TURQUINHAS (1)

Istambul chegando: promessa de boa corrida

SÃO PAULO(cada uma) – Vou começar nossa série de posts sobre o GP da Turquia com Alan van der Merwe, piloto do carro-médico da F-1. Está com Covid. Pela segunda vez. E, numa série de tuítes, diz que não pretende se vacinar.

Imbecil dos infernos, deveria ser eliminado da categoria. Não entendo o silêncio institucional sobre o assunto. Não vi Liberty, FIA, pilotos ou chefes de equipe se manifestarem sobre o tema. Ainda mais sendo o indigitado piloto do carro MÉDICO.

Seguindo no tema, o Brasil suspendeu a exigência de quarentena para quem passou pela Inglaterra nas últimas duas semanas — que levou à patética interrupção de Brasil x Argentina pelas eliminatórias da Copa dias atrás. Isso elimina de vez todas as incertezas sobre o GP de São Paulo, em Interlagos. Fim de papo, ninguém será impedido de entrar no país, a corrida será realizada em novembro.

Agora, Istambul.

Antes de mais nada, destaque-se que todos os pilotos, sem exceção, elogiaram o “grip” da pista que, no ano passado, estava um desastre. Em 2020, o circuito tinha sido recapeado duas semanas antes da corrida e, no fim de semana da prova, o asfalto ainda soltava óleo. Uma desgraça. Asfalto precisa curar. Precisa tomar sol, esquentar, esfriar, molhar, até chegar à consistência desejada. Pois chegou. O nível de aderência é o ideal. “Parece outra pista”, disse Lando Norris. “Ficou sensacional”, emendou Hamilton, que vai precisar de um asfalto bom, mesmo, para buscar mais um bom resultado.

Isso porque a notícia do dia foi a esperada troca do motor de seu carro, mas apenas o blocão V6, e não os agregados elétricos. Isso significa que o líder do Mundial já perdeu de cara dez posições no grid, mas não terá de largar em último. A Mercedes faz algo parecido com o que a Red Bull fez em Sóchi, para garantir uma reta final de campeonato para seu piloto com motor novo. Só que, na Rússia, Verstappen trocou tudo. E, mesmo partindo da última fila, chegou em segundo.

Falando em Red Bull, aí em cima está a pintura adotada para esta corrida, que acontece na data que estava reservada para o GP do Japão. A homenagem à Honda se dá com referências aos carros japoneses dos anos 60. Como a prova de Suzuka foi cancelada, resolveram fazer a despedida da montadora em Istambul, mesmo. Ficou lindona. Aliás, muito mais bonita que a pintura tradicional da Red Bull, que sempre achei feia pra burro.

A AlphaTauri também faz sua homenagem com uma inscrição em japonês na asa traseira, mas sem mudar a pintura radicalmente, como informei anteontem. E ontem Honda e Red Bull anunciaram que, apesar da saída da fábrica, uma colaboração estreita entre ambas continuará existindo, já que a equipe vai assumir a gestão dos motores. Para saber os termos desse acordo, reproduzo o texto que recebi da assessoria do time:

A Honda e o Red Bull Group estabeleceram um programa de cooperação focado em atividades do automobilismo, incluindo a Fórmula 1, no desenvolvimento de jovens pilotos e outros formatos do esporte a motor, bem como iniciativas de marketing e branding.

No caso específico da Honda Fórmula 1, a Red Bull Powertrains terá o direito de usar a propriedade intelectual da Honda a partir de 2022, como suporte para seus programas de F-1 com as equipes Red Bull Racing e Scuderia AlphaTauri. Isso se deve ao pedido feito pela Red Bull após o anúncio de que a Honda está deixando o esporte. Os três pontos principais do acordo entre as duas empresas são:

1) A Red Bull Powertrains tem o direito de usar a propriedade intelectual da Honda relacionada ao conjunto motriz.

2) A Honda apoiará a Red Bull Powertrains na construção do conjunto motriz para 2022 e também fornecerá suporte de operação em pista e corrida, do Japão, durante a temporada de 2022. E, a partir de 2023, a Red Bull Powertrains assumirá a responsabilidade por toda a fabricação e manutenção da Red Bull Racing e da Scuderia AlphaTauri motores.

3) Os funcionários da Honda Racing Development UK (Milton Keynes) se tornarão funcionários da Red Bull Powertrains. Além disso, a Red Bull e a Honda continuarão a trabalhar juntas em seus respectivos programas de jovens pilotos, a Red Bull Junior Team e o Honda Formula Dream Project, para promover ainda mais o crescimento do automobilismo no Japão, com o objetivo final de atrair mais pilotos japoneses para o automobilismo mundial de primeira linha, como aconteceu com Yuki Tsunoda na Fórmula 1.

Resultado do segundo treino em Istambul: Mercedes forte, Verstappen mais ou menos

Lewis foi o mais rápido nos dois treinos de hoje e, largando mais atrás, garante diversão para a corrida. Chegará ao pódio, sem dúvida. E em algum momento pode se encontrar com Verstappen na pista, que é o que mais queremos — a saber, tretas!

Outro que trocou o motor foi Carlos Sainz. Mas foi tudo, vai para o fundão do grid. A Ferrari já tinha feito o mesmo com Leclerc na corrida passada. Hoje o monegasco foi um dos destaques do dia, recolocando o time vermelho na briga direta com a McLaren, que teve uma sexta-feira discreta.

Como muito discreta foi a Red Bull, que tem tido problemas de equilíbrio na pista meio-isso-meio-aquilo de Istambul. Verstappen saiu cheio de asa, Pérez descarregado. Nenhum deles ficou muito contente. O circuito turco não é muito veloz nem muito lento. Não exige muita pressão aerodinâmica nem pouca. Não gasta muito pneus, mas podem ser necessários dois pit stops. Não tem muitos pontos de ultrapassagens, mas dá para passar. Não faz nem muito frio nem muito calor. É tudo médio, nessa pista. E são traçados assim que confundem engenheiros e pilotos. Gosto muito do GP da Turquia por causa disso.

Hamilton defende a liderança: trabalho duro, largando atrás

Estamos em outubro e a impressão que temos é de que o campeonato, como o ano, está acabando. Crepúsculo do jogo, diria Fiori Gigliotti. O ano, OK. Estamos no final, ainda bem. Mas se olharmos com lupa para a F-1, ainda faltam sete provas, um terço do calendário! É muita coisa. E o ritmo será frenético daqui para a frente. Deste domingo, dia 10, até 12 de dezembro, quando termina o Mundial, são dez finais de semana para sete GPs. Duas provas acontecem em circuitos novos, Catar e Arábia Saudita. E Abu Dhabi mudou o traçado. Imaginem a correria.

Não por acaso, ontem Vettel criticou o calendário de 23 etapas previstas para 2022. “As pessoas aqui têm família”, reclamou. De fato, o ritmo é alucinante para quem trabalha na F-1. Eu diria que quase desumano.

Hoje à noite, às 19h, falaremos disso também no “Fórmula Gomes”, lá no Youtube. Ativem o sininho!

Comentários

  • O treino livre 1 foi mais um reconhecimento e serviu para emborrachar a pista. No TL2 o que se viu foi um Verstappen reclamando do equilíbrio do carro, e na simulação para o treino classificatório, com a gama mais macia (S), viu Hamilton ficar 0,635 s à frente. Já na parte final do treino, as equipes se preocuparam com simulações de corrida, utilizando o pneu médio (M). Trechos mais longos, com uma quantidade maior de combustível. Não dá para saber exatamente o quanto de combustível cada carro tinha. Mas novamente, Hamilton fez várias voltas com tempos entre 1m28,2s e 1m27,3s. Já Verstappen oscilou entre 1m27,7s e 1m28,5s. Comparando as voltas mais rápidas nessa parte do treino, Hamilton foi 0,38 s mais rápido do que o piloto holandês. Leclerc supreendeu e se colocou entre as Mercedes em segundo. enquanto que na simulação para a corrida seus tempos variaram entre 1m27,8s e 1m28,8s. As Alpines de Alonso e Ocon mostraram um desempenho muito consistente, sétimo e oitavo no TL2. Norris muito discreto. Gasly fazendo o que pode no Alpha Tauri. Supresa mesmo, Giovinazzi em décimo à frente de uma Ferrari e de uma Mclaren. A corrida promete, Hamilton largando no meio do pelotão graças à punição, e Verstappen mais a frente. E no meio do caminho, Leclerc, Bottas, Norris, quem sabe Sainz.
    Quanto ao Jim Clark, o ano foi 1965. Ele disputou 63 corridas naquele ano. Foi à Austrália correr pela Tasman Series. Venceu 11 de 15 corridas e tornou-se campeão. Competiu em categoria de turismo guiando um Ford Cortina. Disputou os campeonatos britânico e francês de F2, onde também foi campeão. Venceu a Indy 500 e tornou-se campeão da F1, conquistando seu segundo título. Mas os tempos eram outros.

  • Muito se fala no papel dos segundos pilotos de Mercedes e Red Bull na luta dos construtores e na ajuda ao primeiro piloto.
    Vai aqui alguns números para tirar as dúvidas de quem está desequilibrando a balança:
    TL1 = Bottas 13×2 Perez
    TL2 = Bottas 12×3 Perez
    TL3 = Bottas 10×4 Perez
    Q = Bottas 11×4 Perez
    C = Bottas 10×5 Perez
    Se no mundial de pilotos temos um empate técnico, no de construtores a Mercedes está a mais de 30 pontos à frente.
    Mais claro do que se pode imaginar. Mais fácil do que o resultado da conta 1 + 1.

  • Jim Clark corria 30 corridas por ano, quando eram poucas. Em um documentário que vi, se não me engano, ele chegou a correr por volta de 60 corridas (F1, F2 e F3 inglesa). Mas também não tinha família.