PATRIOTÁRIOS (1)

SÃO PAULO (só verdades) – Esta é, provavelmente, a última cobertura de F-1 no Brasil deste blog. Tenho avisado, há meses, que minha ideia é congelar a página no dia 5 de dezembro, quando se completam 20 anos de sua estreia. Mas terei de mudar os planos de cara por causa da final do Mundial, que acontece no dia 7. Sendo assim, depois disso vou decidir o que fazer. O projeto é passar tudo para cá:

Um conto erótico por Flavio Gomes

Entre tiros e corpos na cidade maravilhosa

Leia no Substack

Vejam só, tem até contos eróticos… Na verdade, essa é a minha página no Substack, plataforma global de newsletters. Que, na real, nada mais são do que… blogs! Com a diferença de que as pessoas assinam essas newsletters e recebem em seus e-mails avisos cada vez que o autor posta alguma coisa. Há modalidades de assinaturas. Quem paga recebe tudo, lê tudo, tem acesso a arquivos, pode comentar como aqui. Quem não paga recebe apenas extratos dos textos, com liberação da íntegra a partir de uma assinatura paga.

Jornalistas do mundo inteiro estão migrando para o Substack, visto que as redes sociais praticamente extinguiram os veículos de comunicação, e nós jornalistas que vivemos de escrever precisamos ser remunerados de alguma forma.

Assim, voltando aos planos, o que vai acontecer é que minha produção ESCRITA mudará de endereço. Vai migrar desta plataforma, o WordPress, para o Substack. O blog não será apagado da internet. Tudo que foi escrito e publicado aqui, por mim e por vocês, permanecerá no ar. Mas congelado, que é a palavra que escolhi para substituir “desativado”. Sendo assim, já corram no link do Substack e ASSINEM A PÁGINA COM UM PLANO PAGO. Minha cobertura de F-1 com meus textos fantásticos, os melhores do mundo, passarão a ser publicados lá. A não ser que eu mude de ideia, mas não acho que mudarei.

A cobertura do GP de São Paulo, ex-Brasil, começa hoje. Vou retomar as notas curtas, como fiz durante anos na corrida de Interlagos. Com muitas cores e alegria. À primeira delas, então.

Cadeirinhas para todos

SENTA – Olha, pode ser que eu esteja enganado, mas acho que é a primeira vez que o Setor G terá cadeirinhas. Não me parece que os lugares serão marcados, porque as fotos que recebi não mostram numeração nenhuma. Me contem depois. Vocês que frequentam essa pocilga (desculpem o termo, mas desde 1990 o Setor G nunca passou de uma pocilga horrorosa e perigosa, e quem se sentir ofendido, bem, paciência…) já tiveram o direito a cadeirinhas antes? Fiquem felizes, porque não vão sentar em qualquer cadeira. Essas foram compradas do espólio da Olimpíada de Paris. Vieram 41 mil assentos, e 29 mil deles foram montados no Setor G.

MUDOU? – Essa arquibancada, em passado não muito distante, sempre foi refúgio para ogros mal-educados, incivilizados, agressivos, misóginos, hostis, violentos e homofóbicos — meu público, como costumo dizer, o tal público do automobilismo, e se alguém se sentir ofendido de novo, foda-se. Já me disseram que de uns anos para cá, uns três ou quatro, as coisas melhoraram um poucos — mulheres, por exemplo, já podem assistir ao GP sem correr o risco iminente de estupro. Tomara. Espero vossos depoimentos. Ainda sobre as cadeiras, elas vieram em 220 contêineres e começaram a ser montadas em agosto. Uma empresa que faz eventos que trouxe. Não sei para onde vão depois da prova.

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Britto
Britto
6 meses atrás

Fiquei curioso sobre você dizer que o setor é perigoso. Por que? Seria porque pular demais nessa arquibancada poderia colocá-la abaixo?

Marcus
Marcus
Reply to  Britto
6 meses atrás

Se você for mulher ou levar sua namorada/esposa/amante etc lá, vai entender o porquê.

Rafael Rego
Rafael Rego
6 meses atrás

O publico do setor G realmente é um trem lamentável. Um bando de velho rico e playboys que se acham donos do mundo.

Sobre a mudança de plataforma, faz todo sentido. Boa sorte!

Edson
Edson
6 meses atrás

Cadeiras olímpicas… temos.

Marcus
Marcus
Reply to  Edson
6 meses atrás

1997. Meu pai me levou a Interlagos, setor G. Fomos nos 3 dias. No sábado, havia um senhor português, muito parecido com o humorista Castrinho, e que não parava de falar, contar piadas, chato pra caralho. Ele ria como que pigarreando e pondo parte da língua de fora, tão inesquecível quanto repugnante. E já havia algumas mulheres e meninas por perto. E esse porra contando toda sorte de piada suja, machista, homofóbica, e os outros projetos de Joaquin Teixeira que ali estavam só riam alto, e as moças querendo sumir dali. Do alto dos meus 15 anos, me senti constrangido como poucas vezes na vida. Eu e meu pai só pudemos sair de perto. Hoje, teria ido chutar a canela do homem.

Diego Gomes
Diego Gomes
6 meses atrás

Falando em conteúdo pago e patriotários, a pachecada fã do Massacrado deveria pingar uns caraminguás para ler com atenção este artigo recente:

https://www.motorsportmagazine.com/articles/single-seaters/f1/all-massas-2008-mistakes-did-these-or-crashgate-cost-him-f1-title/

(É, tá em inglês, mas todo patriotário faz juras de amor ao Tio Sam, então devem saber ler seu idioma, não? Haja vista aqueles cartazes em inglês que brotam nas manifestações ‘espontâneas’ deles…)

Marcus
Marcus
7 meses atrás

Comparado ao público que já vi na F1, o torcedor médio de futebol é um baluarte do humanismo mais avançado possível. E isso derruba a tese da diferença socio-cultural-econômica.