SOBRE ONTEM DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA

Protagonistas: Norris e Verstappen dominaram o GP

SÃO PAULO (e foi bonito) – Vencedor e vencido se cumprimentam no Parque Fechado. Não é lá uma imagem muito original, mas ilustra bem o que foi o GP da Espanha, ontem. Verstappen passou dois anos e meio sem adversários — porque o carro era bom, porque ele é ótimo, porque os outros fizeram trabalhos ruins em 2022 e 2023. Agora parece que terá. Aqui e ali, nem sempre o mesmo, de vez em quando. Não importa. Tudo que aqueles que gostam de corridas e competições em geral querem é ver disputas. Porque é nas grandes disputas que sobressai o talento.

Verstappen tem dado demonstrações inequívocas de seu talento em corridas difíceis neste ano. Ímola foi uma delas. Montreal, outra. Barcelona, mais uma. Com 61 vitórias no lombo, às portas do quarto título mundial, já pode ser colocado no panteão dos maiores de todos os tempos sem muita hesitação. No meu olimpo particular, ladeia Schumacher e Hamilton. E vou dizer: os três com alguma folga sobre o quarto colocado. Que pode ser quem vocês quiserem.

O NÚMERO DA ESPANHA

106

…pódios tem Verstappen na F-1, o que o coloca em quarto lugar nas estatísticas ao lado de Alonso e Prost. À frente deles estão Hamilton (198), Schumacher (155) e Vettel (122). Max venceu pela quarta vez em Barcelona, terceira seguida. E desde o GP da Espanha de 2022, quando assumiu a liderança do Mundial ultrapassando Leclerc na tabela, nunca mais deixou a ponta. São 763 dias como líder do campeonato.

Hamilton não ia ao pódio desde o GP do México do ano passado, em outubro. Fazia tempo que não participava de uma coletiva pós-corrida. Até tirou uma soneca ontem. Quando Verstappen chegou e flagrou a cena, cravou: “Ele claramente está ficando velho!”. Com mais uma tacinha, Lewis garantiu a 18ª temporada seguida com pelo menos um pódio — desde a estreia, em 2007. Já a McLaren festeja seu sexto pódio seguido no ano, sequência que não conseguia desde as temporadas de 2011 e 2012. Aliás, foi em 2011 que a equipe levou um troféu em Barcelona pela última vez. Dois, para ser preciso: Hamilton foi segundo e Button terminou em terceiro aquele GP da Espanha.

E o menino Norris, hein? O segundo lugar alçou o rapaz à vice-liderança do campeonato, posição que nunca tinha ocupado antes. Chegou ao pódio pela sexta vez no ano em dez etapas. No ano passado inteiro foram sete. E uma curiosidade: fez cinco dobradinhas com Verstappen nesta temporada. Mas ganhou só uma. Nas demais, foi segundo colocado.

A FRASE DE BARCELONA

“O combinado era pouparmos os pneus no início. Foi desnecessário. Mas era sua corrida de casa, está num momento importante da carreira, acho que quis fazer algo espetacular. Mas eu não era a pessoa certa para ele fazer isso.”

Leclerc, sobre Sainz

ALPINE, JURA? – Falando em Sainz, a última do mercado: Flavio Briatore quer levá-lo para a Alpine. Até ontem, só Williams e Sauber/Audi estavam no horizonte do espanhol. Seria uma volta ao time que defendeu em 2017 e 2018, ainda como Renault. Mick Schumacher seria outro cotado para a vaga de Ocon. A amizade de Briatore com a família do alemão ajudaria. Mas parece pouco provável.

E NA WILLIAMS? – Caso Sainz aceite a Alpine, ou a Audi, a Williams já teria um plano B engatilhado. E segundo o “Blick”, jornal suíço, esse B é de Brasil: Felipe Drugovich. A conferir.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS de ver a reação da Alpine, que voltou a pontuar com seus dois carros e passou a Haas na classificação. Agora está em sétimo com oito pontos, contra sete do time americano. Gasly ficou em nono e Ocon terminou em décimo. Não é lá grande coisa, mas o ano tinha começado com cinco corridas seguidas no zero.

NÃO GOSTAMOS da Aston Martin, que está deixando Alonso meio de saco cheio. Nas últimas quatro corridas, ele deixou de pontuar em três. O espanhol não passou pano para ninguém. “Não podemos mentir para nós mesmos. Neste momento, nosso carro não está em condição sequer de pontuar. Barcelona é uma pista que te coloca na posição que você merece.” No caso, 12º com ele e 14º com Stroll.

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Carlos Sato
Carlos Sato
24 dias atrás

Red Bull estava tão perdida que fez um teste, na semana anterior ao GP da Espanha, no circuito de Imola, com o carro de 2022, para que Verstappen pudesse fazer uma correlação realista com o atual equipamento da equipe. As atualizações não funcionaram como esperado. Esses testes são permitidos pela FIA, respetidas certas condições, e todas as equipes são informadas. Mas pelo andar da carruagem, a equipe austríaca tem muito o que fazer, apesar da vitória de Verstappen.
Essa corrida,e a anterior, Canadá, poderiam facilmente se chamar, Norris: como perder uma corrida praticamente ganha, partes 1 e 2, dada a incapacidade de Norris, mesmo com um carro com desempenho superior, perder ambas para Verstappen. Em Barcelona, a Mclaren teve sua parcela de culpa, mas o piloto britânico também tem sua (grande) parcela de culpa nisso tudo.
Sainz que foi cogitado pela Audi, Williams agora se vê na mira da Alpine. Maos um pouco e ficará a pé como Ricciardo, que também foi um tiro no pé da Minardi.
No mais a corrida foi bem mais ou menos. Ferrari continua devendo, mesmo com suas atualizações. Mercedes mais sólida, mas distante ainda de Red Bull e Mclaren. Alpine, apesar de toda a bagunça nas bastidores, tem evoluido, a ponto de ambos os carros irem ao Q3 na classificação, e tanto Gasly como Ocon nos pontos.

murilo
murilo
24 dias atrás

Respeito a opinião do nobre redator, mas serei mais um repetir o quão grande foi Fangio: 5 títulos em 7 temporadas e meia, correndo aos quarenta anos, e vencendo quase 50% das corridas que iniciou. E o mais incrível: não morreu na pista numa época que capacete era uma pelanca de couro.

Paulo F.
Paulo F.
Reply to  murilo
24 dias atrás

Voto com o relator…
Menção honrosa para Nuvolari, Rosemayer e Caracciola.

Eder Félix
Eder Félix
25 dias atrás

“Verstappen passou dois anos e meio sem adversários — porque o carro era bom, porque ele é ótimo, porque os outros fizeram trabalhos ruins em 2022 e 2023.”
Sem dúvida, a melhor definição da Fórmula 1 de todos os tempos. Se tivesse como mandar áudio, seriam palmas.
Abarca até os antipatizantes do belgolandês.

Paulo F.
Paulo F.
25 dias atrás

Briatore?
Foi contemplado com o indulto de Natal?
É para desvalorizar a Alpine e tornar a venda para a família Andretti mais atraente?

Vinicius
Vinicius
25 dias atrás

Vale alertar a pachecada que está esfregando as mãos com essa especulação do Drugovich na Williams de que o carro deve continuar sendo uma porcaria e a equipe, uma bagunça. Se rolar, para ele, é muito válido porque as vagas na Fórmula 1 são raras e não se pode desprezar uma chance dessas. Mas que se prepare para ouvir a corneta da turma que parou de ver Fórmula 1 quando o Senna morreu e ainda ri das piadas que o Casseta & Planeta fazia com o Rubinho.

Jorge Luis
Jorge Luis
Reply to  Vinicius
25 dias atrás

Exato !!! Que ele se prepare para isso ….

Marcelo Duarte
Marcelo Duarte
Reply to  Vinicius
25 dias atrás

O negócio é chegar e botar o Albon atras dele.

Januário
Januário
25 dias atrás

Essas listas de melhores de todos os tempos são bem subjetivas, seja pelo gosto pessoal, seja pela nossa vivência. A sua lista, Flávio, é ótima. Porém, eu sempre penso se os grandes de antigamente, como Fangio e Clark, por exemplo, não acabam menosprezados pela passagem do tempo. Dentre nós, quase ninguém viu as corridas deles, havia menos GPs do que hoje, as regras eram bem diferentes, os carros mais frágeis etc. E aí, os referenciais para comparação se perdem.

Paulo F.
Paulo F.
Reply to  Januário
25 dias atrás

Sem contar que os caras desta época morriam como moscas!
Clark , Rindt e Cevert são exemplos.

Barreto
Barreto
Reply to  Januário
25 dias atrás

Fangio apresenta números fenomenais.
Começou na F1 com 39 anos, 8 temporadas, mas na última só disputou 3 provas e abandonou uma.
Nas 7 temporadas plenas foi pentacampeão e somou 2 vices, inclusive sendo tetra consecutivo.
Regulamento completamente diferente com descarte dos piores resultados, inclusive neste item Fangio descartou vitórias, segundos e terceiros lugares. Compartilhamento de carro com colega de equipe e pontuação diminuta para os 5 melhores colocados.
Fangio foi dominador, ganhou por equipes diferentes, foi pole man, ganhou seus títulos na casa dos 40 e principalmente não morreu nas pistas, coisa comum na época. Infelizmente como foi num passado longínquo estes dados ficam meio ofuscados.

Marcelo Duarte
Marcelo Duarte
Reply to  Barreto
25 dias atrás

Fangio foi o melhor, sem dúvida.

Alfredo Aguiar
Alfredo Aguiar
Reply to  Barreto
24 dias atrás

Também acho o Fangio o melhor de todos os tempos, fácil! Quanto ao Senna, qualquer coisa que se diga dele é subjetiva, Teria sido campeão mais vezes? Nunca vai se saber. Mas mostrava um talento fenomenal enquanto esteve nas pistas apesar de ser chato pra karacas com aquelas histórias de falar com Deus e também de ser bastante teatral, mas parece que parte da torcida dele gostava daquilo.

Gustavo Castor
Gustavo Castor
25 dias atrás

Leclerc está a um passo pequeno de virar um 2o piloto eterno. FAzer acordo pré corrida de não atacar pra brigar pelo 5/6 lugar é o inicio do fim.

Piastri entrou numa esprial negativa, precisa voltar pro jogo.

Marcelo Duarte
Marcelo Duarte
Reply to  Gustavo Castor
25 dias atrás

Vai ouvir uns “Lewis is faster than you”

Alfredo Aguiar
Alfredo Aguiar
Reply to  Marcelo Duarte
24 dias atrás

Na Ferrari, facinho.

GUs
GUs
25 dias atrás

Williams ou Sauber/Audi? Até aqui do conforto do sofá, onde é extremamente fácil especular e arriscar, fica difícil imaginar qual a melhor opção…ambas parecem nesse momento bem “problemáticas”.
Qual a carta da manga da Williams afinal? Mais dinheiro apenas? Isso não está ajudando a Mercedes no momento; novo corpo técnico, um motor-cliente com novos poderes? Creio que desse mato inglês não sai mais coelho não, talvez o sangue novo da Audi seja mais saboroso.

GUs
GUs
25 dias atrás

Entre os maiores (mais bem sucedidos) ele já está sim, por coerência matemática – número de títulos portanto – eu acho que ele viria colado em Fangio que também era totalmente dominador no seu tempo, e em quinto e não quarto lugar, eu adicionaria Prost rebocando Vettel.
Ele não é apenas um dos maiores, mas figura certo numa lista dos melhores de todos também, apenas não sendo possível mensurar uma colocação justa nesse rol, na minha humilde opinião (acredito em top 6 com certeza).

Heriank
Heriank
25 dias atrás

Enquanto isso o Perez terminou em oitavo. Quem já está na cola dele é o Piastri, que não demora em atropelá-lo. Torcendo para o Drugovich, acho que ele merece uma oportunidade na F1. Diferente de outro
“Chinga tu madre” que não corre nada e não passa de um pendejo !

Barreto
Barreto
25 dias atrás

Gostaria de analisar a real performance de Verstappen comparando o desempenho com o colega de equipe, mas o sujeito conseguiu chegar 1 minuto atrás e frustrou a comparação, mas parece nítido que qualquer outro piloto do grid atual teria dificuldade em vencer com a Redbull.
A Aston Martin sempre teve a aura de uma equipe de segunda linha feita para o filho do dono brincar de F1.

lagerbeer
lagerbeer
25 dias atrás

Teoria : Briatore convence El fodon para encerrar sua carreira na Alpine, agora com os potentes motores Merdeces, e Tsunoda vai para o seu lugar na Aston Martin Honda

Paulo F.
Paulo F.
Reply to  lagerbeer
25 dias atrás

Por que disputar com a decadente Alpine se é mais fácil bater um papo com Toto e sentar em uma MB(que parece que esta em ascendência)?

Danilo
Danilo
25 dias atrás

É bem irrelevante, pois cada um tem as suas preferências, porém o meu Top 3 dos maiores é igual ao seu, como vc é bem mais entendido do assunto do que eu, fiquei feliz por essa coincidência. Sobre Sainz na Alpine, o fator Briatore – que deveria estar banido – deve ser levado muito em consideração e cabe a pergunta, alguém ainda tem dúvidas de que se ainda não é, será o chefão da Alpine até o fim do ano? A pachecada deve estar em polvorosa… rs