Kombi rules

SÃO PAULO (completamente ridículo esse negócio de “rules”) – Pedido feito, pedido atendido. O implacável Romeu Nardini encontrou no site da Obvio ! a foto abaixo, da única corrida de Kombis de que se tem notícia no Brasil.

Foi em Jacarepaguá, 1968. Vitória de Sérgio Cardoso, que logo depois morreria num acidente em Petrópolis, no mais trágico fim de semana da história do automobilismo brasileiro (antes que me xinguem, oh, o Senna, seu herege!, aviso que qualquer dia conto essa história, para que se entenda por que aquele fim de semana em Petrópolis foi pior).

Imaginem o arrasto dessas Kombis! E para fazer curva? Bem, deve ter sido engraçado pacas.

Comentários

  • Ao Joaquim:
    Rapaz! Vc nem imgina! Estava pedalando na ciclovia de Copacabana, qdo começou a passar uma carreata (foi na véspera de um 7 de setembro, qdo há a exposição do Forte de Copacabana). Tive que parar pra não levar um tombo. Da última vez que havia visto o carrinho ele estava todo estropiado, depois de bater no poste e agora passava inteirinho, com o motor embaralhando pela baixa velocidade. Se vc imaginar que a minha geração tinha a Berlineta como sonho de consumo e o Mark I era uma Berlineta otimizada (pra usar uma palavrinha “muderna”), calcule a emoção.
    Abraços virtuais!

  • Ao César Costa,
    Cesar, com certeza vc viu o Mark I que era do Carol, que foi comprado em 97 pelo Vicente Muca e completamente restaurado. Imagina, cara, o mesmo carro que vc viu quando moleque, anos e anos atrás, alí de novo, na sua frente…Do Catso, não é mesmo? Abs.

  • Bondade sua Joaquim. Na realidade só acertei os carros (Freud explica!). Me lembro de descer aquele ladeirão à pé, pra ver a corrida (meu avô tinha casa no Valparaíso). e ficar ali perto da igreja vendo treinos e corridas. Fiquei frustrado na hora em que a corrida foi interrompida (logo no início) e depois, como bom curioso fui caminhando com meu primo pra ver o que havia acontecido. Cheguei a ver o Luizinho passar com o para brisas quebrado, logo depois do atropelamento, mas nem imaginava o que havia acontecido. Depois foi um disse me disse danado em torno do carro do Carol (falavam em cinco mortos). Já vi aqui no Rio um Mark I inteirinho. Alguém sabe se é o carro do Carol?

  • Mauricio, a falta de registro e documentação do nosso automobilismo regional é um mal crônico, que ainda não foi erradicado. No Paraná, por exemplo, quem sabe quem foi Ettore Beppe? E a Equipe Transparaná? E Beto Monteiro, Altair Barranco, Márcio Leitão, Luis Moura Brito, Sérgio Benoni Sandri, Edson Grackzik (acho que é isso) entre outros. Quem lembra desses caras que fizeram o automobilismo paranaense?

  • Caro César, vc não está de todo errado. Quem bateu o Mark I da Willys foi o Carol Figueiredo, pai do hoje piloto de Stock Car Nonô Figueiredo, no mesmo lugar que o piloto de Petrópolis Sérgio Cardoso havia batido nos treinos pilotando uma Alfa TI, vindo a falecer horas depois. Carol sofreu sérias fraturas na coluna, abandonando o automobilismo e se dedicando ao kartismo, onde se tornou um dos nossos maiores kartistas daquela época. Abs.

  • Minha memória anda “fotogênica” ultimamente, mas acho que naquela corrida de Petrópolis (eu estava lá), quem morreu foi o Cacaio, atropelado pelo Bino Mark II, do ?Luizinho Pereira Bueno, depois que Maneco Combacau pegou um poste de lado com um Mark I. Ou estou errado?

  • Misturando Aristides Dalecio Filho com Ronnie Peterson, somando com Jackie Stewart, Claudio Ceregatti e Veloz-HP, com o espaço gentil e revolucionariamente cedido pelo Flavio Gomes:

    Com certeza uma das Kombis que o Emerson e o Peterson viram descendo a Serra de Santos era pilotada pelo TIDE – Aristides Dalecio Filho, citado abaixo.

    Enquanto ambos babavam com a visão das barbaridades que o cara fazia, esqueceram de que antes da descida da serra estava parte do milagre: A água que os pilotos bebiam.

    Quem disse isso certa vez foi o Jackie Stewart, afirmando que o segredo dos pilotos brasileiros era a água que bebíamos e o Circuito antigo de Interlagos…

    Portanto, está decifrada a charada dos grandes pilotos brasileiros, o segredo dos 8 títulos mundiais de F1, mais 5 vice-campeonatos – se não errei nas contas:

    1- Kombi descendo a Serra – Por Emerson e Peterson.
    2- Agua que os pilotos bebiam – Jackie Stewart.
    3- Circuito antigo de Interlagos – Emerson. Peterson, Stewart e todos os pilotos brasileiros de 1940 a 1990.

    Estarei certo?

    Com certeza ainda faltam componentes nessa “formula magica”.

    Ou será apenas nostalgia de um passado glorioso, pois nada dos tres compenentes mágicos sobrou…

    As kombis acabaram, assim como o circuito antigo de Interlagos…

    Pelo jeito, apenas a água que bebemos não é suficiente…

    E que tem bala para correr hoje, bebe água importada, Perrier para cima…

  • Caras, desculpem a pretensão, mas é isso que eu gosto nesse blig: provoquei o Flávio com a história da corrida de kombis e a resposta do pessoal foi imediata. Agora ele já aparece com o acidente do Carol Figueiredo na malfadada corrida de Petrópolis (dizem as más línguas provocado por uma cisma besta entre Luisinho Pereira Bueno e Ubaldo Lolli). Isso aí, moçada, gostei de ver…Sds a todos.

  • Oi VELOZ-HP, fora do contexto, mas falando de competições – creio que poderia criar um blog seu – para falar de automobilismo. A descrição das provas de fórmula 5000 forma excepcionalmente boas, apesar que, não acredito muito que aqueles carrões conseguiam render 250 km/h reais….mas mesmo, assim, foi muito interessante ler aquilo. Continue colaborando!

  • No site da Óbvio!, tem a história do Sérgio Cardoso, piloto que morreu em um circuito de rua em Petrópolis. História sangrenta, onde naquele dia ele não foi a única vítima, mosta o amadorismo em que se encontrava nosso automobilismo, naquela época.

  • Lí em entrevistas e depois o próprio Emerson me confirmou muitos anos depois, que o Ronnie Peterson quando vinha para o Brasil disputar o GP de F1 em Interlagos e ficava hospedado na casa dele no Guarujá, sempre pedia para parar o carro no estacionamento do Mirante da Serra na Via Anchieta para observar aquilo que ele definiu como a razão para o Brasil ter tantos pilotos fora de série : os farofeiros descendo a serra rumo a Santos à toda velocidade com suas Kombis caindo aos pedaços, cheias de gente, cachorro latindo na janela, bagagem, queimando óleo, toda remendada, cantando pneu nas curvas, até tirando racha e o mais incrivel, todos felizes e sorrindo dentro delas e aí então, ele compreendeu o quanto está no sangue do brasileiro o virus do automovel, se o povo era capaz de se divertir naquelas condições, então com um carro descente nas pistas nada o deteria, como realmente confirmou-se por muitos anos seguidos.
    É a Kombi galera, encantando até o Ronnie Peterson numa sexta feria à tarde na Serra de Santos.

  • + 1 corrida de Kombi.

    Fonte: http://www.esportes.jor.br/noticias.php?Id=90&noticias_tipo=curiosidade

    “24/02/2006
    Uma corrida para lá de diferente

    Paraná foi o pioneiro da única corrida de Kombi do Brasil na década de 70

    A falta de documentação sobre o automobilismo paranaense, por volta de 1960, fez com que a história do nosso automobilismo se tornasse desconhecida pelo público de hoje.

    Muitas das competições e, também, dos pilotos, hoje, acabam sendo “inexistentes” na mente das pessoas.

    Pouca gente sabe, ou quase nenhuma, que o Paraná foi o pioneiro de uma competição um tanto quanto diferente no automobilismo nacional. A corrida de Kombi.

    O idealizador da prova na década de 70 foi o piloto e mecânico, Mauro Turcatel, conhecido como Peixinho. A paixão pelo automobilismo era tão grande que o fez criar esta competição no Paraná.

    Na primeira edição participaram somente cinco Kombi. Os competidores, que na época usavam estes mesmo veículos para trabalhar, participavam das corridas com toda entrega da mercadoria de trabalho dentro. Sacolas e pacotes “faziam parte da corrida” e não atrapalhavam os competidores.

    Quanto a parte mecânica da Kombi, Peixinho lembra: “Eu trabalhava e também viajava com a Kombi. Sabia que na pista, a Kombi era muito mais estável que o fusca”.

    As provas eram realizadas numa “pista” de terra na cidade de Cascavel, local onde as pessoas se reuniam para assistir outras competições existentes na época.

    A corrida de Kombi, pioneira no Paraná e única do Brasil não duraram muito tempo. Foram duas competições somente. A dificuldade na década de 70 em implantar uma competição e preparar os veículos para as corridas eram grandes.

    As competições não eram profissionalizadas como hoje. Os pilotos não treinavam e iam direto para as corridas. A Kombi, por exemplo, era inteira original. E hoje, para uma competição, os carros são totalmente modificados.”

    E agora Gomes?? RJ ou PR ??
    Abração!

  • Complementando a informação do colega João, o Piquet, além de viajar para as corridas com uma Kombi, foi visto algumas vezes aqui em Brasília disputando uns “rachas” com uma. Quem viu, disse que era coisa de “louco”.

  • Marquem bem este nome:
    Aristides Dalecio Filho.

    O cara tem 50 anos, foi mecanico da Motor Girus de Santo André, correu de FVW 1300 nos anos 70, de Divisão 3 nos anos 80, foi para os EUA sem grana e fez bonito em 2 ou 3 provas, voltou, correu de kart nos torneios Pakalolo e de pick-up em provas do Campeonato Paulista.

    Defeito Genético: Sempre foi duro, portanto… Quase nada deu certo, mas sempre sobrou talento.

    Que talento?
    Pois é, além de andar sempre muito, muito forte em tudo que citei acima, era o REI DA KOMBI.

    Nas Serras de Santos – tanto na Serra Velha, com mais curvas do que Nurburgring original, ou na Serra da Via Anchieta – O cara era o demonio encarnado.

    Certa vez fomos para uma prova em Tarumã, de São Paulo a Porto Alegre via Praia Grande, Itanhaem e BR116 – Paguei os pecados de umas 3 ou 4 encarnações.

    Impressionante seu sangue frio, controle e técnica. Domínio total do equipamento… Quem disse que Kombi não anda de lado? Pois é, tenho certeza que sim, só não sei como…

    Se tivesse uma corrida de Kombi AGORA, em qualquer lugar do mundo, é só chamar a figura que ia dar show, podem acreditar.

  • Cara que corre de Kombi tá cheio por aí, só que nas ruas e nas mãos de motoristas e entregadores de mercadorias. São um bando de sem noção e esmerilham o carro porque não são deles. Para parar então só jogando uma âncora.

  • Não esquece de contar essa história de Petrópolis Gomes…..Ver essas Kombis no limite – com certeza – deveria ser bem mais emocionante do que bocejar na frente da tv vendo a chatérrima F1.