LABORIOSAS (2)

SÃO PAULO (só alegria!) – George Russell desbancou o favoritismo da McLaren e fez a pole-position para o GP da Inglaterra, num fim de semana de festa no Reino Unido. Na pista, 1-2-3 no grid para pilotos ingleses: Russell em primeiro, com seu companheiro de Mercedes Lewis Hamilton em segundo e Lando Norris em terceiro. Fora dela, os conservadores foram enxotados do governo britânico depois de 14 anos, com a Inglaterra – alvíssaras! – guinando para a esquerda enquanto no continente os ventos sopram cheirando enxofre para a direita. E na Alemanha o English Team avançou na Euro nos pênaltis contra a Suíça. Oh, my God!
Foi a terceira pole de Russell, segunda neste ano. E a Mercedes não fazia uma primeira fila desde o GP do Brasil de 2022, com os mesmos pilotos e nas mesmas posições. Max Verstappen, líder do campeonato, larga em quarto em Silverstone. Não se encontrou em nenhum momento do fim de semana, numa pista em que a Red Bull costuma se sair bem. Neste, porém, o holandês está apanhando. Para piorar, estragou o assoalho de seu carro numa escapada de pista no Q1 e dali até o final foi só uma questão de minimizar os prejuízos. Vai fechar a primeira metade da temporada com alguns pontos de interrogação na cabeça. O domínio do começo do ano foi para o vinagre.

Tem sido um fim de semana típico do verão inglês, este, com tempo instável e imprevisível. Para se ter uma ideia, o dia começou com muita chuva e foi com pista molhada que aconteceu o terceiro treino livre. Havia a previsão de que o clima continuaria do mesmo jeito nas horas seguintes. Mas o sol saiu depois da chuvosa corrida Sprint da F-2, vencida por Kimi Antonelli com Gabriel Bortoleto em terceiro — com uma bela ultrapassagem na última volta.
É Inglaterra, enfim, e lá o tempo vira toda hora. Assim, a classificação começou sem água. A temperatura, porém, baixa: 12°C. Mas o solzinho ajudava a secar o asfalto e na medida em que os carros iam saindo dos boxes no Q1, com pneus intermediários, um trilho ia se formando.
As primeiras voltas foram completadas entre 1min37s e 1min40s. Tempos muito altos que cairiam bastante e rapidamente se não desabasse o céu antes, já que ao redor de Silverstone nuvens muito carregadas intimidavam os pedacinhos de céu azul que apareciam aqui e ali.



Bottas foi o primeiro a colocar slicks, a dez minutos do final do Q1. Todos começaram a fazer o mesmo. Mas ninguém fechou volta, porque uma bandeira vermelha apareceu nas telas. As câmeras foram buscar o que aconteceu. E encontraram Sergio Pérez atolado na brita. De pneus slicks. Ele ainda ficou pedindo pelo rádio para alguém empurrá-lo. Nem a regra o cara conhece. Um vexame.
(Aqui, vale uma informação. Ainda que tenha tido seu contrato com a Red Bull renovado recentemente, por dois anos, Pérez corre risco de ficar a pé. Faz um campeonato horrível. A rodada na classificação só reforçou seu mau momento. Terá de largar na última fila, sem chance de fazer nada amanhã. Nas últimas cinco corridas, marcou 15 ridículos pontos. Verstappen fez 101. A equipe não pode se dar ao luxo de ficar pontuando com apenas um carro. Nesses mesmos cinco GPs, foram 116 pontos no Mundial de Construtores, contra 144 da McLaren e 132 da Mercedes. Por essas e outras se comenta muito fortemente que o contrato recém-assinado não garante nada ao mexicano. Tanto que Liam Lawson, neozelandês que fez algumas provas pela AlphaTauri no ano passado, tem um teste agendado para a semana que vem com o RB20, o carro deste ano, para Silverstone mesmo. É aquela quilometragem permitida para filmagens, que a Red Bull ainda não gastou neste ano. Se o menino aparecer no lugar de Checo ainda nesta temporada, não se espantem.)
A sessão foi retomada depois do resgate do caro de Pérez. Não chovia, mas as nuvens eram cada vez mais pesadas. Foi todo mundo para a pista às pressas com pneus para piso seco e os tempos desabaram para a casa de 1min30s lá na frente. Mas durou pouco. Voltou a chover. Verstappen deu um passeio na brita na Copse, onde seu companheiro tinha rodado. Mas se recuperou na volta seguinte. Pelo rádio, a Ferrari avisou Sainz: “Vai agora porque vai cair o mundo, filhote!”. Conseguiu subir para o segundo lugar, atrás de Piastri. Nâo caiu o mundo, a chuva parou de novo e os tempos voltaram a baixar. Era o melhor momento da pista, e nessa hora Hamilton fez 1min29s547 e ficou com a primeira colocação. Bottas, Magnussen, Ocon, Pérez e Gasly (que andou pouco, porque trocou várias coisas no carro e teria mesmo de largar lá atrás) foram os eliminados. A Williams passou com os dois carros para o Q2. Zhou, que só anda no fundão com a Sauber, também. Ocon, coitado, se lamentou: “Na única volta em que pude acelerar choveu!”, disse ao seu engenheiro. Acontece.

(Falando em Ocon: notícias da imprensa inglesa garantem que o francês já assinou com a Haas para 2025. Não há motivos para duvidar. Quando ele anunciou que ia sair da Alpine, estava na cara que já tinha amarrado alguma coisa. O anúncio oficial deverá sair em breve. Assim, Magnussen dança de vez, já que o outro piloto do time americano, esse já anunciado oficialmente, será Oliver Bearman.)
Começou o Q2 sem chuva e uma fila na saída dos boxes porque havia pressa. Era um olho no asfalto e outro no céu. Tempos despencando de novo: Piastri abriu os trabalhos com 1min27s631, já se aproximando dos tempos de ontem nos treinos livres, com pista totalmente seca. E nada de chuva mesmo, o que significava que no final do Q2 as condições seriam as melhores possíveis. Quem deixasse para fazer tempo nos últimos minutos iria se dar bem.




Por isso que todos foram para a pista nos instantes finais. E os tempos foram despencando. No fim, Norris bateu o cronômetro em 1min26s559 e foi o mais rápido. Russell, Alonso, Piastri e Hamilton fecharam a turma dos cinco primeiros. E na galera da degola, uma surpresa: a Ferrari de Leclerc. Junto com ele foram mais cedo para os vestiários Sargeant, Tsunoda, Zhou e Ricciardo. Dos oito motores Mercedes na F-1, sete foram ao Q3 – só a Williams de Sargeant ficou fora.
E foi no seco que a pole foi definida, já sem chance alguma de chuva. Verstappen foi um dos primeiros na pista, para avaliar os danos no assoalho de seu carro causados pela escapada no Q1. A primeira bateria de voltas rápidas teve Russell na frente, com 1min26s024, apenas 0s006 à frente de Norris. Hamilton e Piastri vinham em terceiro e quarto. Max apenas em quinto, a 0s326 do tempo de Jorginho.


E quem arrebentou a boca do balão na segunda saída dos boxes foi a Mercedes. Russell baixou sem tempo para 1min25s819, com Hamilton fechando sua volta 0s171 atrás. Norris ficou a 0s211. Decepção? Não diria tanto. Mas esperava-se uma briga mais acirrada pela pole com os carros papaia como protagonistas. Não foram. Verstappen arrancou leite de pedra e ficou em quarto. Piastri, Hülkenberg, Sainz, Stroll, Albon e Alonso fecharam a ordem dos dez primeiros, com grande destaque para o alemão da Haas em sexto.

É difícil imaginar uma vitória amanhã que não seja da Mercedes com seus dois carros na primeira fila. Uma boa estratégia de proteção ao líder tem chances razoáveis de funcionar. Trata-se de uma grande reviravolta da equipe alemã, que só teve motivos para festejar neste sábado – Antonelli ganhou na F-2, como já dito, e ninguém na equipe, quando começou a temporada, esperava uma reação tão forte na metade do campeonato. A dupla da McLaren, que começou o fim de semana tão bem, vai brigar pelo pódio com Verstappen, que jamais deve ser descartado. Norris tentará um ataque aos mercêdicos no início, mas terá de se preocupar com Max, com quem se encontrou nas últimas voltas do GP da Áustria e a quem verá de novo nas primeiras curvas de Silverstone. E pode chover, porém, o que normalmente embaralha algumas corridas.
A casa estará cheia, com o bom momento dos ingleses. Pela primeira vez desde 1977 a prova britânica tem uma primeira fila com dois pilotos da casa — naquele ano foram James Hunt (McLaren) e John Watson (Brabham). Apostem num belo GP. Começa às 11h. Não percam.
Torcendo por um pódio do Hulkenberg amanhã. Vai que rola uma corrida maluca e ele tira esse peso das costas.
Na foto três ingleses nas três primeiras posições: Romero Britto é o autor “daquela coisa” cafona nos pés do Lando Norris?
Estilo dele, mesmo. Feio pra danar!
Após a classificação, perdi alguns minutos da minha vida refletindo sobre porque Sergio Pérez ainda não foi demitido.
O principal motivo todo mundo sabe: a grana que os patrocinadores dele entregam para a Red Bull. Mas não deve ser só isso: será que o Christian Horner é muito amigo do cara e não tem coragem de demitir o piloto da F2 que não deveria estar na F1? Mas o Christian Horner não gosta nem da Geri Halliwell. Se gostasse, não a teria traído. O caso foi abafado completamente por toda a imprensa mundial.
Resumo da ópera: a não demissão imediata de Sergio Pérez é um mistério.
Belíssima geração, soma se o novato Bearmann … great britain, berço da F1 e do football e do fish and chips .. acho q vou fazer amanhã
Esse Bearman, sei que serei espancado, mas não boto fé.
E essa surra que o Hamilton tá levando hein? Passou o tempo dele, ou Russel é excelente, ou o que será? Me pergunto…Já o vejo levando pau do Leclerc, mas talvez eu esteja viajando. Todos passam o tempo né, mas esse cara parecia meio inabalável.
Era questão de tempo até a bagunça nos bastidores da RBR atingir o desempenho da equipe. Enquanto Mercedes e Mclaren se concentraram e desenvolver seus carros, a Red Bull parou. Foram alcancados e ultrapassados. O titulo de construtores ja era. E o do piloto começa a ficar ameaçado tambem. No fim do ano Max tem que se mandar dessa trolha. É só ele falar sim e vestirá macacão preto ou prateado no ano que vem.
Ainda acho que essa evolução da Mercedes vai fazer Max pensar no ano que vem.
Sainz na Red Bull com algum novato ao lado.
George é um sujeito alto e esbelto, o que levou Lewis a ficar na ponta do pé direito, para não aparecer tão baixo na fotografia dos três primeiros colocados. Lewis também é esbelto.
“Enquanto no continente os ventos sopram cheirando enxofre para a direita”
Kkkkk, essa foi boa.
👏🏾👏🏾
Mestre Flavio, saudações sulfurosas.
Perdão, mas não há razões para nos animarmos com a vitória dos laborais.
Como bem recorda o Breno Altman, “Keir Stamer, futuro primeiro-ministro do Reino Unido, representa a ala mais reacionária dos trabalhistas. Neoliberal, pró-OTAN e pró-sionista, aliado da Ucrânia e submisso aos EUA, sob seu comando foi expulso do partido o ex-líder e chefe de sua ala esquerda, Jeremy Corbin.”
Enfim, vida que segue.
Ao que parece, nada tão diferente do que foi o próprio Tony Blair, um submisso a Washington que também era do Partido Trabalhista.
E faz tempo que você não coloca nada sobre o maior país de todos os tempos aqui, nossa querida e gloriosa Alemanha Oriental.
Darei para você de presente “República Democrática Alemã: Estado Policial ou Paraíso Socialista?”, escrito por Bruni de la Motte e John Green.
Este último, era correspondente da TV estatal da Alemanha Oriental na…?
Inglaterra!
Onde temos o GP desse final de semana.
E cobriu a Revolução dos Cravos também.
Já te adianto: só li esse livro porque foi iniciado em Alemanha Oriental aqui no teu blog.
Saudações do Camarada.
Quero o livro! Sobre Stamer, o importante aqui é a mudança de direção do vento.
A diferença entre um labour e um tory é a cor da gravata.
Espero que seja um espetáculo amanhã, merecidamente, pros ingleses, afinal eles que começaram com esse negócio de carrinhos.
Tem tudo para ser uma ótima corrida, assim como foi ótimo o resultado das eleições no Reino Unido.
Pelo jeito a cabeça do Perez está em outro lugar. Ninguém desaprende assim.
Pode ser família ou perdeu mesmo a chama, embora tenha se mostrado feliz com a renovação de contrato. No começo do ano parecia que iria acompanhar o Max, mas ficou pelo caminho.
No top 10 você citou o Sargeant, mas a tabela de tempos cita o Stroll. Fazendo papel de editor ;)