ENCHE O TANQUE

A foto primeiro, a mensagem depois, e na sequência eu volto…

Caro Flavio Gomes i Medianueve, mais um posto para você. É a “Station des Îles”. Fica no número 9 da Route de Banyuls em direção a Cerbère; o ultimo povoado francês à beira do Mediterrâneo, antes de chegar à fronteira com a España. Dizem que fica aberto 24 horas, era o meio-dia e parecia fechado. Por sorte eu não precisava abastecer. Quase fui atropelado na segunda foto. Um forte abraço, J.R.Duran

Bom, a segunda foto mencionada pelo rapaz que mandou a imagem, e quem tem alguma familiaridade com a produção de imagens, está publicada como “imagem destacada” deste post e aparece no índice do blog. Nota-se que foi feita do meio da estrada, o que justificaria eventual sinistro. Sobre Cerbère, tenho uma pequena historinha que está no capítulo “Le Castellet, 1989”, de meu livro ÍMOLA 1994 (se não comprou, nem adianta procurar por aí; só eu vendo, e por e-mail: [email protected]). Abaixo, um trecho:

Chegaríamos quase de manhã a Marselha, mas não havia o que fazer. Não conseguiríamos dormir, a não ser no trem, e assim que chegássemos a Marselha teríamos de arrumar um lugar para deixar as malas e encontrar uma forma de ir até o autódromo. Eu não tinha a mais remota ideia de como faríamos isso. Na medida em que o trem avançava para o leste, o cansaço foi nos derrubando e depois de Zaragoza, já noite fechada, capotamos. Pela altura de Girona, o trem já mais vazio, conseguimos nos acomodar numa daquelas cabines para seis passageiros, só nós dois, e deitamos em cima das malas e mochilas. Foi por pouco tempo. Na divisa com a França, em Cerbère, o trem parou e tivemos de mostrar nossos vistos aos guardas de fronteira – alguns países exigiam, de brasileiros. A verificação demorou, e enquanto tentávamos nos acomodar de novo um sujeito que era a cara de Ali Agca, o turco que em 1981 tentou matar o papa João Paulo II na Praça de São Pedro, forçou a porta da cabine e não o deixamos entrar. Falei para ele, sei lá em que língua, que a porra do trem estava vazio e que ele não tinha nada que ficar ali, que fosse dormir em outro canto. O sujeito saiu gritando num idioma incompreensível e foi embora. Não preguei mais o olho. Desembarcamos na estação de Saint Charles, em Marselha, com o dia já clareando, e dela me recordo de uma enorme escadaria que descemos com alguma dificuldade, e lá por perto mesmo encontramos um hotel ordinário e barato onde conseguimos pelo menos deixar as malas e tomar um banho depois de subir ao quarto num minúsculo elevador cheirando a Gauloises sem filtro – tinha cinzeiro no elevador e vi que as bitucas eram de Gauloises, sou o tipo de maluco que nota essas coisas e não esquece. Enquanto Thais se virava com o chuveiro, liguei a TV. E a primeira coisa que escutei foi uma moça brasileira cantando “chorando se foi/quem um dia só me fez chorar”. Era Kaoma, no auge da lambada, num comercial de Orangina, um suquinho de laranja gaseificado muito popular na França.

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Diogo
Diogo
8 meses atrás

Mas passeia esse Cazzo (pura inveja). Vi outro posto que ele mandou algumas décadas atrás e tá por lá ainda, o.O. Se é perto da Espana era hora da siesta, talvez? Que vista!

Sergio Ferraz
Sergio Ferraz
8 meses atrás

O que eu acho interessante deste posto é que ele fica do lado do mar, talvez o unico deste lado em toda esta estrada.

Passei muito por alí pra ir Barcelona sem pagar o pedagio caro das estradas francesas.

Walter Basso Jr
Walter Basso Jr
9 meses atrás

Foto banal… sempre pensei que Duran fosse excelente fotógrafo mas nessa não fez nada de extraordinário. E posto de gasolina automatizado é assim mesmo, não tem frentista parece abandonado. Gostei da minivan embora seja duma marca inferior

Walter Basso Jr
Walter Basso Jr
Reply to  Flavio Gomes
8 meses atrás

Voce deve estar certo FG, eu vejo mais a parte Física da fotografia, tipo congelar a luz…
Mas eu tenho um amigo, que é ex-Engenheiro, que sonhava com a elegância e extravagância de Duran…

Alex Odindin
Alex Odindin
9 meses atrás

Flavio, não entendi como faz pra ver a outra foto. Índice do blog, cliquei em vários links e não achei.

Renato Aff Sá
Renato Aff Sá
9 meses atrás

A placa da Renault…

Guilherme Corrêa
Guilherme Corrêa
9 meses atrás

O “arcoór” tá barato nessa bomba.

José Antonio
José Antonio
9 meses atrás

Parei nessa mesma cidade em 1997 para trocar de trem e para imigração. Era umas 2 da manhã e vínhamos, eu e um amigo, de Barcelona. Já não havia mais a necessidade de visto. Minha filha de 14 anos adora Orangina. Grande abraço!

Ricardo Zeólito
Ricardo Zeólito
9 meses atrás

Legal

Edson
Edson
9 meses atrás

Esse tal de JR Duran parece ter talento para fotografia

Peter von Wartburg
9 meses atrás

Orangina é bom demais, meus meninos adoram e eu tb.

Fernando (Pai do Clark)
Fernando (Pai do Clark)
9 meses atrás

Até que saiu bem a fotografia do rapaz… Hahaha…

Colaborador de peso para um blog de peso.
Vida longa ao blog!

Eduardo Ortiz
Eduardo Ortiz
9 meses atrás

Bela historia!
O cara da foto é o fotografo consagrado que embalou muitas noites minhas vendo/sonhando com a playboy?
Abs

Vinícius França
Vinícius França
9 meses atrás

A história é incrível pela aventura e pelos detalhes. Parabéns, Flávio. E, claro, parabéns ao JR Duran

Antonio Fernando
Antonio Fernando
9 meses atrás

J.R. Duran! Mago da Fotografia (com F mesmo). E suas histórias são saborosas, Flavinho.

Essa música do Kaoma costuma tocar aqui na rádio nos Países Baixos (“chorando se foi…”).