ONDE DESLIGA? (3)











SÃO PAULO (fim de papo) – Acabou a pré-temporada. Foi a mais longa da F-1 nos últimos anos, desde a introdução dos testes coletivos com a simultânea proibição dos treinos avulsos em pistas espalhadas por aí. Tais restrições começaram em 2010, por razões de economia. O custo por quilômetro num carro de F-1 é altíssimo. Não me peçam esse valor, porque há muitos cálculos possíveis — podem, ou não, incluir a quantidade de gente mobilizada, aluguel de autódromo, número de motores, gastos variáveis com pneus e combustíveis, depende se vai ter café e pão de queijo, refresco e amendoim etc.
Mas é alto, podem crer. Lembro que no auge da gastança da categoria a Ferrari torrava US$ 600 milhões por temporada, e uma parte considerável disso era incinerada em Fiorano, porque Michael Schumacher não tinha clima bom em casa e preferia ficar na Itália treinando das seis da manhã às seis da tarde, com meia hora de almoço. A torneira de outros times também jorrava sem dó, como na Toyota, e uma hora aquele troço iria ficar inviável. Então resolveram começar a cortar os custos, e os testes foram os primeiros a dançar. (Os pilotos, exceto Schumacher, adoraram.)
Neste ano, foram 11 dias gastando gasoli… digo, óleo de fígado de bacalhau, biomassa, chorume, extrato de mamona líquida e bastante borracha: cinco em Barcelona, seis no Bahrein. Cada time pôde andar nove dias — três dos cinco na Espanha e todo o tempo no deserto de Sakhir.
Andou-se bem. Era preciso, porque a F-1 passa por uma reforma de regulamento como nunca antes neste país. Ninguém sabia direito como os carros iriam andar, nem se iriam andar. Andaram. Quebraram pouco, até. Algumas equipes tiveram bastantes problemas, como a Aston Martin. Hoje, por exemplo, Lance Stroll completou só seis voltas, nenhuma cronometrada. A equipe, então, empacotou tudo e jogou no lixo. Foram todos embora depois do lanchinho da tarde. Foi a grande decepção de fevereiro. Vamos nos divertir com os rádios de Fernando Alonso nas primeiras corridas do ano. O problema hoje foi na bateria do motor Honda. Ontem também.





Outros times saíram satisfeitos e aliviados do Bahrein, como a estreante Audi, que só nesta semana completou 357 voltas e seu motor, novinho em folha, aguentou. A Audi nunca tinha feito motor de Fórmula 1. A lembrança mais recente das quatro argolas era dos motores dois tempos da Vemag na década de 60 no Brasil, sob a batuta de Miguel Crispim Ladeira. Seus três cilindros e mil centímetros cúbicos de cilindrada produziam 100 HP. Sem nada elétrico, exceto as lâmpadas na capota para localizar o carro na pista nas Mil Milhas.
Ferrari, Mercedes, Red Bull e McLaren se revezaram na ponta com os melhores tempos e algum equilíbrio entre elas. No fim, 1min31s992 foi a melhor volta das duas semanas barenitas, de Charles Leclerc. Em 2022, ao fim da pré-temporada com os carros novos de então, também inaugurando um novo regulamento, o melhor tempo havia sido de Max Verstappen, da Red Bull: 1min31s720.
Ou seja, como diz Luciano Burti: começa-se esta nova era com os carros andando mais ou menos a mesma coisa que no início da última. Vou te falar que, como diz Luciano Burti, que logo logo a performance se aproximará daquela que vimos nos últimos dois anos. Obviamente, como diz Luciano Burti, não será na Austrália, na abertura da temporada. Vamos lembrar, como diz Luciano Burti, que há um longo caminho pela frente.
O que mais me chamou a atenção nestes dias — e esqueçam a parada dos motores, como disse ontem só volto a tocar no assunto quando eles forem assunto novamente — foi o enorme abismo entre as quatro maiores e o resto. Cadillac na rabeira era algo esperado, mas seria legal se as outras estivessem um pouco mais perto, e não a dois, três, quatro segundos de distância por volta.
A Austrália ainda não mostrará a realidade do campeonato. É só a primeira corrida do ano e é daquelas muito particulares, disputada numa pista nem-nem — nem de rua, nem permanente. É num parque, tem uns muros próximos, às vezes faz frio, às vezes faz calor, e quem for esperto, especialmente na turminha do fundão, faz o que fizemos nas Mil Milhas: a prioridade é terminar. Foi assim, por exemplo, que Felipe Nasr se tornou o melhor estreante brasileiro da história, com um quinto lugar em Melbourne pela Sauber em 2015. Ele ficou três anos na F-1 e nunca mais conseguiu repetir o resultado.
Depois da corrida em Albert Park a gente conversa sobre favoritos e candidatos ao rebaixamento. Mas se você estiver em algum bolão e não puder esperar, coloque George Russell campeão, Verstappen em segundo, Oscar Piastri em terceiro, Lando Norris em quarto, Kimi Antonelli em quinto, Lewis Hamilton em sexto e Charles Leclerc em sétimo. Isack Hadjar será o oitavo. A Audi não vai chegar ao pódio, a não ser em circunstâncias muito excepcionais, previsão que vale para Williams e Alpine. A Haas vai terminar na frente da Racing Bulls. A Aston Martin, com todos os problemas, acaba na frente da Cadillac, que voltará a fazer limusines presidenciais.
E Valtteri Bottas não vai mostrar a bunda porque isso pode ofender os conservadores em conserva na América.
Hermanos de Bananinha, Hermanas de Janja, Hermanes de Erika,
De passagem pela Espana, investiguei o mindset dos fans locais nesse momento de transicion tecnologica para um reset corporate do branding da F1.
Alguns destaques (highlights) da charla com los amigos de Castilla:
-> Ninguem lembrou de Carlitos Sainz Junior. Todos, de Don Fernando Eterno.
-> Todos falaram mal de Laurence Stroll, Adrian Newey e do GP2 ENGINE.
-> Todos nunca mais comprarao Aston Martin e odeiam James Bond.
-> Ate hoje eles falam do VAREYO de Don Alonso sobre Felipito Massa.
-> Ate hoje eles esperam a 33a vitoria e o 3o titulo mundial de Don Alonso.
-> Todos acharam os coches de 2026 lentos, feios e ruins de dirigir. Como a Formula das Chaleiras Eletricas.
-> Todos mudarao de ideia quando o Valdemort da Aston Martin fizer o GP2 ENGINE ficar mais rapido que as Papayas Invenciveis e o Mercedon de Toto.
-> Nosotros somos pachecos, ustedes precisan conocer Espana. Mucho mas!
-> Nosotros amamos Vini Jr. Eles, no.
-> Nosotros tenemos Borto, despacito. Ellos, no.
Tiempo, senor del Vareyo Eterno!
F1 caiu no politicamente correto… dos não poluentes.. dos combustíveis que não geram CO2… dos carrinhos que não fazem barulho…. acho que o mundo precisa sim se preocupar com a poluição. mas não vai ser corridas de carro que vai mudar o mundo. saudade dos carros barulhentos e que queimava gasolina de verdade onde no final das retas com o motor em redução parecia que iria quebrar tudo… não sei se veremos isso de novo.
Obg pelo belo texto !
Russell, Piastri, Leclerc, Verstappen e Hadjar nas cinco primeiras posições.Norris vai engedrar a pior defesa de título da história e ficará em sétimo, atás do Raikkonem italiano, Lewis vai até andar bem, mas vai entrar em parafuso, se aposentar, comprar participações em times de outros espeortes, notadamente MotoGP.Nos contrutores,
Mercedes, Red Bull (finalmente com 2 pilotos), Mac Ferrari, todas muito próximas. Haas fica em quinto, um pouco na frente da Alpine-Mercedes, que finalmente será vendida, a Audi fica na posição 7 com uma temporada pra lá de decente, na frente da Minardi Rosso e da Williams
Cadillac vai de mal a pior e só não fica atrás da Aston, Alonso e Stroll darão um show de falta de temperamento o ano inteiro, o espanhol para e vai se divertir andando de qualquer coisa outra vez, já o canadense larga no meio da temporada mesmo, vai ser atleta de beach tennis.
Conservadores de Energia nas Curvas Travadas do Bahrain e Progressistas do GP2 Engine de Alonso e Newey,
Depois de um par de dias na terra de Briatore, Antonelli, Enzo e Jarno, colhi interessantes insights sobre o mindset dos tifosi a respeito da novissima F2.
Segue resumo dos melhores momentos (“highlights”) do papo com os locais.
“Brasiliani? GABI…BORTO…BORTOLENTO!”
(sim, miguxos, o mundo ja sabe sobre nosso Borto)
“Contratamos o piloto que tem 7 titulos como Schumi, e chegou um membro mimado da familia Kardashian”
(vou usar essa mais vezes!)
“Leclerc e rapido e poderia ser campeao mundial, precisamos de um frances que saiba comandar a Scuderia, um Napoleao”
(sobre Monsieur Vasseur e sua popularidade nas pesquisas de opiniao)
“Antonelli esta muito verde, depois do acidente em San Marino. Nao merece correr na Ferrari”
(o falso Kimi bateu feio na terra que nao possui a curva Tamburello)
“DE VERO, Kimi so teve um, nostro KIMI RAIKKONEN”
(sim, miguxos, o mundo sabe diferenciar Antonelli do verdadeiro Kimi)
“Max tem o espirito da Scuderia nas veias. O problema e seu papa”
(Franz Hermann, vaga garantida no coracao sem vergonha dos tifosi)
“Lance deveria deixar o cockpit vago. O problema e seu papa”
(Nepo-Baby Stroll)
“Criminale! So vai vender essa equipe por metade do preco e embolsar o resto”
(Nelsinho Piquetinho curtiu)
“E como esta o CARNEVALE em Brasile? E a escola de Lula?”
(O papo acabou quando informei aos locais o humilhante rebaixaJanjamento)
Ninguem gosta de perder. Todos gostam de ganhar, especialmente os tifosi.
E ganharam 30 medalhas nas Olimpiadas de Inverno, em casa. Pachequismo!
Mas com competencia. Grazie Italia!
Tempo, signore del Futuro!
Boas previsões, mas não vejo o Lewis terminando na frente do Leclerc. E Max em segundo vai depender da Red Bull melhorar um pouco. Apostaria mais em algo tipo Schumacher-96… algumas vitórias esporádicas e pódios, mas sem chance de fazer frente.
Concordo sobre Hamilton. O cara não desaprendeu a pilotar, é claro. Mas ficou atrás dos companheiros nos últimos dois anos.
aí. FLAVIO !
Fica aquela eterna duvida F1 é esporte ? É competição? Ou entretimento ou desfile de ricos e desocupados ????
Mas eu gosto de assistir, pra mim é diversão !!!
Acho que o Fiestinha vai dar show e o Yaris vai surpreender, VERemos em 26 né FLAVIO! o Opalao não vai ganhar nada mas vai mostrar presença.
Autorama de bilionários.
Nao sei porque eu gosto, visto que sou pobre
A sorte está lançada.
O quarteto de ferro parece mais dominante. A Audi pareceu melhor que o esperado e a Aston Martin parece que assumiu de vez o papel de playground de playboy.
As tais das asas móveis ainda me assusta, falhou – ferrou.
Que venha a Austrália para desmentir tudo.
Tenho laço afetivo com Opala, mas vou de Fissore
Previsão copiada e guardada em um bloco de notas na área de trabalho.
Ou seja, como diz Luciano Burti, mudaram não mudando. Os mesmos na frente e os mesmos na rabeira.
Perguntar não é ofensa… Essa turma que esta incomodada com a conserva – genial – não é aquela mesma que ridicularizava os outros das maneiras mais baixas e reclamava que o mundo estava muito chato e cheio de mimimi?
Pimenta nos olhos dos outros é refresco e nada como um dia após o outro… nem sou lulista, mas sempre é divertido ver reacionários “incomodados” para não dizer outra coisa.
Cara voce errou o post, só pode….
Não creio Sebatian, apenas aproveitei o final do texto do FG para uma pergunta irônica.
A bunda do Bottas não chamou muito atenção não fez muito sucesso, só Hamiltom olhou !!!! Então não se preocupem não vai aparecer mais
Foram tantos problemas enfrentados pela Aston Martin que nem dá para dizer que a culpa é do motor Honda, porém não deixa de ser curioso o Alonso passar por mais um ano de calvário pilotando motores Honda, as leis do universo ou do retorno as vezes são cruéis. O espanhol não será campeão novamente e mesmo que eu nunca tenha torcido para ele, eu acho que ele merecia sorte maior nessa reta final de carreira.
Se for para chutar agora, creio que a sua opinião para o bolão é muito boa, principalmente para o campeão, mas tbem não descarto uma Ferrari ou Mclaren a frente do Max… pode ser sandice apostar contra ele e a Red Bull, mas aí é para fugir um pouco do elementar…
Não acho que teremos uma grande disputa pelo campeonato de pilotos, o Russell deve levar sem muitas dificuldades, ainda assim acho que o campeonato será divertido com algumas quebras, erros de pilotos e muitas ultrapassagens…
Se houver equilíbrio entre as quatro grandes, Verstappen leva.
E como as corridas devem ser mais freestyle, arriscaria dizer que a Audi belisca uma vitória numa dessas provas xaropes estilo Nürburgring 1999.
Aaaah adorei, perfeito esse final do texto!!! Perfeito!!!