SEM MERCEDES

SÃO PAULO (retomando) – A Mercedes anunciou hoje que ao final da oitava temporada da Fórmula E, no ano que vem, deixa a categoria. Era decisão já esperada depois da boataria que tomou conta do paddock em Berlim no fim de semana. Os alemães chegaram à série elétrica na temporada 5, como fornecedores da HWA, uma parceira antiga. O time próprio estreou na sexta temporada e, neste ano, vieram os títulos de pilotos, com Nyck de Vries, e de equipes.

As explicações e declarações foram as de sempre, sem muitos detalhes: missão cumprida, concentrar esforços e gastos na F-1 e na eletrificação de carros de rua (até o fim da década a Mercedes pretende produzir apenas carros elétricos), parabéns a todos, sorte para a F-E.

Mas a categoria não pode negar que vive seu pior momento. Audi e BMW, outras duas gigantes alemãs, deixam o campeonato já e não estarão no próximo. Até agora, ninguém da organização falou sobre os desfalques. A pandemia pegou a F-E em cheio, já que uma de suas principais características, corridas de rua no meio do povo, não pôde ser mantida por conta das restrições sanitárias impostas no mundo inteiro.

Mas a debandada de montadoras importantes mostra que tem mais algum fio desencapado nesse negócio. Será que acabou o encanto?

Comentários

  • Essa notícia quebrou na raiz o meu palpite de que em algum momento Hamilton seria o embaixador-mor dos carros elétricos indo pra Mercedes na F-E.
    Sempre tive a opinião de que isso teria tudo a ver com ele.
    Concordo que tem gato nessa tuba. E não é por falta de competitividade. O campeonato desse ano teve uma penca de possíveis campeões até a última prova, e uma ruma de vencedores diferentes. Não sei o que é. Pode ser efeito covid, mas não só isso.
    E ela já deixou de ser a categoria dos rejeitadinhos, esse argumento já tá batido há uns três anos no mínimo. Já podemos mudar o disco. Muitos desse grid que não correram na F-1 poderiam ter vaga lá, fácil, se hoje o principal requisito não fosse ter vínculo umbilical com uma montadora ou ter um caminhão de dinheiro de patrocínios. Eu preferiria um Rowland, Bird ou mesmo um Jake Dennis (não apostaria um dólar do Zimbábue nele, que baita surpresa) do que um Mazepin ou Latifi. Ou mesmo o Sette Câmara, se é pra pachecar. Ainda peca com gerenciamento de bateria, mas lembremos que ele está na segunda pior equipe do grid.
    Nyck de Vries teria vaga na F-1 fácil, se não fosse a terceira opção da Mercedes, depois de Bottas e Russell. É jovem, rápido, e fez o que se esperava dele. Ser o primeiro campeão numa categoria principal chancelada pela FIA. É, Vespa, dorme com essa. Lembremos que nem a F-2 ele correu, pular etapas dá nisso.
    E, pra quem fala em falta de evolução ou corridas sem graça, vou fazer o papel de advogado do Diabo agora.
    Há não muito tempo, se trocava de carro porque senão a corrida teria dez voltas.
    Pegaram uma ideia do zero, num momento em que a tecnologia ainda engatinhava, e estamos num momento em que nem os carros de rua elétricos se comparam aos com motor a combustão. E com pandemia no meio, e ainda teremos muita crise rolando por aí, nos preparemos. E os caras fizeram uma categoria de classe mundial, se tornando uma opção para pilotos jovens, em meio de carreira e veteranos, uma competitividade, que se em alguns pontos é artificial, traz a importância do braço e estratégia (falei estratégia, não malandragem, sim, tô falando do sacuL, o espertão!), e tem a chancela da FIA.
    A Fórmula 1 levou décadas para sair de uma categoria de baratinhas inseguras (é só ver uma exibição de carros de F-1 antigos para dar valor ao que Fangio, Farina e companhia faziam) e razoavelmente lentas, para se tornar o supra-sumo da tecnologia de carros a combustão. Não podemos querer que em cinco anos carros elétricos façam 400 km/h, nem que andem em Monza, Spa ou ovais. Gostaria muito que isso acontecesse já. Garanto que a organização deles gostaria mil vezes mais do que eu. Mas é tecnologicamente impossível.

  • Concordo com essa visão. Eletrificação 100% não é sustentável sem célula de energia.
    O interesse de Porsche e Audi pelos híbridos do novo regulamento LMDh não é de graça.
    Toda a cadeia produtiva de um carro elétrico é complicada em termos ambientais. Válidos em grandes centros poluídos, mas não para uso geral.
    Vamos ver que rumo as coisas tomam…

  • Complementando o meu comentário, é claro que a gente sempre espera um pouco de imprevisibilidade em qualquer esporte, mas chegar na última rodada com mais da metade dos seus participantes com possibilidades de título é sinal de que tem algo errado na fórmula de disputa, e seria assim em qualquer campeonato de qualquer coisa.

  • Aos poucos as montadoras e os governos vão perceber que o sonho de todos os carros 100% elétricos no mundo todo até 2030 é utopia, visto à Porsche investindo em combustíveis sintéticos.

    Some-se à isso um regulamento esdrúxulo da categoria (fan boost e a aberração do attack mode são um desserviço ao esporte) e as pistas horríveis, e tá aí o resultado. Desinteresse do público e consequente desinteresse das montadoras.

  • A FE pensou em tudo, menos no esporte. A categoria é lenta, as corridas são bisonhas e os circuitos são intragáveis, com um combo desse, não adianta ter o segundo melhor grid do mundo nem toda a grana para greenwashing das montadoras, o produto é ruim, simples.

    Daqui a dois anos, WEC, IMSA e ELMS vão estar bombando com uma formula que prevê tanto participação de montadoras, quanto mercado para as mesmas, vai ficar difícil para o Agag.

  • Essa Fórmula E já nasceu morta.

    quem que gosta de ouvir umas abelhas ou liquidificador correndo????

    sorte que as montadoras estão picando a mula…e voltando a investir na F1 e outras categorias

  • Um porre assistir a isso, parece autorama, ninguém passa ninguém a não ser qunado ativado o “modo de ataque”.
    Aliás, os campeonatos em geral parecem-me servir para outras finalidades além do automobilismo, patrocinadores desconhecidos com aportes monstruosos, pilotos “novos ricos” e por aí vai.

  • Na minha opiniao o caldo comecou a desandar com os batmoveis da segunda geracao.
    Os carros ficaram grandes demais para pistas pequenas, dificultando as ultrapassagens e tirando a necessidade de troca de carro, que era um excelente ingrediente de estratégia.

  • Um dos motivos é que a FE por ser “spec series”, não permite as montadoras competirem tecnologicamente no “hardware”, apenas no “software”.

    Aparentemente, todas essas montadoras que estão debandando agora devem participar da categoria que a FIA anunciou recentemente, a Electric GT.

  • Flávio, boa noite.
    As corridas são chatas, a única que parei para assistir os carros andavam lentamente para terminar a prova.
    Parece a Indy eletrificada, sem atrativo para o público.
    Eu acho uma iniciativa legal, carros elétricos são uma realidade, mas para FE falta esportividade e emoção…….uma pena.

  • Pistas horrendas, corridas que mais parecem competição de kart amador, muitos pilotos meia boca. Não vou nem falar da ausência de som, porque realmente não ligo. O nível da competição, em si, sempre foi fraco. Se corressem em circuitos de verdade, a 300 km/h, seria ok.