QUAL É A DA ANDRETTI?


SÃO PAULO (pode ser, sei lá) – Antes de seguirem a leitura acreditando que a resposta à pergunta do título estará aqui, já antecipo: não sei. Não sei, não quero saber, tenho raiva de quem sabe.
A carta acima, em duas folhas digitais, foi publicada hoje por Michael Andretti aos seus fãs. “Fans”, em inglês, é “fãs”, mesmo. Mas tem um sentido ligeiramente diferente daquele que atribuímos à palavra em português. Esse “fans” aí é mais “torcedores”. Você pode ser fã de alguém e não ser torcedor, necessariamente. Eu era fã do Sócrates, por exemplo. Mas quando ele jogava contra a Portuguesa, torcia para que ele ele pisasse num buraco e torcesse o pé entrando em campo. Torcia por um pé torcido, vejam só. Também sou fã do Chico Buarque. Mas se estivesse no Festival da Record de 1967, estaria torcendo por “Domingo no Parque” do Gil, e não por “Roda Viva” — ambas lindíssimas.
Por isso acredito que a carta do Michael Andretti é para os torcedores de sua equipe, mesmo. Porque ele tem outros fãs que não ficam roendo as unhas por ele. Admiram-no e basta.
Mas não importa para quem é a carta, estou divagando numa discussão linguística que não faz muito sentido. O lance é seu conteúdo. Michael Andretti está saindo do comando da Andretti Global, a holding que abarca todas as atividades da família no esporte motorizado. Tem equipe de F-Indy, F-E, IMSA e mais quatro categorias — veja aqui. Mas não tem a F-1. Que é o que Michael queria, e a F-1 não deixou.
A carta é toda emotiva, cheia de clichês e lugares-comuns, mas o que interessa aí é que o ex-piloto, filho de Mario Andretti, campeão mundial de 1978, avisa que está “passando o bastão”, como escreveu, ao seu sócio Daniel Towriss. Muito prazer, não sei quem é. Fui pesquisar e descobri que trata-se de um senhor de careca lustrosa que responde também pelo Grupo 1001, que por sua vez nada tem a ver com a empresa de ônibus que liga o Rio a São Paulo por R$ 105,38. Esse grupo é capitalista selvagem, mesmo: seguros, investimentos, essas coisas.
A Andretti se inscreveu junto à FIA para disputar o Mundial de F-1, foi aprovada, mas meses depois os capangas da Liberty, associados aos molambentos donos de equipes, vetaram sua entrada no campeonato. E olha que Michael já tinha firmado até uma parceria com a GM, via Cadillac. Aí mandaram dizer que aceitam a Cadillac como fabricante de motores só a partir de 2028. As justificativas para a negaticva, todas, foram furadas e estapafúrdias. Entre elas, afirmar que a Andretti “não agrega” nada à categoria e que precisaria “comprovar sua capacidade de ser competitiva”.
É uma papagaiada que mostra, apenas, que a F-1 virou um clubinho de dez equipes unidas em torno de um grupo americano que entende de mídia, mas não de automobilismo. Uns palermas fechados para a competição de verdade.
Acho que Michael cansou dessa história. Há quem pense que não, que ele sai de campo estrategicamente para tentar descobrir se o problema da F-1 é algo pessoal com seu cavanhaque, caso a calvície de seu sócio seja mais bem aceita.
Como disse lá em cima, não tenho resposta. Mas sempre tenho palpites e opiniões formadas ou em formação sobre tudo. E o meu palpite nesse caso específico é de que não veremos nunca a Andretti na F-1. Careca ou cabeluda. O que é uma derrota para o esporte.
Mas espero estar errado.
Se a Liberty fosse uma família, seria fácil concluir que a treta deles com os Andretti começou na época da lei seca em que havia grande disputa de fabricação e distribuição de contrabando, brincadeiras a parte até pq sei q a Liberty não é uma família, é estranha a postura deles com os Andretti, infelizmente nunca saberemos o real motivo… e não acho q a resposta seja apenas ter q dividir o bolo com mais um. E para ficar num exemplo simples… se a família real saudita resolver criar mais uma equipe e colocar na F1, alguém acredita que eles seriam barrados?
Eu só sei que sempre foi muito estranho a Liberty que é norte americana barrar a Andretti tbem norte americana e com marca muito forte lá nos EUA. Infelizmente nunca saberemos o real motivo, mas é por essas e outras q sintos saudades do velho Bernie, que nunca foi santo, sempre deixou claro que era um comerciante e claro agia conforme os seus interesses, ainda assim os interesses dele sempre foram bem largos as vezes para o bem e outras para o mal, porém sempre disposto a sentar na mesa e negociar independente de picuinhas para promover o crescimento, ganhar mais dinheiro e consequentemente deixar a F1 maior.
Toda essa questão envolvendo a Andretti e a F1 sempre me pareceu um tanto esquisita, sendo bem sincero… Seja da parte do Andretti, seja por parte da F1, tudo sempre muito estranho, um jogo de interesses meio sem pé-nem-cabeça, uma disputa de egos e de dinheiros… Fato é: Seria bem mais interessante, acho que pra todos, se houvesse pelo menos mais duas equipes, fosse equipe de fábrica ou equipe cliente… Mas, que seria interessante, isso seria…
Eu entendo que ele vendeu a parte dele da empresa e foi cuidar da vida, a Andretti que siga seu caminho como quiser. Deve ter um periodo de reserva onde ele nao podera se envolver em outros projetos automobilisticos de competicao, de onde ele fala que ainda participara em algumas questoes do grupo… nada de mais.
O estranho é que a liberty faz de tudo pra entrar no mercado estadunidense, entretanto veta uma equipe mais local?!
Flavio boa noite ,sou partidario da visao do leitor Rodrigo, sairam com ele, existe nos USA uma expressao corporativa, que se usa com determinaods cargos mais altos que é : we let him go! nós deixamos ele ir, sem precisar da patetica caixa de papelao. Isso é briga de cachorro grande no bastidor,
a imprensa especializada brasileira é a única que continua a considerar a tal da “fórmula-indy” uma categoria de ponta/relevante ao final do primeiro quartel do século XXI. A Liberty está correta: Michael Andretti e a GM não acrescentariam absolutamente nada a Fórmula 1, estariam lá só pra fazer número, andar 18 voltas atrás do líder e impor pilotos locais de capacidade técnica limitadíssima.
Equipes como a atual Sauber e pilotos como Hulkenberg, Magnussen, Zhou, Bottas, entre outros, fazem muita diferença, né?
Eu não acho a F Indy grande coisa e talvez com exceção da nossa imprensa e a dos EUA realmente não seja valorizada no restante do mundo como vc escreveu, porém no mercado norte americano é sim forte e talvez a maior cobiça histórica da F1 sempre foi ser forte no EUA, enfim a questão não é se vai agregar ganho técnico, mas sim oportunidades de negócio para a F1.
Os mesmos babacas que boicotam a entrada de Andretti, são os mesmos que nada falam sobre a inútil equipe dos cartões de crédito que não marcou um ponto sequer.
A razão da Andretti não ser aceita é uma só: $$. A entrada de mais uma equipe faz o dinheiro ser dividido por 11 ao invés de 10. É como Flávio Gomes falou, a F1 virou um clubinho fechado. Do ponto de vista esportivo é uma lástima. Antigamente largavam 26 carros e tinha piloto que não largava porque tinham mais carros para treinar. Hoje os dois últimos campeões da F2 não têm lugar no grid porque não tem carros suficientes
Sérgio do ponto de vista das equipes eu concordo que não querem ter que dividir a fatia com mais um, porém quem faz a gestão – Liberty – deveria sair do pensamento padrão, não que seja garantido, mas talvez a entrada da Andretti ajudaria na cobiça histórica da F1 em entrar e se fortalecer no mercado norte americano, o que consequentemente geraria mais receita e aumentaria a fatia para todo mundo. Ou alguém acha que a Haas cumpriu com esse papel?
Flávio, o que parece ser a aposta mais firme sobre o que está realmente acontecendo é que na verdade o Michael foi “saído” de sua própria equipe. Descontentamento do sócio e da GM que estão investindo e se expondo em um processo que está repleto de constrangimentos, esse de entrar na F1 e ser publicamente rechaçado.
No mais, vamos lá: Michael ter se cansado? O homem está pegando fogo de competitividade! Quem vê ele nos boxes da equipe na Indy toda corrida sabe bem que ele não deu nenhum sinal de cansaço. Essa lenga lenga da carta pública, fora o que foi dito na declaração da Andretti Global dias atrás, é apenas para disfarçar o enorme incêndio de bastidores que está rolando.
Fora que, além do imbróglio F1, ainda tem o incêndio que Michael acendeu dentro de casa, na Indy, com um certo Roger Penske. Andou falando muito, grosso, alto, contra a administração do Capitão.
E veja só: essa história do Michael ter vendido suas ações da própria equipe VAZOU primeiramente por um site chamado Sportico.com, que trata de questões do business esportivo. O proprietário do site? Jay Penske. Essas ações de relações públicas vieram de improviso na esteira desse vazamento. Uma forma elegante de enviar uma mensagem ao descontente, não?
O certo é que esse assunto renderá horrores pelos próximos meses lá nos EUA. A Andretti Global sempre foi o amor da vida do Michael pós aposentadoria das pistas como piloto. Nada me faz crer que ele tenha vendido a parada “porque se cansou”, pra virar figura decorativa como “embaixador”. Isso é ridículo.
Muito mais completo que minha avaliação… tb acredito que esteja muito ligado a descontentamento de sócios.
Lembrando que eu adoro um “achismo” (acho que isso, acho que aquilo… ).
Lendo essa carta lindamente redigida uma inspiraçao tocou meu coraçao: e se os Fittipaldi, em especial o genio Wilsinho, a tivesse redigido ?
Novamente, apenas possíveis interpretações sobre o que está disponível na mídia.
Pode ser jogada para entrar na F1.
Pode ser que o cara tenha se cansado e queira apenas curtir a aposentadoria.
Pode ser que tenha decidido vender o negócio e está na surdina preparando o terreno.
Também pode ser retaliação dos demais sócios por conta da grana que foi gasta por Andretti no projeto F1 antes de ter garantida a vaga no campeonato. Investiu em fábrica, pessoal, protótipo de carro… sabe-se lá mais o que. Quanto essa brincadeira custou? Seria mais barato ter feito uma proposta pela Alpine, VCARB? É fato que eles amam o automobilismo, mas odeiam ainda mais perder dinheiro…
Não tenho nenhum elemento para apostar em qualquer uma dessas hipóteses…
Até soa estranho que a Liberty não queira a entrada de um nome gigante do automobilismo americano, pois creio que haveria benefícios mútuos, com corridas por lá que poderiam atrair mais público oriundo das fileiras da Indy, mas no fim a divisão do dinheiro é o que mais conta aí.
Eu gostava quando largavam 26 carros (em Mônaco eram 20 por causa da extensão da pista). Por mim, entrava a Andretti e mais quantas quisessem.
Qual é a da F1 ? Continuar com 10 equipes , com esse grid esvaziado ? A que$tão é grana ? Pq venhamos e convenhamos , magoazinha não combina com o bu$$ines da categoria ! O cara correu lá em 1993 , faz tempo pra caraio ! Qual é a parada ?
Em várias entrevistas Tony Kanaan explica sua saída da Andretti, foi muito complicado para se dizer o mínimo.
Tony Kanaan disse recentemente que Michael Andretti ainda é visto com restrições pela comunidade da Fórmula 1 pelas patacoadas que aprontou quando pilotou pela McLaren, e que isso pode ter contribuído para que a Andretti não tenha logrado êxito na tentativa de ingressar na categoria. Até hoje tem gente que acha que ele tratou a Fórmula 1 com desprezo ao decidir continuar morando nos EUA e fazer ponte aérea de Concorde para Londres toda semana para participar das atividades com a equipe.
Talvez faça sentido, ao menos como último recurso, Michael se afastar para que o time tente outra vez se juntar à patotinha.
Mas isso tem mais de 30 anos! Quantos nasceram e morreram durante este tempo. Não é possível que haja tanta mágoa nos corações de quem ainda está na F1.
É um tremendo disparate dizer que os Andretti “agregam nada”. Eu quem não agrega.
Nesse ínterim após 1993, ex-pilotos como Adrian Campos e Aguri Suzuki – nem vou compará-los com o Andretti filho – tiveram suas equipes de F1. Se uma figura como Flavio Briatore (leia esse nome várias vezes) voltou pela porta da frente, a F1 não pode fechá-la para ninguém.
Até o Diniz por algumas semanas ou meses foi sócio de equipe do caloteiro Prost.