Retratos de uma época, retratos de um país

SÃO PAULO (em P&B tudo é diferente) – A sequência de fotos que vou colocar agora, em três ou quatro posts, merece uma atenção especial dos blogueiros. Foram-me enviadas pelo leitor/telespectador Henrique Vieira, de Araguari, no Triângulo Mineiro.

Henrique é piloto de kart, mas fotógrafo de profissão. Vem de uma família tradicional no ramo, “na labuta desde os 13 anos onde comecei ajudando meu pai em eventos sociais”, contou. Nem sei se vai ler isso, porque a essa altura Henrique deve estar nos EUA, onde pretendia assistir a uma corrida da Nascar em Phoenix. Mas isso é detalhe.

Seu avô, Geraldo Vieira, foi quem começou a história familiar nas fotos. Adorava corridas e dava suas esticadas com motocicletas. Geraldo era um puta fotógrafo, como as imagens comprovam. Mas não se limitou a clicar carros. Talvez seu trabalho mais marcante tenha sido registrar a construção de Brasília, aventura brasileira que pode ser comparada a qualquer grande epopéia da Antiguidade.

Geraldo Vieira é esse aí embaixo, com os índios.

A primeira de corrida que o Henrique selecionou é essa outra aí embaixo, tarefa para nossos Matusaléns do blog. Onde, quando, como, quem e por que são as perguntas que o pessoal daqui, certamente, vai saber responder.

Henrique e seu pai estão digitalizando o arquivo de Geraldo Vieira, que foi doado em 1996 ao Arquivo Público de Araguari. São 15 mil negativos e 2.800 fotos.

Nos próximos posts vou colocar algumas que o Henrique gentilmente me enviou para dividir com vocês. É uma grande e adorável viagem no tempo e no espaço.

Comentários

  • O carro e o piloto estão certos (note as faixas verde e amarela longitudinais, que eram usadas nos carros brasileiros neste torneio).
    Quanto à pista e a corrida, fiquei em dúvida após olhar a foto mais atentamente.

  • O carro da foto é uma Maserati 300S, piloto Fernando Pereira Barreto na Prova Sul Americana, Interlagos em 10 de Janeiro de 1960.
    A corrida foi vencida por Cyro Caires com uma Maserati Corvette e Celso Lara Barberis foi o segundo com uma Maserati 300S.

  • Matuzas, brigado pelo apoio. Veloz-HP, a tua pena pelo crime de lesa-lingua é ouvir todas as fitas com as desculpas esfarrapadas do rubinrola barrichelo.
    Ai vc vai aprender a não esquecer mais do “s” do Ferdinand.rsrsrsrs. Abraços. Tenho compromisso de manhã, mas se der tô lá pra aloprar o FG.

  • Mais uma, esse piloto argentino, Gastão ou Gaston teve uma página inteira dedicada a ele na revista argentina Corsa, especializada em automobilismo, semanal, ao estilo da italiana Auto Sprint, onde comentavam o recente (na época) falecimento dele.
    Isso já faz alguns anos, a pilha delas é enorme e hoje não estou com muito tempo para investigá-las, além do que, amanhã tem o Grande Prêmio da Super Classic em Interlagos com a participação do super DKW e seu destemido piloto Flávio Gomes então, só no domingo irei fuçar as revistas e quando encontrar a matéria mando bala por aqui.
    Aproveitando, escrevi Porsche sem o “s” no post passado, me desculpem pelo crime.

  • Lembrei de outra coisa, essa corrida se chamou I Grande Prêmio Juscelino Kubitschek (acho que errei o nome do ôme) e foi realizada em abril de 1960 nas festas de inauguração da Capital.

  • Eu acho que o Vitão está certo, o piloto é o argentino e apesar da foto ser em preto e branco dá para deduzir que as cores das faixas que correm pelo meio da Maserati são nas cores azul e amarelo que eram as cores do Automovel Clube da Argentina.
    Apesar de não poder identificar o emblema do ACA na lateral do carro, creio que seja ele mesmo.

  • MAtuzas de plantão, Joaquim, Veloz-HP, Marcos, Nardini, não vamos deixar esse fedelho do FG derrubar a gente. Vamos lá coragem que é sexta, vamos acabar com ele e matar a charada. Make my day !

  • Freudy, o piloto e o carro ainda não descobri, mas o “frutinha” é sem dúvida Neutinho de Dadá, que era dono de um mafuá na antiga Cidade Livre, intitulado Rainha do Maracujá, reduto de prostitutas, travestis, jogadores de sinuca e baralho, enfim a fina flor do “bas-fond” candango daquela época.

  • Flávio, o cidadão deve ter usado uma Rolleiflex para fazer essas fotos. Sentiu a composição, o céuzão do planalto oprimindo a paisagem? Agora imagina seu Geraldo com uma Hasselblad na mão… ia dar show em Cartier-Bresson.

  • Enquanto vasculho meus guardados atrás de descobrir que carro é esse, vou logo adiantando: seu Geraldo porta galhardamente uma zarabatana, o índio ao lado é sem dúvida um carajá, e detalhe, o chapéu “Rondon” de palha. Que tempos, cara, que tempos….