FERRARI F1-75

SÃO PAULO (demorou) – Pode parecer esquisito escolher como foto principal da apresentação de um carro como o da Ferrari essa aí em cima. É que sou um fã incondicional de Mattia Binotto e sua cabeleira extravagante, gosto de figuras como ele, expansivas, otimistas, apaixonadas. Todo mundo na Ferrari é apaixonado. Binotto comanda uma equipe que procura um título desde 2007 com um ardor inigualável. Um time que comemora os 75 anos dessa gracinha aí embaixo, a 125S, primeiro carro da Scuderia Ferrari feito em suas oficinas, já que até então ela usava modelos Alfa Romeo.
A estreia foi em Piacenza e o carrinho quebrou, problemas na bomba de combustível. Foi em 11 de maio de 1947. Algumas semanas depois, a 125S ganhou sua primeira prova, em Roma, com Franco Cortese — o mesmo piloto que não chegou ao fim da primeira aparição de um modelo Ferrari. Na verdade, eram duas unidades. Mas uma delas nem largou. Tinha um motor V12 de inacreditáveis 1.500 cc de cilindrada. O resto, como se diz, é história — clichezão que a gente usa quando tem preguiça de contar a história inteira.

Como naquela época carros de corrida eram construídos e destruídos e depois reformados com pedaços usados em uns e outros, é difícil rastrear a primeira Ferrari de todas. É possível que seu chassi tenha ido parar num canto e a carroceria, em outro — há uma no museu da equipe em Maranello, mas não dá para afirmar que é a original de 1947. De qualquer forma, foi da costela de uma dessas que nasceu a…
…F1-75! Que veio à luz hoje pela manhã num dos lançamentos mais esperados do ano, como sempre acontece quando se trata de Ferrari.
É um carro lindo, vamos admitir. Para ver os detalhes, como sempre recomendo, clique nas imagens que elas se abrem em tamanho maior. Tem muita coisa interessante nela — e estou falando sério, chega de brincadeira, isso aqui não é palco de teatro de comédia — e pode-se afirmar, sem medo de errar, que do ponto de vista aerodinâmico é o que de mais diferente apareceu até agora no lote de 2022.
O bico é muito, muito fino, parece a botina do John Travolta em “Embalos de sábado à noite”. Segundo as primeiras informações, ele é intercambiável. Se a equipe quiser colocar um bico diferente, em formato de Crocs, também dá. Se preferir uma Melissinha, igualmente. O sidepods, jeito meio afrescalhado de dizer “laterais”, têm um formato inusitado, com reentrâncias côncavas que me levam a crer que ficarão cheias de água quando levarem o carro no lava-rápido. Talvez por isso tenham colocados fendas (ou guelras, ou ranhuras, ou entalhes, ou persianas, chamem como quiserem) à guisa de ralo. As entradas de ar na linha de cintura são gigantescas e lembram a boca do Coringa. Há detalhes delicados e sofisticados no assoalho e um escapamento meio bandido como se fosse de um Subaru de rali.

Pode ser que nada disso funcione e seja um fracasso retumbante, como foi a F92 de 1992. A bicha era linda que só ela, parecia um caça supersônico, mas Jean Alesi e Ivan Capelli (depois substituído por Nicola Larini) somaram apenas 21 pontos na temporada, terminando em quarto lugar atrás de Williams (164), McLaren (99) e Benetton (91). Das 16 etapas daquele Mundial, o time italiano zerou em nove. Foram apenas dois pódios arrancados a fórceps, terceiros lugares de Alesi na Espanha e no Canadá. O carro era tão ruim e o motor tão desastroso, com suas cinco válvulas por cilindro, que Luca di Montezemolo me deu um pistão original de presente quando visitei a fábrica no ano seguinte — episódio que relato em meu livro “Ímola 1994” (à venda aqui) e, como sou generoso, reproduzo trecho abaixo:
“Per me, um tortelloni di zucca in crema di parmegiano e aceto balsamico”, pedi ao garçom, lendo palavra por palavra o que estava escrito no cardápio com o melhor italiano que consegui, já que a companhia na mesa era ilustre e pegava bem falar em sua língua. Era uma terça-feira, 27 de abril de 1993, e o almoço com Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, prometia. O restaurante era o Cavallino, em frente à fábrica, em Maranello. Prometia porque Luca era um sujeito agradabilíssimo, falante, divertido e cheio de histórias para contar. Prometia porque a cozinha do Cavallino era das mais elogiadas da região, além de ser o restaurante frequentado pelo comendador Enzo Ferrari, seus pilotos e dirigentes – um lugar histórico. E prometia porque, depois de uma manhã inteira falando de corridas e de Fórmula 1, era hora de descontrair e conversar sobre futebol. Depois do cafezinho, me preparava para as despedidas e os agradecimentos, quando Luca convidou: “Vamos lá em cima no escritório que vou te dar uma coisa”. Eu estava meio apertado com o horário, pois precisava chegar ao aeroporto de Bolonha para entregar os filmes ao meu amigo, mas dava tempo. Subimos ao seu gabinete, ele abriu um armário e de lá tirou um conjunto de pistão e biela de um motor Ferrari de FÓRMULA 1. Peça numerada, daquelas coisas que normalmente ficam guardadas em segredo. “Pra você”, disse. Fiquei impressionado com o peso, levíssimo, mas principalmente com as cinco marcas de válvulas na cabeça do pistão. “É do carro do ano passado. Acho que nunca fizemos motor tão ruim”, suspirou. E me desejou boa viagem.
Ontem falei bastante sobre os novos patrocínios e o esquema de cores escolhido, já que a imagem tinha vazado antes do lançamento. Não vou ficar me repetindo, mas reforço a satisfação de ver que sumiu o verde-limão daquela misteriosa Mission Winnow, que retomaram o preto para as asas e o conjunto todo, incluindo os macacões que lembram as camisas antigas do Moto Club do Maranhão, está muito bonito e com cara de corrida.
Espero, do fundo do coração, que Leclerc e Sainz sejam felizes com a F1-75 (se tivessem usado SF no nome-código como em outras oportunidades, “sejam felizes” seria a origem do nome; 75 é quando a Lusa foi vice-campeã paulista, perdendo para o São Paulo nos pênaltis). Que a Ferrari seja protagonista de novo, que ganhe corridas, que lute pela taça e que Binotto tome um banho de Gatorade na peruca no final do ano.
Só não entendi essa foto aí embaixo com tanto piloto. Vocês identificaram todos?





“Bella macchina è ciò che vince”, diria o Comendador.
O Mick não é titular da Hass? Sei que ele tem vínculos com a Ferrari, mas precisava aparecer na foto? Quando a Hass com o Mick estiver em primeiro, e a Ferrari em segundo, vai deixar a vermelhinha passar.
Será o inverso. Quando a ferrari estiver em primeiro e Schumacher em segundo, deixarão Schumacher passar. Segue normal, portanto!!
Zoom nas rodas, pegaram um jogo de rodas de ferro das Van furgão da Iveco? Cáspita mesmo Flavio :)
Não era a F92 que era apelidada de “pata”?
Ah 1992, um ano em que o design superou a funcionalidade, e na squadra só se via italianos (e o francês mais italiano desde Giuseppe Garibaldi). Tamanho fracasso levaram a Scuderia a mudar tudo, veio Jean Todt e o resto como você mesmo disse, é história
Perdoem os tiffosi daqui e dalí. Mas esta foto do Binotto e seus mosqueteiros parece um cartaz de filme de comédia.
O Binotto me lembra o Beakman.
J.J. Abraham.
John Galecki.
Mas o costume (terno) dele é um luxo!
Não sou um grande fã da Ferrari, mas até o momento é o mais belo carro apresentado em 2022. Espero que ande bem e faça bonito.
Na torcida pela Ferrari, que sejam muito felizes e competitivos nesse 2022.
Realmente é o carro mais bonito de todos os de 2022. E eu nem me lembrava mais como a F92 era linda!
Dois titulares, dois reservas e um piloto de simulador
Carro bonito. Me lembra as primeiras memórias da Ferrari que eu tenho, a do Alboreto em 85. Creio que foi com esse layout vermelho e preto até às do Schumacher em 96/97.
Era isso com o uniforme amarelo dos mecânicos, da Agip
A Candinha* informa: supondo que não esteja amarrado, parece que o Antonio Giovinazzi cortou o cabelo, e ficou bem curto.
*Mexericos da Candinha: nome de uma famosa coluna de fofocas da Revista do Rádio ( Brasil, anos 60).
terceiro reserva eu não sei o nome, mas os outros são o Giovinazzi e o Mick
O bico do carro, que é revolucionário e também um fato inédito na história da F-1, com certeza absoluta será bastante fotografado e filmado pelos espiões das outras nove equipes.
Flávio, é verdade que o Comendador, quando vivo, só admitia patrocínios ligados a automóveis? E é verdade também, em se tratanbo de Ferrari. o Berger certa vez disse que o Comendador chegava para o Alboretto e perguntava como estava a Máquina, já com o Berger, perguntava como estavam as Meninas. rsrs
Não. A Marlboro, a Digital e a Longines (me recordo dessas 3, mas pode haver mais) não eram do ramo automobilístico.
O carro mais bonito até agora. O reserva é o Schumakinho, os outros dois são cartas fora do baralho.
E na foto de 92, os citados Nicola Larini, Ivan Capeli, Jean Alesi e também Gianni Morbidelli.
F1-75 me lembrou da Wyllis F-75, gloriosa Rural.
Não, não!! F 75 é a pickup. Conhecida tambem por Jeep F75. Rural é Rural.
Isso explica a nomenclatura F1-75!
Se fosse F-75 a Ford ia protestar!
Mr. Mattia emulou o Dr. Egon dos caça-fantasmas.É um sósia, só não parece ser tão inteligente/esperto.
Fantástico,
Flávio!
Felicitações…
Falta uma semana para termos noção de qual equipe acertou no desenho do brinquedo novo. Faz tempo que uma pré temporada gerou tanta expectativa.
Linda. Um esquema de cores acertado, num carro que tem um ar de agressivo e arrojado. Poucas vezes ví um F1 tão bonito.
A F92 deu errado por causa do fundo duplo. Só funcionou direito em Barcelona, sob a chuva que nem Senna aguentou. Essa de 2022 vai dar certo.
2 titulares, 1 reserva e 2 frentistas do posto Shell.
Eu nao consigo nao ver o John Turturro quando vejo Mattia Binotto
Temos um campeão temporário no quesito beleza! Faltando a Mercedes.
Prezado F&G: Como torcedor fanático da Equipe FERRARI, posso apenas dizer no estilo Italiano a aposta foi alta e foi apostado tudo contra a banca ( Casino), jogando em vermelho e preto e tudo ou nada já vimos isso no passado nos tempos modernos dois momentos épicos o primeiro com Niki Lauda e, depois com o fantástico Michael S. Tenho comigo que a dupla de Pilotos a dupla sertaneja Charles & Carlos é simplesmente incrível e pode dar um calor nas outras três duplas : Hamilton& Russel, Daniel R. & Lando, Max Verstappen &Checo Perez, o resto do Grid será de apenas meros coadjuvantes
A Ferrari superou, por enquanto, todas as demais no quesito beleza. E são cinco ( ! ) pilotos, mamma mia: Leclerc, Sainz, Giovinazzi, Mick Schumacher e Robert Shwartzman.
Cabide de emprego?
Até eu quero um cargo na Rossa!
O Schumachinho deve estar doidinho pra sentar nesse cockpit