Difícil é hoje

SÃO PAULO (vai lá e faz igual) – Aqueles que sempre acham que a F-1 de antigamente é que era boa, e que os pilotos de antigamente é que eram bons, sustentam-se normalmente no argumento mais à mão: hoje os carros fazem tudo sozinho. Ou: dirigir esses carros de F-1, qualquer um (Lauda disse que até um macaco).

E exemplificam: naquela época, o cara tinha de trocar de marcha!

Oh, que dificuldade. Faço isso o dia todo.

As voltas voadoras de Schumacher em Imola ensejaram algumas teorias. Como a de que ele faz ajustes especiais no carro naquele momento específico, mexe no mapa do motor, nos freios, nas barras, no controle de tração.

Ora, é claro que ele faz isso. Aliás, esses são os recursos que todos os carros da F-1 moderna têm. A questão é saber usar. O que é mais difícil? Trocar marchas (e só) ou lidar com essa botoeira abaixo?

Vamos, sejam sinceros. Saber o que cada botão faz, para que serve, quando mexer neles. É fácil? Imagine quantas combinações de acerto o piloto tem a seu dispor com esse monte de botões. Imagine como isso pode alterar o tempo de uma volta. E agora você entendeu porque o piloto A é mais rápido que o B, mesmo com carros iguais. Apesar dos clamores do tipo “é impossível o Rubens ser um segundo mais lento que o Michael!”, que se ouviram durante os últimos seis anos.

Claro que é possível. Ninguém guia igual.

E garanto: hoje é bem mais difícil ser rápido na F-1 do que antigamente. Pode até ser mais fácil guiar o carro, sair da garagem e dar uma volta. Mas ser rápido, usar tudo aquilo de que se dispõe, é bem mais difícil. Vejam o manche da McLaren. É fácil compreender esse negócio?

Por fim, ilustro com historinha que me foi contada por Rubens Barrichello em 2001. Imola, sábado. Rubens fez uma volta muito boa na classificação e saiu do carro achando impossível ser batido por Schumacher. Michael foi lá e fez a pole. Palavras dele:

“Fui ver a telemetria, porque não acreditava que o cara tinha conseguido uma volta daquela. Aí eu vi que ele mexeu no set up do carro oito vezes. Durante a volta! Isso eu não consigo fazer.”

A cada curva, a cada freada, a cada retomada, Schumacher apertou um ou mais botões. Sabendo suas funções, para ganhar um pentelhésimo aqui, outro ali. Mudou seu carro oito vezes numa volta de um minuto e meio.

Antigamente era trocar marcha (oh!) e acelerar. Hoje é bem mais difícil, cqd.

Comentários

  • Discordo! Correr de DKW é que era %[email protected]$&@# Schumacher é um garotinho que aprendeu a jogar Video Game melhor do que os outros. Nada contra, é talento… Só queria ver uma disputa entre ele e Gilles Villeneuve, por exemplo. Aí, eu teria uma base. Infelizmente, é impossível. Se fosse possível, eu apostaria em Villeneuve…

  • A MAIOR MUDANÇA A QUE OS PILOTOS FORAM SUJEITADOS FORAM NOS PNEUS,SENÃO VEJAMOS;
    ATÉ 1990 OS CARROS COM POUCAS AJUDAS ELETRONICAS ERAM MAIS CONTROLÁVEIS PELOS PILOTOS, QUEM MANDAVA A BOTA ERA O PILOTO, ATRAVÉS DO TALENTO E DA SENSIBILIDADE COMANDAVA TUDO, DESGASTE DO MOTOR, PNEUS, CAMBIO E ETCS
    ===
    ATUALMENTE O EQUIPAMENTO MANDA MAIS QUE O PILOTO, HOJE O PILOTO DEPENDE DE UM BOM EQUIPAMENTO PRA ANDAR BEM, SEJA ELE QUEM FOR, BOTA O ALONSO NA AGURI E VEJA O QUE ELE FAZ, A GUIADA ESTÁ DIFERENTE MAIS REDONDA E MAIS TÉCNICA, MAS O PILOTO FAZ SIM A DIFERENÇA, NA HORA DE FAZER OS ACERTOS E DE SE ADEQUAR RAPIDAMENTE AS MUDANÇAS DA PISTA, ESSE TRABALHO CONTINUA SENDO DO PILOTO.
    ==
    E A MAIOR EVOLUÇÃO MONSTRUOSA NOS ULTIMOS ANOS FORAM NOS PNEUS, A CADA ANO ESTÃO MELHORANDO MUITO, ISSO MUDA UM POUCO O JEITO DE GUIAR, ATACAR AS CURVAS, A TRAÇÃO ETCS, DE MANEIRA QUE MINHA OPINIÃO É A SEGUINTE EM DUAS FRASES;
    ===
    ANTIGAMENTE O EQUIPAMENTO ERA CONDUZIDO PELO PILOTO
    ===
    ATUALMENTE O PILOTO É CONDUZIDO PELO EQUIPAMENTO.
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    MAS NO FINAL O MÉRITO É SEMPRE DO PILOTO, HOJE O MAIS INTELIGENTE, MAIS SENSIVEL AS MUDANÇAS E COM BOA NOÇÃO DE ACERTO, FAZ MUITA DIFERENÇA, VEJA OS CASOS;
    ALONSO X FISICHELLA
    SHUMACHER X MASSA
    ===
    PORQUE SERÁ QUE ALONSO E SHUMACHER ESTÃO SEMPRE A FRENTE DOS SEUS COMPANHEIROS???

  • Lembro de qdo o barrichelo foi pra ferrari, o Piquet comentou q o rubens devia torcer pro schumacher ter acidente denovo. Pra quem não lembra no começo da decada de 90, o tricampeão Piquet foi companheiro de equipe do então desconhecido alemão. E na disputa entre companheiros deu vitória pro alemão com o msmo carro.

  • Repito pela enésima vez: não estou criticando o Alonso ou o Schumacher. Eles são mesmo pilotos muito bons, e merecem nossos elogios. Só acho faltar a eles o duro teste das disputas dentro das pistas, quando se precisa ter habilidade e malícia para ludibriar o adversário, e tenacidade e perseverança para defender uma posição quando o outro piloto vem muito mais rápido.
    Parece indiscutível que hoje em dia está muito mais difícil ultrapassar dentro das pistas. As razões apresentadas são as mais diversas, mas todos concordam qu hoje em dia está muito difícil vencer uma adversário dentro das pistas. Ora, me parece óbvio que se isso é quase uma unanimidade, também deve ser o fato de que não é mais tão difícil defender uma posição (como Mansell ou Senna faziam tão bem). O mesmo pode se dizer das ultrapassagens … como é que eu vou saber se o Alonso detém a qualidade de ser bom em ultrapassagens, como era, por exemplo, Nelson Piquet ? Nem mesmo o Schumacher (que vive seu apogeu se destacando nas voltas voadoras antes dos pits) consegue ser corretamente avaliado no que diz respeito às ultrapassagens … e essas são qualidades que eu sempre admirei em um piloto de F1 … sei que posso estar velho, mas não consigo vislumbrar uma corrida de automóveis decente sem uma verdadeira disputa na qual se tenta ultrapassar (dentro da pista) um adversário ….

  • Flávio, Rikho e Alexandre, obrigado pela correção.
    O problema é que eu acompanho muito pouco a F1 de hoje, ficou chata demais, então, essas citações eu só lembro as dos velhos tempos, inclusive aquela famosa da água que bebemos ser a razão do talento dos pilotos brasileiros que muitos atribuem ao Jackie Stewart mas eu tenho certeza que foi o Graham Hill que disse, ou disse primeiro.
    De qualquer forma, obrigado.

    Aproveitando, será que hoje em dia seria possivel ver uma ultrapassagem como a que o Nigel Mansel fêz sobre o Gerard Bergher na Curva Peraltada, por fora, no GP do México em 1988 ou 89 ?

  • Caramba, dos que reclamaram sobre a chatice das corridas, nao vi nenhum que se referisse ao alemao ou ao sonso como sendo culpados por isso. Mesmo que um piloto brasileiro fosse decacampeao assim, ainda seriam corridas chatas, a questao nao é essa. O que eu digo e volto a repetir é que até os anos 80 os carros nao tinham mudado tanto e habilidade dos pilotos de MANEJAR a barata era mais ou menos a mesma que 30 anos antes. Hoje em dia, a habilidade consiste em ajustar melhor os botoes. Nao vejo isso exatamente como pilotagem, pois conforme disse, nesse caso meu sobrinho deve ser um excelente piloto com seu PS2. Vocês podem observar que o Barrica sempre se dá bem nas corridas de kart que ele organiza. Talvez a desculpa dos botoes nao seja tao absurda assim… Outra coisa: me lembro claramente de um comentário na Globo dizendo que o volante da Ferrari tinha botoes pra memorizar os melhores ajustes de cada curva. Ou seja, o cara que souber ajustar melhor e apertar os botoes certos tantas vezes quantas necessite faz a volta mais rápida. Desculpem a insistência, mas pra mim isso nao é pilotar no sentido estrito da palavra. Sei lá, mas parece que nesse ponto eu sou saudosista e o Gomes é moderno. Vai entender…

    Abçs

  • Dai a César o que é de César, este é apenas um dos motivos de se admirar o trabalho que estes pilotos atuais fazem, em especial Michael Schumacher que continua sendo o maior mesmo vindo da Era de Prata. É uma pena que esta coisa de Patriotada nuble tanto os pensamentos de alguns, mas boa parte destes descrentes ainda vão chegar a perceber o óbvio cedo ou tarde, os pilotos atuais são fantásticos e o Alemão é o maior deles.

  • Esse comentário abaixo me pareceu pertinente. Não havia pensado nisso.

    “Engraçado, quando aparece a câmera on-board, eles deveriam ao menos mexer alguma coisa nos botões. Raramente se vê isto. Do jeito que o você escreveu, Flávio, parece que eles só fazem isto. Acho que a sua teoria pode estar um pouco furada.”

  • Da seção “Dinossaurros do Blig”: antigamente existia um conceito chamado “driving around the car”, ou seja, a capacidade do piloto ir mudando a sua pilotagem e ir adaptando a mesma à medida que o carro ia se deteriorando ao longo da prova. O exemplo mais cabal foi Jim Clark numa das corridas da Série Tasmaniana lá por 66/67 (desculpem a imprecisão histórica, não tenho o cabedal de informações do Veloz HP, por exemplo). Com uma barra estabilizadora quebrada, o carro passou a sair terrivelmente de frente. Não demorou mais que uma ou duas voltas para o tempo voltar a melhorar, sendo que o mestre fazia agora o carro sair de traseira, compensando a tendência subesterçante da barata. Hoje creio que esses acertos se fazem eletronicamente, prescindindo da habilidade do piloto, mas exigindo conhecimento e sensibilidade também. Tempos diferentes, problemas diferentes, nada mais.

  • Acho muito engraçado o FG falar tudo isso….

    Eu d u v i d o que durante uma prova o piloto use mais da metade desses botôes: rádio, limitador de velocidade, limador de giros, freios……etc.

    A maioria destes botões são usados durantes os testes para acertar o carro para a corrida, ou vocês acham que eles não usam ajustes de anos anteriores???

    Tecnicamente é impossível se fazer tanta mundança e ajustes durante uma volta. O Schumacher tem seu mérito sim, mas não acredito que essas voltas voadoras que faz antes dos pits tenha tanta mudança nos ajustes….

    Também acho muito engraçado comparar com o passado…..

    Será que era tão facil assim efetuar mais de 3000 mudanças de marcha por prova?? e olha quer tinha que pisar na embreagem hein!! quantas vezes vimos pilotos errarem de marcha?? hoje isso é impossível de acontecer….a eletrônica faz muita coisa hoje pelo piloto.

    Acredito que nenhum piloto-manual se daria bem nessa era de piloto-robô, pois para eles o prazer era sentar na barata pisar fundo e só ele, somente ele tinha controle sobre o carro e que o braço era usado para girar o volante (sem hidráulica) e mudar marcha e não ficar apertando botãozinhos……

  • Não sou muito a favor dessa idéia de que por conta de botões é mais difícil… Na verdade eu sou completamente contra essa parafernalha! Se o cara quer apertar botão que vá brincar de fliperama!

  • Dizer que o Engenheiro manda o piloto apertar botões ! Que antigamente tinha que ter braço prá tocar um F-1 ( Ron , contrate um Pinguin , por favor ! )! Que um F-1 de 1000 CVs é mais difícil de dirigir que um atual , que trocar de marchas exigia mais habilidade ! Pelo amor de Deus , será que esses caras aí em baixo sabem do que trata este Blig ????
    Além disso , essa velha discução não leva a nenhum lugar novo , exceto a velha conclusão : Não dá prá dizer que M. Schumacher não seja Genial ! Eu , particularmente acho o cara do outro mundo , mas o que fazer contra tantos incrédulos ? Pelo menos não vejo os entendidos discordando de mim , Reginaldo Leme , Livio Oricchio , Ron Denis , Jean Todt ,Ross e toda a Ferrari ( uns 800 ),Flávio Briattore , Bernie Ecclestone , Niki Lauda , Murray Walker , etc , etc , etc têm a mesma opinião !

  • Eu não faço coro contra o alemão ou mesmo o Alonso. E também acho que um carro de F1 (com seus mil botões) continua difícil de pilotar. Mas repito o que disse antes, fica faltando saber a resposta dos atuais pilotos para um nível de pressão que somente as disputas de ultrapassagens proporciona.
    A famosa e genial ultrapassagem de Piquet sobre Senna na Hungria em 1986 simplesmente não aconteceria, e não só por conta do equipamento (e seus botões), que evoluiu (ou mesmo da incrível tenacidade de Senna), mas também porque a Williams mandaria o Piquet (apertando mil botões) colar no Senna até este parar nos boxes, quando Nelson faria voltas voadoras (apertando mil botões) e compensaria para quando fosse parar também, algums outras voltas depois. Simples, não ? Mas muito chato ! E com muitos botões !
    Sabe qual é o resultado ? Que essas corridas atuais não ficam guardadas na memória da maioria como momentos mágicos e/ou de demonstração de talento.
    A imagem da disputa entre Nelson e Ayrton está até hoje na memória, mas se Piquet tivesse ganho a posição nos boxes (apertando mil botões) os fãs do grande Nelson Piquet ficariam privados da grande demonstração de talento que ele mostrou na ocasião … e pasmem, ele não precisou usar mil botões !

    Abraços a todos,

    Luiz Fernando

  • vcs estão esquecendo ainda q antigamente, além de não ter todos esses drive aids, os pilotos podiam morrer a qualquer momento. Com a tecnologia e a segurança dos carros de hj (neste ultimo quesito, ainda bem), nao é preciso ser tão corajoso para acelerar tudo q o carro pode. Se bater, a unica coisa q dói é o bolso da equipe.

    E sobre essa polêmica toda, fico com a opinião de q são dificuldades diferentes.

  • Engraçado, quando aparece a câmera on-board, eles deveriam ao menos mexer alguma coisa nos botões. Raramente se vê isto. Do jeito que o você escreveu, Flávio, parece que eles só fazem isto. Acho que a sua teoria pode estar um pouco furada.

  • Em cada época a tecnologia era uma e as dificulades, idem. Antigamente o piloto tabém fazia mais do que só pilotar. Ele também tinha que acertar o carro, mas uma vez e antes da corrida. Hoje os pilotos acertam o carro durante a corrida. Mas têm de acertar do mesmo jeito.
    O problema do Burrinho, não é a adaptação ao Honda. É a falta de coordenação, mesmo! Porque ele ficou 6 anos[!!] na Ferrari e não se adaptou ao carro [mas era culpa do carro, o carro que tava ruim…] E pelo jeito ele vai continuar com essas mesmas desculpas com o carro da Honda…

  • Em cada época a tecnologia era uma e as dificulades, idem. Antigamente o piloto tabém fazia mais do que só pilotar. Ele também tinha que acertar o carro, mas uma vez e antes da corrida. Hoje os pilotos acertam o carro durante a corrida. Mas têm de acertar do mesmo jeito.
    O problema do Burrinho, não é a adaptação ao Honda. É a falta de coordenação, mesmo! Porque ele ficou 6 anos[!!] na Ferrari e não se adaptou ao carro [mas era culpa do carro, o carro que tava ruim…] E pelo jeito ele vai continuar com essas mesmas desculpas com o carro da Honda…

  • Em cada época a tecnologia era uma e as dificulades, idem. Antigamente o piloto tabém fazia mais do que só pilotar. Ele também tinha que acertar o carro, mas uma vez e antes da corrida. Hoje os pilotos acertam o carro durante a corrida. Mas têm de acertar do mesmo jeito.
    O problema do Burrinho, não é a adaptação ao Honda. É a falta de coordenação, mesmo! Porque ele ficou 6 anos[!!] na Ferrari e não se adaptou ao carro [mas era culpa do carro, o carro que tava ruim…] E pelo jeito ele vai continuar com essas mesmas desculpas com o carro da Honda…

  • Soh uma correcao Veloz, quem disse isso foi sim, tambem o Niki Lauda e inclusive por causa desta declaracao ele foi convidado a dar uma volta na Jaguar, isso em 2002 ou 2003 e ele deu vexame, mal completou a primeira volta. ;)
    Ai cairam de pau dizendo que um Macaco dirigia melhor que ele.

  • Veloz
    Pode até estar correto quanto a Lotus (não questiono pois não é da minha época, e voce tem enorme experiencia no assunto) mas o Gomes se referiu ao Lauda, quando este era diretor da Jaguar a alguns anos atrás

  • Eh isso ai Flavio Gomes… Furnado o olho do Rubens Barrichello, hein!
    Que coisa feia…
    Sera que foi isso mesmo que ele te disse? Tem provas? Nao esta distorcendo os fatos?
    Que trabalhinho de Nelson Rubens…