Brasil in natura

SÃO PAULO (respeitem esse carro) – Quando eu digo aqui, meio sério, meio brincando, que automóveis merecem respeito, é a isso que me refiro. Na década de 50, alguns montes de lata e ferro foram responsáveis por desbravar uma nação desconhecida.

Nas fotos de Geraldo Vieira que seguem, a desbravadora em questão é uma Kombi 1953, de acordo com a memória de seu neto Henrique.

Rasgava-se uma estrada entre Belo Horizonte e Brasília. A pequena BH e a inexistente BSB. Ligando nada a lugar nenhum, se me permitem a deselegância com os mineiros.

A foto abaixo é daquelas que, em outros países, seguramente viraria pôster e seria vendido nas melhores papelarias. Eu mesmo tenho um monte de pôsteres em P&B de imagens “roadies” americanas dessa mesma época.

A imensidão. Um céu inacreditável. O desconhecido no fim do asfalto. E a Kombi.

Aí, no meio do caminho, a água. Pontes ainda por fazer sobre rios e córregos sem nome. A saga da Kombi do fotógrafo Geraldo correndo o risco de ser interrompida…

…mas sempre há uma balsa. Aquelas que nunca ninguém saberá quem construiu, ou quando, ou como. Daquelas que não afundam.

Comentários

  • Olá, Flávio Gomes!
    Este aí assentado confortavelmente nessa cadeirinha no “avancé” da kombi sou eu, Bruno Vieira, filho do Geraldo. Graças a Deus tive o privilégio de conviver com esse magnífico fotógrafo que era meu pai. Além de me proporcionar esses belos momentos conhecendo vários lugares a bordo de sua kombi, transmitiu-me seus conhecimentos fotográficos. Obrigado por publicar essas belas imagens que são um pedacinho só do que temos para mostrar. Um abraço, Bruno Vieira

  • Olá Gomes
    Que sucesso esta matéria!Sou nora de Geraldo Vieira,tive o prazer de conviver com este grande artista,considerado o Mestre da Fotografia em nossa região ,cujo acervo ,já tombado ,consta de 81.000 negativos e não 15.000 conforme o Henrique lhe passou.Convivendo com essa família de fotógrafos acabei também me tornando fotógrafa.Geraldo Vieira fotografou Brasília desde o lançamento da pedra fundamental até a sua inauguração,ao todo são 477 negativos inéditos.Vale a pena ver e conferir o trabalho desse Mestre.Meu marido Bruno é aquele menino sentado na Kombi.Leila Vieira

  • Infelizmente nao tive o prazer de conviver com Sr Geraldo meu avô meio torto já que sou esposa de Hebrique Vieira,mas realmente esse foi um ícone em registrar momentos que ficariam eternizados e que depois de décadas ainda despertariam emoções… Seja a Kombi 53,56,57 sabe-se lá ao certo, a verdade é que eles estavam lá registrando tudo para que hoje pudéssemos apreciar!

  • Flávio, sou filho do Geraldo Vieira ( com muito orgulho ! ). Aprendi a dirigir nessa Kombi ! Fui com meu pai na inauguração de BSB ( de Kombi ). A Kombi realmente era de 1957. Lembro quando meu pai chegou de S.P. com ela novinha !
    Viajamos muito nela, meu pai, minha mãe e os 7 filhos…..
    Obrigado pela publicação das fotos. Emocionante !

  • Maravilhosas essas fotos.
    Realmente a “velha senhora” merece todo o nosso respeito, por toda a sua importancia na “formação” do Brasil.
    O que esse carro aguentou de “desaforos” não é bricadeira.
    Pode-se dizer que em 80% das vezes as Kombis eram (e ainda são) mal usadas…
    Os burros de carga, que aguentavam de tudo sem reclamar.
    Mas essa da foto, não é mesmo 53.
    Até 1956 a tampa traseira era uma peça unica.

  • Nossa Gomes, a segunda foto é o mais perfeito momento entre o talento fotografico, a beleza natural e a beleza construida pelo homem.
    Sensacional, espetacular e belessima.

    Grande Abraço

  • Prezado amigo FG.
    Belíssimas fotos. Ainda mais para um saudosista como eu e personagem (desde criança) dessa estrada e dos primeiros anos de Brasília.
    Conheço muito esse asfalto, já que moro na capital desde 1961. Meu pai cansou de percorrê-lo conosco, na década de 60 (Bsb-Rio-Bsb), de Vemaguet 1001. Infelizmente, parte desse trecho (70 km, Luziânia-Cristalina) está hoje em precaríssimas condições. Diferença daqueles tempos, em que havia esperança e se acreditava na construção de um país melhor.
    Um abraço.

  • Às vezes, dá um saudosismo muito grande, pois depois de ver estas imagens me lembro de uma Kombi com as lanterninhas redondas e pequenas que o meu pai tinha e que eu consegui guardar durante uns 10 anos numa chácara no lago sul esperando arranjar tempo (dinheiro) para restaurá-la. Aí apareceu um paulista e a levou para São Paulo. Como determinadas imagens tocam bastante a gente, pois numa fração de segundos nos remotamos a tempo idos e vindos que não voltam mais.

    Pedro

  • ESTA KOMBI NÃO É 1953 !
    É 1957 OU MAIS NOVA !
    Nas Kombis anteriores a 1957, o vidro traseiro era fixo, e a tampa do motor ia até a (cintura), para dar acesso ao estepe, que ficava alojado em uma preteleira, sobre o motor.

  • Flávio, são imagens que me remetem à infância, já que fui criado no Planalto Central, vendo essa Brasilia nascer e crescer. Das retas intermináveis e os gritos de arapongas, seriemas e araras quebrando o silêncio dos cerrados. E esse céu de azul indizível que só as grandes extensões proporcionam. São imagens fortes que vi e vivi, encarapitado na Chevrolet Brasil de meu pai, percorrendo esses sertões ainda indomados de um país ainda por se descobrir. Ah, se as fotos tivessem cheiro, eu apostaria no de pequi….valeu.SDS.

  • As fotos são lindas. Dá curiosidade de ver as cores da paisagem, mas acho que estas fotos em preto e branco são imbatíveis. A foto da estrada “reta” é a mais bonita. Também gostei da lanterninha traseira da Kombi.
    Parabéns ao autor das fotos – pelas fotos e pela oportunidade de estar nestes lugares, nesta época.

  • Gomes:

    Já passei dezenas de vezes por este trecho da estrada, tanto vindo de BH quanto vindo de SP , já que o trecho final, entre Cristalina e Luziania é o mesmo pra quem vai de SP ou BH pra Bsb (sopa de letrinhas…).

    É uma estrada com várias retonas, que quando eu era criança cortava o serrado e hoje corta plantações de soja sem fim. São retonas porque não há nada para desviar o curso, ou seja ainda hoje é lugar nenhum.

    Meu respeito por aqules que faziam com uma Kombi nos anos 50 o que hoje faço com meu Celta 1000…

  • Momento, Historia
    Respeito muito as Kombis, pois foi nela que fiz minha primeira viagem!
    Qdo eu nasci, em Itapolis, meu avô tinha uma Kombi azul marinho, e foi nela que, com apenas tres meses de idade (se eh que tres meses pode se chamar de idade) ele me levou pra São Paulo, pois era onde meu pai morava… Foram retirados os bancos do meio da Kombi e instalaram meu berço! E embarquei numa viagem de 380 km…
    Conta minha avó que, ao chegar em São Paulo, nas ruas por onde meu avô passava, as pessoas tiravam o chapéu da cabeça, pois pensavam se tratar de um enterro!!! kkkk
    Imagina, uma Kombi azul marinho, sem os bancos do meio!!!! Com apenas o motorista e o passageiro!!!kkk
    Vou ver se temos algumas fotos e te envio!