MCLAREN MCL38: HORA DE VOLTAR A VENCER

SÃO PAULO (tá precisando) – Ao final do GP do Canadá do ano passado, oitava etapa do Mundial, a McLaren ostentava ridículos 17 pontos na classificação. Estava em sexto lugar. A Alpine, em quinto, já tinha marcado 44. Lá na frente, Red Bull (321), Mercedes (167), Aston Martin (154) e Ferrari (122) já tinham disparado na tabela.

Veio o GP da Áustria. A equipe prometeu um carro praticamente novo. Só deu tempo de atualizar um dos dois, o de Lando Norris. Oscar Piastri, estreante, teria de aguentar mais um pouco com o modelo antigo. Lando ficou em quarto no grid. E terminou a prova na mesma posição.

A partir daí, a McLaren decolou. Pontuou nas 13 corridas seguintes, foi nove vezes ao pódio — sete com Norris, duas com Piastri — e ainda ganhou uma Sprint no Catar com o australiano. Ao final do campeonato, subiu para a quarta colocação com 302 pontos. Se fizermos um recorte do Mundial a partir do GP da Áustria, descartando as oito primeiras corridas do ano, a classificação seria: Reb Bull (539), McLaren (285), Ferrari (284), Mercedes (242) e Aston Martin (126) nas cinco primeiras posições.

A evolução papaia foi clara e, de certa forma, espantosa. São raras as situações em que uma equipe começa uma temporada tão mal e consegue, com rapidez e eficiência, corrigir o rumo. Velha verdade da F-1 é aquela que diz que carro que nasce mal não endireita nunca. A McLaren, sabe-se lá como, endireitou o seu.

Norris e Piastri formam uma ótima dupla. O australiano, arrancado da Alpine em 2022, mostrou que o esforço valeu a pena. Calmo, focado e disposto a aprender, revelou-se um desses prodígios que aparecem só de vez em quando. Cometeu pouquíssimos erros e se adaptou muito rápido a uma categoria que não costuma contemporizar quando inexperiência e juventude resultam em bobagens e maus resultados. A fila anda, como se diz, mas Oscar conseguiu estancá-la. É nome para muitos e muitos anos no topo da pirâmide.

O MCL38 apresentado hoje, graças à reviravolta do ano passado, foi concebido a partir de uma base boa. Só dá para melhorar, e é o que se espera da McLaren neste ano. Vitórias? Talvez. Pódios? Certamente muitos. Estará na briga direta com Mercedes, Ferrari e Aston Martin, ainda que pensar em título seja algo fora de cogitação. Brincar lá na frente, porém, será uma constante.

A McLaren mudou muito sua estrutura nos últimos anos e para levantar dados mais precisos sobre o carro novo e falar sobre as expectativas para 2024, consegui falar com alto dirigente do time. Ele prefere não ser identificado, e sempre respeito tais desejos de meus entrevistados. “Mauro Chocolate” é um nome que pode ser usado, de forma a não despertar suspeitas. Segue a conversa — um pouco aflitiva no final, admito.

Por que vocês falam “papaia” e não “laranja”?
Mauro
Chocolate – O Fabrício Queiroz era o quê?
Laranja.
Mauro
Chocolate – Está explicado.
Melhor, mesmo, se desvincular desse tipo de negócio. “Equipe laranja” ficaria meio esquisito… Falemos do carro novo. É muito diferente do modelo do ano passado?
Mauro Chocolate – Não, é igual. Estamos dizendo que é novo, mas é o mesmo. O que fizemos no ano passado foi estrear o carro de 2024 no meio da temporada. Ninguém percebeu. Se alguém perguntasse, diríamos que era 2023, modelo 2024. A indústria automobilística faz isso. Lança em maio de um ano o modelo do ano seguinte. Isso aí é marketing.
Mas ninguém reclamou?
Mauro
Chocolate – Só o Mario.
Qual Mário?
Mauro
Chocolate – Aquele que te pegou atrás do… hahahaha! Estou brincando, o Mario Andretti.
O pai do Michael?
Mauro
Chocolate – Ele mesmo.
Mas eles nem estão na Fórmula 1!
Mauro
Chocolate – Vão acabar entrando. E já estão treinando para reclamar. Todo mundo reclama. Viu a Alpine quando a gente tirou o Grammy deles?
Oscar.
Mauro
Chocolate – Esse mesmo. Aquele menino, você sabe de quem estou falando. É que ele é tão calado que nem sei direito o nome.
Você não sabe o nome de seus pilotos?
Mauro Chocolate – De alguns, sim. É que temos muitos. Corremos em várias categorias.
Aliás, essa é uma das críticas que todos fazem à equipe. Inclusive vocês contratam muitos pilotos que acabam não tendo onde correr. Até um brasileiro, agora…
Mauro Chocolate – Estamos observando esse rapaz. Não foi muito bem nesse campeonato aí do Brasil, levamos pros Estados Unidos de novo. Anthony Kankan, é isso? O narigudinho.
Tony Kanaan. E ele não está mais pilotando na Stock Car. Vocês o contrataram para ser dirigente da equipe.
Mauro Chocolate – No meu lugar?
Não, não, na Indy. Não importa. O brasileiro de quem estou falando é outro, Gabriel Bortoleto.
Mauro Chocolate – Da Fórmula E?
Não! Seus pilotos na Fórmula E são Sam Bird e Jake Hughes!
Mauro
Chocolate – Quem?
Deixa pra lá, vamos voltar à Fórmula 1. Não está na hora do Norris ganhar uma corrida?
Mauro Chocolate – Quem é esse?
Norris, Lando Norris!
Mauro
Chocolate – Aquele do Instagram? Ele é nosso piloto?
Sim, desde 2019.
Mauro
Chocolate – Ah, se está conosco há tanto tempo, sim, já está na hora. Ele nunca ganhou uma corrida?
Na Fórmula 1, não.
Mauro
Chocolate – Então está na hora de pensar em substituí-lo.
Mas você acabou de renovar seu contrato!
Mauro
Chocolate – Na Indy ou na Extreme E?
Na Fórmula 1, criatura! Estamos falando de Fórmula 1!
Mauro
Chocolate – Nós corremos na Fórmula 1 também? Se for o que estou pensando, dá pra colocar o Ganso nessa categoria aí.
Pato! Pato O’Ward!
Mauro
Chocolate – Esse mesmo. Agora me desculpe que preciso atender outra ligação. Estamos montando uma equipe de corrida de queijos e tem um piloto no telefone se oferecendo pra correr.
Quem é?
Mauro Chocolate – Um tal de Rubens, conhece?

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Silvio Rodrigues
Silvio Rodrigues
1 mês atrás

Rubens!!! Flavio, seus textos são incríveis!!!!!!!!!!!

Hilton Vaz Pezzoni
Hilton Vaz Pezzoni
1 mês atrás

Imperdíveis essas suas entrevistas!! Grato FG !

Livio Parrini
Livio Parrini
1 mês atrás

Papaia, perfeitamente justificado o nome.

O crítico
O crítico
1 mês atrás

Podem falar o que quiserem da equipe papaia, mas é a única que tem tríplice coroa e com um detalhe muito interessante: ganhou Le Mans em 1995 utilizando motor da BMW, grande rival da Mercedes, sua fornecedora da F1 na época (a mesma de agora). Comparativamente, seria como se a Ferrari tivesse ganho alguma vez em La Sarthe com mecânica da Lamborghini.

Patrick
Patrick
1 mês atrás

Flavio espetacular seu humor, parabéns!

Wagner
Wagner
1 mês atrás

Espero que seja bem competitiva esse ano!

Angel Rothen
Angel Rothen
1 mês atrás

A-DO-REI o texto, mais ainda a entrevista com Mauro Chocolate… kkk. Top D+ !!!! Parabéns Flavio.

Fernanda
Fernanda
Reply to  Angel Rothen
1 mês atrás

Essa eu não entendi…

Marcus
Marcus
1 mês atrás

Pode ser heterodoxa a forma como o Mauro Marrom toca a firma, mas acredito – e torço – que ela dará resultados grandes em breve. É um dos dirigentes que parecem mesmo gostar de carro – motor, suspensão etc – e o único a favor da entrada da Andretti na F1.

Last edited 1 mês atrás by Marcus
Markonikov
Reply to  Marcus
1 mês atrás

Voce e muito otimista
Voce é livre pra acreditar e torcer também.
Mas aceita vai
Doe menos
A McLata é um bozt!
Até na cor de churiu….

Tulio
Tulio
Reply to  Marcus
1 mês atrás

Preciso saber a razão de “Mauro”, haha