SPANTALHOS (3)

SÃO PAULO (que chova!) – A McLaren dominou a classificação para o GP da Bélgica. Depois de perder a Sprint para Max Verstappen horas antes, o time papaia se recuperou e fechou a primeira fila para a 13ª etapa do Mundial de F-1. Lando Norris fez a pole e terá ao seu lado no grid Oscar Piastri. Foi a quarta pole do inglês no ano, 13ª na carreira. Charles Leclerc e Verstappen estarão na segunda fila.
Fosse essa corrida disputada no interior do Piauí aos olhos de Josué e Rosa, Cheiroso e Fabiano, Otília e Sabiá (Arduíno, nem pensar; demônio), seria fácil apostar na dupla para mais uma dobradinha dos líderes do campeonato. Mas a prova acontece nas Ardenas, região de clima instável e úmido, palco de batalhas sangrentas das duas guerras mundiais, por onde passava a Linha Maginot dos franceses – não exatamente em Spa-Francorchamps, mas na mesma região; vocês entenderam.
E a meteorologia prevê chuva para amanhã. Fazer previsão do tempo por aquelas bandas não é muito complicado. Se você disser na TV todos os dias que vai chover, seu índice de acerto, ao longo de um ano, será altíssimo. Consultei pelo celular as localidades de Stavelot, Malmedy e Robertville, sítios que conheço bem, sei até onde comer uma boa truta com amêndoas. Em todas as chances de chuva batem na casa dos 80%. Resumindo, vem água.

Aí, tudo depende de quanto. Em 2021, lembremo-nos, nem corrida teve. Ficaram esperando a tempestade dar uma trégua, não deu, o tempo foi passando, a torcida se encharcando e enlameando, um frio desgraçado, e no fim, quatro horas depois do previsto para a largada, o diretor de prova soltou todos atrás do safety-car, deram três voltas e a bandeira vermelha foi acionada. Valeu o resultado da volta anterior, ou seja, a primeira após a volta de apresentação. Sim: um GP de uma volta. Um horror. Mudaram as regras e isso não pode mais acontecer. Qualquer prova tem de ser encerrada no máximo três horas depois do horário marcado para a largada. Se der para correr, corre. Se não der, tchau.
Resumindo, que ninguém faça prognósticos para o GP da Bélgica. Na chuva, tudo pode acontecer – frase feita e verdadeira. Inclusive nada. Mas já vi cada uma em Spa… A melhor em 1998, quando o grid inteiro bateu na largada. Procurem no Google. Lembro que a sala de imprensa era em cima dos boxes antigos, depois da Source, na descida para a Eau Rouge. Quando começaram a bater, saí da minha mesa e fui para o terraço. Levei alguns segundos. Ao chegar, ainda estavam batendo os últimos. Foi legal pacas.
Mas vamos à classificação, disputada no seco e com 22°C nos termômetros. O tempo urge e tenho de ir para o Canindé.

Piastri e Norris, gato & rato, abriram os trabalhos no Q1, com o australiano na frente e tempos ainda pouco emocionantes. Havia uma certa escassez de pneus macios para quase todo mundo, por causa da distribuição feita em finais de semana de Sprint – são seis jogos de faixa vermelha para cada piloto. Assim, pneus usados foram colocados nos carros logo de cara, para ver se ainda funcionavam bem.
Norris acabou em primeiro com 1min41s010, com Piastri em segundo, Verstappen em terceiro e Isack Hadjar em quarto. O vexame? Lewis Hamilton, de novo. Ele fez o sétimo tempo, mas perdeu a volta por exceder os limites de pista na curva 4, também conhecida como Petite Montée de l’Eau Rouge (ou, numa tradução livre, “subidinha da Água Vermelha”). Azar de uns, sorte de outros. Gabriel Bortoleto, que tinha ficado em 16º e seria eliminado no Q1, ganhou a chance de fazer o Q2. Lewis, rebaixado, abriu a turma dos degolados, seguido por Franco Colapinto, Kimi Antonelli, Fernando Alonso e Lance Stroll — pior grid da história da Aston Martin.
Antonelli, Antonelli… O que está acontecendo? Época de provas? Boletim veio com nota vermelha e pediram para dona Veronica assinar? Anotação da diretoria porque aprontou no recreio com o gordinho da 6ª C? Andou matando aula? Pegaram o moleque fumando no banheiro? Tá apaixonado pela loirinha da 7ª F?


Q2 em marcha, notou-se que a Red Bull colocou um pouco mais de asa no carro de Verstappen, pensando na chuva vindoura d’amanhã. Seu desempenho no primeiro setor da pista, de altíssima velocidade, deixou de ser espantoso para ser apenas bom. Na soma dos três trechos, o tempo de volta acabava sendo mais ou menos o mesmo. É que correr no molhado com pouca carga aerodinâmica não é muito recomendável. E entre a classificação e a corrida, não pode mexer muita coisa no carro, como prega o regulamento. E a Red Bull joga dentro das quatro linhas, tá ok?
Faltando cinco minutos para o fim do Q2, Piastri e Norris seguiam em primeiro e segundo: 1min40s626 para o australiano, o inglês 0s089 atrás. Max em terceiro, Leclerc em quarto. A dupla da Sauber, por sua vez, estava batendo na porta do Q3, mas ainda na zona de eliminação: Nico Hülkenberg em 11º e Bortoleto em 12º.
A segunda volta rápida do brasileiro foi muito boa e ele acabou aproveitando bem o presente de Hamilton. Passou ao Q3 com o nono tempo, levando a Sauber à fase final da classificação. Esteban Ocon, Oliver Bearman, Pierre Gasly, Hülkenberg e Carlos Sainz foram os proscritos. Avançaram, pois, as duplas de McLaren, Red Bull e Passa Pix?, junto com representantes solitários de Sauber, Williams, Ferrari e Mercedes.






Verstappen abriu os trabalhos no Q3 com uma volta em 1min41s078, pouco empolgante. Norris e Piastri rapidamente atiraram o holandês para o terceiro lugar novamente, com 1min40s562 para o #4 e 1min40s751 para o #81. A briga era exclusiva dos amiguinhos da McLaren. Max estava mais de 0s5 atrás do inglês. Bortoleto teve sua primeira volta rápida cancelada porque excedeu os limites da pista, mas não faria muita diferença. O brasileiro chegou ao Q3 sem pneus macios novos, já que usou tudo o que tinha ontem e hoje. Sem pneus na cera, como se diz, é difícil fazer bons tempos.
A segunda excursão dos dez primeiros pelos 7.004 m de Spa atrás de voltas rápidas não mudou muito a ordem das coisas. Apenas Leclerc e Alexander Albon, melhorando seus tempos, escalaram o grid. Chaleclé foi para terceiro, o tailandês da Williams subiu para quinto. OK, Reginato, Piastri também melhorou, mas ficou onde estava. Não sabe ler não, filho da puta?

Norris e Piastri dividem a primeira fila pela terceira vez no ano. A McLaren chegou a 69 dobradinhas de grid na sua história e é a terceira nesse item das estatísticas, atrás de Mercedes (84) e Ferrari (83). A diferença entre os dois foi de 0s085. Na segunda fila, Leclerc e Verstappen – o monegasco superou o holandês por meros 0s003. Depois vieram, pela ordem, Albon, George Russell, Yuki Tsunoda, Hadjar, Liam Lawson e Bortoleto. O tempo do brasileiro ficou a 1s825 do de Landinho.
Largada amanhã às 10h. Jogo da Lusa hoje às 16h. Programinha no YouTube às 20h. Classificação do #96 em Interlagos amanhã às 7h, largada às 12h35. Fim de semana cheio, como se vê.
Sr. Blogueiro, aviso que estarei aqui, vigilante como o valoroso dudu bananinha, a lutar contra a vilependiação, por essa horda de incultos, da última flor do Lácio. Informo que já contamos com o apoio vigoroso do presidente laranja, que se comprometeu a acrescentar 50% a mais de palavras em inglês ao nosso vocabulário. Como diria nosso ídolo Arnold, hasta la vista, baby!
A chuva passou do ponto. Não vai ter corrida
E não é que teve corrida?
Tsunoda, hadjar, lawson no top 10 ( max eh um caso a parte )…. efeito mekkies?
Spa tem sua mística do tempo, como Silverstone e Interlagos. Tudo pode ocorrer em termos climáticos, até mesmo nada.
Aliás Flavio, pergunta de boa : moro nos Países Baixos (conhecidos erroneamente como “Holanda” , já que Holanda do Norte e Holanda do Sul são duas regiões – províncias – do país; existem outras províncias) e fiquei curioso sobre onde se pode comer trutas com amêndoas na região de Spa. De quebra já lhe dou uma dica do mesmo prato aí no Brasil : “O Filho da Truta”, restaurante na região de Visconde de Mauá (limítrofe de RJ e MG); excelente local, cercado pela mata, e os donos são muito simpáticos (e a truta vem em várias versões e sem pele).
A Linha Maginot! Sempre achei fascinante essa história.
Abraço !
Em Malmedy!
Ótimo! Muito obrigado pela informação, Flavio ! Abraço !
Papelão do Sir Hamilton. Mais um.
Tá na hora de se aposentar
E a Lusa? 6 jogos, 6 vitórias, voando na série D.
Nada disso… Kimi está assombrado pela loira do banheiro
Fiquei curioso para saber se o Reginato lê o blog…
Flavito, com formado em história pela gloriosa FFLCH e entusiasta pela 2ªWW, Já que vc citou a batalha das Ardenas, não há como não deixar aqui duas sugestões uma baseada na outra!!! “Band of Brothers” do autor Stephen E. Ambrose no qual se baseia a série dos gloriosos Tom Hanks e Steven Spielberg!!!! Posso estar enganado mas no sétimo ou oitavo episódio é retratado justamente esta batalha!!! Para mim o mais triste….mas se vc achou os 30min de abertura do resgate do soldado Ryan verossímil, assustador e impactante! assistam este episódio!!
Abraços!!
a mercedes, na pessoa do sr. toto wolff, errou feio com esse menino antonelli. bom e talentoso, mas novo demais pra segurar o rojão de andar em equipe grande e, como diria galvão bueno, não ter o direito de errar. não fez a f3, teve um ano irregular na f2 e, lógico, tá apanhando do carro na f1. se até o excelente russell passou três anos pegando a mão da coisa na williams, porque fizeram diferente com o italiano?
Comentando só para receber as atualizações caso o Reginato FDP venha se manifestar.
Reginato, ô filho da puta, vê se não fode com a classificação do #96 no domingo; nem com a corrida naquele circuito belga.
O que te fez lembrar e desenterrar o Reginato depois de tanto tempo? Muito providencial!!
Sei lá.
Aguardando a hora em que esse sujeito resolver aparecer. Se era aficionado da Fórmula 1, deve andar por aqui. Caso contrário, já morreu.
Antonelli foi mais uma daquelas invencionices de apadrinhados que as vezes surgem na F1
Surpreendida com a saída de Hamilton, a Mercedes se precipitou e errou com Antonelli.
O caminho natural seria encaixá-lo em uma equipe parceira para ganhar kilometragem, assim como a própria Mercedes fez com Russell e a Ferrari com Bearman.
Agora ele vai ter que pegar experiência na Mercedes mesmo