante, no mínimo.

A pista, desenhada por Hermann Tilke, tem apenas 4.086 m de extensão e 15 curvas. Parece interessante, daquelas que piloto costuma dizer que tem “fluxo”, com bastantes curvas de alta e pelo menos dois bons pontos de ultrapassagem. Qualquer coisa é melhor que Sóchi, vamos combinar.

A pista de Igora, a 56 km de Leningrado

Comentários

  • Parece que o novo rei agora é o Verstappen, e o Hamilton cabe agora rezar para que os ventos do Egeu soprem para o seu lado.
    O novo previsível agora parece ser Verstappen na Pole, e o Mazepin continuando em último.
    Ferrari discreta com Leclerc em sétimo e péssima com Sainz em décimo segundo.
    Norris o melhor coadjuvante em terceiro, enquanto Ricciardo sofre com sua McLaren em décimo terceiro.
    Surpresa ver o Russell em décimo no grid com sua carroça Williams.

  • Dois fatos a notar:
    1 – em ritmo de corrida, com pneus amarelos, Lewis foi ligeiramente mais rápido do que Max
    2 – a ultima volta de Hamilton ono Q3 ficou bastante prejudicada de inicio, porque ele esperou demais para acelerar, e entrou lento na reta, perdendo mais de 2 décimos já no primeiro trecho (curto) cronometrado.

    Pela foto, gostei dessa pista de são Petesburgo.

    Antonio

  • Boa Noite FG, sim eu leio o seu blog , desde o dia que vc o iniciou , acompanho vc desde os tempos da Folha / JP , adoro seus comentários e adoro xingar vc quando não gosto deles 😊.
    O que mais curto é quando vc posta e fala sobre seus carros antigos .
    Falta muito para o SAAB ?
    Posto os filmes sobre seus carros em todos os grupos de carros antigos aqui da região de Sorocaba .
    Estamos no mesmo grupo dos SAABs, nos conhecemos pessoalmente já e tenho vc como um amigo , que respeito e admiro .
    Ah , os livros !?
    Só não os comprei ainda porque a grana está curta .
    Se tudo correr bem , compro o Boto do Reno no dia 8/7.
    Abraço , tudo de bom para vc , sua família e a turminha do galpão …
    Desculpe se coloquei aqui , mas não me ocorreu um local melhor …:

  • Adoro a Austria,tanto a corrida como toda região de Graz,as pessoas amam a F1,o público é diversificado, é legal o clima da corrida ,principalmente nos setores populares, com banda de rock antes da corrida,mas um adendo “nas montanhas do Tirol”,essa região não pertence ao Tirol…abraço