História a várias mãos

SÃO PAULO (um nome excepcional) – Há um carro brasileiro cuja história ainda está por ser escrita. Elejo desde já o amigo e blogueiro Caíque, do Rio, para começar a rabiscar suas linhas aqui. Os demais Matusas virão socorrê-lo, caso seja necessário. É o Lorena VW.

O anúncio de lançamento era, digamos assim, um tanto quanto pretensioso: o que de melhor havia no Ford GT 40 e do Porsche 940. Uau. Talvez nem tanto, mas para o Brasil dos anos 60, por que não?

Em configuração de corrida, inclusive com motor Porsche, até que levava jeito. Na foto acima, quem seria o intrépido piloto?

Nas pistas, o Lorena fez relativo sucesso. A foto acima é curiosa (onde, quando?) porque mostra o tipo de barata que andava junto. Atrás dele, um Patinho Feio que, desconfio, não era exatamente O Patinho Feio da Camber.

Nesta outra, dá para notar a agressividade de suas linhas, carro com cara (ou bunda…) de carro de corrida de verdade. E número 13, porque essa frescura de não usar 13, aqui no Brasil, nunca pegou de verdade.

Olhando assim, de lado, de fato lembra o GT 40. Há poucos sobreviventes dessa série, cuja produção total desconheço. Sei de um no Museu da Ulbra. O Caíque, que mandou a maioria dessas fotos, deve saber de otras cositas más.

Mãos à obra. E quem souber de algum, que avise.

Comentários

  • Estou pesquisando sobre o marinho Antunes para uma revista que comentara´um pouco sobre sua pessoa , seus hobbys , seu trabalho .por ocasião do lançamento de um empreendimento , Loteamento Vintage em Cotya, SP, o qual dara´seu nome à avenida principal , dai ter entrado neste site. . ………

  • Caro Sidney, grato pela atenção, é um prazer imenso falar com uma das legendas do automobilismo brasileiro. Se me lembro bem dessa prova, o Lorena vinha andando muito debaixo daquele temporal, de repente, sumiu e reapareceu com o pára-brisas quebrado. Recordo ainda que vcs chegaram, na pista, em quarto lugar, mas na classificação geral daquela bagunça, caíram lá para trás. Em vista de tudo isso, levar o mecãnico dentro do carro foi um mal menor em face de todas as barbaridades ocorridas naquela prova. Abs.

  • Respondendo ao Joaquim
    Sobre o pára -brisas foi o seguinte:
    Chovia bastante e estava com o limpador de pára-brisas ligado. Dentro da cabine do Lorena estava sentindo um cheiro forte de fio queimado, de curto.
    De repente, na curva da torre de televisão, soltou uma grande faísca, acompanhada de um forte barulho.
    Parei o carro alí, abri a porta e pulei fora. Vieram os bombeiros com extintores e deram um jato em cima.
    Veio tb um repórter de uma rádio que estava transmitindo a corrida. Solicitei a ele para avisar ao meu box minha localização, solicitando mecânico.
    Veio o Neném, ajudante de mecânico, estava bem cansado, pois havia chegado ali correndo.
    Estava mto escuro. Ele fez um pequeno gatilho para irmos para os boxes para ver melhor o que fazer.
    Vou te contar agora, um lado pitoresco, pois já passou mto tempo, portanto, não há mais o que punir. Como ele estava mto cansado, entrou escondido no carro e foi até nosso box agachado.
    Chegando lá, vimos que para consertar levaria mto tempo, optamos, então, por quebrar o pára-brisas e retirar o acrílico que ficava no lugar do vidro traseiro, para impedir a resistência ao vento.
    Ah, deixa eu fazer uma pequena correção que me enganei na reportagem do obvio.ind.br , sobre a história do Lorena-Porsche GT, devido já passar longo tempo.
    O mecânico Antônio, ex- Dacon, embora já estivesse conosco, não foi a esta corrida.
    O carro já saiu lá de casa rateando e ele não conseguira consertá-lo.
    Aborreci-me com ele e resolvi ir para esta corrida sem ele, pois achamos que ele não havia matado o problema, devido sua esposa que era mto ciumenta, querer ir tb e não concordamos, visto que só iam homens numa Kombi.
    Achamos que ele provocou a briga para não ir.
    Lá, em Brasília, procurei o Alex Dias Ribeiro que havia me convidado para quando fosse à sua cidade procurá-lo.
    Ele, como sempre, foi mto gentil, tentou consertar o Lorena em sua oficina, mas não conseguiu.
    Levou-me numa autorizada Wolksvagen, mas tb não acertaram.
    Neste momento, quando cheguei no box, já estava lá nosso eletricista, o Antônio, da Oficina do Alemão, que ficava numa rua de Quintino.
    Era um excelente eletricista e devido o carro estar ratando, ligamos para ele no dia da corrida, de manhã, e falamos para pegar um avião.
    Houve atrasos, mas nesta hora ele estava lá.
    Na mesma hora, ele detectou que o problema do carro ratear e não passar de giros estava na bobina. Trocou-a e o motor ficou ótimo.
    Quanto ao resultado da corrida, não me lembro como ficou, pois já passou mto tempo e não estávamos disputando o Campeonato Brasileiro, embora estivéssemos participando desta prova que era deste Campeonato.
    Lembro-me que algumas equipes entraram com recursos.
    Tenho uma página inteira do jornal O Globo descrevendo a desorganização.
    Possuo tb um quarto de página deste mesmo jornal, dando uma entrevista sobre a desorganização.
    Mas, sinceramente, não me lembro se o resultado foi alterado.
    Um abraço.

  • Sidney, vou pegar carona na onda do César Costa: como vocês quebraram o pára-brisas do Lorena naqueles malfadados 1000 Km de Brasilia de 70 e como foi a história do quarto lugar desta prova que vocês tiraram e não levaram? Abs.

  • Sidney Cardoso:
    Já fui lá no Orkut encher seu saco. Aquela corrida foi a primeira em que fui (ou melhor voltei sozinho).A de Petrópolis não conta porque era perto da casa do meu avô. Tinha 14 anos e me lembro do meu pai me deixando no autódromo com um amigo no seu valoroso Gordini III (40 HPs de emoção e freios à disco!) com as recomendações de praxe. Eu morava no Leblon e naquela época o autódromo era longe pra burro. Fui pra arquibancada (que eram as mesmas usadas nos desfiles das Escolas de Samba) e depois de passar pela cerca de arame farpado (Vai por alí que é melhor! Me orientou um guarda), fiquei atrás do muro da Curva Norte, onde o Zambello com a Alfa saiu por causa de um pneu furado (parou a centímetros do muto). Me lembro da Lola, que parou no S, do Fusca de dois motores, do Bino e do seu GT-40. Até hj me lembro do painel, das rodas enormes etc. Só não me lembro como voltei do autódromo. Freud explica, né?

  • Para Cesar Costa
    Oi, Cesar
    Primeiro quero fazer um reparo, havia dito Primeiro Torneio Internacional BUA de Fórmula Ford do Rio de Janeiro, 1960.
    Depois vi que teclei errado é 1969.
    Quanto sua pergunta sobre os III 1000 KMS do Rio Janeiro de 69, realmente, saiu nos jornais que o mecânico Antonio da Memória havia colocado água fria no motor do Ford GT 40.
    Não foi isso que aconteceu.
    Infelizmente, meu co-piloto, Carlos Alberto Scorzelli, errou uma marcha no final da reta, acelerando. Em vez de engatar a quinta, engatou a terceira.
    O motor passou de giro e bateu biela.
    Vc não imagina o transtorno que passamos depois. Foi uma novela.
    Apesar de termos conseguido as peças, toda vez que o motor ficava pronto, não pegava balanceamento.
    Foi montado pela retífica Peruzin, que ficava no bairro da Piedade, depois pela retífica Ata, de Botafogo, e, nada dava certo. O motor vibrava, o carro tremia todo em apenas,4000 giros, parecendo que iria se desintegrar.
    Vieram vários engenheiros mecânicos, inclusive de Petrópolis, e não conseguiram solucionar. Todos diziam que ele não passava de um motor V8, e usavam o método de balanceamento normal para este motor.
    Boatos, os mais diversos e pejorativos foram espalhados, como dizendo qu aquele era um carro de exposição.
    Até que meu pai enviou o Scorzelli à Inglaterra e, lá, eles mandaram um manual de como balancear aquele motor.
    Era bem diferente. O caso foi solucionado e o motor ficou ótimo.
    Espero ter esclarecido sua dúvida.

  • César, em definitivo: Mark I eram as Berlinetas Alpine, com aqueles dois faróis de milha embutidos ali na frente. O Bino Mark II estava para recuperação na oficina do Fábio Grecco, filho do Luiz Antonio Grecco, criador do carro, aqui em SP, junto com um….Mark I !!. Abs.

  • Joaquim;
    Como sempre vc está certo. Eu é que bolei as trocas, confundindo o Gávea com o protótipo apresentado em 66. Minha dúvida, e parece que vc concorda comigo, é que se referem ao Mark I como Bino, qdo eu acredito que Bino era apenas o Mark II. Falando nisso, um deles está aqui no Rio (o que se acidentou em Petrópolis) e o outro. E o Mark II onde anda?

  • César Costa, o que sei é o seguinte: O Gávea (ou Gavião, como dizem alguns) foi um F-3 construido pelo Grecco, baseado num projeto Alpine de Jean Redelé. Participou da Temporada Internacional de F-3 da Argentina em 66, com Wilson Fittipaldi ao volante, mas com maus resultados. Tirou um segundo lugar num 500 Km de Interlagos (imaginem, um monoposto correndo com sport-protótipos e carreteras) com o Wilsinho no mesmo ano. O Bino Mark II, inicialmente protótipo Willys, foi construido em 66 por Toni Bianco e Nelson Brizzi para a Equipoe Willys. Tinha um entre-eixos tão curto que rodava até na reta. Foi apresentado no Salão do Automóvel de 66 e modificado posteriormente em 68, já com o chassi aumentado em 25 cm e motor Renault 1300 (que viria depois a equipar o Corcel I). o Bino Mark II estreou nos Mil Km de Brasilia de 68, com vitória de Luisinho Pereira Bueno/Môco. Já os Mark I da Willys eram as Berlinetas/Alpine 1300 modificados em 1967, ganhando inclusive as Mil Milhas deste ano, nas mãos de Luisinho P. Bueno/Luis Fernando Terra Smith. Posteriormente, em 68, esses Mark I foram pilotados por Bird Clemente, Carol Figueiredo (que se acidentou com um em Petrópolis), Totó Porto, entre outros. Tanto Bino Mark II como os Mark I acabaram em 69 nas mãos do piloto carioca Fernando “Feiticeiro” Pereira. O Bino Mark II retornou à equipe Bino em 1970, vencendo várias provas nas mãos do Luisinho, incluindo aí a lendária disputa com Jaime Silva e o Fúria FNM nos 500 Km de 1970. É o pouco que sei sobre esses carros, mas como sempre, posso estar errado. Abs.

  • Olá pessoal, já que vocês deixaram ai vão mais alguns detalhes dos 500Km. de 1971: foi a primeira prova no Brasil onde a média horária superou os 200kmh. , Luiz Pereira Bueno e Lian Duarte classificaram o Porsche 908 da equipe Holliwood com a marca de 206,533 e venceram de ponta a ponta, o protótipo nacional mais bem classificado foi o NEWCAR VW-2000, de Newton Cardoso e Evandro de Sá que virou em 1,07, média de 172,316, eu larguei na 10ª fila com média de 159,684 , imediatamente atrás do dono do carro, o Leoni que correndo de Alfa GTA fez 160,350, foi muito divertido, porque durante a corrida o LORENA foi constantemente mais rápido que a Alfa. Curiosidade especial para o FG, o Norman Casari nessa prova estava inscrito com o nº 97, uma LOLA T70 que pegou fogo nos treinos, o nº 96 foi o do AC-Volks do Marinho Antunes que largou em 34º e não completou. Um abraço e desculpem a prolixidade.

  • Joaquim:
    Talvez vc possa esclarecer essa dúvida. O Bino Mark II, nasceu Willys Gávea, e virou Bino qdo se transformou em carro de corrida. Mas o Mark I, que eu me lembre, não nasceu Bino e tenho visto muitas referências, inclusive no site da Óbvio (que é uma maravilha), como Bino Mark I…

  • Sidney Cardoso:
    Acho que ninguém melhor que vc pra esclarecer a história toda, né? Tenho aqui uma dúvida: vc reclamou da mão-de-obra da época. Me lembro que numa corrida, que acho ter sido os Mil Km de 1968, estavam o GT-40 e a Lola dos De Paoli. Um dos dois quebrou nos boxes, qdo um “mechanico” jogou um balde de água sobre o motor e o bloco rachou. Foi o GT-40 de vcs?

    PS: quase cheguei a orgasmos múltiplos ao ver a sua página e da Óbvio.