DEPORTA ELES! (2)

SÃO PAULO (até que foi legal) – Lando Norris venceu a Sprint de Miami, com Oscar Piastri em segundo e Lewis Hamilton na terceira posição. Kimi Antonelli, que largou na pole, acabou fora da zona de pontuação após uma confusão nos boxes na hora da troca de pneus — depois pontuaria por conta de algumas punições.
Troca de pneus em Sprint?
Pois é, teve. Porque o circuito estava molhado na largada e secou no fim. E, assim, a segunda minicorrida da temporada acabou tendo um roteiro ligeiramente diferente das anteriores. Vamos contar como foi.

A chuva que caiu sobre Miami de manhã encharcou a pista num jeito que acabou fazendo uma vítima antes mesmo de começar a prova: Charles Leclerc. Numa volta de instalação, aquelas que os pilotos podem fazer antes de levar o carro para o grid (tem um tempo previsto para isso no regulamento, ele não estava se divertindo), o monegasco, de pneus intermediários, estampou o muro.
Nada mudou na programação. Apesar do aguaceiro, a direção de prova avisou que a largada aconteceria normalmente e o esquema seria: atrás do safety-car e vamos ver o que dá.
Não deu, porque não dava para ver nada. Antonelli reportou a falta de visibilidade atrás do safety-car. “Não consigo enxergar nada!”, alertou. Se na pole estava assim, imaginem atrás dos outros carros. Piastri, por exemplo, foi um que demonstrou alguma preocupação. “Nada”, falou, pelo rádio. “Nada o quê, Oscar? Você não vê nada? Não tem nada? Não quer nada?”, perguntou o engenheiro. “Sim”, respondeu o australiano.
Max Verstappen, nessa primeira volta atrás do safety-car, passou reto numa curva e caiu para o fundo do grid. Foi quando a direção decidiu abortar a largada com bandeira vermelha. Voltou todo mundo para os boxes e o início da prova, que estava marcado para as 13h (de Taguatinga), foi atrasado para as 13h28 (de Ceilândia).



A pista seguia bem molhada, mas sem chuva e com clima abafado. Miami é assim mais ou menos o ano inteiro. De vez em quando cai um pancadão, molha tudo e a população sai correndo para os mercados e shoppings para estocar água potável, batata frita e botes a remo. Aí a chuva para.
Parou, como de hábito, e o procedimento foi retomado, novamente atrás do safety-car e com uma volta descontada da distância original, de 19 para 18. Enquanto o Aston Martin verde feioso puxava o pelotão, as voltas iam sendo marcadas (por causa do combustível contadinho). Quando o diretor de prova achou que dava para correr, foram todos para o grid para uma largada parada, com 15 voltas pela frente.
Antonelli não largou muito bem e Piastri, como aquele moleque mais velho no recreio que vive empurrando os meninos mais novos, o fez com Kimi na primeira curva. Sua mãe ligou na hora para Toto Wolff: “O senhor não vai fazer nada?”. “Sì, signora, vou falar com a diretora”, respondeu.



Oscar assumiu a liderança, com Norris em segundo e Verstappen em terceiro. Antonelli caiu para quarto. Liam Lawson ganhou cinco posições e foi o ganhador do troféu “Largador da Sprint”, que criei agora. Nico Hülkenberg perdeu quatro e levou o troféu “Pior Largador da Sprint”, igualmente criado hoje.
Com oito voltas, a pista secava rapidamente. Piastri, Norris, Verstappen, Antonelli, George Russell, Hamilton, Alexander Albon e Fernando Alonso eram os oito primeiros. George entrou no rádio. “Senhores, creio que meu ritmo é ligeiramente superior ao do nosso querido Kimi. Reconheço o valor de sua pole ontem. Oh, lembrei-me de meus tempos de criança! Eu vivia desenhando carrinhos nos meus cadernos na escola. Até o dia em que Miss Bearman, sim, o mesmo nome de nosso colega Ollie, me deu uma bronca daquelas… Eu desenhava os carrinhos de Alonso, mas não digam para ele, pode ser que se ofenda e me acuse de etarismo. Mas, voltando aqui às coisas da pista, considerando meu ritmo, será que não seria o caso de…” “Cala a boca, George!”, interrompeu Toto.



Na volta 11, Yuki Tsunoda, que estava lá atrás, parou para colocar slicks. Era uma aposta. A mesma feita por Hamilton na volta 12 — a Ferrari foi ligeira, pela primeira vez neste século. Yuki colocou médios. Lewis, macios — escolha dele, que se pagou. A turma de trás, sem muito a perder, foi para o tudo ou nada. E a galera mais à frente percebeu que era o único jeito, mesmo.
Na volta 13, uma confusão nos boxes. Antonelli e Verstappen pararam. A Red Bull liberou Max em cima de Kimi e eles se tocaram. O italiano, por isso, não conseguiu trocar seus pneus e voltou para a pista. Teve de sair do box e parar de novo na volta seguinte. Sua corrida acabou. Pouco antes, Carlos Sainz bateu no muro, furou o pneu e abandonou. Lá na frente, Piastri começou a sofrer com os pneus intermediários. Norris era o segundo. E Oscar parou para colocar pneus médios. Landinho assumiu a ponta. Russell e Alonso pararam, também.

Faltavam quatro voltas. Norris, sem trocar pneus, tinha 20s de vantagem sobre Piastri. E foi chamado para os boxes. Então, na volta 15, Alonso foi tocado por Lawson e bateu forte, no momento mesmo em que o inglês da McLaren estava trocando os pneus. O safety-car foi acionado e Piastri teve de tirar o pé. A corrida praticamente acabou. Não haveria tempo de remover os destroços de Alonso. Lando se deu bem. Verstappen, enquanto isso, era punido com 10s pela imprudência da equipe. Pelo rádio, mandou todos ao inferno.
E pelo rádio, também, Antonelli se lamentava. “Nem sei o que dizer, gente…”, suspirou. “Minicorrida, Kimi. Não é relevante!”, tranquilizou-o Toto. “O que é ‘relevante’?”, devolveu o piloto. “Nada, Kimi, está tudo bem, sua mãe não para de telefonar, diga aí no rádio que está tudo bem!”



E a prova terminou com Norris, Piastri, Hamilton, Verstappen, Albon, Russell, Lance Stroll, Lawson, Oliver Bearman e Tsunoda nas dez primeiras colocações. Max, com os 10s de pênalti, caiu para 17º. E Bearman, que largara em penúltimo, terminou em oitavo. Mais uma atuação notável do inglês da Haas. Lewis também se deu muito bem nas paradas e acabou levando um troféu de acrílico para casa. Gabriel Bortoleto, da Sauber, foi o 15º.
Como foi uma Sprint confusa, os comissários tinham várias investigações a fazer depois da quadriculada. Lawson, por exemplo, poderia ser punido pelo toque em Alonso. O resultado descrito acima, pois, não era definitivo. Mas na ponta não havia nada a reparar. E na luta pelo título entre os dois pilotos da McLaren e Verstappen, o que mudou foi a distância da dupla papaia para o holandês, que ficou estacionado nos 87 pontos. Lando, por sua vez, descontou um ponto de seu companheiro. Ao fim da Sprint, o placar apontava 106 para Piastri, 97 para Norris. E assim foram todos almoçar para esperar pela classificação de logo mais, que define o grid do GP de Miami, sexta etapa do Mundial.
PUNIÇÕES – Pouco antes do início da classificação foram anunciadas punições a três pilotos que chegaram nos pontos na Sprint, além de Verstappen. Todos tiveram 5s acrescidos aos seus tempos de corrida. Como a prova acabou sob safety-car, com todos colados, acabaram saindo dos pontos. Lawson foi punido pelo toque em Alonso e perdeu o sétimo lugar. Albon, quarto, levou um pênalti por irregularidade durante o período de safety-car. E Bearman, oitavo, por ser liberado pela Haas no pit stop de forma perigosa. Assim, o resultado final da Sprint foi: 1) Norris; 2) Piastri; 3) Hamilton; 4) Russell; 5) Stroll; 6) Tsunoda; 7) Antonelli; 8) Gasly.
Os meninos Kimi é um fenômeno, Oscar também, Isaac é ótimo, Bearman é bem melhor que o carro. Borboleta, coitado, é bem fraquinho, porque carro ruim na chuva não é desculpa pros comedores de poeira.
Bela ultrapassagem por fora de Hamilton sobre Verstappen. Como uma água faz bem pra uma corrida.
Não seja idiota ! Max estava com o carro danificado ! E a chuva sempre estragar corridas ! Deveria ser proibido correr no molhado, correm só por causa dos patrocinadores!
Putz, mais um perfil? E precisa ofender, só porque é opinião diferente da sua? Realmente, que nível alguns aqui apresentam…
Lá pelas tantas eu pensando “finalmente Alonso vai marcar algum ponto.” Só que não.
Gostei da Sprint.
Bom, só vou falar dos melhores. Belíssima atuação de Antonelli, que andou “no ritmo dos ponteiros” a sprint toda, aliás, piloto excelente não depende de azar dos adversários para se sair bem
. Parabéns ao Bearman que largou em último (atrás de um piloto tipo A) e marcou “mais um ponto.