ICE GP (1)

SÃO PAULO (até que enfim) – O primeiro dia de F-1 depois das férias forçadas de abril trouxe duas novidades. A primeira foi a reação da Red Bull, elogiada por Max Verstappen — que, até ontem, estava disposto até a tirar foto segurando latinha de Monster para demonstrar sua contrariedade com o carro, as regras, a equipe e a vida. A segunda foi o renascimento da McLaren. A equipe campeã do mundo, que começou a temporada claudicante e cheia de problemas técnicos, fez a pole-position para a Sprint de Miami com Lando Norris. Pela primeira vez no ano a Mercedes, que lidera o campeonato, não faz uma pole na temporada. A equipe alemã está invicta em corridas — venceu as três primeiras e a Sprint em Xangai. Terá alguma dificuldade nas duas provas da Flórida, a julgar pelo que se viu nesta sexta-feira. A Sprint terá 19 voltas e largada amanhã às 13h da Papuda. O GP principal, com 57 voltas, acontece domingo às 17h30.
A folga de abril, motivada pelo cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, foi bem aproveitada por uns e nem tanto por outros — falaremos da Aston Martin adiante. Além de Red Bull e McLaren, a Alpine mostrou que soube trabalhar direitinho e, pasmem, colocou seus dois carros entre os dez primeiros no grid da Sprint. Pasmem de novo: Franco Colapinto na frente de Pierre Gasly. “Banana tá comendo macaco”, diríamos em tempos d’antanho para expressar espanto. Ou: “Poste tá mijando em cachorro”. Nossos ditados eram muito bons.



O único treino livre para o GP de Miami, que deveria ser a sexta mas é a quarta etapa do Mundial, teve 90 minutos de duração, debaixo de um calor desgraçado. Eram 29°C na moleira e 52°C no asfalto. De cara todos perceberam a asa “Macarena” da Red Bull, copiando a da Ferrari — que gira 180 graus. O nome foi dado por Frédéric Vasseur, chefe do time italiano, associando o movimento de abertura da asa traseira ao gestual da coreografia de um dos maiores sucessos musicais de todos os tempos, da dupla espanhola Los del Río. “Macarena”, por supuesto.
Não, não vou deixá-los apenas cantarolando. Pausa nos motores. Vejam e ouçam Antonio Romero Monge e Rafael Ruíz Perdigones. Depois continuem lendo.
Seguindo…
Nessa sessão de treino livre, Charles Leclerc ficou em primeiro com 1min29s310 e Verstappen, sorrindo, terminou em segundo 0s297 atrás. O melhor Mercedes foi o de Kimi Antonelli, quinto. Gabriel Bortoleto fez o 14º tempo.
Durante o intervalo até a classificação, o assunto dominante foi a possibilidade de mudança nos motores para 2027. De configuração, apenas. Está lançada a ideia de mudar a distribuição da potência gerada pelo motor elétrico e pelo motor a combustão, que hoje é de 50% a 50%. Pode ser que os motores no ano que vem tenham 60% de sua potência originada pelo motor a combustão, reduzindo a relevância dos motores elétricos. Das cinco fábricas de motores, Honda e Red Bull/Ford são a favor. Ferrari e Audi, não se sabe direito. A Mercedes é contra. Seja como for, qualquer decisão tem de ser tomada até o dia 15 de maio, porque se houver essa alteração os tanques de combustível terão de mudar de tamanho. E isso mexe nos projetos dos carros da temporada seguinte, que começam a ser feitos mais ou menos nessa época. Se quatro das cinco aprovarem, a mudança poderá ser implantada.

A classificação para a Sprint foi realizada com o mesmo calorão. A propósito, a previsão para domingo é de chuva muito forte. Se caírem raios a menos de 12 km do estádio — o circuito é montado em volta da arena Hard Rock, onde joga um time de futebol americano cujo nome me escapa –, o evento é interrompido por força da legislação local. Ainda que não esteja caindo uma gota d’água. Americanos têm muito medo de raios e trovões. Temem que o céu desabe sobre suas cabeças.
No SQ1, Norris ficou em primeiro com 1min28s723, seguido por Leclerc e Oscar Piastri. Os eliminados foram Liam Lawson, na Maquininha Amarelinha, Esteban Ocon, da Haas, a dupla da Cadillac Sergio Pérez e Valtteri Bottas, e a dupla da Aston Martin, Fernando Alonso e Lance Stroll. O espanhol deu uma volta se arrastando e seu tempo, 12s588 pior que o de Norris, nem deve ser levado em conta. O canadiano não fez uma volta sequer. A Aston Martin protagoniza os mais patéticos vexames da F-1 desde a chegada das nanicas do começo da década de 2010 — Virgin/Marussia, HRT/Hispania, Lotus/Caterham, aquelas coisas simpáticas, mas inviáveis, inventadas por Max Mosley.
No SQ2, Foi a vez de Leclerc virar bem, 1min28s333 em sua melhor volta. Rodaram no cronômetro Bortoleto, seu companheiro de Audi Nico Hülkenberg, Oliver Bearman (Haas), Alexander Albon (Williams), Carlos Sainz Vázquez de Castro Cenamor Rincón Rebollo Birto Moreno de Aranda Don Pero Urrielagoiria Pérez Deltún (Williams) e Arvid Lindblad (Amarelinha do PagBank).

Por fim, no SQ3, uma volta apenas para cada piloto, dada a escassez de oferta de pneus macios. E sem chance de réplicas ou tréplicas, Norris bateu o cronômetro em 1min27s869, 0s222 mais rápido que Antonelli, o segundo. É sua quinta pole em Sprints. Piastri e Leclerc formam a segunda fila. Na terceira, Verstappen e George Russell. Depois vêm Lewis Hamilton, Colapinto, Isack Hadjar e Gasly.
Encerro estas mal-traçadas atacando novamente a equipe global, porque hoje, onde estava, não havia modo de assistir às atividades que não pelo canal de esportes do grupo carioca. O meninozinho que narra, tadinho, é bem informado, até, e evita falar besteiras. Acerta dados históricos e coloca algumas informações na hora certa — como quando apareceu o novo chefe da Audi, Allan McNish, alcunha “Allan McLixo” quando eu cobria F-1, corretamente identificado como tendo sido três vezes vencedor das 24 Horas de Le Mans. Mas insiste no lamentável “será que…?”, essa linguagem paupérrima de internet, “será que Russell vai fazer a pole?”, “será que os motores vão aguentar?”, “será que vai chover?”, “será que ninguém vai lembrar que o Bolsonarinho é chapa de milicianos?”. Jornalista não tem de lançar perguntas no ar, tem de dar respostas, fica a dica, ou #ficaadica, se for mais fácil de compreender.
Outra, meninozinho: não vibre com um terceiro de tempo de Bortoleto como se fosse um gol em final de Copa do Mundo num momento em que só havia quatro carros na pista faltavam 18 para fechar volta. E pare, por favor, pare de falar SETOR, SETOR, SETOR. Pare de celebrar o primeiro setor, de festejar o segundo setor, de comemorar o terceiro setor. PARE DE FALAR SETOR!
Saudades do Macedo e de seu parceiro.
Como não sou assinante do App F1, só assisto com a locução da Globo/Sportv. Gosto do Chistian e do Giaffone e obviamente do Everaldo, a Mariana ainda não saiu da pele de repórter e o apresentador da tv paga sofre de excesso de entusiasmo. O reporter de pista é correto. Acho que com um pouco de paciência e seguindo alguns dos seus conselhos, logo, logo eles engatam.
Outro dia puseram (xports) um narrador de futebol para narrar ciclismo de estrada… Cada curva e arrancada era um perigo de gol …
Ainda sobre a transmissão, outros dois pontos. Um de dó: Mariana Becker perdidinha, perdidinha, coitada. Atravessa os colegas, comentários completamente avulsos. Se perdeu no personagem. O outro ponto, irritante: como a Globo ainda não superou Senna, né? Ainda que ontem marcasse o “aniversário” de morte, mas TODA transmissão, TODO telejornal menciona o cara. Não deixam ele descansar em paz. Fora a réplica tosca do capacete que tava no estúdio. Um exagero que incomoda.
Zanardi se foi. Grande simbolo de resiliencia e força de vontade.
Além de não cativar a geração tiktoker ainda vão perder o público fiel.
Amigues e votantes de Bessias, Miguxos e receptores de rachadinhas de Queiroz,
Gracas a Donald Trump, vosotros terao F1 nas cafonerrimas ruas e becos de Miami Beach. GP2 ENGINE nem tem tempo de frear com as asas Macarenas.
Gracas a Trump, vosotros nao tiveram que engolir outro VAREIO alemao no Oriente Medio bombardeado pelo Tio Sam, Benjamin Genocida e Aiatolas.
Menos um 7 X 1 gracas ao patriotico e pachecotimo Presidento dos EUA.
Gracas ao especulador imobiliario da Florida, vosotros poderao queimar gasolina venezuelana nas ruas de Miami Beach, com seus charutos cubanos, pensando em Che Guevara: hay the endurecer, pero sin perder la ternura.
Os GP2 ENGINE vao mudar em 2027 para manter Mad Max reclamando na F1.
Agradecam o demente laranja, nesse caso o da Casa Branca, nao da Red Bull.
Gracas a Trump, vosotros verao duas equipes dos UNITED STATES na F1, nenhuma delas com pilotos ianques, pelo contrario, um Latino e tres integrantes europeus da OTAN.
E gracas aos legisladores da Florida como Trump, vosotros poderao ficar sem ver o Miami Beach Grand Prix na Rede Globo dos ridiculos narradores, mediocres pitaqueiros, colunistas de redes sociais e influencers profissionais.
Nao se pode ter tudo, Miguxos,
Reducao de pena sim, Anistia nao, Golpe nunca mais. E Bessias, nunca sera.
Tempo, senhor da Meteorologia.
Deixa eu te falar… óbvio que o texto ficou espetacular, um poeta descrevendo fórmula 1. Vou mandar um pix em agradecimento. Outra coisa engraçada que reparei na transmissão: o Rafa disse que o carro do Andretti na sua última vitória na Indy era patrocinado por uma famosa pizzaria americana. Falou duas vezes, sendo corrigido por Christian Fittipaldi que o carro não era patrocinado pela Dominu’s e sim pela Duracell. Deus do céu parabéns!!! Citou patrocinadores
Flavinho, como você escreve bem! Não pare de escrever, nunca.
E.por favor pare de falar de política.
Será que o Bolsonaro fica livre logo ?
Será que o Bolsonaro jantou ?
Será que o Bolsonaro dormiu bem ?
Será que o Bolsonaro…..etc, etc ….
Não, não paro.
Qual o problema de falar setor?
O problema é SÓ falar setor. Só reportar o que acontece no setor. Em todas as voltas ele tem de citar setor três vezes. Mesmo quando não há nenhuma relevância. Quase sempre, inclusive.
Entendido. Obrigado.
Infelizmente tem acontecido em todos os esportes: narradores que forçam a barra.
Acho que tou de birra (“red pill” para essa geração mais nova de merda) com a Mariana Becker … não tou suportando a voz dela … parece aquelas crianças “agora é eu, agora é eu” para falar
Vdd… ela ta perdida sem saber qdo entra e qdo sai.