AQUI NÃO PODE (16)

SÃO PAULO (legal, sim) – No fim das contas, conseguiram fazer a homenagem a Senna com seu carro de 1990, o McLaren MP4/5B. E foi até melhor hoje, antes da corrida, do que seria ontem, após a classificação — que pegaria as arquibancadas já se esvaziando.
Lewis Hamilton, que segundo Emerson Fittipaldi foi uma escolha “antiética”, deu mais de três voltas com o modelo que parece um carrinho de brinquedo perto dos F-1 de hoje. Pegou bandeirinha do Brasil, acenou para a torcida e, quando terminou a exibição, foi direto: “Esse é um carro de corrida de verdade, se pudesse corria com ele hoje”. Disse também que foi a maior honra de sua carreira, que ama o Brasil e que seu maior sentimento ao final da jornada era de gratidão.
Foi bonito de ver e de ouvir. O ronco do V10 aspirado da Honda — que mandou técnicos e mecânicos para funcionar o carro — viajou pelos 4.309 m de Interlagos enchendo o público de nostalgia. Esses motores nunca mais serão usados na F-1 e seu som agudo e estridente ficarão restritos às competições de clássicos, que ainda acontecem na Europa.
Com esse carro, Senna foi campeão em 1990. Naquele ano, a F-1 voltou a São Paulo e o brasileiro perdeu a corrida caseira ao bater em Satoru Nakajima, que era retardatário, quando liderava a prova. Venceria o GP do Brasil duas vezes, depois, em 1991 e 1993. Sempre pela McLaren, sempre com a pintura vermelha e branca do patrocínio da Marlboro.

Eu poderia encher vocês aqui de poesia e palavras lacrimejantes, mas vou poupá-los. Tenho certeza que muita gente chorou diante da TV e nas arquibancadas. E é justo que o façam. Também tenho saudades de 1990. Curti muito aquela primeira corrida em Interlagos renovado, cobri de perto as reformas no autódromo bancadas pela prefeita Luiza Erundina. E era moleque, tinha 25 anos, editava o caderno de Esportes da “Folha”, comandei a cobertura da Copa da Itália, fiz vários GPs na Europa, não tinha do que reclamar. Foi bacana ver, tanto tempo depois, um carro que vi correr de verdade. A F-1 dos anos 90 era bacana, tinha ótimos personagens.
E eu tinha 25 anos.
O antiético paga as contas?
Olá, Flávio, tudo bem?
Pois é, recordações. A começar por essa corrida de 1.990. Guardo na lembrança como o retorno da f1 a Interlagos.
Triste lembrança, aliás. Eu estava com a entrada já comprada e contraí uma séria pneumonia dias antes do evento. Com a colaboração do médico, tive alta do hospital para poder assistir a corrida, de casa e na cama…
Ao ver esse carro rodando novamente ontem pela TV, lembrei que tive a oportunidade de ver seu piloto titular em ação em três momentos na vida. A primeira em 1.984, em sua estreia na f1, pilotando pela Toleman em Jacarepaguá. A segunda pela Lotus, em 1.985, em Zeltweg, na Aústria e finalmente em 1.990, pilotando, provavelmente, esse mesmo McLaren que O Lewis passeou ontem por Interlagos, em Monza, na Itália.
Foi na mesma Itália que até troquei uma palavrinha com o próprio Senna, quando o encontrei em um stand da Piaggio, recebendo o premio Vespa Pole Position, pelo maior número de poles conseguidas naquele ano, no Motosalone De Milano de 1.985.
E por falar em lembranças, semana passada ganhei uma miniatura de um DKW Belcar de meu filho. Ele se lembrou de um “desafio” que fiz a ele, de desenhar um carro igual para mandar para seu blog. Na época ele tinha onze anos e atualmente está com vinte e oito.
O tempo passou para nós também, um grande abraço!
Que carro lindo, que som…saudades mesmo. Belíssima homenagem!
No meu caso infância. Mas como a minha foi uma bosta, eu ainda assim sinto nostalgia mas é quase síndrome de Estocolmo. Mas é como o escriba disse, eu tinha x anos. Realmente isso que não volta (e que importa) Então sigamos! A poesia ficou no ronco do V10 Flávio, estava de muito bom tamanho. Obrigado pelas informações sempre precisas, fiquei matutando como a máquina ainda anda tão bem, agora sei.
Lembro de 1990, Copa da Italia, e nosso time do Lazaroni e a propaganda do Fiat Uno “braziliano”
Esse carro representa uma época boa que não voltará mais… Saudades da juventude, uma pena ela durar tão pouco.
Flávio,
Obrigado pela cobertura! Desde o começo lendo seus textos e curtindo muito seus relatos do GP deste ano.
Mesmo não tendo mais 25 anos, faço votos que continue escrevendo por mais 25 anos como sempre!
Emerson Fittipaldi foi um dos grandes na pista, mas fora dela só faz bobagem. Calado é um poeta.
Como disse Juca Kfouri, antiético é a dívida de 50 milhões nas costas posando de milionário. E não teve jeito, fui às lágrimas hoje cedo
E ir lamber o Bostanaro no hospital São Luiz, qdo de umas das caganeiras do miliciano, para fazer média e beliscar um dinheirinho para os netos correrem é “muito” ético !!! E ainda se acha/va com moral para ser (foi candidato na cara dura)…senatore italiano
Cara olha no espelho e diz: Nao sou o idiota que vejo nesse espelho.
Antiético Emerson ?!
Pois perguntem aos credores desse senhor o que é antiético…, Aos bombeiros , enfermeiros e médicos de Araraquara que resgataram e deram pronto atendimento depois da queda num ultraleve , e ele e AMIL resolveram fazer um comercial fingindo resgate , desprezando o socorro na referida cidade.