Ayrton, o que foi

SÃO PAULO (era outro solitário) – Não vou saber dizer o ano, mas Schumacher já estava na Ferrari. Faz um tempo, conheci meio por acaso um sujeito que trabalhava na Fiat. Ele ficou encarregado de pegar Schumacher no aeroporto para levá-lo ao hotel Transamérica. Falava inglês e dirigia direito, meteu-se num Tempra da empresa e foi esperar o alemão no aeroporto.

No carro, Schumacher pediu para que ele o levasse ao cemitério do Morumbi. E pediu para que não fizesse muitas perguntas, nem comentasse nada com ninguém.

Michael foi visitar, só, o túmulo de Senna. Ficou alguns minutos parado no gramado, ele e seus pensamentos, seguiu para o hotel e voltou à sua rotina.

Lembrei desse caso hoje, ao assistir a dois vídeos com bons momentos de Ayrton. Um curtinho, outro mais um pouco mais longo. Não me arrependo de ter parado de fazer o que fazia para ver.

Comentários

  • FG,

    O video mais curto eh um tento de se homenagear. Vale pelas imagens, pois eh muito mal editado e uma chupanca fenomenal do Globo Reporter “Para Sempre Ayrton”. Tenho em casa gravado.

  • Acho que todo mundo se pega algum dia, vendo videos do cena… É impressionante!! Não adianta, quando uma pessoa marca a nossa vida é isso que acontece mesmo…

    Tão boa quanto as imagens, só o fundo musical… Shine on you crazy diamond… Perfeita!!
    “Nobody knows where you are, how near or how far…”

  • A raça humana é ainda um mistério estranho para mim, mesmo depois de 50 anos convivendo com ela.
    É o único animal que enterra os seus mortos empilhando-os numa prateleira de cimento subterrânea e cria altares para venerar seus restos mortais que só se decompõem dia a dia, até virar pó.
    Essa é a maioria, pois tem também aquela turma que queima os mortos e guarda suas cinzas num pote ou joga-as no mar, num jardim ou sobre a pista de Interlagos (sou mais essa opção).
    Outros, muito antigos, criaram verdadeiras obras de engenharia que de tão tecnicamente complexas para a época, creditam-se como obras de ET`s, fazendo-me ficar ainda mais intrigado com o fato de que as maiores obras humanas em sociedade com os alienígenas tenham sido tumbas funerárias.
    Então, estranhei muito na época quando o alemão foi visitar a tumba do Senna.
    Pra quê ? Quis provar o que com isso ?
    O que importa em relação aos nossos mortos queridos e amados, é tudo o que aprendemos e vivemos com eles em vida, e que habitarão para sempre a nossa alma, essa sim eterna, e por ela encontraremo-nos todos um dia.
    Isso é elevação espiritual, para quem acredita nisso, é claro.
    Os corpos de meus pais estão enterrados lá também, e muito perto da cova do Senna, nem por isso fui lá uma vêz sequer após o enterro dêles, mas estou com eles e eles comigo todos os segundos nessa vida, e para todo o sempre depois.
    Em relação aos mortos, creio que fora disso, o resto é só comércio e politicagem.

  • Sinceramente, acho impossível isso acontecer. Essa história parece a do Ronaldo na França em 98. O cara sai do hotel, vai fazer exames numa clínica particular, volta e ninguem vê. Sei….

  • Quanto mais eu vejo as manobras desse cara, mais me convenço de que ele viveu na época certa … intensa rivalidade, grandes pilotos, um inimigo dentro da própria equipe, …. tudo isso caiu como uma luva para sua principal característica: a competitividade ao extremo.

    E se muitas vezes nós, fãs de Senna, temos que nos corrigir, para não exagerarmos nos elogios, os que não gostam do indivíduo Ayrton Senna devem se policiar, para nunca deixar de perceber o gênio que esse homem foi dentro das pistas …

    Saudades, campeão !

    Luiz Fernando

  • Kartódromo do Guará, DF, Campeonato Brasileiro de Kart. Estava com um amigo que tentava desesperadamente se classificar com um chassi Sulam. No box ao lada, Ayrton, já kartista consagrado e piloto oficial da Sulam, com aquela super-estrutura: inúmeros chassis, motores Parilla em profusão, incontáveis jogos de pneus. Senna, ali, impassível, fisionomia impenetrável.Tempo passando e a classificação não vinha, tínhamos nos perdido no acerto do chassi, novo para nós. No desespero, resolvemos encarar a fera na cara de pau. Explicamos nosso drama, tínhamos vindo de longe, grana curta e íamos ficar de fora. Sem mover um músculo do rosto, pediu um pedaço de papel. O único que tínhamos em mãos era de um maço de cigarros. E com a canhotinha famosa escreveu, de próprio punho, as regulagens do chassi para aquele circuito. Agradecemos e corremos a regular o chassi; meu amigo se classificou, chegando a correr uma das baterias, abandonando com o motor estourado. Esse é o Ayrton Senna de quem me recordo. Meu amigo guarda até hoje em um quadro a carteira de cigarro, com as garatujas escritas às pressas.

  • Faltou aquela ultrapassagem que ele levou do Piquet. Não se irritem viuvas mas aquele foi um momento dos mais memoráveis da F-1 e Senna mostrou o ótimo piloto que era pois conseguiu segurar o melhor piloto do mundo naquele momento com um carro muito superior ao seu e que teve que fazer mágica para conseguir ultrapassa-lo.

  • Vi só o vídeo mais curto, mas quem o editou deveria ter deixado de fora o acidente com o Prost. Ayrton foi um gênio, mas não precisava daquilo para ser campeão aquele ano. Tirando isso, achei simplesmente fantástico.

  • Como seria legal ver dois caras como Schumy e Senna duelando na pista por mais alguns anos. Imaginem os pegas, as fritadas de pneus, os zigue-zagues, um “infernizando” o outro !!!

    Acredito que ambos iriam adorar isso.
    Sou fã do Senna, mas gosto muito do alemão. São dois caras que fizeram diferença na F1. Dois nomes que entre outros, nunca serão esquecidos pra quem gosta de corridas de automóveis !!

  • Pois é, sempre tive a vontade de fazer o mesmo. Imaginei que passados uns dez anos nínguém mais nem se lembraria desse personagem, mas ainda não me sinto a vontade para tal.
    Não sei nem por qual motivo tenho esse desejo, nunca torci por ele, muito menos o idolatrei, para dizer que nunca o ví, encontrei-o por acaso em um salão de motociclismo em Milão, em 1.985 no stand da Piaggio.
    Naquela época, ele corria pela Lótus e acabei pegando um autógrafo, o único que tive até hoje, pois acho a coisa mais brega desse mundo tal atitude.
    Mas fora tudo isso, acompanhei sua carreira desde os tempos da F3 inglesa e só.
    Gênio? Melhor piloto da história? Mito? Simpático? Arrogante? Não sei ao certo, porém, tão mortal e vulnerável como qualquer um de nós, acho que isso faz pensar um bocado em nossa própria existência. Que Deus o tenha assim como a todos nós!