STRONG & FREE (3)

SÃO PAULO (Jorge, Jorge…) – Foi menos fácil do que o normal, mas a Mercedes larga na primeira fila amanhã no GP do Canadá, quinta etapa do Mundial. Menos fácil porque a equipe se deu o luxo de acertar o carro para a chuva num sábado sem chuva. É que a previsão para amanhã é de corrida no molhado. Se a meteorologia acertar, George Russell, o pole, e Kimi Antonelli, o segundo colocado no grid, vão se dar muito bem. Se não chover, vão se dar apenas bem – o carro é um foguete e seu ritmo de corrida é muito sólido.
Isso acontece porque há regras para trabalhar nos carros entre a classificação e a corrida. Eles são trancafiados em regime de Parque Fechado, e se alguém encostar neles é capaz de ser metralhado pelos fiscais da FIA. Não pode tudo. Só mexer em itens que podem oferecer riscos à segurança. Mas se uma equipe acerta o carro para pista seca e chove, vai sofrer de qualquer forma. Se não chove, quem pensou em correr no molhado tem de se virar com um carro que terá desempenho prejudicado – caso da Mercedes.
Pode ser que outras equipes tenham feito o mesmo que os alemães, mas a impressão foi de que a pelo menos McLaren e Red Bull partiram para um acerto para pista seca, para tentar bater os prateados. Impressão, apenas. Seja como for, não conseguiram. Lando Norris larga em terceiro e Oscar Piastri, em quarto. Os rubro-taurinos ficaram igualmente para trás.
Russell fez sua segunda pole no ano, numa disputa de milésimos com Antonelli. É a nona dele na carreira. A Mercedes continua invicta em grids nesta temporada. Fez todas as poles, e só não bateu a primeira fila em Miami, porque Russell largou em quinto. Com sol ou chuva, chuva ou sol, em caso de casamento da viúva ou de espanhol, o time é favorito à vitória mais uma vez. Talvez não com um pé nas costas – a melhora da McLaren é visível. Mas favorito.



Na classificação, Russell e Antonelli, que se estranharam na Sprint, brigaram pelos melhores tempos apenas no Q3. Antes, fizeram o suficiente para avançar de fase sem sustos. O grid teve duas surpresas entre os dez primeiros, Arvid Lindblad, nono com a Meu Chip Não Tá Funcionando, e Franco Colapinto, décimo com a Alpine que, dizem, está sendo vendida para a Gucci – sim, a grife de luxo. Gabriel Bortoleto, brasileiro da Audi, larga em 13º.
No Q1, Antonelli ficou com a primeira colocação com um tempo apenas razoável de 1min13s380. De qualquer forma, os dez primeiros merecem registro: depois de Antonelli ficaram Norris, Piastri, Isack Hadjar, Lewis Hamilton, Charles Leclerc, Lindblad, Russell, Max Verstappen e Carlos Sainz.
Ninguém da turma da frente precisou se esforçar muito, já que, correndo o risco de ser repetitivo, em 2026 há vagas cativas no grupo de seis que são eliminados na primeira parte da classificação. São as duplas da Cadillac e da Aston Martin, mais dois avulsos que se alternam entre os pilotos da Audi, da Williams e da Haas. Hoje, a turma degolada teve Esteban Ocon, Alexander Albon, Fernando Alonso, Sergio Pérez, Lance Stroll e Valtteri Bottas. Bortoleto avançou ao Q2 na bacia das almas (de onde vem essa bela expressão?), fechando sua volta com o cronômetro já zerado.
Kimi voltou a andar bem no Q2, enquanto Russell parecia apanhar do carro. O italiano fez 1min13s076 na sua primeira volta boa, mais de 0s5 à frente do companheiro, que decidiu voltar à pista para entender o que estava acontecendo.







Nesta temporada, o despenhadeiro entre as quatro melhores equipes e as demais é muito grande. Ninguém desses times corre risco de ficar fora. Assim, como na outra ponta da tabela, há vagas asseguradas entre os dez primeiros para as duplas de Red Bull, Mercedes, McLaren e Ferrari. Juntam-se a eles mais dois avulsos – que normalmente vêm da Alpine, da Williams ou da Meu Cartão Foi Cancelado.
A surpresa do Q2 foi o tempo de Hadjar, 1min12s975, colocando a Red Bull na primeira colocação. Com ele avançaram ao Q3 Hamilton, Norris, Antonelli, Russell, Piastri, Verstappen, Leclerc, Lindblad e Colapinto, nessa ordem. Lindblad e Colapinto foram os avulsos do fim de semana. Nico Hülkenberg, Liam Lawson, Bortoleto, Pierre Gasly, Sainz e Oliver Bearman foram os eliminados.
Quem chutou o pau da barraca na abertura do Q3 foi Norris, com 1min12s729. Hamilton fez sua primeira volta e impressionou também, ficando apenas 0s139 atrás do campeão vigente. A dupla da Mercedes, hiper-mega-ultra favorita, não virou: Russell abortou a volta e Antonelli ficou a 0s359 do inglês da McLaren. George deu uma melhorada na segunda tentativa, mas não subiu muito. Kimi, então, socou o pé no porão e conseguiu pular para a primeira posição com 1min12s646. Mas Russell tinha ficado na pista. E foi para uma nova volta voadora. Nela, voou: 1min12s578, batendo seu parceirinho por 0s068. Curiosidade: a mesma diferença de ontem, na definição do grid da Sprint. Norris e Piastri ficaram em terceiro e quarto, o primeiro a 0s151 da pole, o segundo a 0s203. Hamilton larga em quinto, com Verstappen atrás dele. Hadjar, Leclerc, Lindblad e Colapinto fecharam o top-10.

As previsões para Montreal amanhã não têm sido muito assertivas. Alguns serviços meteorológicos apostam em chuva pela manhã até o começo da tarde, no máximo. O père-du-saint Pioche Forestière, sempre consultado pela família Stroll, muito mística e supersticiosa, informou que vai chover a partir da volta 44, número maldito pelos canadianos – alguns prédios pulam andares com o algarismo 4, não me perguntem por quê. Nos programas de TV, tem quem fale em chuva de tarde e quem garanta que vai ser só de noite.
Eu não sei de nada. Só que Toto Wolff está torcendo para um dos dois não largar muito bem amanhã. Para evitar atritos, sabe como é. Essa molecada é muito bocuda. E os mais velhos, ranzinzas.
Père-du-saint foi ótimo Flávio!
Allez George !!!
Père-du-saint foi ótimo Flávio !
Se a informação do texto sobre os acertos que cada equipe fez for correta, eu acho que podemos ter uma boa corrida independente de como estará o tempo. A Mercedes aumenta a vantagem no molhado, mas é nessa condição que as coisas costumam se tornar mais divertidas, pois se tornam menos previsíveis e no seco eu acho que a Mclaren faz frente.
O Toto deve estar considerando seriamente em desativar, em um dos carros, a solução que eles encontraram para a largada.
Arrebentou a boca do balão com esse texto, Flavio! Legais as expressões.
Corrida poderá ser interessante pelo tempo (relativo ao clima, não ao relógio) e pelas disputas.
Ao terminar a corrida, teremos Mônaco como a próxima (em duas semanas).
Dale Kimi!