N’ALEMANHA (6)

N

SÃO PAULO (quem fala…) – Parece até sacanagem, mas Michael Schumacher defendeu as ordens de equipe dizendo, apenas, que elas “não podem ser tão óbvias”. É preciso dar uma disfarçada, em resumo. Algo que a Ferrari não fez com ele e Barrichello em dois GPs da Áustria, em 2001 e 2002.

Mas à parte a pegação no pé do alemão, que se beneficiou dessas coisas muito menos do que se imagina, porque não precisava com frequência, está na hora mesmo de a FIA acabar com essa hipocrisia de proibir ordens de equipe. Como dito no último post, ninguém estaria discutindo nada se algo parecido acontecesse na última corrida do ano valendo título. Nem a FIA multaria ninguém em ridículos 100 mil dinheiros, como fez com a Ferrari.

As ordens acontecem aos montes, só que com frases diferentes. Ninguém diz no rádio para tirar o pé e deixar o companheiro passar. Usam-se eufemismos: “Meu querido, mude a mistura para G8 e poupe o motor”, diz um engenheiro; “Honey, seu consumo de óleo está alto, a temperatura do assento subiu, há uma vibração na gaveta do toca-fitas, acho melhor reduzir o ritmo”, pede outro.

F-1 é um esporte coletivo e cada time faz o que quiser. Desde que, claro, não mande alguém se espatifar no muro, ou segurar um adversário com manobras desleais. Como também já foi dito, as equipes que tomem suas decisões e aguentem as consequências, como a reprovação de fãs e torcedores, a imagem arranhada, a execração pública. E a contrariedade dos pilotos.

O problema hoje foi o comportamento dúbio de Massa. Deixou passar e ficou emburrado, dando a impressão de que a ordem o emputeceu. Depois, disse que foi ele quem decidiu deixar, que não houve ordem alguma.

O negócio é o seguinte: se houve ordem e atendeu, não reclame. Ou, então, se negue a fazer o que mandaram e acabou. Depois vai resolver a situação a portas fechadas. Se foi ele mesmo quem decidiu permitir a ultrapassagem, que não diga coisas como “não preciso falar nada”, insinuando que estava obedecendo ordens, e que era isso ou a guilhotina.

Do jeito que fez, Massa conseguiu que todo mundo ficasse com raiva da Ferrari, com raiva dele e com raiva de Alonso. Poucos ficaram com peninha do brasileiro. Ele será tratado como vítima, na Globo principalmente, mas não é. Mais ou menos como aconteceu com Barrichello em Zeltweg. Não adianta fazer bico. A tromba acaba jogando o público contra a equipe. E aí sim a equipe se irrita. Bastante.

Como já falei, e estou me tornando repetitivo, é preciso saber dizer “não” às vezes. E se for dizer “sim”, que se diga com um sorriso no rosto. O gozado é que de Felipe eu juro que não esperava isso. No seu primeiro ano de F-1, lembro claramente de ele ter peitado Peter Sauber numa corrida não sei onde. O companheiro de equipe era o Heidfeld, creio, e ele recebeu a ordem para deixar o alemão passar. Mas não deixou e na entrevista depois da corrida, falou que o rádio estava quebrado.

Doce molecagem, que poderia ter repetido hoje. Insisto que, para mim, ganharia pontos com tal atitude. Junto aos mecânicos, aos torcedores, ao seu engenheiro. Alguém ficaria puto no time, mas depois entenderia. O que se espera de um piloto é que ele lute por vitórias, não por empregos. O mundo do esporte, em algum momento, sabe recompensar quem age assim.

Quanto à Ferrari, sigo defendendo a tese de que ninguém deve ficar indignado ou revoltado com “essa nojeira”, “essa sacanagem com o Brasil”, essas coisas chiliquentas. A equipe é apenas burra. Não porque, como sugere Schumacher, não sabe disfarçar; mas porque resolve dar ordens estapafúrdias em momentos inadequados.

Hoje, não tinha sentido nenhum mandar Felipe deixar passar. No dia em que o brasileiro festejava o fato de estar vivo exatamente um ano depois do acidente horroroso que quase o matou na Hungria, uma vitória seria muito mais importante para ele, repleta de significados, do que para Alonso.

O espanhol, graças a mais uma patuscada italiana, ganhou sete pontos na tabela e anexou uma legião de torcedores antipáticos à sua causa quixotesca, que é tentar conquistar o tricampeonato com um carro pior que os de McLaren e Red Bull. E não serão esses sete pontos que vão resolver os problemas de Maranello.

Quanto a uma punição maior que os 100 mil dinheiros, seria engraçado se isso acontecesse. Principalmente na gestão de Jean Todt como presidente da FIA, justo aquele que já decidiu Paris-Dacar na moedinha e que não teve a menor vergonha de fazer o que fez na mesma Ferrari naquelas já distantes corridas austríacas.

E chega desse assunto.

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369 Comentários

  • Alguém se lembra do Kimi falando com o engenheiro..

    http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/2009/05/08/barcelonetas-4-2/

    SÃO PAULO (veja logo, antes que tirem do ar) – Alguém tinha reparado nesse diálogo entre o Raikkonen e seu engenheiro nos treinos de hoje? Eu, se vi, estava com sono e não notei. Para quem não viu, aí está. O engenheiro diz “Still no KERS Kimi, still no KERS”, e o finlandês, com toda sua classe talhada em litros de vodca, responde: “Yeah, you don’t have to tell me every lap and every corner, I can see it from the lights”.

    Espetacular! Quem mandou foi o blogueiro Siberian Husky, de São José dos Campos.

  • Coloquei o despertador às 08:59 pra poder ver a corrida, minha namorada me sacaneou pois tínhamos chegado da rua umas 04:00 “só você mesmo pra acordar cedo pra assistir essa coisa sem graça…” Ainda argumentei que tinha graça sim, era emocionante, etc…, Mas ela é bem mais nova que eu, não chegou a ver um Brasileiro campeão. Eu vi três!
    Enfim, lá estava eu firme com a TV ligada beom baixinho, pra não acordar aquela morena linda, dormindo só de calcinha do meu lado. E a corrida estava mesmo emocionanote, eu estava pensando até em acordá-la assim que o Alonso encostasse no Massa pra provar que a F1 pode ser mesmo emocionante…
    Mas depois daquela palhaçada fiquei pensando mesmo se ela tem razão. Quantas vezes já tinha feito isso, acordar cedo pra ver corridas, ficar acordado de madrugada pra ver Malasia, Japão, Singapura…
    Definitivamente não vale mais a pena.
    Eu sempre gostei de F1, independente dos pilotos brasileiros, mas realmente é frustrante ver os nossos representantes hoje fazerem papel de marionetes…
    Fico só imaginando qual seria a reação de um Piquet ou um Senna recebendo uma ordem dessas pelo rádio.
    “Nelson, o Nigel está mais rápido que voce, voce entendeu?” ou “Ayrton, o Alain está mais rápido que voce, voce entendeu?”
    Primeiro uma bela gargalhada, depois ‘FODA-SE”, seria mais ou menos a reação de qualquer um dos dois!
    Saudades daquela época em que o Brasil tinha pilotos de Formula 1.
    Definitivamente, minha namorada linda, mas que não entende nada de F1, tem razão. Faz tempo que perdeu a graça…

  • Coloquei o despertador às 08:59 pra poder ver a corrida, minha namorada me sacaneou pois tínhamos chegado da rua umas 04:00 “só você mesmo pra acordar cedo pra assistir essa coisa sem graça…” Ainda argumentei que tinha graça sim, era emocionante, etc…, Mas ela é bem mais nova que eu, não chegou a ver um Brasileiro campeão. Eu vi três!
    Enfim, lá estava eu firme com a TV ligada beom baixinho, pra não acordar aquela morena linda, dormindo só de calcinha do meu lado. E a corrida estava mesmo emocionanote, eu estava pensando até em acordá-la assim que o Alonso encostasse no Massa pra provar que a F1 pode ser mesmo emocionante…
    Mas depois daquela palhaçada fiquei pensando mesmo se ela tem razão. Quantas vezes já tinha feito isso, acordar cedo pra ver corridas, ficar acordado de madrugada pra ver Malasia, Japão, Singapura…
    Definitivamente não vale mais a pena.
    Eu sempre gostei de F1, independente dos pilotos brasileiros, mas realmente é frustrante ver os nossos representantes hoje fazerem papel de marionetes…
    Fico só imaginando qual seria a reação de um Piquet ou um Senna recebendo uma ordem dessas pelo rádio.
    “Nelson, o Nigel está mais rápido que voce, voce entendeu?” ou “Ayrton, o Alain está mais rápido que voce, voce entendeu?”
    Saudades daquela época em que o Brasil tinha pilotos de Formula 1.
    Definitivamente, minha namorada linda, mas que não entende nada de F1, tem razão. Faz tempo que perdeu a graça…

  • Depois da corrida de domingo, a Ferrari resolveu os problemas de falta de ultrapassagens. Cada equipe manda seu pilotos inverterem 10x as posições durante a corrida, que vai ser a prova com maior número de ultrapassagens.
    Parabéns, Ferrari sabia que alguém iria resolver este problema.

  • Na minha opinião a maioria destas viúvas que estão se sentindo traídas, “não asisto mais F1” e babozeiras do gênero serão os primeiros a ligar a tv em dia de gp e, quer saber ? Se não assisitirem mesmo também não vão fazer falta.
    Jogo de equipe, sim o nome é JOGO DE EQUIPE, sempre existiu e sempre existirá em corridas de automóveis porque faz parte da essencia deste esporte, quem não concorda, ou não gosta, que acompanhe outro tipo de competição… Frescobol por exemplo.

  • Alguém já deve ter lembrado disso, mas não custa ressaltar:

    Massa não tem apenas uma relação piloto/equipe com a Ferrari. É também uma relação de negócios, vide as categorias instaladas há pouco no país. É uma situação muito complicada.

    Mas, no fundo, foda-se. Ele fez uma escolha, que pode ser a mais acertada para ele, para a sua família, para sua fortuna como homem após as pistas. Agora, esportivamente, tem que aguentar o tranco.

  • Esses dois parágrafos foram perfeitos! Parabéns Flávio Gomes!
    “Como já falei, e estou me tornando repetitivo, é preciso saber dizer “não” às vezes. E se for dizer “sim”, que se diga com um sorriso no rosto. O gozado é que de Felipe eu juro que não esperava isso. No seu primeiro ano de F-1, lembro claramente de ele ter peitado Peter Sauber numa corrida não sei onde. O companheiro de equipe era o Heidfeld, creio, e ele recebeu a ordem para deixar o alemão passar. Mas não deixou e na entrevista depois da corrida, falou que o rádio estava quebrado.

    Doce molecagem, que poderia ter repetido hoje. Insisto que, para mim, ganharia pontos com tal atitude. Junto aos mecânicos, aos torcedores, ao seu engenheiro. Alguém ficaria puto no time, mas depois entenderia. O que se espera de um piloto é que ele lute por vitórias, não por empregos. O mundo do esporte, em algum momento, sabe recompensar quem age assim.”

    Resumiu tudo!
    Acho que vc não deixaria o trovão azul te passar em Interlagos, com vc liderando a corrida. Deixaria?

  • Coloquemos assim, quem ganhar corrida tem emprego quem chegar em segunda dança….isso dentro das equipes, vamos ver se vai ter ordem que cole.
    É triste, mas é verdade o Felipe amarelou…virou ssegundão do Espanhol. Daqui a pouco vai segurar o touro pra ele tb poder espetar a espada nele.
    É o fim mesmo.

  • Por favor, FG!!!

    Dizer que a Ferrari eh pior que a McLaren eh usar, alem de memoria seletiva, uma visao seletiva.
    Eh so olhar no cronometro nas ultimas 3 corridas e ver que a Ferrari ja esta superior que a McLaren. Na ultima corrida nem a Red Bull conseguiu acompanhar os vermelhos.

  • Agora com mais calma. Vejo que.
    Não tenho como digerir essa história.
    Sacanagem da brava, minha vontade é deixar a F1…. acabou.
    Principalmente a FERRARI que se acha acima de tudo e todos !!!! O Alonso que tem necessidade de ganhar no grito.
    E Massa que está seguindo seu plano de carreira … Não tenho motivos para torcer pra nenhum deles !!!!

  • Prezado Felipe,
    Não é nemn a primeira, nem a décima vez que há marmelos dessa e de outra natureza na F1 e também está longe de ser a última. Eu gostava muito de assistir as corridas de F1 e Fórmula Indy, quando o Émerson corria. As ultrapassagens eram feitas na pista. Há muito tempo que o carro vencedor é o melhor carro e não o melhor piloto. Há muito tempo que as ultrapassagens são feitas pela rapidez de reabastecimento ou troca de pneus nos boxes.Há muito tempo que para ser campeão, quem tem mais pontuação fecha o adversário na última corrida da temporada, para que ambos saiam da pista, como fizeram Prost com Sena e vice-versa. Há muuito tempo que Rubinho deixa o primeiro piloto da equipe passar, mesmo tendo a corrida ganha ou que Piquet Filho bate propositadamente na parede para favorecer a um coilega, ou mesmo que na última volta de um último grande prêmio, alguém deixe o Hamilton passar para ser campeão.
    Por isso, não assisto mais corridas. Baseado nos comentários da JP, não assisti nem aos vídeos da corrida. Embora não me surpreeda com quase nada no esporte, também fiquei dececionado com o Massa, que representa o Brasil e Brasileiro não devia desistir nunca.

    Obs: O Hotel InterContinental (“ex-hotel da PANAM”) localizava-se em frente ao Hotel Nacional (edifício redondo), na Barra da Tijuca e não no Hotel Sheraton (em frente ao Vidigal)..
    Sds,
    Armando.

  • Vamos parar com as baboseiras, Felipe Massa agiu como profissional, o fato é que naquele momento o Alonso estava mais rápido . Claro que seria melhor e mais correto uma disputa pela posição, porém os times também visam os campeonatos de pilotos e construtores, para a Ferrari não faz muita diferença quem ganha e sim quantos pontos ela ganha. Cabe a nós torcedores apoiar o Felipe e torcer que a partir de agora os resultados comecem a aparecer pois se ele fizer seu trabalho bem feito e colocar tempo no espanhol, não vai haver esse tipo de atitude.

    • Então vamos torcer para que ele consiga mais uns 6 segundos postos para o bem da ferrari né?! Talvez assim a equipe permita segurar o contrato até o final de 2011. Piloto de personalidade fraca não ganha título.

  • Triste mesmo é rever um fato que pensamos ter sido enterrado na Austria, pior ainda é tentar chamar pra si uma responsabilidade que não pertence como tentou fazer o massa. Se assim fosse deveria ter encenado no pódium e não ter ficado com cara de menino chorão. independentemente da posição dele e do Alonso, esse tipo de coisa macula a idoneidade do esporte, a verdade dos resultados e a credibilidade de todos que pertencem ao “circo” da formula um. Aliás nunca uma palavra foi tão bem aplicada.

    Saudades dos pegas “liberados” Senna x Prost, mansell x Piquet !
    Abraços de um fã com gosto de m… na boca

  • O Massa demonstrava que poderia ser o proximo campeão brazuca na formula 1. Pois é, caiu a ficha de todos, não teremos um campeão nos proximos anos. Depois de Fittipaldi, Piquet e Senna, infelizmente é isso que temos: pilotos brasileiros submetendo-se a dar passagem para os 1º pilotos, batendo no muro para renovar o contrato, cedendo o lugar em corrida para o piloto com mais grana. Viramos chacota!!!!!!!!!!

  • Após o episódio de ontem envolvendo Felipe Massa e a Ferrari, uma analogia da situação com a de Muricy Ramalho e Ricardo Teixeira veio na caixola.

    O todo-poderoso da CBF, há mais de 20 anos no poder, ao contrário do que muita gente pensa, ganhando (ou comprando) eleições sucessivas, na qual votam os dirigentes dos maiores clubes do Brasil, deixou para a última hora o convite para o seu preferido Muricy Ramalho. Não por questão pessoal, certamente, mas por currículo invejável e capacidade incontestável, reconhecida por 10 entre 10 jornalistas esportivos.

    Alegando questão contratual e sobretudo moral com seu clube e sua torcida foi categórico em dizer não. Saiu da reunião direto para as Laranjeiras treinar seus jogadores. O semi-Deus, alfinetado, pasmado, com fraqueza exposta por um NÃO de um até então subordinado, descontrolou-se. Caiu no ridículo (aqui sim a palavra é apropriada) em não estender a mão ao vassalo rebelde que tentava cumprimentá-lo.

    Mais tarde, Muricy, entre questões secundárias de contratos e multas rescisórias, justificava o NÃO por sua palavra com o clube, com sua torcida e por exemplo para seus filhos.

    E se Massa fizesse o mesmo? Simplesmente pensasse diferente. Seria tão mal assim estender a mão para Domenicali e ser desprezado?

    É de Muricys que o Brasil precisa, por atitudes de honra, de enfrentamento, de fidelidade, de coragem e sobretudo, de sabedoria em seguir os seus instintos. Porque eu sei que esse não é o instinto de Massa. Ele foi fraco, burro e submisso.

    Fraco! Burro! Submisso!

    Com certeza sofre agora. Envergonhou o Brasil diante do espanhol birrento. Decepcionou seus fãs. Curvou-se aos milhões do Santander.

    Romântico que sou, penso no futuro do pobre Felipinho, em uma das Ferraris o pai lhe dará. O tempo e a vida já me mostraram que isso nada vale diante do gol, serie ouro, que ganhei do meu pai, Antônio, funcionário público, que me enfiou goela abaixo que um homem se mede por sua honra, sua coragem, sua dignidade!

  • Achei interessante a opinião do Eddie Jordan,sendo que na primeira vitória da Jordan em 1998, quando o Damon Hill venceu, a um certo ponto da corrida o Ralf Schumacher, que era companheiro de equipe dele na época, estava em segundo na prova e chegando cada vez mais rápido, até que recebeu um pedido para não ultrapassar e o alemão acabou concordando. Aqui tem link do video mostrando isso: http://www.youtube.com/watch?v=u50eUiRQZ9Q

  • E o Schumacher tem razão e os pilotos do passado?

    Piquet e Patrese faziam “jogo” de equipe na Brabhram em 83, Patrese como sempre era o que se dava mal, a tática da “lebre” era sempre Patrese quem fazia, forçava seu carro na liderança para forçar uma quebra no Turbo no carro de Prost que precisava da vitória, Piquet só esperava atrás…advinha quem quebrava na corrida?
    Mansell e Patrese faziam “jogo” de equipe na Williams em 92, Patrese até reclamou mas não teve jeito, teve que cumprir ordens!
    Várias vezes Berger tinha carro mais veloz que Senna(até o R.Leme e Galvão diziam isso) mas Berger na maioria das vezes se mantinha atrás, quando ultrapassava era apena para “dizer” a Senna tinha que ser mais rápido pois atrás dele vinha outro piloto se aproximando, na mesma volta Berger entregava a posição, depois ficava atrás para “segurar” Prost e Mansell, isso aconteceu muito nos anos de 90/91/92. Era comum ver Berger “brigando” principalmente com Mansell por posição, mas com Senna eu nunca vi Berger fazer o mesmo! Disso ninguém reclamava, até hoje o Galvão fala que o Berger é um cara muito legal…sei. Quantas corridas Berger venceu tendo Senna como companheiro de equipe? Alguém vai querer justificar que eles eram amigos(O Berger era amigo de Senna dentro e fora das pistas, o Senna só era amigo de Berger somente fora das pista, isso é fato). Por amisade ou não, Senna era o favorecido!
    Essa tática da “lebre” também foi usava pela Mclaren em 91, Berger era o escolhido para vencer as corridas(risos) na reta final da temporada, Senna se encarregava de “segurar” Mansell. Acabou dando certo, desesperado Mansell errou e saiu da corrida, depois veio a “presepada” do Senna entregar a vitória a Begrer na última volta! Detalhe, Senna recebeu ordens de R. Dennis para entregar a vitória, depois disse que não tinha problema pois Berger o ajudou em muitas ocasiões na temporada….sei, mas isso não é favorecimento??? O que Berger ganhou com isso, pra mim isso é manipulação!

    GP da Europa 1997
    J.Villeneuve liderava até a última chicane(depois vinha a reta e a bandeirada) como Rubinho deixou Hakkinen e Coultrard passar! Ué mas J.Villeneuve era da Williams e deixou os dois pilotos da Mclaren passar? Pois é, Frank Williams deu a ordem! Mclaren e Williams tinham combinado “jogo” de equipe entre elas para derrotar a Ferrari nesse GP, “jogo” entre duas equipes pode??? Na corrida a sutileza de Ron Dennis pelo rádio quando Coulthard estava a frente!!

    Ron Dennis: “Coulthard deixe Hakkinen passar!”
    Coulthard: “Não estou entendo, problemas no rádio”
    Ron Dennis :”Coulthard se vc não deixar Hakkinen passar será despedido!!!”

    Ninguém comenta essas presepadas da Mclaren, Coulthard também entregou o GP de Portugal a D.Hill para ajudar o mesmo na briga pelo título com Schumacher em 1994, outro detalhe: Mansell correu as duas últimas corridas de 94 com um único objetivo, ajudar Hill a ser campeão…isso não é jogo de equipe? Mansell já com 39 anos tomava pau até do Hill na pista, nem teve como ajudar só andava atrás de Schumacher e Hill.

    Pelo menos 3 vitórias Coulthard entregou a Hakkinen na Maclaren e uma na Williams, isso ninguém se lembra!

    Trulli em 2006 também deu uma “força” no GP da China ao Alonso na Renault, Alonso liderava mas perdia rendimento, Trulli se aproximou junto com Schumacher mais veloz ainda. O que se viu pela tv foi HILÁRIO, na reta Trulli e Alonso se emparelhavam lado a lado para impedir uma ultrapassagem de Schumacher, isso ocorreu por 2 voltas, o alemão deve ter dado boas risadas atrás. Não teve jeito Alonso cedeu a liderança a Trulli, Schumacher foi atrás e passou o italiano e venceu, Trulli mais veloz que Alonso permaneceu atrás do espanhol até a bandeirada, isso não é favorecimento? Trulli podia passar o espanhol e não o fez, seria um segundo lugar a mais na sua carreira.

    Esses favorecimentos ou “jogos” de equipes existem na F1 desde 1950! Fangio quando tinha problemas em seu carro parava nos boxes e sempre recebia carro dos companheiros de equipe, NUNCA Fangio cedeu seu carro, sempre ele era o beneficiado, isso não é favorecimento?

    Era comum ver Cevert desde a largada até a bandeirada “colado” em Stewart, nem mesmo ameaçava uma ultrapassagem, isso não é favorecimento?

    Peterson sob contrato não podia lutar pelo título de 78, Andretti era o favorecido, cadê a ética esportiva nessa época?

    Gilles Villeneuve também recebeu um “pedido” de Enzo Ferrari no grid do GP de Monza em 79: “Gilles esse título de 79 é de Jody, a partir de 1980 a equipe vai trabalhar pra vc”. Pra mim “pedido”, ordens, táticas ou “por amisade” é a mesma coisa…tudo acaba em favorecimento a um e o outro fica chupando o dedo!

    Na pista quem pode mais quem chora menos, Schumacher não foi o único a ser favorecido(nem precisava disso, na pista 99% ele fazia sozinho) mas é sempre eternamente lembrado! Até o alemão teve que entregar uma vitória a Irvine em 99, mas isso pouco importa! Só pra lembrar Schumacher além de dar o troféu de vencedor do GP a Áustria 02 ao brasileiro, também corrigiu a “burrada” da equipe Ferrari, entregou por conta própria a vitória do GP do USA/02 ao Rubinho, isso ninguém lembra…muito menos o CHORÃO! Eu duvido que Alonso vá entregar uma vitória ao Massa se o carro deve estiver mais lento! DU-VI-DO!!! Massa podia vencer a corrida, Vettel não ultrapassou Massa, era só as Ferraris andarem juntas mantendo as posições, Vettel não teria como passar não o vez com Massa! Em 81 Reutemann recebeu ordens da equipe para Jones vencer o GP do Brasil, mas o argentino mandou a equipe se fud…e venceu o GP, depois se aposentou no ano seguinte! Arnoux também recebeu ordens da equipe para Prost vencer o GP da França em 82(até tú Prost tinha mordomias? Claro que tinha). Arnoux venceu o GP e mandou todos da Renaullt tomar naquele lugar, depois foi correr na Ferrari em 83 fazendo seu melhor campeonato na F1. Pra mim que acompanho a F1 a 30 anos essas coisas não são novidades, acho até engraçado a choradeira da torcida brasileira mas só choram quando são os prejudicados, quanta hipocrisia! Só se esquecem que Rubinho e Massa tem parte da culpa, mas a torcida prefere sempre atacar a equipe! Se não esta bom, caia fora…Rubinho preferiu ficar, ficou milionário mas no Brasil ele será eternamente conhecido como bundão, Massa ainda pode escolher cair fora, mas acho que vai ficar na equipe! Insatisfeitos por causa do favorecimento ao companheiro de equipe, Emerson caiu fora da Lotus em 73,Reutemann em 81, Arnoux na Renault em 82, Piquet na Williams em 87, Prost na Mclaren em 89, Alonso na Mclaren em 07. Falem o que quiser do Schumacher mas ele somente dançou conforme a música, outros grandes pilotos também foram favorecidos! Já dizia Enzo Ferrari: “Existem dois tipos de pilotos, o veloz e sábio e o que somente compõe a equipe”. O piloto quem decide que lado vai ficar. Schumacher deu uma indireta aos grandes pilotos(favorecidos) do passado! Quanto mais acontece trapaça ou “jogo” de equipe na F1 mais limpa a moral do alemão fica! Hamilton/Vettel/Alonso não são os queridinhos da equipe? Senna não era o número 1 na Tolemam/Lotus/Williams(e Mclaren quando Prost caiu fora)?. Piquet não era o número 1 na Brabham/Lotus/Benetton? Os brasieliros estão reclamando de que? Quem pode mais chora menos macacada! Alonso esta a frente na pontuação, no geral esta se dando melhor com o carro, a equipe esta pensando no campeonato! A RBR não favoreceu Vettel com a tal “asa” não disse que o que vale é o piloto com mais pontuação…a Ferrari fez o mesmo! A RBR pode e a Ferrari não?

  • Bem,

    o problema é sim, como escrito no post, o comportamento do Massa. Ele não será campeão na Ferrari se não conquistar um espaço, ele não poderá, em um futuro próximo, ser campeão em outra equipe, porque as boas estão ocupadas, ou seja, será que ele tem noção do que fez com ele mesmo ao aceitar essa situação?
    Essa é que é a indignação de tantos fãs da F1 no Brasil.

    Esse Alonso que ontem ganhou no grito, é o mesmo moleque mimado que em 2008 ganhou porque um cara meteu seu próprio rabo no muro em Cingapura e que acabou sendo limado da F1, é o mesmo Alonso que deu chiliques em uma McLaren envolvida em um escândalo absurdo de espionagem, tudo porque queria que a equipe trabalhasse só pra ele, e um moleque peitou sua majestade, esse é o Fernando Alonso pós bi-campeonato, quer ganhar no grito.

  • Piloto brasileiro ja era… Todos so tomam na cabeca e ficam tentando provar pra todos que sao bons. Nenhum deles hoje tem o direito de nem cheirar o chule de um Emerson, Senna , Piquet, Pace, Landi, os caras que abriram o caminho pra esses filhinhos de papai mimados que ai estao e que so pensam na grana. Piloto de carro ficou igual jogador de futebol, so corre pela grana… Massa, num vem com essa cara de emburradinho pq vc deixou passar pq so pensou na renovacao com a Ferrari por mais uma temporada. Sinceramente, se sair de la, vai correr junto com o Piquezinho…

  • Eu já tinha encomendado a compra de 3 Ferraris (1 vermelha, 1 amarela e 1 prateada) para o mês que vem. Cancelei o Pedido.
    Espero que o povo brasileiro faça o mesmo e não compre mais Ferraris. Façam como eu! Optem pela Lamborghini!

    • Emerson,
      brincadeiras à parte, se os que tem bonezinho da Ferrari jogarem ele no lixo, já está ótimo.
      Quem continuar usando, além da marca italiana na testa, carregará, implicitamente, a marca de IDIOTA.

  • 100% de acordo com o post do Gomes. Só gostaria de acrescentar que essa coisa de cumprir ordens de má vontade e depois se fazer de vítima para a opinião pública, como fizeram Barrichelo, Piquezinho e agora o ex-galinho-de-briga Massa só reforça a imagem de moleque que o brasileiro já conquistou no mundo todo.

  • Tenho um grande amigo,italiano,ferrarista roxo,conheceu o comendador Enzo Ferrari,e sempre ele diz:A Ferrari não dá valor algum ao piloto,ela não lembra de nenhum,não homenageia nenhum,mesmo se for italiano,o que vale é a FERRARI.nem o Schumacher merece nada,portanto não adianta ter nome italiano(Massa),vale quem esta na frente ,para dar o titulo à Ferrari a não ao piloto.Amanhã será a vez do Alonso.

  • O Massa é feito da mesma massa do Barrichello.

    Até seria bom para eles, numa qualquer outra actividade, mas para piloto de fórmula 1, não será a melhor atitude.
    Se fosse ao contrário, tenho a certeza que o Alonso não lhe daria a vitória.

  • O Flávio foi perfeito em sua análise.
    O Massa aceitou a farsa e depois ficou emburrado, exatamente igual ao Rubens. Esse negócio de coitadinho em F-1 é ridículo. Falta aos dois o “instinto matador” dos grandes pilotos, aqueles que se diferenciam dos bons.

  • Parece sacanagem???? Não sei aonde! Ele foi o sujeito que mais se beneficiou desse tipo de coisa em toda a história da F1, não fosse assim ele teria, forçando muito a barra, uns 3 títulos. Pelo menos é coerente.

  • Valeu FG, bastante lucido seu comentario. O terrivel é aguentar os “PS” do massinha na emissora oficial. Até o reginaldo, que parecia ser um cara lúcido, entrou na onda de peito aberto, tornando-se a mais nova “massete” do circo. Engraçado lembrar que em 2008, na Malásia ou China, não me lembro bem, o “finlândia” deixou o ‘brazuca’ passar e ninguém reclamou. Resumindo: hoje, o massinha é mesmo segundo piloto da ferrari, só não vê quem não quer. Ou porque a emissora oficial não deixa. Tenham dó… A f-1 se tornou um saco, essa é a verdade… Deviamos todos ir assistir a Indy, mas parece que o negócio lá também não está muito diferente. Quer saber: vamos assistir a Nascar. Ali sim, o bicho pega…

  • Tai a famosa clausula Barrichello do contrato de Massa que ele jurou e ficou bravo dizendo que não existia. Pois é, eu achava que o Massa não seria capaz disso, mas agora meu amigo lascou-se não tem mais o que torcer na F1..muito fraquinho ele permitir isso..

  • Felipe, pede para sair, isto é um campeonato, se é que você sabe disto. Vai plantar fava no asfato para ver se nasce. F1 é toda manipulada, esse carro ganha e o outro perde, as ordens vem todas do quartel general das equipes. Intragável, estou vendendo meu ingresso da F1 no Brasil….

    • boa ideia a se pensar…. pelo menos invertia a importancia dos pilotos de autorama e premia mais abertamente o trabalho das equipes e de seus carros….. aí sim os pilotos viram meros funcionários… ja q hoje em dia tratam a F1 como empreendimento e nao como esporte a motor…

  • Dúvida!

    A Ferrari(pilotos, chefe de equipe, presidente) já deixou bem claro que em primeiro lugar está a equipe. OK! Entendi.

    Sendo assim, o principal objetivo da equipe não deveria ser o mundial de construtores?

    Então, uma decisão de troca de posições entre pilotos, estando a “equipe” na primeira e segunda posições, não faz qualquer sentido.

    ou seja, H I P O C R I S I A

    • exatamente!!!! esse argumento de jogo de equipe cai por terra…. e so tolero esse tipo de jogo de equipe quando falta umas tres corridas pro fim da temporada com um dos pilotos tendo chances de titulo como ja foram citados aqui varios casos… mas estamos no meio da temporada ainda… e se o alonso era mais rapido mesmo q tirasse a diferença e passasse.. e se conseguisse isso…. iria aumentar o respeito diante de muitos telespectadores….. e nao como mimados obedecendo o papai ferrari… mas enfim…. chato nao..?

    • Quem leva o n° 1 para a equipe na temporada seguinte?
      R: o piloto!

      O campeonato de pilotos tem maior importância sim do que o de construtores, e as equipes querem primeiro fazer um de seus pilotos o campeão. Se der pra ganhar o de construtores, beleza! Se não, dane-se.

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Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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