SPANTOSAS (3)

Safety-car na tentativa de largada: não deu

ITACARÉ (histórico) – Não adianta dar chilique. Não adianta xingar o diretor de prova, a FIA, os comissários, a Liberty. Não adianta ficar repetindo feito matraca que antigamente corriam de qualquer jeito, que a F-1 está mimizenta, que os pilotos são medrosos. Não adianta ficar lembrando que já teve corridas no passado em condições piores, nem berrar “pra que servem os pneus de chuva, então?”.

Se algo deve ser criticado hoje depois do que aconteceu em Spa-Francorchamps são as imprecisões do regulamento — que não preveem tudo, paciência. Essas imprecisões podem ter causado algum ruído no entendimento formal do evento, a saber: afinal, quantas voltas teve essa corrida? Por que Pérez pôde largar? Por que chutaram um número de 39 voltas e depois meteram um cronômetro com contagem regressiva de uma hora?

Mas isso não tem nenhuma importância diante da decisão essencial e, essa sim, perfeita: não dá para correr, não corre. Ponto. Cumprir um número de voltas X atrás do safety-car para atender às demandas contratuais e estatutárias é apenas um teatrinho sem maior relevância. É meio ridículo, bobo, mas repito: o importante era assumir que com aquela chuva toda o risco para a vida dos pilotos seria enorme. Se no passado deixavam correr de qualquer jeito, lamento pelo passado. Muita gente morreu e se machucou por isso. Os tempos são outros. Felizmente as pessoas estão mais responsáveis. O público pagou e ficou tomando chuva? Paciência. Acontece. Ninguém está pedindo para que todo mundo fique feliz por isso. Mas acontece e não é culpa de ninguém. É raro, mas não anormal. Foi apenas a sexta vez em mais de 70 anos de F-1 que um GP teve seus pontos divididos pela metade.

Estão todos vivos. E isso é o que importa.

GP de uma volta: oficialmente, foi isso

Aí está o resultado oficial do GP da Bélgica de 2021, vencido por Max Verstappen segundo a classificação da pista na primeira volta, a penúltima antes da volta na qual a mensagem de “corrida suspensa” foi emitida. George Russell foi o segundo e Lewis Hamilton, o terceiro. “O líder cruzou a linha de controle três vezes cumprindo a exigência de ter completado mais de duas voltas, de forma que metade dos pontos sejam atribuídos”, informa o texto no rodapé.

Poderiam ter cancelado o GP? Sim, mas as regras oferecem algumas possibilidades para evitar isso e elas foram aplicadas. Poderiam ter passado para amanhã? Talvez, mas seria complicado — a pista é uma estrada aberta ao tráfego, os voluntários têm de trabalhar, mas o que eliminou essa possibilidade foi a previsão de tempo para a segunda-feira, de chuva o dia inteiro de novo. O que se fez foi… tentar. Já vimos provas atrasadas, já vimos provas encerradas antes do tempo, já vimos de tudo. Tentaram. Não deu. Domingo que vem tem outra.

“Money talks”, disse Hamilton, num discurso meio vazio, desnecessário e com ares de clichê. “Não sei quanto tempo as pessoas ficaram lá tomando chuva ou na frente da TV, mas no fim das contas a decisão foi correta, não há por que correr riscos desnecessários”, falou Vettel. Muito mais sensato. Claro que ninguém gostou do que aconteceu, é esquisito considerar essas voltas atrás do safety-car uma corrida, mas é o que sempre digo: para situações excepcionais, soluções excepcionais.

De novo: estão todos vivos, e isso é o que importa.

A espera no pitlane: chuva foi implacável

De uma maneira ou de outra, acabou sendo um domingo histórico. Foi o GP mais curto de todos os tempos, superando o da Austrália de 1991, interrompido após 14 voltas e muitos acidentes por causa da chuva em Adelaide. Com metade dos pontos atribuídos aos dez primeiros, Verstappen reduziu de 8 para 3 pontos sua diferença para Hamilton na classificação: 202,5 a 199,5 para o inglês. Max chegou à sua 16ª vitória na F-1, sexta no ano. Russell subiu ao pódio pela primeira vez e deu à Williams um troféu depois de quatro anos — terceiro lugar de Lance Stroll no GP do Azerbaijão de 2017. Como Latifi foi o nono, a equipe somou pontos com seus dois pilotos pela segunda vez seguida. Ricciardo, em quarto, obteve sua melhor posição com a McLaren.

Os pilotos, claro, sabem que o valor desses resultados é bem relativo. Mas como tirar de Russell a alegria pelo segundo lugar? Um GP tem três dias, afinal. Seria justo que ele saísse de mãos abanando depois do extraordinário segundo lugar no grid de ontem? Sua alegria era genuína e merecida. Os outros dois do pódio, mais acostumados à cerimônia, não saíram saltitando pelo paddock. Compreensível. Têm, ambos, uma coleção de taças. E, no geral, todos os pilotos compreenderam o esforço para se fazer a corrida e aceitaram sua não realização. Preferiram, em vez de criticar “o sistema” — Hamilton à parte –, elogiar o público que, resiliente, ficou debaixo do temporal por horas a fio até que a prova fosse declarada encerrada, às 18h44 locais.

Público paciente: ninguém arredou pé até o final

O dia começou chuvoso de novo na região das Ardenas e na hora da largada, 15h locais (10h aqui), a direção de prova já avisou que a programação iria atrasar. Às 10h25, atrás do safety-car, os carros foram para a volta de apresentação. Um já estava fora: Sergio Pérez tinha batido na Les Combes quando ia para o grid.

Foram duas voltas seguindo o Mercedão vermelho pilotado por Bernd Mayländer e a constatação: com o tanto de água na pista e a chuva que não parava, a visibilidade era nula. Não haveria condições de começar a corrida daquele jeito. E a bandeira vermelha foi acionada, com os pilotos chamados para o pitlane.

Pérez bate a caminho do grid: condições impraticáveis

A partir daí, o que se viveu em Spa foi espera, e nada mais. De vez em quando a direção de prova avisava que dali a tantos minutos daria mais alguma informação. Enquanto isso, discutia-se se Pérez poderia largar, já que a Red Bull arrumou a suspensão de seu carro. No fim, permitiram, desde que fosse dos boxes.

Foi só às 13h07 (de Brasília) que a direção de prova anunciou: daqui a dez minutos vai começar. Em relação ao horário original de largada, já haviam se passado mais de três horas. Há uma resolução que limita em três horas a duração do evento, independentemente do número de voltas completadas ou interrupções forçadas. Mas, por “motivos de força maior”, a direção de prova parou esse cronômetro e reservou uma hora para a corrida, se houvesse condições de largar.

Às 13h17 os carros foram para a pista, de novo atrás do safety-car. Às 13h25, nova bandeira vermelha. Às 13h44, o anúncio: acabou, vamos para casa.

Nessas três horas entre a primeira largada e a tentativa da segunda, viu-se de tudo nos boxes. Equipes jogando baralho, tomando café, chá e chocolate quente, piloto jogando bola, acenos para a torcida, um dormindo, outro vendo mensagens no celular, outro tirando selfie…

De vez em quando o carro médico ia para a pista verificar as condições e voltava com más notícias.

O acidente de Norris ontem e a lembrança da morte de Jules Bianchi no lusco-fusco molhado de Suzuka, anos atrás, certamente levaram Michael Masi a pensar mais de duas vezes antes de soltar todo mundo na pista. É verdade que os pneus de chuva drenam 80 litros por segundo quando passam pela água e depois de algumas voltas é possível que o asfalto começasse a melhorar. Mas qual o preço a pagar até isso acontecer? Acidentes, certamente. Porque, de fato, não estava dando para enxergar “mais de cinco metros à frente”, nas palavras de Hamilton — que, diga-se, também concordou com a suspensão da prova.

O discurso comum de pilotos e chefes de equipe foi de que, ao fim e ao cabo, Masi fez muito bem de impedir a corrida de ter continuidade. “Se alguém roda na primeira volta, acontece um acidente enorme. Não tinha condição nenhuma”, disseram, em coro, Gasly e Tsunoda — para quem “do sétimo para trás ninguém estava enxergando nada”. O diretor de prova jura que quando mandou todo mundo para a pista na segunda vez, a intenção era mesmo de largar. Mas a chuva persistente e os testemunhos dos pilotos, além das imagens da TV, se encarregaram de abortar a ideia.

São outros tempos, como já dito, de maior preocupação com a segurança e responsabilidade coletiva. Não vi nenhum piloto contrariado por não correr — a condução do processo pode ter desagradado alguém, mas não se ouviu de ninguém que dava para se jogar de peito aberto naquela água. “Claro que a gente não gostou da história de dar metade dos pontos, mas as regras preveem essa possibilidade e agora não temos de reclamar, é empacotar as coisas e seguir para a próxima”, falou o chefe da Mercedes, Toto Wolff. “Os verdadeiros heróis hoje foram os torcedores. Mas não havia condição nenhuma de correr, seria muito perigoso.”

No cercadinho das entrevistas, a imagem mais bem acabada de como a maioria encarou o dia de hoje com naturalidade — sem a revolta de fãs e comentaristas que notei ao longo da tarde — foi a brincadeira de Norris com Verstappen. Ela pode ser vista neste vídeo aqui. “Grande corrida, Max”, falou o inglês. “Eu estava chegando em você!” O holandês, que não é exatamente o rei da simpatia, riu gostoso.

Todos voltaram para casa vivos. É para ficar revoltado?

Comentários

  • Analise perfeita. Não dava pra correr, não pela agua na pista, mas pela visibilidade. E seria muito dificil alguem assumir uma posição fora do que esta “previsto” no regulamento, principalmente hoje em dia, numa F1 que envolve um grupo e não somente o Bernie pra assumir a bronca.

  • Ah meu caro Flávio Gomes, ás vezes tu quer ser sensato, mas erra na dose. A galera tá brava não pelo fato que queria que tivesse corrida de qualquer jeito, como você explanou no começo. A galera ficou revoltada justamente pq teve a “corrida” de qualquer jeito. A revolta é por terem feito esse teatrinho desnecessário. Sim, o regulamento é ridículo, é, mas se não tem condições não faz corrida, igual fez a MotoGP na Grã-Bretanha em 2018. E pessoalmente, acho que o regulamento deve ser mais direto na questão de listar quais as situações que dá ou não para ter condições de corrida, exemplo, ponto de aquaplanagem na pista, visibilidade menor que 5 metros, etc. Ter um protocolo igual ao da Indy. Lá a gente sabe, choveu, não tem corrida. Agora, na Fórmula 1, de uns tempos para cá, quando chove, a gente não sabe mais o que vai acontecer e é nesse momento que a categoria perde credibilidade, igual o pessoal comenta da Formula E e da Stock Car. Agora para fechar, que bom que todos estão vivos e secos tbm.

  • Se o líder cumpriu a exigência de ter completado mais de duas volta, como que o resultado oficial considera apenas uma volta e entrega pontos aos pilotos? Logo, Verstappen tinha de receber o ponto da melhor volta, também. No resultado oficial ele fez a melhor volta. Também acredito que o cancelamento da corrida foi o mais sensato, mas virou uma confusão daquelas.

  • Há pontos a serem pensados e talvez corrigidos? Sem dúvida. Mas isso aí são eles que terão que discutir, não eu.
    A gente fica frustrado? Fica. Mas passa. Rawe Ceek again!
    Mas, no final foi melhor assim do que hoje equipes chorando prejuízo de milhões de dólares (tá, a Red Bull tomou um preju e teve que consertar o carro do Pérez às pressas, e vai ter que fazer alinhamento e balanceamento depois, mas pelo menos o chassi tá inteiro e o piloto também!), punições por troca de peças e, o pior de tudo, chorar lesões ou perda da vida de pilotos.
    Aquela panca do Orlandinho saiu até barato, visto o que poderia acontecer. Umas sessões de fisioterapia e uns Voltaren e o cotovelo do garoto tá novo em folha.
    Russell foi a atípica vaca no poste. Atípica porque, dessa vez, se pode explicar perfeitamente como ela subiu e como foi parar lá em cima. Um pouco de sorte com muito talento, e o garoto quase quebrou a banca de todo mundo com um trator.

  • Vamos fazer uma suposição.
    Lewis e Max chegam empatados ao fim do campeonato e Max é campeão nos critérios de desempate por ter uma vitória a mais. Vitória naquela corrida que não ocorreu. Tá, é o regulamento, mas o regulamento não prevê simples cancelamento da corrida? Se prevê, na minha humilde opinião, isso é o que deveria ter sido feito! Podem manchar o resultado de um campeonato, que até o momento, vem sendo muito disputado e muito legal de assistir com há muito tempo não víamos.

  • Não concordo com a distribuição de pontos. Que o Campeonato não dependa desta etapa. Podiam ter realizado o pódio sem validarem pontos afinal não houve corrida. Tipo o GP da África do Sul de 1981, houve corrida e não distribuíram os pontos que mudaria o campeão.

  • Acho que a revolta, ou insatisfação dos que não concordaram, não está sendo bem interpretada.
    É óbvio que não havia condições de largar daquele jeito, o risco de acidentes graves era muito alto.
    A questão é o regulamento, se não pode ter corrida, ótimo, mas é preciso ter alternativas como adiamento para o dia seguinte (tão comum nos Estados Unidos) ou até cancelamento. O que não é aceitável, na minha opinião, é dizer que três voltas atrás de safety car é corrida e computar resultado.
    No mínimo, a regra deveria dizer que as 3 voltas devem ser sob bandeira verde, caso, ainda assim, não seja possível, a corrida deve ser adiada para o dia seguinte ou cancelada para outra data.
    O GP da Turquia foi cancelado, olha aí a oportunidade que se perdeu para encaixar Spa…
    Meu questionamento é sobre o regulamento, que não dá uma boa solução para eventos que podem acontecer, embora sejam raros.

  • Ninguém ia morrer, todos pilotos do grid atual tinham tudo para enfrentar a situação da pista que nem água parada tinha. Tudo menos coragem. Carros iriam sair da pista, asas quebradas, talvez um ou outro hematoma, egos feridos e na pior das hipóteses algum piloto perderia a próxima etapa com uma dor ou outra devido a uma pancada mais forte. Com certeza não deixariam um trator entrar na pista com os carros correndo, que foi o caso de Suzuka em 2014, e o acidente de Grosjean no Bahrein não aconteceria da mesma forma em Spa, muito menos com tanta chuva e a diferente configuração das barreiras e guard rails.
    Uma batida, porém, poderia custar penalidades para equipes e consequentemente pilotos com perdas de unidades de força mais pra frente. Esse regulamento de punições, na minha visão, era o maior risco para equipes e pilotos não querer correr. A corrida deveria acontecer, os carros iriam se espalhar pela pista e o problema do spray e da visibilidade iria diminuir naturalmente, ainda mais com os carros drenando a água a cada volta.
    Em condições normais pilotos nas 500 milhas de Indianápolis correm muito mais riscos que os pilotos da F1 correriam nessa prova com a condições de ontem. Os fãs na chuva e no frio, em meio a uma pandemia retomando força com novas variantes correram muito mais risco que os se fosse dada a largada. Os carros de F1 nunca foram tão seguros e os pilotos nunca ganharam tão bem pra fazer o que fazem, que não é nada perto do que seus predecessores faziam antes, com muito menos. Por outro lado os carros de F1 nunca foram tão caros e as equipes tão limitadas no uso de recursos e unidades de força, talvez uma exceção na regra de uso peças sobressalentes em condições de “Força Maior” já evitaria fiascos desses. Foi uma corrida histórica, mas tinha tudo pra ser épica.

  • Bom dia Flávio Gomes sou seu fã estou assistindo sua live agora concordo em muitos aspectos com sua opinião, mas eu não entendo a questão das duas voltas para validar uma corrida, na minha grande ignorância em entender competições de todos os gêneros é que nenhum piloto competiu e se tivesse somente 2 voltas em bandeira verde tenho quase certeza que o resultado não seria esse. Acho que somente o cancelamento seria o mais justo.

  • “não dá para correr, não corre.”
    Tauquei, também acho.
    Teve bandeira verde? Não!
    Se não teve bandeira verde não teve corrida.
    A entrevista, podium, pontos, troféu, etc, foram teatro.
    Tudo fake.

  • Deveriam correr.
    Ninguém iria acelerar que nem um louco em situações dessas, cada um iria entender os limites que a pista iria oferecer. Fora a vida que todos iriam se precaver, uma encostadinha nos pneus de proteção já arrebenta o carro, obviamente que a cautela seria praticada por todos.
    Era a chance de equipes menores conseguirem pontos contando com a destreza em chuva de seus pilotos. Russel poderia sair como um gênio dessa corrida. Latifi e Stroll na chuva são ótimos, Vettel brigaria por pódio. Até Pérez depois da barbeiragem na volta de instalação poderia escalar o pelotão pois é muito bom de chuva. O que fariam Ocon e Alonso outro dois experts? Imaginem que perdemos um duelo Verstappen e Hamilton na chuva, dois grandes nesse cenário.
    A direção ainda tinha a possibilidade de se por acaso começarem a ter muitas saídas de pista por conta de aquaplanagem, parar a corrida e tenta mais tarde.
    Já o piloto que após a largada se sentisse desconfortável com as condições de pista poderia muito bem abandonar a corrida e se preservar.
    Além de tudo isso, temos um grid de qualidade na F1. Por incrível que pareça Mazepin é um piloto muito melhor do que o início do campeonato.
    Me senti um idiota acompanhando os carros atrás do SC, esperando o momento da liberação da corrida, mas com tudo já “arrumado” para a bizarrice que foi fechar a corrida daquela forma.
    Pódio sem corrida foi das maiores patifarias que vi na F1. Ridículo.

  • O principal, pensaram na segurança. A divisão dos pontos, embora agrade a uns e desagrade a outros, premiou o esforço de todos no treino. Todo mundo trabalhou, todo mundo fez sua parte, pelo menos alguma recompensa pelo trabalho feito na sexta e principalmente no sábado. Russell tirar a volta que tirou na classificação, vale sim metade dos pontos do segundo lugar. Crime seria não valer de nada. Bola pra frente!

  • Concordo com tudo que vc disse Flávio. Foi um dia atípico. Só acho que demoraram demais para decidir o óbvio. Não dava para ter corrida. Fazer o público esperar tanto tempo para um final como esses, na minha opinião, passou do ponto.

  • Não tinha que correr, não dava pra correr. A revolta é mesmo com a condução das coisas, que acabou levando a um “fingimos que teve corrida, vocês fingem que acreditam”. Que dessem os pontos de acordo com a qualificação, ok, mas falassem isso: não teve corrida, os pontos vão de acordo com a classificação. Melhor ainda se remarcassem para outra data, ou ainda que tudo isso sirva para rever um monte de pontos cegos do regulamento.

  • DANILO, gostei do seu comentário (domingo, 29 de agosto de 2021 às 22:29)! É bom poder discordar civilizadamente, com cada um apresentando seus pontos de vista sem necessidade de agredir o outro. E obrigado por ter lido meu comentário! Seus pontos foram interessantes!

  • A pista estava impraticável. Ponto. Não tinha que ter corrida. Ponto final.
    Aí inventaram duas voltas, atrás do SC para dizerem que teve “corrida” e dar pontos que, lá no final, podem até decidir o campeonato à favor de Max por ter vencido uma corrida que não existiu. Ele pode ganhar o campeonato por uma volta no treino que lhe valeu uma meia vitória que rendeu 12,5 pontos, 5 à mais que Hamilton. Se ele vencer o campeonato por esses 5 pontos à mais vai ser bacana? Não acho. Na minha opinião, seria para sempre um campeonato contestado. Não dá para correr, não corre. Ah, mas se não tivesse corrida não iria beneficiar Hamilton? Não acho. Pontos se ganham correndo e não andando 2 voltas atrás de um SC. Dizer que o cara ganhou uma corrida de 2 voltas nas quais ninguém podia ultrapassar? Pelo amor de Deus. Tenho 48 anos de F1 e talvez tenha sido a decisão mais absurda que vi nesses anos todos.
    Fiquei extremamente feliz com o desempenho do Russel. Espero que a Mercedes não faça a cagada de ficar com o Bottas. Hamilton pode até não gostar da ideia, mas Russel tem que ir para lá.

  • Galvão Bueno no Twitter ficou estrilando com a decisão da direção de prova e soltou essa: “Em 1985, o GP da Bélgica em Spa era em junho. Com os treinos de sexta e sábado o asfalto novo foi soltando! Cancelaram a prova e mudaram pra 15 de Setembro! Ayrton Senna ganhou!! Outros tempos”.
    Incurável.

  • Elia Jr calado é um poeta. É um Neto um pouco mais instruído. Afirmar que o risco é inerente ao automobilismo e que a corrida deveria ter seguido naquelas condições é coisa de mala e não de âncora. Depois do que aconteceu com o Norris no sábado, e era óbvio que aconteceria, defender corrida em Spa em condições de visibilidade zero e aquaplanagem na Eau Rouge – Raidillon é o mesmo que achar divertido assitir a 20 pilotos obrigados a jogar roleta russa.

  • Realmente era muita chuva. Concordo com a ideia de que fazer as voltas atrás do Safety Car para formalizar a corrida permitiu conceder pontos para o trabalho feito sexta e sábado, especialmente para as ótimas voltas do Verstappen e Russell. Talvez possam considerar uma mudança no regulamento para evitar a necessidade dessas voltas atrás do Safety Car, que acabou gerando muita polêmica e de certa forma traz um desgaste na imagem da F1. Poderia ter a possibilidade de uma pontuação mais reduzida considerando a posição da classificação sem a necessidade dessas voltas se não há a mínima condição para corrida em segurança.

  • Fatos:

    1 – Todos sabiam que não haveria possibilidade de corrida, todos.

    2 – Masi estava sob muita pressão depois do acidente do Norris sábado.

    3 – Se sabiam que não iriam largar, 3 voltas foram só pra justificar uma corrida que não existiu, então Hamilton não está todo errado.

    4 – Foram muitas decisões tomadas “deliberadamente”: caso Perez, 39 voltas, ignorar as 3 horas de evento, corrida de uma hora, a impressão que se passa é de que qualquer forma teria que ser feito, mesmo que passasse por cima das regras e f*da-se a transparência.

    5 – Alguém tem que explicar pra que serve os pneus de chuva, só utilizam os intermediários, com 3 voltas e algum rastro o intermediário já fica mais rápido.

    Opinião:

    Acho o Russell legal demais e foi bonito ver a alegria dele ontem mas permita-me discordar da justificativa de que houve alguma justiça pelo “trabalho” do fim de semana. Se não teve corrida, não tem pontos, essa é a lógica, quanta gente faz bonito sábado e nunca ganhou nada por isso?

    O mais importante é que todos estão bem mas a F1 perde credibilidade.

  • Acredito que não deveria haver corrida. Segurança é o mais importante. E considerar como corrida o que fizeram, não parece ser a opção melhor, visto que não houve disputa. Sim, sei que teria sido horrivel para Russell, mas ficou estranha a corrida que não foi corrida. Cancelar seria mais adequado.
    Agora, Hamilton falando que dinheiro falou mais alto … piada né ? Esqueceu que tem um dos maiores salários da F1 ? Esqueceu que são condições contratuais que pagam parte desse monstruoso salário ?
    Enfim, o mais sensato do fim de semana me pareceu o Vettel. Reclamou da chuva, pediu bandeira vermelha e parou por se preocupar com Norris, que é um dos gigantes da nova geração, ao lado do Russell.

  • Debaixo de todo esse dilúvio, tanto do lado hídrico como dos comentários, faltou a notícia mais importante:
    Em 2071 um vovozinho chamado Nikita Mazepin vai poder contar para os netinhos que marcou a volta mais rápida do GP da Bélgica de 2021. . .

  • Flavio, vice lembra daqueles corintianos que conseguiram na justiça o direito de assistir ao jogo da Libertadores em 2013? Um dos caras era advogado, deu entrevistas falando que era consumidor e, aliás, foi com essa argumentação que eles conseguiram assistir o jogo. Então, as pessoas esqueceram o que é esporte. As pessoas se consideram consumidores: se eu paguei a internet e “Band Play” eu quero corrida e foda-se esse qualquer aí que vai correr.
    Cara, estamos vivendo um ciclo escroto que, espero, irão se diluir nas próximas gerações e, tomara, até se acabar.
    Eu torço para que o esporte, de maneira geral, volte ao amadorismo. Está insuportável futebol e automobilismo, os dois que mais gosto. Rugby eu ainda considero um exceção e sei lá até quando vai aguentar.
    Imagina se um bosta como o Lucas Di Grassi fosse piloto da Mercedes? O que me desanima muito são os “consumidores” que pagam para ter o esporte para eles.
    Abraços