ECOS DA DESPEDIDA (4) | Blog do Flavio Gomes | F1, Automobilismo e Esporte em geral
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segunda-feira, 21 de julho de 2008 - 16:54#96, Superclassic, farnéis

ECOS DA DESPEDIDA (4)

SÃO PAULO (não subiu nem na carreta) – Muito do que foi a despedida do #96, para mim, vou guardar comigo mesmo. Especialmente aquilo que senti dentro do carro nas últimas 13 voltas da vida do carrinho em Interlagos, a largada, a tentativa de segurar o amarelinho, a única ultrapassagem que consegui fazer na corrida (e, por sorte, na frente da blogaiada no S do Senna), os acenos dos bandeirinhas, os carros que ficaram atrás de mim na volta aos boxes, escoltando o velho #96 de guerra, a chegada ao Parque Fechado, os abraços dos meus mecânicos, a turma da LF, a emoção do Rafa, do Nenê, do “seu” Finotti, a passagem pertinho do pit-wall assim que recebi a bandeirada…

Apesar da tristeza da despedida, que é natural, foi um sábado muito alegre porque ali terminou uma história muito bonita, e por decisão própria e tomada com a maior serenidade possível, sem grandes dramas, sem forçar barra nenhuma.

Não faz sentido, de fato, dramatizar a situação. Porque foram o maior barato, estes cinco anos — e mais ainda os últimos dois anos e meio, quando a blogaiada se incorporou à trajetória deste DKW que pode até não entrar para compêndio nenhum do automobilismo brasileiro, mas que passou a fazer parte da historinha de cada um de nós.

Vieram pessoas de muito longe para ver o #96 se esgoelar pela última vez. É gozado como o carro conseguiu isso. Curioso tentar entender este pequeno fenômeno branco sobre rodas, com uma bolota preta e número cor-de-laranja, carregando, com todas suas limitações, os sonhos e as lembranças de tanta gente.

O #96 cumpriu seu papel com grande dignidade. Hoje soube, pelo Nenê, que foi quase um milagre terminar a corrida. O carro não conseguiu nem subir a rampa da carreta que o levou de volta para casa. É que o motor foi colocado alguns dias atrás no lugar, e não andou nem um quilômetro antes de ir para a pista no sábado de manhã, amaciando, ainda, virando 2min47s. Na corrida, virou 2min42s, bem distante de seu recorde “pessoal” de 2min35s. Na subida dos boxes, pipocava feito louco e falhava, porque no fim estava meio fora do ponto. Normal. Um diazinho de treinos e teríamos detectado os problemas, mas não houve tempo, e o jeito foi acreditar que ele terminaria a corrida de um jeito ou de outro.

Terminou, sem dar espetáculo, mas sem decepcionar aqueles que foram a Interlagos para vê-lo. É um carrinho valente e sabedor de suas responsabilidades.

Eu teria, tenho, uma lista enorme de amigos a quem deveria agradecer nominalmente aqui. Correndo o risco de esquecer alguém, e é claro que esquecerei, vamos lá, de bate-pronto: Salomão, Nenê, “seu” Finotti, Rafa, Magrão, Fábio, Marconi, todos os mecas, desculpe se esqueço alguém, “todos” vale para todos, mesmo, Gustavo e Cláudio Ribeiro, Dú, Regi, Brandão, Ceregatti, Zuquim, Bonilha, Caio, Bianchini, Pavarotti, Mari, Jackie, Marilis, Vitão, Acarloz, Contreras, Eric, Cássio, Ronaldo, Ciro, Dinho, Jan, Joaquim, Veloz, Edison, Thiago, Magno (na arquibancada A, com a camisa antiga, como nas primeiras corridas…), Danilo, Romão, Ruiz, putz, chega, é claro que devo estar esquecendo metade, sorry, não tem mesmo como lembrar de todo mundo. Fazemos assim: quem eu esqueci, escreve aí embaixo nos comentários: “Canalha, me esqueceu! Assinado, Fulano”.

Bem, como se diz, uma imagem diz mais que mil palavras, mil imagens dizem mais ainda. Acho melhor parar por aqui, deixando no ar os links do álbum de fotos da corrida e outro do farnel, todas do Rodrigo Ruiz, nosso lambe-lambe predileto. Um dia vou me sentar e escrever algo à altura do #96. Mas com tempo, sem pressa.

66 comentários

  1. Marcao Fioretti disse:

    Grande Flavio!!!
    Infelizmente estava viajando no dia da despedida do carrinho…. uma pena… mas pude sentir um pouco do que foi pelos videos e pelo seu texto….
    Parabens a ele e parabens a vc, que transformou o Deca num simbolo para os loucos por corridas!!!!
    Abraço

  2. disse:

    N I P O – L U S O, queria saber o motivo pelo qual, o Rogério não filmou a queda da calota, ou o princípio de incêndio?
    Verdade que um cara parou no sinal e disse: ô maluco, esta ximbica está desmontando, já caiu uma calota e agora vai pegar fogo!
    Depois eu que sou louco.

  3. Fernando Carvalho disse:

    Rei deposto, rei posto : Vamos aos fatos , conforme comentou o amigo Caio ( o de Santos ) : “…..Seria o “quadrado “o de número #96 #96 ? ou #9696 ? ou #96# ou só ## (Não !!!! tem que ter numeral., mas vai que eles aceitam …,) .
    E vai correr onde ? Ahhhh! deve ser de Rally (afinal o escriba comentou isto…..) :
    Bom , que a trapizonga nova vai comer poeira (no sentido figurado ) todos nós sabemos , mas que vai ser legal , vai !!!!! Ve-lo encarar outras máquinas…
    Já se for na Classic , que seja tambem para trazer alegria aos circuitos ….
    Proponho o seguinte: assim como o DEKA tinha o Mug como mascote , que o quadradão do chefe seja apelidado de ” Misha ” , tendo então nome para o novo bólido ( Misha:em russo é o apelido de Mikhail, a mascote “ursinho ” da olimpiada em Moscou ) , inclusive pendurado no espelho retrovisor interno ou atrás no banco traseiro com luzinhas nos olhos e balançando ….

  4. victor freire disse:

    sem palavras, flávio. pode-se dizer que o #96 foi como um jogador de futebol inteligente: terminou a carreira com a popularidade em alta, ao contrário dos túlios maravilhas da vida.

    felicidades, e nos deixe a par de sua carreira no rally de velocidade, com samara ou 2105.

  5. Jean Tosetto disse:

    Cinco anos de corridas. Não é pouco. Na história do esporte a motor, existem carros fantásticos – e vencedores – que correram menos de seis meses e receberam a aposentadoria. Alguns bólidos foram à pista uma única vez. Por isso o Deka 96 merece figurar na enciclopédia do automobilismo. Trajetórias longas nesta atividade só costumam atingir aqueles modelos que não disputam corridas de verdade: o Herbie 53 e o Mach 5, por exemplo – que além de quatro rodas possuem personalidade própria. Aí está o “x” da questão: o Deka 96 também tem a sua.

    Temos uma forte tendência de dotar certas coisas, inanimadas, de características comuns em seres humanos. A camisa do nosso time é sagrada. Nossos carros são nossos amigos. Nossos computadores são colegas de trabalho. Vejo o Deka 96 como um símbolo de autenticidade. A cor branca cai muito bem para ele. Mas muito de suas características são emprestadas do rapaz que o acelera. Alguém que corre por paixão. Um cara que procura varrer a vaidade para debaixo da cama assim que se levanta. Ou ele não dividiria essa paixão com tantos outros.

    O piloto do Deka 96 é aquele amigo do amigo, que recebeu um convite para uma festa muito restrita, e resolveu abrir a porta do salão para os outros, que não usam black-tie. De repente formou-se uma torcida em torno de um carro. Porém devemos lembrar que um carro é apenas um carro, mesmo quando é de corrida e solta fumaça azul. O mais importante são sempre as pessoas, que precisam de uma desculpa para se reunir. O Deka 96 juntou muitos órfãos – seu grande mérito.

    Vi o carro de perto uma única vez, mas sempre acompanhei seus passos à distância. Seu descanso é merecido, no entanto a história que ele começou deve continuar. Espero voltar à Interlagos, ver novos e velhos esportivos correndo, mas principalmente brindar velhas e novas amizades.

  6. Assis disse:

    Flavio, + afinal, não sei se não li esta info em outro lugar, + vc está aposentando o #96 E sua carreira como piloto, ou vem uma nova antiga máquina por aí ??

  7. Caio, o de Santos! disse:

    Boss,
    A farra é ver Interlagos com cheiros e barulhos.
    O #96 só nos fez ver um esforço de um mais fraco perante outros que mexem e remexem mudando sua originalidade buscando resultados, e vcs, buscando a originalidade mexendo e remexendo batendo seu próprio limite.

    Que venha o quadrado e vamos continuar sentindo os cheiros e ouvindo os barulhos.
    Nos bastará!!!

    E obrigado pela lembrança!

  8. Fernando Carvalho disse:

    FG, desculpe o canalha aqui (eu ) , mas por favor mostre-nos o que espera o #96 em seu descanso , fale-nos como ele será tratado e etc ….é que numa hora desta, sem ser ” viúva do #96″ o remorso por ter feito algumas burradas com alguns carros que passaram vida da gente (quantos neste blog , já falaram assim ; Ah , tive um e vendi, arrependo-me … ou vendi e tô procurando e não vi nunca mais …) e perdeu-se ” na profusão das coisas acontecidas “…

  9. N I P O - L U S O disse:

    Canalha!!!…. Você me esqueceu!!!
    (ha,ha,ha,ha,ha)
    Voltando ao normal…
    Foi um dos melhores Farnéis, que presenciei, muita gente nova e os “ratos” de Interlagos, além dos “sumidos”….
    Convidados especiais, a Homenagem ao VELOZ-HP que o “velho” #96 pegou de “carona”…
    A “bagunça” na arquibancada nas passagens do #96…
    A consolidação das amizades automobilísticas…
    Além do “Chuuuuuupppppaaaa Ceregagatti!!!” impagável…

  10. Rodrigo Ruiz disse:

    Nestes 2 dias fiquei pensando o que falar e como nunca fui muito bem nas palavras não consegui achar nada de interessante para deixar aqui, apenas que me sinto muito orgulhoso de poder fazer parte desta bela história, de poder registrar e eternizar quase metade da vida do 96 e de poder acompanhar praticamente toda a história dos farnéis, afinal foi no primeiro que cheguei e fui acolhido por todos.
    Agradeço muito ao Flávio, ao 96 e a todos os amigos que fiz por aqui.

    Abs

  11. Bianchini disse:

    FG, valeu pela lembrança!
    Sou obrigado a concordar com o Vitão, piada de Lada só existe uma mesmo… mas se tiver que ser assim, continuaremos lhe apoiando até mesmo com o pior projeto que saiu de Torino desde a 2ª Grande Guerra, que seja!
    Grande abraço e…
    chupa Ceregatti!

  12. Roberto Zuquim disse:

    Obrigado, Flávio, Brands, Cerega & Blogaiada, pela amizade e pela alegria proporcionada neste encontro inesquecível.
    Eu mesmo já começo a achar que o Flávio está certo em deixar o #96 curtir seus dias de outono.
    E acreditar que não foi uma despedida.
    Abraços a todos, e até o próximo farnel.
    Zuquim.

  13. Ciro Margoni disse:

    FG, obrigado pela lembrança. Foi muito 10 estar no meio desta galera.

  14. Vantoil Lima Jr. disse:

    Vi pela segunda vez o #96 nesse sábado, a primeira foi no GP Brasil de 2003 (nem lembro que # que era na época).
    Foi muito legal o dia, apesar de ser um tanto retraído quando conheço pessoas novas (por isso conversei com poucos), mas valeu muito a pena.
    Conheci uma parte do autódromo que nunca tive acesso, assisti uma corrida muito interessante.

    O pessoal é muito bacana e espero comparecer nas próximas oportunidades.

    Obrigado Flavio Gomes por compartilhar esses momentos!!!

    Só uma dúvida, agora de Lada o Gomes vai correr na Superclassic ou em Rally???

  15. Edgar Viana(SC) disse:

    Sempre acompanheia história do #96… apesar de morrer de vontade de ir para interlagos(quase morri mesmo quando veio correr na pista de londrina, meu Deus bem mais perto), enfim, canalha esqueceu de mim!
    Edgar Viana Fernandes (Matusa e apaixonadopelo #96)

  16. Clay disse:

    Vai deixar saudades. . .
    Ah, é : Canalha, esqueceu de mim !
    Mas tá perdoadaço, e se tiver novidades ligadas e terra, como lí de alguns blogueiros, o #353 (VW ’63 do Rallye Mercosul) te saúda !

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